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Encontre o (a) Santo (a), Beato (a), Venerável ou Servo (a) de Deus

terça-feira, 1 de julho de 2014

Beatos Pedro Aredio Labrouhe de Laborderie, João Battista Duverneuil, sacerdotes, e 63 companheiros, Mártires de Rochefort, França (na Revolução Francesa)


A revolução francesa teve grande mérito em educação política, desenvolvimento moral e social da idade moderna, mas como todas as revoluções que, de alguma forma, pressupõem uma derrubada violento das classes dominantes com desordens, deixou para trás um lago de sangue, mortes injustas, crimes e violência.
E a Igreja Católica, em todas as revoluções ocorridas no mundo, independente do lugar onde ocorreram, teve que pagar um tributo de sangue: isto é, teve muitos mártires que morreram pelo simples fato de serem religiosos e fiéis à Igreja.
A Assembleia Constituinte em 1789, após confiscarem de todos os bens os clérigos (diocesanos), também confiscaram e suprimiram os institutos religiosos e decreta a Constituição Civil do clero, para que os bispos e párocos, passassem a ser eleitos por votação popular, forçando-os todos ao juramento de aderência à constituição; Houve quem se juntou à revolução e os que não o fizeram (eram chamados de “refratários”).
A Assembléia Constituinte, perseguiu sem piedade ao clero e religiosos chegando a massacrar em 1792 cerca de 300 “refratários”, entre religiosos, bispos e sacerdotes. A isso seguiu-se uma ordem que mandava aos “refratários” que se apresentassem espontaneamente para que fossem deportados, sob ameaça de pena de morte.
Foram assim golpeadas 2412 testemunhas da fé, sacerdotes e religiosos, enviados para três zonas de deportação da França, dos quais, 829 foram ficaram na baía de La Rochelle (ou "pontões" de Rochefort).
Entre esses destacam-se os sacerdotes Pedro Aredio Labrouhe de Laborderie (canônico de Clermont-Ferrand), João Battista Duverneuil, carmelita descalço,  e companheiros, que na deportação, nos porões dos navios, sofreram todo tipo de privações, condições de vida miseráveis e maus tratos cruéis, no intuito que morressem antes mesmo de serem deportados. Assim morreram, vítimas da inanição, da falta de higiene e por doenças, porém, mantendo paciência heroica e fé, mesmo nesse terrível tormento.
Os padres Pedro Aredio, João Battista Duverneuil, juntamente com outros 63 companheiros de martírio, foram beatificados em 01 de outubro de 1995 pelo Papa São João Paulo II. Esse reduzido número (menos de um décimo do total de prisioneiros) deve-se ao fato de que foram os únicos cujos nomes ficaram conhecidos na documentação encontrada.
Os demais, obviamente que também são bem aventurados mártires da fé, portanto, gozam da visão beatífica ao lado do Senhor, porém, seus nomes somente Deus os conhece.

Que rezem por todos nós, nesses tempos tão difíceis para a Igreja, nos quais a perseguição e o ódio contra a Fé ainda persistem e insistem, apesar de estarmos no século XXI. Que rezem também por aqueles que apostaram a fé ou que não creem, em especial na França, esse país que antes da Revolução Francesa, era um celeiro de santos, de santas e de excelentes filhos e filhas da Igreja. Hoje em dia, a França amarga a triste situação europeia, onde uma minoria ainda se diz católica, cristã ou crente em Deus. 
Obs: não encontrei em nenhum lugar uma figura ou estampa com a efígie do Beato Pedro Aredio. Uma pena... Coloco abaixo as estampas ou figuras que consegui encontrar na internet, com imagens de outros beatos. Coloco por primeiro os Beatos João Battista Duverneuil, Miguel Luis e Tiago de Rochefort, que são carmelitas descalços. 




Bem Aventurados João Battista Duverneuil, 
Miguel Luiz e Tiago de Rochefort, Carmelitas
Descalços, Mártires da Baía de Rochefort. 



Beatos Mártires Lassalistas de Rochefort



Crucifixo (único que lhes permitiram) usado
pelos Beatos Mártires em suas orações
no porão do navio onde estavam amontoados.
Tornou-se, portanto, o símbolo ou estandarte
da fé e paciência heroicas dos mártires.



Os mártires de Rochefort continham membros do
clero secular bem como sacerdotes e religiosos de
várias Ordens e Institutos Religiosos. 


segunda-feira, 30 de junho de 2014

Beato Diogo José de Cádiz, Presbítero Capuchinho e Missionário (dois textos biográficos)




Primeiro Texto

O Beato Diogo José de Cádiz nasceu em Cádiz, Espanha, a 30 de março de 1743. Filho de família nobre e ilustre ficou órfão de mãe aos nove anos. Pediu e foi admitido no noviciado dos Capuchinhos em Sevilha, a 30 de março de 1758. Ali fez sua profissão em 31 de março de 1759.
Depois de sete anos, durante os quais fez seus estudos de Filosofia e Teologia, recebeu a ordenação sacerdotal em Carmona. Atraído, por temperamento e vocação, para o apostolado ativo, trabalhou intensamente, com a palavra e com a escrita difusão da fé, em promover o entusiasmo religioso no meio do povo espanhol, lançando uma cruzada contra os revolucionários franceses de 1793 a 1795.
Desta sua luta, deixou como testemunho, o livro “El soldado católico en guerra de religión”, redigido em forma de carta ao sobrinho Antônio inscrito voluntariamente no exército. Difundiu eficazmente a devoção à Santíssima Trindade e a Nossa Senhora sob a invocação de Mãe do Divino Pastor.
Foi escolhido para consultor e teólogo em várias dioceses e constituíram- no cônego honorário em muitos cabidos de catedrais. Foi sócio de várias Universidades e Institutos de cultura. Mostrou-se modelo de capelão militar. Sua apurada educação clássica, seu bom senso intuitivo e a tradição franciscana salvaram-no do intelectualismo que predominava no seu tempo, mantendo-o na linha da pregação evangélica recomendada por São Francisco que, pelo fato de ser a mais simples, é também a mais sóbria e a mais eficaz.
Dotado por Deus de inteligência fora de série, converteu-se no grande apóstolo da Espanha que ele percorreu a pé, coberto com seu hábito e agarrado ao seu crucifixo. Dotado de amor ardente à Igreja, entregava-se longamente ao estudo da Sagrada Escritura para depois poder combater os erros do seu tempo em pregações ao povo e também à gente da cultura e das letras.
A oração, a penitência, a austeridade tornaram fecunda sua admirável vida tão ativa e enriquecida também com milagres. O Senhor chamou-o, em Ronda, junto a Málaga, a 24 de março de 1801, com 58 anos de idade, depois de 32 anos de intensa atividade missionária. Deixou-nos, além de três mil sermões já mencionados, numerosos escritos, entre os quais, preciosas cartas espirituais. Foi sepultado no santuário de Nossa Senhora da Paz, em Ronda, onde faleceu. O Papa Leão XIII, a 1º de abril de 1894, beatificou-o na Basílica de São Pedro, em Roma.




Segundo Texto

Nasceu em Cádiz a 30 de março de 1743, filho de José Lopes Caamaño, galego e de Garcia Pérez, andaluza. Viveu a sua meninice em Ubrique, onde estudou as primeiras letras, passando logo ao colégio dos dominicanos de Ronda para iniciar o curso de humanidades e filosofia, onde não teve grandes êxitos escolares. Aos quinze anos solicitou a entrada na Ordem aos capuchinhos de Ubrique. O seu pedido foi aceito. Vestiu o hábito em Sevilha no dia 12 de novembro de 1757, recebendo o nome de frei Diogo José de Cádiz.
Durante o noviciado deu mostras de grande fervor que diminui durantes os estudos de filosofia. Ao começar o segundo curso de teologia, deu-se nele uma rápida transformação espiritual. Por obra da graça, impôs-se a sim mesmo um método de vida de grande perfeição, patente na sua extraordinária vida interior. Foi ordenado sacerdote em Carmona (Sevilha). Pouco depois foi destinado a Ubrique onde começou a pregar os primeiros sermões, dirigidos especialmente à reforma dos costumes, à reconciliação dos inimigos e a combater aos erros do seu tempo. Estava convencido da sua missão apostólica providencial, servindo-se de duas armas eficazes: uma vida santa e uma sólida e ampla formação intelectual. Considera como fundamento e bases de todo o seu apostolado, o estudo, a oração e a penitência.
A partir de 1771 dedica-se por completo às missões populares. A primeira foi em Estepona (Málaga), seguindo-se outras em Castela, Madri, Navarra, Aragão, Catalunha, Valencia e Murcia. Era reclamado por toda a Espanha. A sua reputação de homem de Deus e varão apostólico estendeu-se por toda a geografia espanhola. As suas pregações eram acompanhadas de forte comoção popular trazendo consigo uma profunda renovação da vida religiosa e moral, com repercussões na vida pública. Muitas vezes teve de pregar nas praças públicas, devido grandes multidões que não cabiam nas igrejas. No dizer de Menéndez y Playo, Frei Diogo é a figura mais representativa da oratória religiosa espanhola depois de São Vicente Ferrer e de São João de Ávila: “desde então para cá, não ressoou palavra eloquente e inflamada dentro das fronteiras de Espanha” (Heterodoxos españoles II, 711).
Em 1782 pregou em Toledo, Ocaña e Aranjues, privando com o rei Carlos III e a corte, onde passou a ser estimado e venerado. Até 1795 calcorreou praticamente todo o território espanhol. Percorreu a pé 52.000 quilômetros e deixou-nos mais de três mil sermões e muitas cartas espirituais, realizando o seu desejo de ser “capuchinho, missionário e santo”.
Os últimos anos, de 1795 a 1801, foram passados em Andaluzia, sempre ocupado em trabalhos apostólicos e missionários. Fomentou com eficácia a devoção à SS. Trindade e a Maria com Mãe do Divino Pastor. Como eminente teólogo, foi eleito consultor de várias dioceses, cônego honorário em muitos cabidos de catedrais, sócio de universidades e institutos culturais, além de eficiente e ativo capelão militar.
Morreu a 24 de março de 1801 em Ronda (Málaga), onde costumava passar largas temporadas na cura de almas, em casa de alguns amigos que lhe prepararam um quarto e capela, em frente da igreja da Virgem da Paz, padroeira de Ronda, de quem frei Diogo era fervoroso devoto. A sua morte causou grande consternação em Espanha e foi anunciada até no Boletim Oficial do Estado a 26 de maio desse ano.

A mensagem de frei Diogo produziu abundantes frutos espirituais na sociedade espanhola do século XVIII, então em grandes convulsões sociais. Apesar das mudanças políticas que agitaram o país nos anos posteriores à sua morte, logo se iniciou o processo de beatificação. Leão XIII beatificou-o em 22 de abril de 1894.


Oração
Senhor, que concedestes ao Beato Diogo José de Cádiz a sabedoria dos santos, e fizestes dele guia e modelo para o seu povo, concedei-nos, por sua intercessão, a graça de sabermos discernir o que é bom e justo, a fim de anunciarmos a todos os homens a riqueza insondável da verdade que é Cristo. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

PRIMEIROS SANTOS MÁRTIRES DA IGREJA DE ROMA (anos 64 a 67 d.C.)


São recordados conjuntamente, neste dia, os inúmeros cristãos que sofreram o martírio em Roma, acusados injustamente pelo imperador Nero de terem incendiado a cidade.
Para o último dia de junho, a Igreja reservou a veneração dos PRIMEIROS MÁRTIRES DE ROMA. Antigamente era a festa litúrgica de São Paulo. Foram vítimas do orgulho do imperador Nero. Revestidos de peles de animais, eram lançados aos cães ferozes, crucificados ou queimados vivos, como tochas, à noite, nos jardins do imperador.

Santos Mártires de Roma: multidões de fiéis, homens, mulheres, idosos, jovens e crianças que foram lançados
às feras, crucificados ou queimados vivos, devido ao ódio e maldade do imperador Nero. 

Certo dia, um pavoroso incêndio reduziu Roma a cinzas. Em 19 de julho de 64, a poderosa capital virou escombros e o imperador Nero, considerado um déspota imoral e louco por alguns historiadores, viu-se acusado de ter sido o causador do sinistro. Para defender-se, acusou os cristãos, fazendo brotar um ódio contra os seguidores da fé que se espalharia pelos anos seguintes.

Nero aproveitou-se das calúnias que já cercavam a pequena e pouco conhecida comunidade hebraica que habitava Roma, formada por pacíficos cristãos. Na cabeça do povo já havia, também, contra eles, o fato de recusarem-se a participar do culto aos deuses pagãos. Aproveitando-se do desconhecimento geral sobre a religião, Nero culpou os cristãos e ordenou o massacre de todos eles.

Os cristãos eram lançados às feras (leões, tigres, leopardos, hienas, lobos ou cães ferozes famintos) ou queimados
vivos para "deleite" da platéia sedenta de sangue


Há registros de um sadismo feroz e inaceitável, que fez com que o povo romano, até então liberal com relação às outras religiões, passasse a repudiar violentamente os cristãos. Houve execuções de todo tipo e forma e algumas cenas sanguinárias estimulavam os mais terríveis sentimentos humanos, provocando implacável perseguição.


Alguns adultos foram embebidos em piche e transformados em tochas humanas usadas para iluminar os jardins da colina Oppio. Em outro episódio revoltante, crianças e mulheres foram vestidas com peles de animais e jogadas no circo às feras, para serem destroçadas e devoradas por elas.

Santos Mártires cristãos sendo trucidados pelas feras e cujas almas são recebidas pelos Anjos do Senhor



Desse modo, a crueldade se estendeu de 64 até 67, chegando a um exagero tão grande que acabou incutindo no povo um sentimento de piedade. Não havia justificativa, nem mesmo alegando razões de Estado, para tal procedimento. O ódio acabou se transformando em solidariedade.

Os apóstolos são Pedro e são Paulo foram duas das mais famosas vítimas do imperador tocador de lira, por isso a celebração dos mártires de Nero foi marcada para um dia após a data que lembra o martírio de ambos.

Porém, como bem nos lembrou o papa Clemente, o dia de hoje é a festa de todos os mártires, que com o seu sangue sedimentaram a gloriosa Igreja Católica Apostólica Romana.


Oração (coleta):

Senhor nosso Deus, que consagrastes pelo sangue dos mártires os grandiosos princípios da Igreja de Roma, fazei que a sua coragem no combate nos alcance uma força invencível e a alegria da vitória. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

Exéquias e sepultamento de Santos Mártires nas catacumbas romanas