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sábado, 17 de maio de 2014

SÃO PASCOAL BAYLON (ou Bailão), Irmão Franciscano, Patrono Universal das Obras e Congressos Eucarísticos.

 Hoje, trago ao conhecimento dos leitores e leitoras deste blog a vida e obras de um grande santo: São Pascoal Baylon (ou Bailão), irmão franciscano, extraordinário devoto do Santíssimo Sacramento do Altar. 
 Pena não ser um santo "famoso" como o é Santa Teresinha do Menino Jesus, Santo Antônio de Pádua ou São Francisco de Assis, porém, de forma alguma "fica atrás" ou "por debaixo" da grandeza desses santos, visto ter sido realmente um homem de extraordinária humildade, simplicidade, amor a Deus e devoção à Sagrada Eucaristia. 
 Coloco aqui dois textos que os considerei muito bons e completos. Espero que apreciem. Vale a pena ler os dois, com calma e devoção e, a partir de hoje, ter para esse santo um lugar especial em nossos corações e orações. Amém. 



São Pascoal Baylon, Franciscano
Quem já teve oportunidade de contemplar o espetáculo encantador de um rebanho de ovelhas reunido em torno de seu pastor, certamente terá notado o quanto existe uma como que interlocução entre esses mansos animais e aquele a quem estão confiados. Com efeito, quando ele as chama ou lhes dirige alguma advertência, as ovelhas se juntam ao seu redor, submissas e atentas, parecendo compreender o sentido de suas palavras.

Esta cena, tão simples na aparência, nos revela a realidade profunda daquela frase do Evangelho: "As minhas ovelhas escutam a minha voz" (João 10, 27). Há na relação pastor-ovelha uma simbologia criada por Deus para nos fazer entender o relacionamento cheio de consonância e intimidade que se estabelece entre Jesus e a alma conduzida pela graça. Bastará uma palavra, isto é, uma suave inspiração do Espírito Santo, para ela se mover segundo a vontade de Deus, sem temores ou dúvidas, pois sabe reconhecer o timbre da voz do Pastor.

Tais são os santos, ao longo da História, verdadeiras "oves manus eius - ovelhas nas mãos do Senhor" (Salmo 94, 7), flexíveis e obedientes a seus mandamentos. Aquilo que os distingue dos demais homens e os faz galgar os cumes da virtude, conferindo-lhes um inequívoco carisma de atração, repousa nesse abandono nas mãos de Deus e na docilidade em deixar- se levar conforme o seu beneplácito. Nisso consiste o verdadeiro heroísmo, muito mais do que em esforços e trabalhos nos quais a alma possa se fatigar, pois estes, quando privados do auxílio da graça, resultam inteiramente estéreis.

Deste modo, compreendemos então que a santidade não consiste tanto em realizar grandes obras, mas sim em tornar grandes todas as obras, mesmo as mais insignificantes.


São Pascoal Baylon em oração
Contemplativo desde a infância

Em 1540, num jubiloso domingo de Pentecostes, enquanto os sinos da matriz de Torre Hermosa, situada no limite da Província de Zaragoza, em Aragão, repicavam para comemorar a grande solenidade do Espírito Santo, nascia um menino predestinado por Deus a ser um perfeito modelo de mansidão e inocência, como cordeiro do rebanho do Senhor. Dado que na Espanha esse dia é chamado "Páscoa de Pentecostes", seus pais, Martim Bailão e Isabel Jubera, batizaram-no com o nome de Pascoal.

De condição modesta, o pequeno Pascoal começou a trabalhar aos sete anos de idade para ajudar os pais, honrados camponeses, pastoreando suas ovelhas - único bem que estes possuíam - e, mais tarde, exercendo o mesmo ofício a serviço de outros proprietários.

A solidão dos campos e a serenidade própria ao rebanho constituíam um marco ideal para o desenvolvimento daquela alma austera e contemplativa, de modo a fazer florescer nela as virtudes. Se, desde os primeiros anos, seus pais lhe haviam inculcado uma ardorosa piedade, Pascoal empregou-se em torná-la cada dia mais sólida, por meio da prece assídua, da mortificação e da leitura. Impossibilitado de frequentar escola, pela falta de recursos da família, o menino aprendeu a ler e a escrever por si só - ensinado pelos Anjos, segundo alguns de seus biógrafos -, tamanho era seu desejo de instruir-se na Religião. Seu alforje transformou-se numa pequenina biblioteca, onde carregava os livros de sua devoção e o Ofício Parvo de Nossa Senhora, que rezava todos os dias.

Não tendo oportunidade de assistir à Missa durante a semana, o pastorzinho supria essa lacuna dedicando longas horas à oração, quer numa pequena ermida da Santíssima Virgem situada naquelas redondezas, quer voltado para o longínquo Santuário de Nossa Senhora da Serra, quer, simplesmente, diante de seu próprio cajado, onde fizera gravar uma cruz e uma imagem de Maria. Aprouve a Deus premiá-lo, concedendo-lhe em diversas ocasiões que os Anjos trouxessem até ele a Hóstia resplandecente para ele poder vê-la e adorá-la.

De outro lado, como a região em torno da ermida era muito seca e o pasto escasso, Pascoal foi advertido por seu amo de que, indo com frequência para lá, os animais acabariam por perecer. Não querendo abandonar seu lugar predileto, o menino argumentou, cheio de fé, que Maria, como Divina Pastora, jamais deixaria faltar alimento ao rebanho. E ao cabo de algum tempo o dono deu-se por vencido, constatando que suas ovelhas eram as mais bem nutridas de toda a região.


Assinatura do santo
Na vida religiosa

Como Pascoal desejava ardentemente entregar-se a Deus no estado religioso, apareceram-lhe certa vez São Francisco e Santa Clara, e disseram-lhe que deveria ingressar na Ordem dos Frades Menores. Tal desígnio ia de encontro a seus afetos mais recônditos, pois alimentava um especial amor à virtude da pobreza. E quando seu patrão, o senhor Martín García, homem rico e poderoso, prometeu deixar-lhe seus bens, uma vez que não possuía filhos, o jovem pastor rejeitou a oferta, dizendo que preferia ser herdeiro de Deus e coerdeiro de Jesus Cristo.

Aos vinte anos partiu em busca dessa herança incorruptível e transladou-se para o reino de Valência. Desejava ingressar no convento de Nossa Senhora de Loreto, recém-reformado por São Pedro de Alcântara. No entanto, sua timidez no momento de falar com o padre superior reteve-o por quatro anos, durante os quais permaneceu nas proximidades do mosteiro, empregado, mais uma vez, na guarda de ovelhas. Sua piedade e suas virtudes tornaram-no conhecido em toda a comarca sob o apelido de o "santo pastor".

Decidiu-se, por fim, a solicitar sua admissão no convento, e foi acolhido com alegria por aquela comunidade. Quis o Superior dar-lhe o hábito de irmão corista, mas a humildade de Pascoal levou-o a suplicar que o deixassem apenas como irmão converso, pois só almejava ser a "vassoura da casa de Deus".

Humildade e intrepidez

O novo frade não tardou em se transformar num modelo de observância religiosa, a ponto de ser disputada sua presença nos diversos conventos da Ordem. Exercia com despretensão e simplicidade as mais variadas funções, tais como de cozinheiro, jardineiro, porteiro ou esmoler. Porém, ao procurar humilhar-se diante dos homens, crescia em estatura espiritual diante de Deus. De trato afável e bondoso com os demais, o irmão Pascoal era duro e intransigente consigo mesmo. Considerava-se um grande pecador, motivo pelo qual se sacrificava continuamente, privando-se do pão para dá-lo aos pobres, dormindo sobre a terra nua e flagelando-se com frequência.

Assim testemunhou a seu respeito um de seus contemporâneos: "Nunca pensava em satisfazer o menor capricho. Sempre punha empenho em mortificar-se a si mesmo. Vi brilhar nele a humildade, a obediência, a mortificação, a castidade, a piedade, a doçura, a modéstia e, em suma, todas as virtudes: e não posso dizer com certeza qual delas sobrepujava as outras".

Nutria terníssima devoção a Maria Santíssima, a quem dedicava todos os seus trabalhos. Certa vez, julgando-se sozinho enquanto montava a mesa no refeitório, caiu de joelhos diante da imagem de Nossa Senhora; depois, tomado de sobrenatural transporte de alegria, executou uma graciosa dança para aquela Mãe que com tantas consolações o agraciava. Tal episódio foi visto por outro frade, o qual mais tarde o relatou, acrescentando que a recordação do rosto radiante de júbilo do irmão Pascoal o estimulou durante muito tempo na prática da virtude.

Em 1576 os superiores o enviaram a Paris, como portador de um importante documento destinado ao padre Christophe de Cheffontaines, Superior Geral da Ordem. Por aquela época, a França ardia nas guerras de religião e atravessar as cidades vestindo o austero burel de São Francisco constituía um autêntico perigo. Contudo, o intrépido irmão Pascoal lançou-se na aventura, cheio de confiança na Providência, alegre por expor a própria vida pela obediência. Em alguns lugares foi apedrejado pelos huguenotes, a ponto de guardar um ferimento no ombro até o fim da vida.

Voltando a seu convento, deu respostas lacônicas às perguntas feitas por seus confrades a respeito dos riscos por ele enfrentados, omitindo todos os detalhes que pudessem redundar em elogios à sua pessoa.

Ao longo de suas múltiplas caminhadas pelas vilas e aldeias da região, pedindo esmolas para o convento, sua palavra tinha para todos o valor de uma pregação, e os milagres que realizava mais contribuíam para lhe granjear a admiração e a estima do povo. Inúmeras vezes obteve a cura de doentes fazendo-lhes um simples sinal da cruz. Em certa ocasião, mandou-lhe o Padre Superior curar um frade que estava gravemente atacado por uma hemorragia. Embora essa ordem contundisse sua humildade, nosso santo viu-se obrigado a obedecer: traçou uma cruz sobre seu companheiro e logo o sangue parou de correr.

Singular devoção Eucarística

Entretanto, o que distinguiu nosso Santo com um brilho todo especial foi sua devoção ao Santíssimo Sacramento. A todo o momento que seus deveres o permitiam, lá estava o humilde irmão aos pés do sacrário, ora rezando com os braços em cruz, ora abismado em profunda adoração, ora ainda acolitando com fervor a Missa privada de algum sacerdote do mosteiro. Era junto a Jesus Eucarístico que sua alma se expandia e hauria novas forças para enfrentar os combates da vida. Ali o Divino Mestre lhe revelava os mistérios do Reino, escondidos aos sábios e doutores. Sem ter feito qualquer estudo, o humilde converso franciscano entendia de teologia mais do que muitos mestres, porque o ardor de seu coração lhe explicava o que não aprendera pelo raciocínio.

Isto se patenteou certa vez, quando, estando na França, foi interpelado por alguns hereges acerca da Presença Real de Nosso Senhor Jesus Cristo no Santíssimo Sacramento. Enfrentou com tanta sabedoria os sofismas dos inimigos da Religião e deu-lhes uma tão perfeita explicação acerca da doutrina eucarística, que eles se sentiram encurralados e sem resposta. Ficaram boquiabertos também os que acompanhavam Frei Pascoal, pois sabiam como ele não era homem versado em letras, muito menos nos sacros ensinamentos.

Até mesmo durante os mais corriqueiros trabalhos, seu coração estava posto no tabernáculo. Por exemplo, cultivando a terra ou cozinhando verduras, rezava recordando-se de sua Comunhão matutina: "Ó Luz sem mancha, que delícias podeis encontrar num homem tão pequeno como eu? Por que quisestes entrar em meu peito e fazer dele um templo de vossa majestade"?. Sua alma estava todo o tempo posta em adoração a Deus feito Hóstia.


Atenção inteira à voz do Pastor

São Pascoal morreu em 1592, aos 52 anos de idade, no mosteiro de Villarreal, após uma prolongada doença que o fizera sofrer durante cinco anos, dando-lhe a oportunidade de edificar com sua paciência todos quantos o rodeavam.

Pouco antes de falecer, perguntou ao irmão enfermeiro: "Já tocaram o sino para a Missa conventual"?  Ao receber a resposta afirmativa, seu rosto iluminou-se com um sorriso de júbilo, pois sabia de antemão a hora de sua partida. No instante da elevação, quando a sineta anunciava a Presença Real de Jesus sobre o altar, o humilde irmão exalou seu último suspiro e sua alma voou para unir-se definitivamente Àquele mesmo Jesus a quem tanto procurara ao longo de toda a sua existência.

Estava já tão difundida sua fama de santidade, que foi impossível fazer o funeral antes de três dias, devido à afluência de gente que acorreu ao convento para dar-lhe a despedida. Na Missa de exéquias, para assombro de toda a assistência, seus olhos se abriram por duas vezes, uma na elevação da Sagrada Hóstia, outra na do cálice, para reverenciar por última vez, nesta Terra, a Santíssima Eucaristia.

Como manso cordeiro do rebanho de Cristo, São Pascoal Bailão soube estar com sua atenção inteira posta na voz do Pastor, que o instruía na ciência divina e nos segredos da verdadeira santidade. No cumprimento da vocação de irmão leigo franciscano, sua vida transcorreu na paz do claustro e na mendicância, de maneira apagada, humilde, mas valente, na busca contínua e exclusiva da glória de Deus. E lhe estava reservada grande glória e renome pelo mundo inteiro, a ponto de ser canonizado por Inocêncio XII menos de um século após sua morte, em 15 de julho de 1691, e proclamado pelo Papa Leão XIII, tão justamente, Padroeiro Universal dos Congressos e Obras Eucarísticas, em 28 de novembro de 1897.
(Fonte: Revista Arautos do Evangelho, Maio/2013. n. 137, p. 32 à 35)



OUTRO TEXTO (para aprofundar um pouco mais a história desse grande santo):

Nasceu em Torre Hermosa, no reino de Aragão, na Espanha, filho de Martinho Bailão e Isabel Jubera, a 16 de maio de 1540, festa de Pentecostes, chamada de Páscoa cor de rosa, daí chamar-se Pascoal. Provinha de uma família numerosa, pobre e humilde, na qual se vivia, no entanto, profundo espírito religioso, devido sobretudo à mãe que era devotíssima da Eucaristia. Biógrafos dizem também que era muito generosa em dar esmolas aos pobres. Pascoal não pôde freqüentar a escola porque seu pai precisava que ele cuidasse do rebanho, serviço que executou com grande dedicação até mesmo quando este encargo lhe era ocasionalmente conferido por um ou outro pastor. Executando seu trabalho distante do povoado e da igreja, passava horas inteiras em oração, privando-se de alimentos para dominar ou adestrar seu corpo. Era desses que tinha o hábito da flagelação. Longe do ruído, nas montanhas, cuidando das ovelhas tinha tempo para rezar, meditar, louvar a Deus e venerar Maria. De trato amável nos relacionamentos, com sua doçura e serenidade, conquistou a amizade de muitos pastores que encontrava nas alturas dos montes e nos vales da Andaluzia e entre os quais começou seu primeiro apostolado com simplicidade e ardor sincero. Procurava pastagens das quais pudesse ver uma igreja em que se conservava a Eucaristia para adorá-la enquanto seus rebanhos pastavam, como confidenciou ao companheiro de trabalho que haveria de dar este testemunho 18 anos depois de sua santa morte.
Quando completou dezoito anos, em Monteforte del Cid, veio a conhecer os franciscanos do convento de Santa Maria de Loreto. Pensava em poder realizar seu sonho de se tornar religioso. Como isso ainda não lhe era possível aceitou de realizar o trabalho de pastor junto a um rico proprietário de ovelhas, Martino Garcia, que lhe dava a permissão de freqüentar o Santuário Mariano e residir junto ao convento franciscano. Enquanto pastoreava não muito distante do convento caía em êxtase ao som do sino que anunciava a elevação no momento da consagração .
Por fim, a 2 de fevereiro de 1564, já com fama de santidade, pode vestir o hábito franciscano e, no ano seguinte, fazer sua profissão religiosa no convento dos frades alcantarinos de Orito, onde permaneceu até 1573, dedicando-se a tarefas muito humildes, de modo particular ao mister de porteiro. Muito estimado pela vida de austeridade que levava e favorecido por dons do Espírito Santo, entre os quais do dom da sabedoria infusa, o iletrado Pascoal – que tinha aprendido a ler enquanto pastoreava o rebanho e depois conseguiu apenas escrever alguma coisa, era procurado por pessoas eruditas que vinham se aconselhar com ele. De 1573 até 1589, sua vida transcorreu em diferentes conventos da província de Alicante, passando depois para a Província de Castellon, no convento de Vila Real.
A obediência o obrigou a fazer uma longa e perigosa viagem até Paris. O Ministro Provincial da Espanha, em 1576, necessitava comunicar-se com urgência com o Ministro Geral da Ordem Cristóvão de Cheffontaines. O dito Ministro sabia bem que era difícil uma tal viagem no tempo das perseguições calvinistas. Na verdade, Pascoal foi muito hostilizado e insultado. Em Orleans quase veio a morrer depois de uma discussão a respeito da Eucaristia. Esta não foi a única investida contra o frade menor antes que ele chegasse ao seu destino e entregasse a correspondência que levava para o Ministro Geral. Voltando desta viagem escreveu um livro com sentenças (pensamentos), um pequeno tratado ou compêndio sobre a Eucaristia. Falava, é claro, da presença real de Jesus neste sacramento e também dos poderes transmitidos ao Papa.
Mereceu ele receber o cognome de “teólogo da eucaristia”, não somente por ter resolvido as questões dos adversários na França, mas também pela coletânea de escritos que deixou a respeito do Sacramento da Eucaristia que foi sempre o centro de sua intensa vida espiritual e a marca mais evidente de sua vida. Estando sempre à disposição dos confrades e dos que batiam à porta do convento, Pascoal, além disso, continuava a infligir-se penitências e com isto debilitou sua saúde até o limite de capacidade de resistência.
Os últimos anos de vida de Pascoal se transcorreram no convento de Vila Real, em Valência, exercendo sempre o ofício de porteiro e de esmoler, muito estimado por toda a população, de modo especial pelos mais simples e pelas crianças. Todos queriam receber a bênção do frade ao lhe darem uma pequena oferta. Tudo ia sendo assim feito até o dia em que exercendo seu ministério de esmoler perdeu as forças. Compreendendo que estava próxima a sua morte correu ao seu encontro. De fato, veio a falecer no convento do Rosário, a 17 de maio de 1592, solenidade de Pentecostes, com a idade de 53 anos. Foram muitos os que vieram dar o último adeus ao piedoso frade. Os biógrafos contam, que durante a celebração da missa de exéquias, no momento da elevação do cálice e da patena, seu corpo já enrijecido pela morte reabriu os olhos para fixar o Pão e o Vinho da Eucaristia dando assim seu último testemunho de apreço pelo Santíssimo Sacramento.



Sua santidade foi confirmada por muitos milagres que espalharam sua fama por todo o mundo católico. Vinte e seis anos depois, no dia 29 de outubro de 1618, era proclamado bem-aventurado (beato) por Paulo V e a 16 de outubro de 1690, canonizado por Alexandre VIII. O Papa Leão XIII, no dia 26 de novembro de 1897, proclamou-o patrono das devoções eucarísticas e, pouco depois, também dos congressos eucarísticos internacionais.
Os restos mortais de São Pascoal Bailão, venerados em Vila Real, foram profanados e espalhados durante a guerra civil espanhola (1936-39). Parcialmente recuperados foram restituídos à cidade de Vila Real em 1952.
As imagens do santo sempre o representam próximo a um ostensório Uns vinte pequenos tratados de sua autoria falam de seu profundo amor pela Eucaristia.

(Tradução livre da obra Frati Minori Santi e Beati, publicação da Postulação Geral da Ordem dos Frades Menores, 2009, p. 253-255)


quarta-feira, 14 de maio de 2014

BEATO BARTOLO LONGO, Leigo: grande apóstolo da devoção a Nossa Senhora do Rosário.


Beato Bartolo Longo: De devoto do demônio a apóstolo do Rosário




Um dos poucos casos em que um simples leigo é fundador de uma comunidade religiosa, ele legou à Igreja uma obra grandiosa. O Papa São João Paulo II o qualificou de "verdadeiro apóstolo do Rosário".

Numa manhã de outubro de 1872, um homem ainda jovem, profundamente preocupado, passeia pelos arredores de Pompéia. Nada lhe importam as históricas ruínas da cidade sepultada pela erupção do Vesúvio no ano de 79. Uma dúvida o atormenta: “Depois de uma vida péssima, arrependi-me e encetei o caminho da conversão. Mas... conseguirei salvar minha alma”?
Em determinado momento, uma voz interior lhe fala no fundo da alma: “Se queres salvar-te, propague a devoção do Rosário. É uma promessa da Virgem Maria”.
Num sobressalto de júbilo, ele levanta o rosto e as mãos para o Céu e brada: “Ó Maria, se é verdade que prometeste a São Domingos que quem difunde o Rosário se salva, eu me salvarei, porque não sairei desta terra de Pompéia sem ter aqui propagado essa santa devoção”.
Nesse instante soa o velho sino da igreja próxima, para o Ângelus de meio dia. O homem ajoelha-se, reza e chora. Chora de alegria, pois compreende que a Rainha dos Apóstolos acabava de lhe dar uma grande missão.
No coração de Bartolo (pronuncia-se “bártolo”) Longo estava plantada a semente do futuro Santuário de Nossa Senhora do Rosário de Pompéia, centro internacional de irradiação dessa devoção mariana, e sede de várias obras de beneficência e de formação da juventude.


Vivacidade, inteligência e piedade

Bartolo Longo nasceu em 10 de fevereiro de 1841, em Latiano (Itália), e foi batizado três dias depois. Sua infância decorreu piedosa e feliz. Desde tenra idade, manifestou-se muito inteligente, de caráter ardente e decidido. Ele mesmo se definiu como “um menino vivaz, impertinente e quase travesso”. Sabia imitar na perfeição os gestos, os sotaques e outras características das pessoas que conhecia.
A par disso, dava mostras de verdadeira piedade. Ouvindo tocar o sino anunciando a hora do Ângelus, interrompia imediatamente qualquer brinquedo e corria para rezá-lo junto de sua mãe. Quando fez a Primeira Comunhão, ficou imóvel durante uma hora e meia, agradecendo essa graça inapreciável. Uma pessoa indiscreta quis interrompê-lo e recebeu esta resposta: “A ação de graças a Jesus, que chega pela primeira vez, deve ser bem feita”!


Deixou de rezar... rolou no extremo do mal

Com todas essas qualidades, concluiu de forma brilhante seus estudos primários e secundários, recebendo aos 17 anos o diploma que o credenciava ao curso superior.
Todavia, nele se realçava, sobretudo, o temperamento apaixonado. Bartolo não era homem de meios-termos. Sua estrutura psíquica o conduziria ou ao extremo do bem, ou ao do mal.
Decidiu estudar direito em Nápoles. Longe de ser propícia à fé católica, a época era de negação e até mesmo de luta aberta contra a Santa Igreja. O racionalismo e o anticlericalismo faziam devastações no meio da juventude. Professores ímpios usavam as cátedras universitárias para difundir filosofias ateias.


Nessa conjuntura, Bartolo dedicou-se com ardor aos estudos, às diversões, à música (tocava piano). Inteligente, elegante e de boas maneiras, vivia cercado de muitos amigos.
Não lhe sobrava tempo para a oração... Deus, a Virgem Maria, foram-se apagando até desaparecer de sua memória. Quando terminou seu curso de Direito, em 1864, estava inteiramente desorientado pelas teorias filosóficas do materialismo e do racionalismo.
Não parou aí. A perda da fé na divindade de Jesus criou em sua alma um vazio que ele procurou preencher recorrendo ao espiritismo. Extremista por natureza, tornou-se inimigo acirrado da Santa Igreja. Pronunciava conferências anticlericais e organizava manifestações públicas contra a religião.
Tal era seu ódio que decidiu fazer-se "sacerdote" do espiritismo e submeteu-se a um duro regime de jejuns e mortificações corporais, com o objetivo de fazer uma consagração radical ao demônio.


Uma Confissão bem feita

Entretanto, por paradoxal que seja, durante todo esse negro período o jovem Bartolo não cessou de rezar o Rosário e, fato mais extraordinário ainda, conservou a virtude da castidade.
Se falsos amigos o arrastaram à perda da Fé, amigos autênticos foram instrumentos da Providência para reconduzi-lo à Casa Paterna.
Um destes, o Prof. Vincenzo Pepe – que Bártolo qualifica como “o amigo de minha alma, que o Senhor pôs a meu lado em todos os momentos críticos e decisivos de minha vida” – não hesitou em, numa hora oportuna, admoestar severamente o jovem advogado por sua péssima vida.
Fecundada pela graça, essa advertência surtiu efeito. Bartolo decidiu procurar o confessionário para se reconciliar com Deus. Dirigiu-se à Igreja do Rosário, em Nápoles, onde foi atendido pelo Pe. Alberto Radente, religioso dominicano. Era dia da festa do Sagrado Coração de Jesus, em 1865.
O ex-inimigo da Igreja confessou-se com profundo arrependimento. O Pe. Radente ficou maravilhado ante o poder da graça nessa alma, mas só lhe deu a absolvição depois de um mês de encontros para direção espiritual. Bartolo pôde, então, receber a Sagrada Eucaristia. Em seus escritos, ele contará depois: “Foi como fazer de novo a Primeira Comunhão, foi como se eu tivesse recebido um segundo Batismo”!
Em 25 Março de 1871, Bartolo Longo entrou para a Terceira Ordem Dominicana, pelo Padre Radente, ocasião em que foi dado o nome de “irmão Rosário”, por causa de seu grande amor pelo Rosário e à Virgem Maria.



Inicia-se a grande missão

Bartolo Longo – homem de decisões radicais, como já foi dito – recusou vantajosas propostas de casamento, abandonou a carreira advocatícia e se dedicou às obras de caridade e ao estudo da Religião.
Tornou-se, com isso, alvo de grosseiras chacotas daqueles mesmos que antes aplaudiam e estimulavam suas atividades antirreligiosas. Mas elas produziram como único resultado um ato de reparação: “Devo reparar pelos meus pecados”, dizia o convertido.
Bartolo deseja fazer algo para corrigir os erros do passado e começou a pregar contra o ocultismo em locais onde os estudantes frequentavam. Vendo a terrível pobreza ele queria de algum modo ajudar, e teve a inspiração de que o Rosário seria a chave.
Sofrendo com o mal que tinha feito quando fazia parte do culto, Bartolo tentou reparar o terrível dano que fez às almas daqueles que ele tinha encontrado e convencido a levar uma vida diabólica.
Bartolo Longo ainda visitou uma sessão espírita e, erguendo a medalha da Virgem Maria, gritou: “eu renuncio o espiritismo porque não é nada senão um labirinto de erro e falsidade”.
Lembrando aonde ele foi exposto pela primeira vez a esses pensamentos perigosos e mortais, ele foi para as universidades!
Juntou-se aos jovens em festas e se se misturou com eles nos cafés, partilhando como ele tinha sido levado a deixar tudo o que lhe era querido – Jesus Cristo e a Igreja Católica.
Da mesma forma brilhante que ele arrastou muitos estudantes inocentes para longe da Verdade, ele levou muitos de volta ao Lar de Jesus e da Igreja.
... Eles eram fascinados por suas palavras e testemunho, e muitas conversões surgiram. Mas ele não estava satisfeito, ele queria fazer mais, tocar muitos – por Jesus e por Maria. O padre Radente aconselhou: “Se você está procurando por salvação, propague o Rosário. É a promessa de Maria. Aquele que propaga o Rosário será salvo.”
Algum tempo depois, travou relações com uma nobre dama napolitana, a Beata Catarina Volpicelli, fundadora das Servas do Sagrado Coração de Jesus. Esta o pôs em contato com outras pessoas de grande fervor, entre as quais a Condessa Mariana Fonseca, viúva do Conde de Fusco, proprietária de terras no Vale de Pompéia.
Por esse meio, a Virgem Maria o foi conduzindo para a realização da grande missão para a qual o havia escolhido. Em 1872 a Condessa de Fusco confiou-lhe a administração de suas propriedades nos arredores de Pompéia. Lá chegando, ele ficou profundamente chocado ante a miséria humana e religiosa dos pobres camponeses da região. Nada havia ali, a não ser uma pequena igreja, já muito arruinada e tão pobre que não tinha uma imagem sequer.
Sem tardança, dedicou-se à tarefa nobre e humilde de lhes ensinar o Catecismo, e à divulgação do Santo Rosário. Era a reconquista espiritual do Vale de Pompéia que se iniciava.
Bartolo e Mariana, a viúva do Conde di Fusco, construíram outras obras de caridade e instituições que se tornaram a Cidade da Caridade ou a "Cidade de Maria".

Ele fundou uma escola para os Filhos dos Prisioneiros, crianças cujos pais estavam na prisão, e a colocou sob a direção dos Irmãos das Escolas Cristãs, também fundada por ele. O sucesso da escola foi tal que, em 1922 ele fundou outra Escola de Moças, para as filhas de criminosos.
Como Bartolo e Mariana trabalharam muito tempo juntos, havia várias especulações que os dois estariam envolvidos romanticamente. Para prevenir que o bom trabalho deles fosse manchado pelas especulações eles se casaram em abril de 1885, mas viveram juntos como irmãos, em celibato, guardando os votos de castidade.
Entretanto isto não foi o bastante para alguns e no início do século XX ele foi acusado de adultério, corrupção, desonestidade e até mesmo de insanidade. Em 1906 o Papa Pio IX pediu a Bartolo que se retirasse da direção da "Cidade" a bem da mesma e ele assim o fez, passando a direção para o papado e passou a ser um simples empregado comum da Cidade de Maria.
Mais tarde, em 1925 ele recebeu o titulo de “Cavaleiro da Guarda do Santo Sepulcro”.



Uma obra grandiosa

 
Cresceu o número dos fiéis, a igrejinha tornou-se insuficiente, tornara-se necessário construir uma maior e mais acolhedora. Por sugestão do Bispo de Nola, a cuja diocese pertencia Pompéia, Bartolo Longo começou uma campanha de coleta de contribuições. A pedra fundamental foi colocada em maio de 1876.
Choveram as doações, inicialmente de várias cidades italianas, depois, de quase todas as partes do mundo, deixando espantado até mesmo o Beato Bartolo. Nos arquivos do Santuário, conservam-se cinco volumes com quatro milhões de nomes de doadores!
Em 1894, ainda faltando alguns arremates de construção, o templo foi consagrado. Com o aumento constante do número de peregrinos, foi ampliado alguns anos depois.
Fruto da fé e da caridade de um santo, e das contribuições de milhões de fiéis, o Santuário de Nossa Senhora do Rosário de Pompéia, tornou-se um foco de irradiação da devoção mariana.
Quando, em 05 de outubro de 1926, com 85 anos de idade, faleceu Bartolo Longo, vítima de uma pneumonia, sua obra tinha já atingido proporções grandiosas. O Santuário tornara-se um centro internacional de propagação do Rosário, e fora elevado à categoria de Basílica Pontifícia, para onde os peregrinos acorriam aos milhões. E em torno dele estava construída uma cidade mariana, com numerosos institutos de beneficência.
O Beato Bartolo Longo é um dos poucos casos na história da Igreja em que um simples leigo é o fundador de uma comunidade religiosa. Em 1897 ele fundou as Filhas do Rosário de Pompéia, sujeitas à regra da Ordem Terceira de São Domingos, para dedicar-se ao cuidado dos meninos e das jovens. E perto já de terminar sua carreira nesta terra, fundou em 1922 o Instituto Feminino Sagrado Coração.

Na cripta do Santuário pode ser visto o corpo do Beato, posto numa urna de vidro, revestido da capa dos Cavaleiros de Malta.

segunda-feira, 12 de maio de 2014

Serva de Deus TERESA NEUMANN, Mística e Estigmatizada (muito famosa em sua época)

Teresa Neumann
Teresa Neumann (em alemão, pronuncia-se: "nóiman") nasceu em Konnersereuth, Baviera, em 09 de abril de 1898. Até a sua morte em 1962, aconteceram em sua vida, surpreendentes fenômenos como os estigmas (misteriosas chagas nos pés, mãos e costas). Chagas resistentes a todas as curas possíveis, que se abriam todas as quintas feiras. Também outros fenômenos maravilhosos como o conhecimento dos segredos do coração e a bilocação. Porém, o mais extraordinário de todos, era o fenômeno eucarístico: durante 32 anos nada comeu nada bebeu, pesando sempre 55 kg e isto apesar de perder a cada ano, através de suas feridas, cinco litros de sangue. Sua força estava na comunhão diária.
 A partir do Natal de 1922, deixou de se alimentar com alimentos sólidos e depois do Natal de 1926, abandonou os líquidos. Apenas um pequeno gole por dia, para melhor engolir a Sagrada Hóstia.
 No dia 30 de setembro de 1927, aniversário de morte de Santa Teresinha do Menino Jesus, recebeu a visita da santa que diz a Teresa: “De agora em diante não necessitarás de nenhum alimento terrestre”.

Teresa era uma simples "campesina", isto é,
uma pobre "moça do campo", pobre e inculta.
Daquele momento até sua morte em 1962, nunca mais comeu ou bebeu nada. Cessaram também, por completo, as necessidades físico-biológicas de um corpo humano. No início, tentaram alimentá-la à força, porém, ela vomitava tudo que lhe davam. Os médicos mais famosos da época controlaram seu jejum e tentaram explicações, mas se renderam a evidência do sobrenatural.
 Dr. Ludovico Kannmüller, de Passavia, escreveu no jornal "Del Danubio":” A ciência não pode explicar o jejum da estigmatizada de Konnersereuth.”.
Dr. Weissel, médico de Berlim, interrogou Teresa  a fim de conseguir explicar algo, porém, diante da afirmação dela que não sentia nenhum apetite e nem vontade de comer nada, perguntou: como se explica? E ela concluiu: é a vontade de Deus. Só a Comunhão Eucarística me basta.
Teresa era uma pessoa muito simples, feliz e
simpática, apesar dos sofrimentos atrozes.
O Bispo de Ratisbona acompanhava Teresa e a submeteu a uns rigorosos controles. Durante quinze dias, esteve internada numa clínica sob os olhares vigilantes de quatro pessoas que a vigiavam, sob a orientação de Dr. Seidl Waldsassen. Revistaram tudo quanto onde ficaria. Minuciosamente era pesada na balança, constantemente. O controle deu resultado e o bispo publicou o resultado no jornal da Diocese. Não obstante tão extremo rigor, Teresa não ficava fraca e nem doente; ao contrário, seu corpo tinha força e vigor que a permitiam realizar normalmente os serviços caseiros, e atender os visitantes.
Durante o tempo em que as Sagradas Espécies permaneciam em seu corpo, Teresa estava ótima, mas, se ultrapassasse 24 horas sem comungar, perdia as forças e parecia que chegava ao fim da vida. Apenas comungava e as forças voltavam. 

Abaixo, alguns momentos nos quais Teresa vertia sangue em abundância pelos estigmas (mãos, corpo e face) e até pelos olhos (lágrimas de sangue):










Teresa passava por temporadas de fortes sofrimentos e ela tudo aceitava pela conversão dos pecadores.
Certa vez, encontrava-se longe de sua casa, era noite e se sentia mal por causa dos sofrimentos expiatórios; os presentes temiam por sua vida e o sacerdote pensava que seria melhor dar-lhe a Comunhão. Perto da casa onde estava, havia uma pequena capela particular onde estava guardada uma Sagrada Partícula, com a intenção de Teresa comungar no dia seguinte. Em seu leito de dor, Teresa tinha um desejo ardente de receber Jesus. Sem que fosse necessário o sacerdote, Jesus passou do Sacrário para o coração da enferma. Quando Teresa disse ao sacerdote no dia seguinte que havia comungado, este correu para a Capela, porém, não encontrou a Hóstia lá. Numerosos presentes testemunharam este fato.
Outros fenômenos aconteciam com Teresa Neumann que geralmente eram acompanhados do ato de receber a Comunhão. Às vezes recebia o sacramento em  êxtase e nestas ocasiões, quando a Hóstia era depositada em sua língua, desaparecia instantaneamente. Padre Fahsel atesta ao desaparecimento da Hóstia desta maneira, o que foi confirmado por outros sacerdotes. Padre Fahsel atesta que não havia o menor movimento de deglutição por parte de Teresa. Só quando  não estava em êxtase é que se podia ver o movimento da deglutição. Em Teresa Neumann a duração da Sagrada Eucaristia demorava, às vezes, 24 horas ou mais. Esta duração era menor quando ela pedia a Deus sofrimentos especiais, pela conversão de alguém. Apenas cessava a prece, seu corpo entrava em sofrimentos. Isto era observado nas quintas feiras santas quando os fiéis não podiam comungar, a Eucaristia demorava 48 horas em Teresa para ser dissolvida. Foram muitas as pessoas que a visitaram: muitos acreditavam, outros incrédulos, porém, todos ficavam admirados diante destes fatos.
Corpo de Teresa Neumann em suas exéquias. 

 O Papa Pio XII pediu ao famoso Dr. Padre Gemelli, Reitor magnífico da Universidade Católica de Milão, que observasse Teresa, ao que o sábio sacerdote concluiu:
“Aqui está à mão de Deus."



Nota do publicador do blog:
A Serva de Deus Teresa Neumann foi muito famosa em sua época. Muita gente aqui no Brasil pôs o nome de suas filhas de "Teresa Neuma", "Teresa Nilma" ou "Teresa Norma", em homenagem a essa mística alemã, talvez mesmo sem conhecer direito sua história. O que se sabia, naquela época, é que era uma pessoa que havia recebido as “chagas de Cristo” e isso bastava.
Uma coisa que pouca gente sabe é que quando um (a) pretenso (a) candidato (a) aos altares tenha sido um (a) “estigmatizado (a)” ao invés de ajudar, isso muito "atrapalha" no processo de beatificação do (a) mesmo (a). Isso porque tais indivíduos quase sempre foram e são alvo de críticas, desconfianças ou até mesmo calúnias durante suas vidas e até mesmo após sua morte. Como a Sagrada Congregação Para a Causa dos Santos é muito prudente, ela sempre averigua com bastante cuidado a vida da pessoa e se seus estigmas eram legítimos e não fruto de uma fraude. Além disso, ela estuda como o (a) candidato (a) se “comportava” com o fato de ter estigmas: se era uma pessoa simples, humilde e até mesmo “envergonhada” por ter estigmas e não uma pessoa que se “orgulhava” disso. Não é nada fácil para a Igreja decidir uma causa de um santo. Muita gente acha que a Igreja “cria” santos ou os “inventa”. Nada disso! Nos anos e anos de duração de um processo, a Igreja estuda, reestuda, avalia, reavalia, pesquisa, interroga e coloca o máximo de esforço para realmente ter certeza das virtudes do (a) candidato (a); e tem que ser virtudes HERÓICAS!
Além do mais, ainda tem o caso dos (as) candidatos (as) que foram grandes místicos e almas vítimas.  Geralmente, como foram pessoas que salvaram muitas almas através de suas orações e sofrimentos atrozes, vivendo humildes e escondidas, satanás e seus demônios tem um especial ódio dessas almas. Assim, o que eles puderem fazer para atrapalhar o processo de beatificação/canonização irão fazer, não tenham dúvida.

É por isso que às vezes a gente não entende como tem muita gente verdadeiramente santa que está “na fila” do processo e de lá não sai há anos, décadas e, às vezes, séculos! Rezemos e aguardemos que as “barreiras” no processo desta grande mística possam ser superadas e, se as mesmas forem fruto de artimanhas diabólicas, que sejam plenamente dispersas pela Providência divina. Claro que tudo que acontece é permissão de Deus. Ele sabe o tempo certo para tudo. Amém. 

domingo, 11 de maio de 2014

Beata Maria Assunta Marchetti, Virgem e Missionária Scalabriniana no Brasil


Em carta enviada pelo secretário de Estado do Vaticano, Monsenhor Angelo Becciu, será realizado no dia 25 de outubro de 2014, em São Paulo o Rito de Beatificação de Madre Assunta.


A Superiora Geral, Irmã Neusa de Fátima Mariano, relatou o significado desta notícia para a Congregação. “Acolhemos esta notícia com grande alegria e júbilo, pois é uma graça para a Congregação das Irmãs Missionárias de São Carlos Borromeo (Scalabrinianas). Acreditamos que a Beatificação será portadora de muitos frutos de santidade e de renovação espiritual para todos os membros do Instituto e ao mesmo tempo em que é portadora de novo vigor na vivência de nossa consagração religiosa no serviço aos migrantes” disse.

Para Irmã Neusa, esta Celebração será um momento de visibilidade à presença compassiva das missionárias junto aos migrantes a exemplo da Serva de Deus.  Além de ressaltar a santidade de vida e coragem missionária de Madre Assunta, é perceber como as Irmãs Missionárias Scalabrinianas encarnam no dia a dia, o projeto missionário do Bem-aventurado Dom João Batista Scalabrini, fundador da Congregação, o qual nos interpela a continuar com ousadia, fidelidade criativa, profecia e esperança a missão que recebemos como herança carismática, em meio aos migrantes, nos vários desafios da mobilidade humana.

Na cidade de Camaiore-Itália, onde Madre Assunta nasceu e viveu até a juventude, a notícia teve grande repercussão. Ao tomar em conhecimento da beatificação por meio dos jornais, a população organizou imediatamente junto ao pároco de Camaiore, um coro em homenagem à Serva de Deus.

“As pessoas aqui em Camaiore receberam a notícia da beatificação lendo os jornais e através do pároco, que, do altar, contou aos fiéis. Foi fundado um coral composto de muitas pessoas, das mais variadas idades que cantam nas missas. O coral foi intitulado ‘Coral de Madre Assunta’. A beatificação dela é uma grande alegria para nós e para a comunidade de Camaiore, que precisa de um exemplo assim tão lindo”, disse em entrevista a jovem e educadora infantil, em Camaiore, Beatrice Marchetti, 24, cuja avó,senhora  Osvalda Tabarrani ajudou a fundar o museu de Madre Assunta naquela cidade, e diz ter recebido um milagre por intercessão da beata.

Ao receber um grupo de Irmãs brasileiras em Camaiore, no mês de maio de 2013, a senhora Osvalda concedeu esta entrevista naqual ela conta a sua experiência de fé com Madre Assunta Marchetti.


Para a sobrinha, a santidade da tia não é novidade

A sobrinha, filha caçula da irmã mais nova de Madre Assunta, residente no bairro da Vila Mariana, em São Paulo, capital, Marta Maria Luiza Marchetti Zioni, aos seus 80 anos se recorda da tia com emoção. “A minha mãe tinha a titia Assunta mais como mãe do que Irmã, por ser 20 anos mais velha. O papai, ao qual ela chamava de Giuseppino,  a respeitava muito porque na simplicidade, no jeito de olhar, de falar, sabia impor respeito. Quando ela vinha nos visitar, era uma alegria”, conta.

Sobre a santidade de Madre Assunta disse: “Sabe, a santidade dela para nós não é novidade, porque sempre estivemos acostumados com o jeito de ser da titia: bondosa, meiga, atenciosa. Para nós, não é agora que ela se torna santa, entende?”

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Quem foi Maria Assunta Caterina Marchetti

Maria Assunta Caterina Marchetti nasceu em Lombrici di Camaiore, província de Lucca, na região da Toscana, Itália, em 15 de agosto de 1871, e foi batizada no dia seguinte na paróquia Santa Maria Assunta ao lado da casa da família. De acordo com os documentos históricos, os pais Ângelo Marchetti e Carolina Ghilarducci eram moleiros. O trabalho da moagem garantia o sustento da família como também a moradia. Os pais sempre confiaram na ajuda de Assunta para o cuidado dos outros 10 irmãos, uma vez quea mãe tinha saúde frágil.



A compaixão pelos imigrantes italianos muda os rumos da vocação

Conforme relata a história, Assunta desejava ardentemente se tornar uma religiosa contemplativa, mas Deus havia traçado outros caminhos para ela através do pedido de seu irmão sacerdote, José Marchetti que ingressou no Seminário de Lucca, que se tornou sacerdote em 1892.

Nesse período os italianos deixavam em massa a Itália e rumavam para as Américas, especialmente para o Brasil. Padre José Marchetti, pároco em Compignano, diocese de Lucca, viu maioria dos paroquia nos deixarem a Itália em busca de sobrevivência. Não teve dúvidas. De sacerdote diocesano passou a ser missionário de São Carlos, ordem fundada em 1887 pelo Bispo de Piacenza, o beato João Batista Scalabrini que, compadecido dos imigrantes italianos, organizou um grupo de missionários e fundou a ordem para acompanhar os imigrantes nas suas viagens nada fáceis.

Padre José passou a ser missionário de bordo e durante as viagens da Itália para o Brasil atendia os imigrantes com o sacramento da confissão, do casamento, e fazia rituais de exéquias para os que morriam e eram lançados ao mar.

Em uma dessas viagens um pai desesperado deixou, aos cuidados de padre Marchetti, um bebê, de quem o sacerdote assumiu a responsabilidade de cuidar. Ao desembarcar no Brasil o padre  imediatamente providenciou um orfanato onde colocou a criança. A partir dali entendeu que sua missão não era a de ser missionário de bordo, mas cuidar dos tantos órfãos filhos de imigrantes italianos e africanos, que viviam na cidade de São Paulo.

A Beata Maria Assunta na cozinha do orfanato feminino da Vila Prudente, São Paulo

Em 1895, padre José construiu dois orfanatos em São Paulo, um no alto do Ipiranga e outro na Vila Prudente. Com tantos órfãos para cuidar, voltou à Itália e convenceu Assunta a vir com ele para cuidar dos órfãos.

Ela queria ser carmelita, ficar afastada do mundo, mas aconteceu o oposto: não só teve que enfrentar o mundo como também teve que socorrer as pessoas em ambiente hostil (na época São Paulo era marcada por outras religiões como a maçonaria, por exemplo) e, no entanto, não criava problemas com ninguém, respeitava o sentimento e a religião dos outros”, relata sua sobrinha que vive em São Paulo, Marta Maria Luiza Marchetti Zioni.

Em 25 de outubro daquele mesmo ano que ela, seu irmão padre José e suas duas amigas emitiram os primeiros votos religiosos, nas mãos do Bem Aventurado Dom João Batista Scalabrini, fundador da Congregação das Irmãs Missionárias de São Carlos Borromeo, Scalabrinianas. E em 27 de outubro de 1895, partiram para o Brasil, como missionária para os migrantes e nunca mais retornaram à Itália, fazendo de sua pátria o Brasil. Padre José Marchetti morreu aos 27 anos, vítima da febre tifoide, muito comum entre os imigrantes naquele período.

Madre Maria Assunta (primeira, à esquerda), com coirmãs e suas amadas órfãs


 O trabalho missionário em São Paulo

Ao chegarem a São Paulo dedicaram-se ao cuidado dos órfãos e dos imigrantes italianos, afetados pela cólera tifoide e pela difteria. O orfanato tinha como objetivo ser um ambiente familiar para os pequenos que haviam perdido os pais nos trajetos da imigração e no trabalho nas fazendas de café. Eram órfãos italianos, africanos... todos eram bem acolhidos. Assunta se dedicou ao próximo com heroísmo e não media esforços quando se tratava de atender o mais necessitado.


“O primeiro doente da Santa Casa de Monte Alto -SP foi um homem negro, mendigo. Madre Assunta se compadeceu dele porque estava sozinho na enfermaria, enquanto não havia ainda os enfermeiros. Colocou uma cama no fundo do corredor, do lado oposto do doente e, dormiu aí algumas noites para poder atendê-lo logo que chamasse. Via Cristo no irmão pobre, sofrido ou doente”, contou Irmã Afonsina Salvador que conviveu com Madre Assunta ainda quando fora superiora geral pela primeira vez. “Tudo o que acontece é bom, porque vem de Deus, sempre dizia Assunta, como que fazendo ecoar o mesmo pensamento de seu irmão José que em todos os acontecimentos dizia: Deo gratias"!

As Irmãs Missionárias Scalabrinianas têm em Madre Assunta um modelo de incansável missionariedade e corajosa dedicação no serviço da caridade. Um grave ferimento na perna provocado durante o atendimento a um enfermo originou longos anos de sofrimento.
Madre Assunta passou os últimos meses de sua vida em uma cadeira de rodas, mas sempre atenta em servir o próximo. Morreu em 1ºde julho de 1948, em meio aos órfãos, no orfanato da Vila Prudente - SP, hoje, “Casa Madre Assunta Marchetti”, onde se encontram seus restos mortais.


O milagre 

Aconteceu em 1994, no Hospital Mãe de Deus, em Porto Alegre, RS. Diagnosticado com morte cerebral, o senhor Heráclides Teixeira Filho recobrou os sentidos, ressuscitou sem nenhuma sequela de suas funções vitais e intelectuais. Esse milagre se deve ao fato de a esposa e uma de suas irmãs terem invocado a intercessão de Madre Assunta.


No dia 19 de dezembro 2011 aconteceu a promulgação do Decreto das Virtudes Heroicas de Madre Assunta Marchetti, reconhecidas pelo Papa Bento XVI. No dia 09 de fevereiro de 2012 foi aprovado o ‘milagre’ atribuído a Venerável Madre Assunta por parte da equipe dos médicos da Congregação da Causa dos Santos, no Estado do Vaticano. Em 17 de dezembro de2013, a Secretária de Estado do Vaticano, através de carta assinada por Dom Angelo Becciu, comunicou oficialmente à Congregação das Irmãs Missionárias de São Carlos a aprovação da beatificação de Madre Assunta.