Páginas

sábado, 24 de maio de 2014

Serva de Deus Madre Maria do Carmo da Santíssima Trindade, Madre Carminha de Tremembé.


Serva de Deus Madre Carminha, de Tremembé, São Paulo
A CARMINHA DE TREMEMBÉ

Carmem Catarina Bueno nasceu em Itu/SP, a 25 de novembro de 1898, festa de Santa Catarina de Alexandria. Seus pais eram Teotônio Bueno e Maria do Carmo Bauer Bueno, que apenas contava quinze anos ao dar à luz a sua primogênita. Da mãe herdou o caráter decidido, temperamento ardoroso. Do pai, a alma de artista.

Ao dar-lhe a luz, a jovem mãe esteve com a saúde abalada. “Nhá Cota” (apelido afetuoso dado a D. Maria Justina Camargo Bueno) pediu para cuidar da recém-nascida em Campinas, como fizera com o filho adotivo, Teotônio.

A 12 de fevereiro de 1899 é batizada da Matriz Velha, pelo Pároco Pe. Manuel Ribas D’Ávila. Como padrinhos teve Nhá Cota e seu esposo Comendador Francisco de Paula Bueno.

Em Campinas continuou a morar com os pais adotivos, feliz porque muito querida. Em Itu, o lar de seus pais se enriquece com a chegada de outros irmãozinhos: Esther (1901), Francisco (1902), Zey (1904), Dácio (1906) e José (1909).
Carminha aos 02 anos

Aos três anos a menina desaparece de casa e quando enfim a encontram, na Matriz Velha, de joelhos, no altar do Sagrado Coração de Jesus, lhe perguntam o que fazia ali; responde: – “Estou na ‘mixa’ do ‘Colação’ de Jesus!” Muitas outras vezes, ainda, repete a pequenina sua proeza.


Alegria de viver

Gostava de brincar com os companheirinhos no Largo da Matriz, correndo a pedir a bênção de seu pároco, logo que o percebia. Um de seu amigos de infância viria a ser o Bispo de Taubaté, Dom Francisco Borja do Amaral.
Carminha e Esther

Vez por outra Carminha acompanhava Nhá Cota, já viúva, para visitar os papais e maninhos. Em outras ocasiões, a família é que passeava em Campinas.






                                    Suprema recordação                 

Primeira Eucaristia
Em junho, meses após a dor de ter perdido seu papai Teotônio, no dia de São Luiz Gonzaga, 21 de junho de 1910, recebe pela primeira vez o beijo de Jesus Eucarístico, “que em Céu a transformou”, pelas mãos de Dom João Batista Corrêa Nery. Carminha teve um intenso desejo de ir para o Céu e não mais se separar de seu Deus!


Na terra carioca

Aos 15 anos vai visitar a “mamãe moça” no Rio, que oito dias depois falece em consequência do nascimento de um filho, que a precede 24 horas no túmulo.
O padrasto se vê só e com cinco enteados e solicita a presença de D. Maria Justina junto deles, que se estabelece na terra carioca junto a Carminha.


Idade dos sonhos

Em 1916 vão se estabelecer na formosa Ilha de Paquetá, na Baía de Guanabara, na Praia dos Frades.
Carmem conhece um estudante de engenharia e gostam-se imensamente. Aspiram ao matrimônio, à vida a dois. Traçam planos.


Caminhos de Deus

O estudante pertence a uma família abastada e de meio cultural muito bom, e deseja que Carminha se aprimore nos estudos, indicando-lhe “Sion”. Com o retorno de Nhá Cota para São Paulo, era a ocasião propicia para realizar a vontade do noivo.

Carminha (à direita) e
amigas. A do meio
será fundadora das Irmãs
de Jesus Crucificado
Sion

É feliz sua estadia no Colégio. Vai se tornar Filha de Maria, no dia 23 de setembro de 1917, dia em que ouve o chamado do Senhor. Rompe, então, o noivado, escrevendo sincera e delicadamente para aquele que, indiretamente, lhe proporcionara tão grande graça. Fiel por natureza, rezará pelo moço até o fim de sua vida.




Futura carmelita

Nesta ocasião lê “História de uma Alma”, da futura Santa Teresinha. Toma a resolução de ser como Teresa de Lisieux: Carmelita. Escolhe como diretor Dom Francisco de Campos Barreto que a exercitou no amor de Deus e nas virtudes.


Para a meta

Sua mana Esther ao casar-se, em 1920, convida-a e à Nhá Cota para virem para o Rio. Aí frequenta a Capela Nossa Senhora do Carmo, futura Basílica de Santa Teresinha, na Rua Mariz e Barros, onde trabalham os Carmelitas Descalços da Província Romana. É a Divina Providência tudo dirigindo.


"Santinho" das promessas de Carminha
como carmelita secular (na época, ainda
se chamava "Terceira"). 
1921: carmelita secular antes de ser monja

Transcrevo “ad literam” uma nota da época na antiga “Ordem Terceira de Nossa Senhora do Carmo e Santa Teresa de Jesus” (era assim que era chamada a Ordem Carmelita Descalça Secular na época antes do Concílio Vaticano II):

Maria do Carmo Bueno entrou para a Ordem Terceira de Nossa Senhora do Carmo e Santa Teresa de Jesus, logo após a fundação da referida Ordem em 1921, onde professou. Foi, portanto, uma das primeiras Irmãs Terceiras. Tomou o nome de Irmã Maria Benigna Consolata do Coração Eucarístico de Jesus. Teve como Priora a Irmã Teresa de Jesus, fundadora da Ordem Terceira, uma alma de escol que muito trabalhou na organização da citada Ordem.

Pouco tempo esteve a Irmã Benigna na Ordem Terceira, pois, Jesus a queria mais retirada do mundo. Durante o tempo em que permaneceu como Terceira a todos edificou pelas suas virtudes. Era simples, boa, delicada, piedosa, cumpridora dos deveres da Regra. Era também uma Irmã alegre, trazia sempre o sorriso estampado no rosto, sinal da pureza e da simplicidade que revestiam a sua alma. Por todos estes méritos chegou a ocupar o cargo de vice- Priora em fevereiro de 1925, edificando a todas as Irmãs pelo seu fino trato.

Como veremos a seguir, em Março de 1926, entrou para o Carmelo de São José, sob a orientação dos Padres Carmelitas Descalços, tornando-se assim uma Carmelita enclausurada para entregar-se melhor à vida de oração, de contemplação, de sacrifício.

Ótimo elemento perdeu a Ordem Terceira com a saída da querida irmã que no Carmelo trilhou o caminho da perfeição, da santidade, chegando a ocupar o alto cargo de Priora.

A Ordem Terceira de Nossa Senhora do Carmo e Santa Teresa de Jesus, instalada na Basílica de Santa Teresinha, cidade do Rio de Janeiro, e da qual era membro a nossa biografada, sentiu muito a falta de Irmã Maria Benigna Consolata do Coração Eucarístico de Jesus, que jamais será esquecida pelas suas irmãs.

Irmã Maria do Carmo ainda de véu branco
1926            

É decidida sua entrada no Carmelo São José, no Rio, onde ingressa após a dolorosa separação de Nhá Cota. Fica ao lado dela, sua filha adotiva Emília Souza Aranha, que a leva para Ribeirão Preto (SP). Era o dia 21 de abril de 1926. Vestida de noiva, com o Menino Jesus de Praga nos braços, atravessa a porta do Mosteiro, então na sede provisória (Rua Abílio, 32).
Recebe o Santo Hábito em 24 de outubro de 1926, com nome religioso de Irmã Maria do Carmo da Santíssima Trindade. Apesar de ser feliz, teve suas lutas, dado o temperamento ardoroso e as saudades de Nhá Cota. Mas Jesus vence!


Amém de Deus

No dia de sua profissão temporária escreve em suas anotações: “Quero ser o Amém de Deus”. Em 1928 recebe a última visita de Nhá Cota, que no ano seguinte repousa no Senhor, em Ribeirão Preto (SP).



Sabedoria da humildade

Suas lutas, por causa do temperamento vivo, prosseguem. Tudo faz com exuberância: daí objetos quebrados, derrubados e até um mergulho, de hábito e tudo, num tanque grande de água da pior espécie. Tudo serve para Carminha colocar os alicerces de sua santificação: a humildade, que se reconhece plena de limitações, mas que ousa desejar ser “perfeita como o Pai do Céu”. Para chegar a atingir sua meta, faz o voto de mansidão, a conselho de Dom Barreto, um de seus diretores espirituais.


Estrela de sua vida

Maria é a estrela que guia os caminhos de Irmã Maria do Carmo. Tudo faz para a glória de Maria. A ela entrega a direção de seus atos, suas intenções mais caras.
Exerceu o ofício de Mestra de noviças, sub-priora e finalmente de priora (a primeira após a Fundadora).
Com tudo isto não se esquece de dar atenção aos seus manos. Estes, especialmente sua mana Esther, a ajudaram no acabamento da construção do Mosteiro São José do Rio.
Alma profundamente humilde é de extrema delicadeza para com a Madre Fundadora (Madre Benedita de Jesus, Maria e José) e para com as filhas espirituais.

Madre Carminha com seu irmão Zey e
cunhada.
Força da alma

Em 1949 volta a ser mestra de noviças. Sempre fora doente e doente cardíaca. O reumatismo deixa-a entravada, por vezes.
Em 1952 volta a dirigir o Carmelo e aí surge a ideia e a ocasião propícia para a fundação do Carmelo da Santa Face e Pio XII com a visita do “amigo” de infância – já Bispo de Taubaté – Dom Francisco Borja do Amaral. A fundação ocorre em 07 de setembro de 1955. Em 1957 é transladada a Comunidade, em procissão (até filmada). Madre Carminha trabalhava, sofria, rezava. Não lhe foram poupadas as provações. A tudo superava. Em 12 de setembro de 1961, Madre Maria do Carmo passa o governo da casa à Madre Antonieta Maria, ficando responsável pelo noviciado e pelo fim das obras.



“O Esposo espera...”

Em julho de 1965 ouve o primeiro chamado de Deus, numa crise de angina pectoris e a 13 de julho de 1966 falece santamente, vítima de um derrame cerebral (que a acometeu no dia 07 precedente e a deixou em coma profundo). Deixou saudades imensas e logo, do céu, começou a ajudar as filhas e o povo que, a sua intercessão, recorriam humilde e confiantemente.
Havendo, por algum tempo, o projeto de transladar o mosteiro para a cidade de Mairinque (SP) foi necessário em 1974, a abertura do túmulo de Madre Maria do Carmo (que, em 1972, sendo aberto, constatou-se a conservação de seu corpo). Médicos da USP, chefiados por Dr. Mário Degni (segundo laudo médico guardado em nosso arquivo) fizeram o exame do corpo de Madre Carminha e deduziram se tratar de mumificação de cadáver, embora unhas e cabelos só pudessem ser arrancados com pinça. O certo é que o povo reagiu contra nossa mudança e obteve do Sr. Bispo e dos moradores de Tremembé um abaixo-assinado, requisitando a divisão da Comunidade, metade permanecendo em nossa cidade. E foi o que se deu para a alegria de todos.


Causa de Canonização

A lembrança de sua profunda vida mística e suas inúmeras virtudes, dentre as quais se destacava a humildade, levou a Comunidade do Carmelo da Santa Face e Pio XII, após muita oração, a assumir em capítulo (por unanimidade) a introdução da Causa de Canonização de Madre Maria do Carmo, pois acredita que, através desta, Deus será glorificado.

Sua FAMA DE SANTIDADE tomou dimensões maiores, como a Comunidade relata neste fato:

“Em vista da supressão do nosso Carmelo de Tremembé e de sua transferência para a cidade de Mairinque, SP, no sexto aniversário da morte de Madre Maria do Carmo, decidimos fazer a exumação dos seus restos mortais e, qual não foi a nossa surpresa, quando se descobriu seu corpo intacto, inclusive suas vestes e as flores secas e, nem mesmo mau odor exalou de sua sepultura! Foi aí que a cidade de Tremembé mobilizou-se contra a transferência do Carmelo para outra cidade: a Sra. Prefeita Erondina Matos levou ao Sr. Bispo de então - Dom Francisco Borja do Amaral - um abaixo assinado da cidade de Tremembé que desejava enviar ao Papa Paulo VI. Foi acompanhada das principais personalidades da cidade, prometendo que, se as Irmãs consentissem em ficar, teriam ajuda em tudo. Hoje, consideramos esse acontecimento como o primeiro milagre de Madre Maria do Carmo. A então popularmente chamada ‘Santinha da Ponte’ continua atraindo os olhares do povo tremembeense, que diz alcançar inúmeras graças por sua intercessão.”

Sua canonização contribuirá para manter vivo e espalhar seu ideal: adorar a Sagrada Face de Cristo e reparar os ultrajes contra ela cometidos. Também fortalecer no coração dos fiéis o Sensus Eclesiae que a levava a uma imolação constante pelo Pontífice reinante, através do exercício diário da Via-Crucis e de uma vida totalmente doada, na simplicidade, humildade e caridade, que atinge seu ápice na unidade entre as pessoas – ‘CONGREGAVIT NOS IN UNUM CHRISTI AMOR!’ (Este era um dos seus lemas).

Assim, se um dia a Igreja achar conveniente, seja reconhecida a santidade desta Carmelita.



O Processo de Canonização de Madre Carminha
Por Frei Patrício Sciandini
Nada mais belo do que termos consciência de que Deus nos criou para conhecê-Lo, amá-Lo e servi-Lo aqui na terra e depois gozar de Sua presença na eternidade. Esta vocação passa através dos acontecimentos da vida que nem sempre soam claros para nós, mas sempre soam claros para Deus que nos conduz com infinita ternura.
 A Igreja propõe-nos viver, ser santos e, coloca em evidência homens e mulheres que souberam viver com admirável intensidade a própria vocação, tornando-se modelos para todos nós. Os Santos não nasceram tais, se fizeram. Tinham um caráter como o nosso, instintos bárbaros, mas souberam orientar, com a graça de Deus, a própria vontade até o ponto de tornarem-se mansos e humildes à imitação de Jesus. Descobrir estes “homens e mulheres excepcionais” é tarefa da mesma Igreja.


Eu fico muito feliz quando ouço dizer de mais um Processo de Canonização de alguém, e muito mais quando este “alguém” é uma Carmelita descalça ou carmelita descalço. O Carmelo com sua vida de silêncio, de oração, de total doação ao serviço de Deus e da Igreja, como fermento e água viva, sacia o desejo e alimenta a experiência de Deus.

A Diocese de Taubaté está iniciando o Processo de Canonização de Irmã Maria do Carmo da Santíssima Trindade, mais conhecida como a Carminha de Tremembé. Uma monja Carmelita Descalça que, antes de chegar a Tremembé, peregrinou por vários lugares, desejosa de ser Santa, e que conseguiu ser um sinal de fé, de esperança e de amor para muitas pessoas.

Quando falamos dos Santos, somos tentados a pensar que eles tiveram uma família bem constituída, viveram nos braços da ternura e nunca tiveram nenhuma dificuldade na própria caminhada humana e espiritual. É um grande erro.
Hoje como ontem nós tivemos “mães meninas” e quando a Carminha nasceu em Itu, sua mãe tinha apenas 15 anos. Uma idade tão comum hoje em dia. Como pode uma menina de quinze anos ter uma filha? Aí vemos como a Providência intervém: os avós paternos, pais de Teotônio, levam a menina – Carmen – para Campinas, onde deram toda uma educação, uma formação humana e intelectual. A distância da mãe e do pai não provocou grandes lacunas no coração de Carmen, porque encontrou amor!
Mais tarde, ela estava em São Paulo, no Colégio Sion para completar a sua formação e depois no Rio de Janeiro onde, em 1926, no dia 21 de abril, entra no recém fundado Carmelo São José. Mas vamos evidenciar algumas datas importantes na vida de Carminha:

25 de novembro de 1898 – Nascimento em Itu/SP.
12 de fevereiro de 1899 – Santo batismo em Campinas/SP.
21 de junho de 1917 - Primeira Comunhão em Campinas/SP.
21 de abril de 1926 – Entrada no Carmelo São José no Rio de Janeiro/RJ.
24 de outubro de 1926 – Vestição religiosa.
02 de novembro de 1930 – Profissão Solene.
23 de maio de 1946 – Eleita Priora no Carmelo São José.
07 de setembro de 1955 – Fundação do Carmelo da Santa Face e Pio XII em Tremembé /SP.
13 de julho de 1966 – às 5h45, entrega sua alma ao Senhor.


Se nós queremos sintetizar com poucas palavras toda a vida da Irmã Maria do Carmo da Santíssima Trindade, poderíamos usar suas mesmas palavras de 1951, quando ela celebrava os 25 anos de sua vestição religiosa: “amor, dor, felicidade”. De fato, ao longo de toda sua vida ela não teve nenhuma preocupação a não ser a de realizar o projeto de Deus. Nela o amor de Deus não foi estéril. Sempre e em todas as circunstâncias se compromete em dar o melhor de si a Nosso Senhor: os seus afetos, a sua inteligência, a sua dedicação… Sentia-se totalmente inserida no Coração de Jesus e queria ser na Igreja uma presença orante diante da Hóstia Consagrada.

Mas o amor não pode existir sem a marca da Cruz que, para nós que temos fé, não é castigo e nem tampouco falta de amor de Deus que dá a cruz por aqueles que ama de verdade. A cruz, a dor, nos consagram e nos tornam ainda mais amigos de Deus. Todos nós, quando amamos a Deus, queremos abraçar com gosto a nossa cruz e assumir no nosso coração todos os sofrimentos da humanidade. Maria do Carmo fez isto na sua vida e com seu testemunho ensinou as irmãs de sua Comunidade a serem amantes da cruz de Cristo e Sua paixão, para que o Cristo possa sempre ter almas que se ofereçam ao Pai pela salvação da humanidade.

O amor assumido com a cruz gera a beatitude, como Carminha diz, que é a felicidade.  Na escola dos santos do Carmelo, especialmente de Santa Teresa, São João da Cruz e Santa Terezinha, Irmã Maria do Carmo alimentou sua vida interior, e sabe que quando se ama, a felicidade não significa ausência da Cruz, mas sim capacidade de carregá-la com alegria.  O corpo pode estar ferido, o coração sofrendo, mas a alma canta, rejubila e bendiz a Deus por tudo. Estas três palavras “amor, dor e felicidade” constituem o projeto da vida de Irmã Maria do Carmo e o nosso.

Depois da morte de Irmã Maria do Carmo, que foi uma verdadeira festa na terra e no Céu, onde o povo de Tremembé e de outros lugares tiveram a graça de ter alguém para interceder, foi se difundindo sua “fama de Santidade”. Sua lembrança não foi apagada pelos anos, mas foi crescendo até o ponto que a comunidade do Carmelo de Tremembé, provocada pelo povo, pelos Sacerdotes e amigos Bispos, sentiu a necessidade de pedir a abertura do Processo de Canonização.

Estamos esperando, com a graça de Deus, esse grande acontecimento eclesial. Na Diocese de Taubaté, animada pelo Senhor Bispo Dom Carmo João Rhoden, vamos desde já continuar a suplicar ao Senhor que revele Seu amor por nós. Esperamos que, se for de Sua vontade, um dia Carminha de Tremembé possa ser proclamada Santa pela autoridade e pelo ministério da Igreja. E, a nós, cabe trabalhar para que isto aconteça.


Frei Patrício Sciandini
Vice-Postulador da causa de Madre Maria do Carmo


Oração
Adoro-Vos, meu Deus e Senhor! Louvando- vos, agradeço de todo meu coração por terdes chamado Madre Maria do Carmo para ser toda vossa na Ordem da Bem-Aventurada Virgem Maria do Monte Carmelo. Suplico-vos agora também ó Deus - Senhor Nosso - Vossa graça, para tê-la brevemente elevada à honra do Altar.
(Formular o pedido)
Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém.
Com aprovação eclesiástica
Taubaté, 27 de outubro de 2006.



Alguns poemas da Serva de Deus:









Santos Cristóvão Magalhães Jara, presbítero e 24 Companheiros Mártires do México (1926-1927)


São Cristóvão Magalhães, presbítero, e companheiros, mártires, em diferentes regiões do México, perseguidos por ódio à fé cristã e da Igreja Católica, por professar Cristo Rei, obtiveram a coroa do martírio.

Em 1917, no México, foi promulgada uma nova Constituição baseada em princípios anticlericais, assinada pelo presidente Venustiano Carranza. Era o início de uma era de perseguição religiosa violenta à Igreja naquele país. Os bispos mexicanos expressaram sua oposição à nova lei, causando uma forte reação do governo.
A partir de 1926, sendo presidente Plutarco Elias Calles, a perseguição tornou-se ainda mais violenta, com expulsão de padres estrangeiros, o fechamento de escolas católicas e de algumas instituições de caridade mantidas pela Igreja, bem como com a proibição de se realizarem missas, batizados, confissões ou quaisquer outras manifestações religiosas públicas nas igrejas. 
Os políticos, militares, profissionais liberais e jornalistas católicos formaram uma organização  chamada “Liga Mexicana Para a Defesa da Liberdade Religiosa” que proclamou: “Nós lamentamos a guerra, mas, insultou a nossa dignidade ser a nossa fé perseguida o que nos obriga a correr para nos defendermos no mesmo campo em que se espalha o ataque”.
E o povo católico mexicano, não podendo mais suportar as dificuldades que o boicote do governo causava à liberdade religiosa, sem intervenção direta do clero, por meio de armas, resolveu lutar contra as arbitrariedades desse mesmo governo. Assim, começou a guerra civil, mais conhecida no México como “Movimento Cristero” ou “Cristiada”.
Esse movimento não foi promovido pela hierarquia da Igreja, mas, pelo povo leigo, que buscou o apoio de seus pastores. O clero procurou primordialmente apoiar a resistência através de meios pacíficos. Alguns padres eram, inclusive, hostis ao movimento; outros, abandonaram suas paróquias; alguns, no entanto, foram ativamente a favor deste e até participaram da luta.
Finalmente, deve-se dizer, porém, que a maioria dos religiosos preferiu empregar seus esforços no cuidado das almas do rebanho a eles confiado, apesar de estar bem conscientes de estarem arriscando suas vidas. Este é o caso dos santos mártires que foram canonizados em 21 de maio de 2000, no Ano Jubilar, por São João Paulo II, na Praça de São Pedro. Foram mortos, na maioria das vezes, de forma sumária, sem julgamento algum. Eram capturados dentro ou ao saírem de suas igrejas ou em suas residências ou locais de trabalho, arrastados para a rua e, ali mesmo, eram fuzilados ou enforcados sumariamente, sem defesa ou recurso. Em pleno século XX, o tempo da barbárie romana parecia ter se instalado no México, tradicionalmente tão católico e piedoso.
Além desses 25 mártires já proclamados santos pela Santa Igreja, outras 14 vítimas da mesma perseguição foram beatificadas entre 1988 e 2005, durante três cerimônias. Finalmente, outros 07 Servos de Deus ainda estão em processo para o reconhecimento de seu martírio.
Os 25 Santos Mártires Mexicanos (São Cristóvão Magalhães e 24 Companheiros), por vontade do Santo Padre São João Paulo II, foram imediatamente incluídos no Calendário Romano no dia 21 de maio como “memória facultativa”. O Martyrologium Romanum comemora também os diferentes Santos e Beatos separadamente, cada um no dia do aniversário do martírio. Para mais informações, coloco abaixo os nomes dos santos mártires do México (conservei os nomes originais, em língua espanhola) com os dias individuais de memória litúrgica dedicados a eles:





1.         Cristobal Magallanes Jara, presbítero, 25 de maio.
2.         Roman Adame Rosales, presbítero, 21 de abril.
3.         Rodrigo Aguilar Aleman, presbítero, 28 de outubro.
4.         Julio Alvarez Mendoza, presbítero, 30 de março.
5.         Luis Batis Sainz, presbítero, 15 de agosto
6.         Agustin Caloca Cortes, presbítero, 25 de maio.
7.         Mateo Correa Magallanes, presbítero, 06 de fevereiro.
8.         Atilano Cruz Alvarado, presbítero, 01 de julho.
9.         Miguel De La Mora De La Mora, presbítero, 07 de agosto.
10.               Pedro Esqueda Ramirez, presbítero, 22 de novembro.
11.               Margarito Flores Garcia, presbítero, 12 de novembro
12.               Jose Isabel Flores Varela, presbítero, 21 de junho.
13.               David Galvan Bermudez, presbítero, 30 de janeiro.
14.               Salvador Lara Puente, Leigo, 15 de agosto.
15.               Pedro de Jesus Maldonado Lucero, presbítero, 11 de fevereiro.
16.               Jesus Mendez Montoya, presbítero, 5 de fevereiro.
17.               Manuel Morales, leigo, 15 de agosto.
18.               Justino Orona Madrigal, presbítero, 01 de julho.
19.               Sabas Reyes Salazar, presbítero, 13 de abril.
20.               Jose Maria Robles Hurtado, presbítero, 26 de junho.
21.               David Roldan Lara, leigo, 15 de agosto.
22.               Toribio Romo Gonzalez, presbítero, 25 de fevereiro.
23.               Jenaro Sanchez Delgadillo, presbítero, 17 de janeiro.
24.               David Uribe Velasco, presbítero, 12 de abril.
25.               Tranquilino Ubiarco Robles, presbítero, 05 de outubro. 



Santos Mártires do México, rogai por nós! Rogai por todo povo católico, neste século tão difícil. 

quarta-feira, 21 de maio de 2014

SÃO CARLOS JOSÉ EUGÊNIO DE MAZENOD, Bispo e Fundador da Congregação dos Oblatos de Maria Imaculada


Charles-Joseph-Eugène de Mazenod nasceu no dia 1º de Agosto de 1782 em Aix-en-Provence, no Sul da França, num mundo em plena (e rápida) evolução. Aparentemente, o menino já tinha uma carreira brilhante assegurada e uma vida abastada graças à sua família, que pertencia à pequena nobreza. No entanto, as perturbações decorrentes da Revolução Francesa (1789) iriam mudar para sempre a situação de Eugênio, que tinha somente oito anos quando sua família teve que fugir da França deixando todos os seus bens para trás. Começava, então, para a família Mazenod um longo e penoso exílio que duraria onze anos. 
 

Os anos na Itália

A família Mazenod partiu para o exílio na Itália, indo de uma cidadela à outra. O pai, que havia sido Presidente da Câmara no Parlamento de Aix, viu-se obrigado a entrar para o ramo do comércio para poder manter sua família. Porém ele se revelou tão pouco hábil para os negócios que, ao fim de alguns anos, sua família estava à beira da ruína. Eugênio estudou algum tempo no Colégio dos Nobres, em Turim, mas a necessidade de partir rumo a Veneza marcaria, para ele, o fim de uma freqüência escolar regular.
Um sacerdote local, Don Bartolo Zinelli, que era próximo à família Mazenod, decidiu ajudar na formação do jovem francês. Don Bartolo deu a Eugênio uma educação fundamental impregnada do sentido de Deus e do desejo de uma vida piedosa, algo que o acompanharia para sempre, apesar dos altos e baixos de sua existência.
Uma nova mudança, desta vez rumo a Nápoles, acarretou um período de aborrecimento combinado a um sentimento de impotência. A família mudou-se novamente, desta vez para Palermo onde, graças à bondade do Duque e da Duquesa Cannizzaro, Eugênio pôde experimentar, pela primeira vez depois de muito tempo, da nobreza que ele achava tão agradável. Ele recebeu o título de "Conde de Mazenod", iniciou-se nos hábitos do tribunal e pôs-se a sonhar com um futuro brilhante.


O retorno à França – o sacerdócio

Em 1802, aos 20 anos de idade, Eugênio pôde retornar ao seu país natal. Todos os seus sonhos e ilusões rapidamente se desfizeram. Na França, ele não passava de “Cidadão” Mazenod. Aquele país havia mudado demais! Seus pais haviam se separado. Sua mãe tentava recuperar o patrimônio familiar e se ocupava em tentar casar Eugênio com uma herdeira mais rica. O jovem tornou-se pessimista face ao futuro que se lhe apresentava. Mas o seu cuidado tão espontâneo com os outros, aliado à fé que havia desenvolvido em Veneza, começaram a se estabelecer na vida de Eugênio, que ficou profundamente tocado pela situação desastrosa em que se encontrava a Igreja na França, provocada, atacada e dizimada pela Revolução Francesa.
O chamado ao sacerdócio começou a se manifestar e Eugênio o atendeu e, a despeito da oposição de sua mãe, entrou para o Seminário Saint-Sulpice em Paris. Em 21 de Dezembro de 1811, foi ordenado sacerdote em Amiens.


Os engajamentos apostólicos: Oblatos de Maria Imaculada

Retornando a Aix-en-Provence, ele não assumiu paróquia alguma, mas começou a exercer seu ministério ocupando-se especialmente em ajudar espiritualmente os mais pobres: os prisioneiros, os jovens, os empregados, os camponeses. Freqüentemente, Eugênio enfrentou a oposição do clero local. Porém, logo encontrou outros sacerdotes igualmente zelosos e prontos a quebrar as regras (em nome do Reino de Deus – N.T.). Eugênio e seus companheiros pregavam em provençal, a linguagem corrente dos seus interlocutores, e não em francês, que era a língua das pessoas instruídas. Eles iam de aldeia em aldeia ensinando aos aldeões e passando horas e horas nos confessionários. Entre essas “missões paroquiais”, o grupo se reencontrava para uma intensa vida comunitária de oração, estudo e de vivência da fraternidade. Eles se denominavam “Os Missionários da Provença”.
Para assegurar a continuidade da obra, Eugênio tomou uma importante decisão: foi até o Papa e pediu-lhe autorização para que seu grupo fosse reconhecido como Congregação de Direito Pontifício.  Sua fé e sua perseverança deram frutos e foi assim que, em 17 de Fevereiro de 1826, o Papa Leão XII aprovou a nova Congregação sob o nome de "Oblatos de Maria Imaculada". Eugênio foi eleito Superior Geral e continuou a inspirar e guiar seus membros durante 35 anos, até a sua morte.
O número de obras crescia: pregações, confissões, ministérios jovens, responsabilidade por santuários mariais e paróquias, visitas a prisões, direções de seminários. No cumprimento de tantas tarefas, Eugênio sempre insistia na necessidade de uma profunda formação espiritual e de uma intensa vida comunitária. Ele amava Jesus Cristo apaixonadamente e estava sempre pronto a assumir um novo compromisso se enxergava nisso uma resposta às necessidades da Igreja. A “glória de Deus, o bem da Igreja e a santificação das almas” eram a fonte do seu dinamismo interior.


Bispo de Marselha

A diocese de Marselha havia sido extinta após a Concordata de 1802 entre Napoleão Bonaparte e o Papa Pio VII. Ao ser restabelecida, o tio de Eugênio, Cônego Fortunato de Mazenod, foi então nomeado para ser o Bispo responsável por aquela região. Logo depois, o novo Bispo empossou Eugênio como Vigário Geral, e foi assim que o imenso canteiro de obras da reconstrução da diocese acabou ficando sob sua responsabilidade.
Após alguns anos, em 1832, o próprio Eugênio foi nomeado Bispo auxiliar do seu tio. Sua ordenação episcopal aconteceu em Roma, o que foi considerado como um desafio ao governo francês, que se achava no direito de confirmar tais nomeações. Seguiu-se uma acirrada batalha diplomática, estando Eugênio no centro de acusações, incompreensões, ameaças e recriminações.
Para ele, este foi um período doloroso, uma dor aumentada ainda mais pelas crescentes dificuldades enfrentadas por sua própria família religiosa. Todavia, Eugênio manteve-se firme no rumo certo e, finalmente, as coisas se acalmaram. Cinco anos mais tarde, quando seu tio se aposentou, ele foi nomeado Bispo de Marselha.


Um coração do tamanho do mundo

Mesmo que ele tenha fundado os Oblatos de Maria Imaculada, inicialmente, para levar os serviços da fé aos pobres dos campos da França, o zelo de Eugênio pelo Reino de Deus e seu amor pela Igreja conduziram os Oblatos à condição do apostolado missionário, levando-os a se instalarem na Suíça, na Inglaterra e na Irlanda. Devido ao seu zelo apostólico, Eugênio era visto como um “segundo São Paulo”.
Bispos missionários vieram pedir-lhe que enviasse Oblatos às suas áreas apostólicas em expansão. Apesar do pequeno número de membros do seu Instituto, Eugênio respondeu generosamente, enviando seus missionários ao Canadá, aos Estados Unidos, ao Ceilão (atual Sri Lanka), à África do Sul e à Basutolândia (atual Lesoto).
Missionários ao seu modo, eles se espalharam pregando, batizando, levando a todos o seu apoio. Frequentemente eles se instalavam em terras ignoradas, estabelecendo e dirigindo novas dioceses e de vários modos eles “ousavam tudo para fazer avançar o Reino de Deus”. Durante os anos que se seguiram, o ímpeto missionário continuou de tal forma que atualmente o espírito de Eugênio de Mazenod está bem vivo em 68 países.

Pastor de sua Diocese

Em meio à agitação das atividades missionárias, Eugênio revelava-se o eminente pastor da Diocese de Marselha. Ele assegurou a melhor formação aos seus sacerdotes, estabeleceu novas paróquias, construiu uma nova catedral e uma basílica espetacular, Nossa Senhora da Guarda, que dominava a paisagem da cidade.
Encorajava seus sacerdotes a buscarem o caminho da santidade, convidava um grande número de comunidades religiosas a trabalharem em sua diocese e liderava os Bispos franceses no apoio ao Papa pelos seus direitos. Tornou-se uma figura reconhecida da Igreja da França.
Em 1856, o imperador Napoleão III nomeou-o senador. Na ocasião de sua morte, Eugênio era o deão dos Bispos da França.



A herança de um santo

Em 21 de maio de 1861, Eugênio de Mazenod retornou para o Pai aos 79 anos de idade. Assim terminava uma vida riquíssima em realizações, muitas das quais haviam sido conquistadas à base de muito sofrimento. Para a sua família religiosa e sua diocese, ele havia sido ao mesmo tempo ponto de apoio e inspiração; para Deus e a Igreja, um filho fiel e generoso.

No momento de sua morte, Eugênio deixou uma última recomendação: “Entre vós, praticai bem a caridade! A caridade e no mundo, o zelo pela salvação das almas.” A Igreja, declarando-o “Santo” em 03 de Dezembro de 1995, destaca estes dois aspectos de sua vida: o amor e o zelo. Sua vida e obra permanecem para sempre uma abertura ao mistério do próprio Deus. Este é o maior dom que Eugênio de Mazenod, Oblato de Maria Imaculada, pode nos oferecer.

Oração da coleta da memória do santo: 
Oh, Deus, que na tua misericórdia, quiseste enriquecer o santo Bispo Eugénio de Mazenod grandes virtudes apostólicas para anunciar o Evangelho às gentes, concede-nos, por sua intercessão, de arder no mesmo espírito e de tender unicamente ao serviço da Igreja e à salvação das almas. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém. 

terça-feira, 20 de maio de 2014

Beata Pina Suriano, Leiga e Alma Vítima (comemorada em 19 de maio)


Beata Pina Suriano, Virgem e Leiga
     Nasceu em Partinico (Itália), centro agrícola da província de Palermo, a 18 de fevereiro de 1915; foi batizada no dia 6 de março com o nome de Giuseppina (Josefina em português), mas será sempre conhecida com o diminutivo: Pina.
     Os seus jovens pais, José e Graziela Costantino, viviam dos modestos proventos do trabalho nos campos; a família era profundamente religiosa o que refletia no ânimo sereno de Pina. De índole dócil e submissa, interessava-se pelas coisas simples da vida relacionadas com o sentido religioso que será, ao longo de toda a sua vida, o primeiro dos seus interesses. Pina recebeu em família a primeira educação moral e religiosa, que depois foi aperfeiçoada, a partir dos 4 anos de idade, quando entrou no asilo das Irmãs "Collegine de San Antonio".
     Em 1922, à distância de poucos dias um do outro, recebeu os Sacramentos da Penitência, da Primeira Comunhão e da Confirmação. Com apenas doze anos, entrou na Ação Católica.
     Começou a inserir-se na vida paroquial e diocesana, participando ativamente em todas as iniciativas da Ação Católica e nas que eram ditadas pela necessidade dos problemas locais. Fez da sua paróquia o centro de todas as suas ações, em colaboração com o pároco, padre Antonio Cataldo, que era o seu diretor espiritual e confessor.
     Em 1937, após a instituição da nova paróquia de Nossa Senhora do Rosário, devido sua residência estar naquela jurisdição, Pina passou a frequentá-la e teve como confessor e diretor espiritual o padre Andrea Soresi, que foi posteriormente o seu biógrafo.
     De 1939 a 1948 foi secretária da A.C. e, posteriormente, foi nomeada Presidente das jovens da A.C. Fundou a Associação das Filhas de Maria, da qual foi Presidente até à morte.
     Pina Suriano baseou todo o seu apostolado e espiritualidade na trilogia da A.C.: “Oração, Ação, Sacrifício”, a qual acrescentou a Santa Missa, a Comunhão, a meditação quotidiana, o estudo da palavra de Deus e a obediência ao magistério eclesiástico.
     Embora sendo uma filha perfeita, que de boa vontade realizava os serviços para a família, Pina teve que enfrentar a oposição de sua mãe que não queria que ela se dedicasse tanto à Igreja, pois desejava para ela o estado matrimonial, que entretanto não estava em suas cogitações. O empenho religioso de Pina era resultado de uma convicção e de uma escolha de vida, e nesse contexto ela fez o voto de castidade em 29 de abril de 1932, na pequena igreja das Filhas da Misericórdia e da Cruz, que era a sede social da Juventude Feminina da A.C. de Partinico.
     Como prova da seriedade do voto emitido, Pina renovava-o todos os meses, com a autorização do seu diretor espiritual, recusando as várias propostas de matrimônio que lhe foram feitas por mais de um jovem. Era grande o seu desejo de se fazer religiosa, mas encontrou grandes dificuldades na oposição dos seus pais. Visto que para ela o caminho da vida religiosa não se abria, quis dar a Jesus a última prova do seu imenso amor e, a 30 de março de 1948, com outras três companheiras, ofereceu-se como vítima pela santificação dos sacerdotes.
     Antes que o sofrimento desejado e ofertado se apresentasse em sua jovem vida, em setembro de 1948 com grande alegria Pina foi a Roma em peregrinação por ocasião de uma celebração da Juventude Feminina.
     No mesmo ano de 1948, manifestou-se uma forma de artrose reumática tão violenta que provocou uma deficiência cardíaca; nos meses seguintes Pina sofria muito, mas estava feliz porque a oferenda de vítima para a santificação dos sacerdotes fora aceita.
     Ela desejou muito voltar a Roma para assistir à canonização de Santa Maria Goretti, que aconteceu em 24 de junho de 1950, mas faleceu repentinamente, vítima de um infarto, em 19 de maio de 1950, com apenas 35 anos.
Santinho seu com oração na época na qual era "Serva de Deus"

     O funeral foi solene, com a participação de muita gente convencida de que havia morrido uma santa; ela foi sepultada no túmulo da família no cemitério de Partinico. Em 8 de maio de 1969 seus restos mortais foram definitivamente transladados para a igreja paroquial do Sagrado Coração de Partinico.
     Ela foi beatificada em Loreto, no dia 5 de setembro de 2004. Determinante para sua beatificação foi um milagre obtido por sua intercessão pela jovem Isabel Mannone, de 18 anos, de Mazara del Vallo.

     Pina amou a Jesus com um amor ardente e fiel, até o ponto de poder escrever com toda sinceridade: “Não faço mais que viver de Jesus”. Dirigia-se a Jesus com coração de esposa: “Jesus, faz-me sempre tua. Jesus, eu quero viver e morrer contigo e para ti”.