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Encontre o (a) Santo (a), Beato (a), Venerável ou Servo (a) de Deus

sábado, 5 de abril de 2014

SÃO VICENTE FERRER, Presbítero Dominicano, Exímio Pregador e Grande Taumaturgo.



Imagine um pregador cujas homilias durassem de duas a três horas e que na Sexta-feira Santa elas chegassem a durar até seis horas...  Será que haveria gente para ouvi-lo?



Um grande pregador!

Se o pregador fosse São Vicente Ferrer haveria... E muitos! Pois, as igrejas onde ele costumava fazer suas homilias tornavam-se pequenas para conter a multidão que ele atraia.
Em Tolosa, na Espanha, um de seus sermões prolongou-se por seis horas seguidas! Seus ouvintes dessa cidade costumavam dizer: “Este homem veio a esta cidade para nossa salvação ou para nossa perdição. Para que nos salvemos, se fizermos o que ele nos diz; para que nos condenemos, se nos descuidarmos de obedecer-lhe”! E afirmavam ainda: “Até aqui podíamos dizer que não tínhamos quem nos ensinasse bem o que somos obrigados a fazer. Agora já não podemos dizer isso”.

Foi tão grande a devoção que habitantes de Tolosa tiveram por ele que, depois de sua partida, transformaram em relíquias tudo que dele puderam guardar. O palanque que ele usou para fazer suas pregações era tocado e beijado como se fosse algo sagrado.

Em certas localidades, enquanto São Vicente Ferrer fazia sua pregação, tudo parava. As lojas fechavam e até as audiências nos tribunais eram suspensas. Todos queriam ouvi-lo. Nos dias em que São Vicente Ferrer pregou em Tolosa, por exemplo, não houve pregador que quisesse fazer sermão, porque todo mundo ia atrás do Santo.

Quando sabiam que ele se aproximava de uma cidade, era comum o povo ir ao seu encontro. Havia então, verdadeiras disputas para que se conseguir um lugar que ficasse o mais próximo possível do Santo. Então para ele não ser esmagado pela veneração e entusiasmo popular, era necessário que quatro homens jovens e fortes conduzissem umas pranchas de madeira que formavam um quadrilátero no interior do qual São Vicente Ferrer podia caminhar com segurança.

De onde lhe vinha a atração e o sucesso

Com uma oratória brilhante e cheia de fogo, São Vicente Ferrer mantinha a lógica das argumentações escolásticas. Seus ouvintes percebiam nele a presença do sobrenatural e suas palavras eram carregadas de amor de Deus. Era isso que atraia seus ávidos ouvintes. A graça divina estava nele. Seus inflamados sermões não só atraíam multidões mas, obtinham incontáveis conversões, inclusive de judeus e maometanos que ainda dominavam a península Ibérica.

Sem dúvida, o sucesso e as graças obtidas nesse apostolado eram frutos de sua obediência amorosa a Nosso Senhor Jesus Cristo que, em uma visão tida pelo Santo, ordenou que ele pregasse a verdadeira Fé católica pelo mundo todo.



Sempre esteve próximo à Ordem dos Pregadores

A casa de seus pais ficava nas imediações do Real Convento da Ordem dos Pregadores, os dominicanos. Isto ajudou a que, ainda jovem, Vicente decidisse tornar-se religioso, vestindo o hábito dos frades dominicanos.

Fez sua profissão religiosa em 1368 e foi ordenado sacerdote em 1374. Alternou o estudo e o ensino da filosofia com a aprendizagem da teologia passando pelas cidades de Lérida, Barcelona e Tolosa, todas na Espanha. Aprofundou-se no estudo e conhecimento perfeito da exegese bíblica e da língua hebraica. Quando regressou a Valência, sua cidade natal, ensinou teologia, escreveu, pregou e foi um exímio conselheiro.

Alguns anos mais tarde, passou a viver na França, exercendo suas funções na cidade de Avignon, onde caiu gravemente enfermo sofrendo uma doença que o levou à beira da morte. Por ocasião dessa enfermidade, ainda em Avignon, Vicente teve uma visão de Deus. Ele viu Nosso Senhor Jesus Cristo acompanhado por São Domingos, fundador de sua Ordem Religiosa e por São Francisco de Assis. Nessa visão, Nosso Senhor conferiu a ele a missão de pregar o evangelho pelo mundo.

Após ter aceito essa difícil e nobre incumbência, repentinamente, ele recuperou a saúde. A 22 de novembro de 1399, deixou a França e saiu pregando a palavra de Deus no Ocidente. Sua ação foi um contínuo espalhar de tesouros de sabedoria.


Uma época conturbada, dentro e fora da Igreja

São Vicente Ferrer veio ao mundo no ano de 1350, em Valência, numa Espanha que ainda lutava contra os árabes maometanos invasores da península ibérica. O Ocidente passava por uma grande crise espiritual que atingia direta ou indiretamente todas as nações. Nenhuma escapava!

A França encontrava-se assolada pela Guerra dos cem anos; na Itália, havia conflitos entre "guelfos" e "gibelinos". As regiões espanholas de Castela e Aragão viviam um momento de anarquia. Fora das fronteiras da cristandade o perigo maometano era uma constante. Para piorar o ambiente de confusão dessa fase histórica, houve uma crise religiosa.

Foi durante esse período que eclodiu no seio da Igreja o Cisma do Ocidente. Cardeais declararam inválida a eleição de Urbano VI como Papa. Surgiram outros Papas. Um deles foi Clemente VII.

Um Papa ficava em Roma, o outro em Avignon. Os dois se excomungavam mutuamente. Nações e reinos tomaram partidos de acordo com suas conveniências: a Cristandade dividiu-se.

São Vicente Ferrer chegou escrever um tratado sobre este cisma. Esforçou-se e colocou todo peso de seu prestígio em toda a Cristandade para que o Cisma do Ocidente tivesse um desfecho favorável aos interesses da própria Igreja.

Foi dentro dessas circunstancias históricas que envolviam o Ocidente Cristão que São Vicente Ferrer deveria desenvolver seu apostolado.



O perfil moral e religioso de Vicente

Foi, antes de tudo, um religioso dominicano fiel ao carisma de São Domingos. Vicente pregava sobre a segunda vinda de Jesus no Juízo Final. E isso de um modo tão compenetrado que provocava a conversão nas pessoas. Era um homem de penitência, da verdade, da esperança, que semeava a unidade e a expectativa do Senhor que voltará. A Providência abençoava seu apostolado: sua pregação era confirmada com sinais, milagres e conversões. Sua vida foi uma confirmação de que a Palavra de Deus precisa ser anunciada com o espírito e com uma vida a serviço da verdade e da Igreja.



Diariamente, dez mil pessoas osculam suas mãos

Em seus sermões, a voz de Deus falava por sua boca: as inimizades públicas cessavam, os pecadores eram movidos ao arrependimento, almas desejosas de perfeição o seguiam. Pregava sempre para multidões que, às vezes chegavam a mais de 15.000 pessoas colocadas ao ar livre. Pessoas contemporâneas do Santo afirmavam que, embora falando na sua própria língua, era entendido por quem não a conheciam.

Em Tolosa foi tão grande a quantidade de pessoas, que o próprio Arcebispo pediu para que o sermão fosse na praça de Santo Estêvão que fica ao lado da Igreja e onde podia caber um público maior. Vicente pregou e celebrou Missa solene na praça quase todos os dias.

Os fiéis tinham tanto desejo de conseguir um lugar nas cerimônias que se levantavam à meia noite e se dirigiam para a praça com lanternas e archotes e cada um trazia seu próprio assento. Todos afirmavam que podiam ouvi-lo estando perto ou longe dele.

Mesmo assim, todos queriam estar juntos dele. Queriam vê-lo bem, observar como oficiava as cerimônias religiosas, como curava os doentes que vinham ao palanque onde ele se encontrava. Todos queriam estar o mais próximo dele para mais facilmente poder beijar-lhe as mãos e, assim que o sermão terminasse, poderem voltar para casa tendo recebido dele a bênção. De certa feita, num vilarejo, as dez mil pessoas que ouviam seu sermão beijaram respeitosamente suas mãos. E este gesto foi repetindo nos onze dias seguintes em que ele ali pregou.


Converteu mouros, ressuscitou uma desafiante judia

São Vicente trabalhou com afinco também pela conversão dos judeus e dos maometanos. Os historiadores afirmam que foram 25.000 judeus e 8.000 maometanos que ele converteu com seu exemplo e palavras.

No Domingo de Ramos de 1407, ele pregava numa igreja de Ecija, na Espanha. Uma senhora judia, rica e poderosa, seguia seus sermões por mera curiosidade. Fazia sarcasmos a meia voz e, em forma de desafio, levantou-se de improviso e atravessou a multidão para sair. Ela não conseguia esconder sua fúria. O povo, obviamente, ficou indignado com sua atitude.

"Deixai-a sair, disse o Santo, porém afastai-vos do pórtico"... E foi justamente esse pórtico da entrada da Igreja que despencou sobre ela e a matou. São Vicente disse, então, em alto e bom som: "Mulher, em nome de Cristo, volte à vida!" A mulher ressuscitou! Depois disso, a senhora converteu-se à verdadeira Religião... Na cidade, anualmente, uma procissão passou a comemorar a morte, ressurreição e conversão da senhora judia.




Ele profetizou sua canonização e quem o canonizaria

Com o correr dos anos, a idade chegou e com ela o cansaço e os males físicos. Muitas vezes, era obrigado a caminhar amparado.

Quando começava a pregar, porém, tudo desaparecia. Seu rosto como que se transfigurava, a pele parecia retomar o frescor da juventude. Seus olhos brilhavam e sua voz era clara e sonora. Sua convicção era firme e transparecia em suas palavras, deixando todos admirados. Os frutos dos sermões continuavam abundantes e de tal modo que eram sempre necessários muitos sacerdotes para ouvir as confissões que eles geravam.

Sua missão apostólica continuou até 1419. Ele estava na Bretanha, quando percebeu que sua vida estava chegando ao fim. Porque ele amava muito sua terra natal, ele foi colocado em um navio para ser transportado até ela e lá morresse. O navio navegou toda a noite. Mas, pela manhã, inexplicavelmente, encontrava-se no porto. Era um sinal de que Deus queria que morresse na Bretanha.

Aos 69 anos, assistido por amigos, por seus irmãos dominicanos e por damas da corte da Duquesa da Bretanha, entregou sua combativa alma a Deus. Era o dia 5 de abril de 1419. O processo de canonização começou no dia seguinte. A Igreja reconheceu como autênticos 873 milagres.

Em 1455 foi canonizado Papa Calisto III que, muitos anos antes de ser Papa, foi favorecido por uma profecia de São Vicente. Durante uma das pregações do Santo em Valência, entre a multidão dos que se aproximavam dele para se encomendar às suas orações, São Vicente pôs sua atenção em um sacerdote, que lhe pedia também a caridade de rezar por ele. O Santo disse-lhe: "Eu te felicito, meu filho. Tendes presente que és chamado a ser um dia a glória de tua pátria e de tua família, pois serás revestido da mais alta dignidade a que pode chegar um homem mortal. E eu mesmo serei, após minha morte, objeto de tua particular veneração".

Um dia, São Vicente Ferrer ao cumprimentar um jovem franciscano, disse-lhe: "Oh! Vós estareis nos altares antes do que eu". O jovem era o futuro São Bernardino de Siena, canonizado em 1450.


São Vicente Ferrer, rogai por nós!

sexta-feira, 4 de abril de 2014

São Caetano Catanoso, Presbítero e Fundador



São Caetano Catanoso
Cultor e apóstolo da Sagrada Face de Cristo, era animado por uma fervorosa e incansável caridade pastoral. Nasceu em Chorio de San Lorenzo (Itália), no dia 14 de Fevereiro de 1879, numa família profundamente cristã. Com a idade de 10 anos, sentindo a vocação ao sacerdócio, entrou no Seminário arquiepiscopal de Régio. Recebeu a Ordenação sacerdotal em 20 de Setembro de 1902. Naquela ocasião manifestou publicamente o propósito de ser um digno ministro de Cristo. Fez então a promessa de jamais cometer algum pecado deliberado e de estar na presença de Deus todos os instantes da vida.

Em 1904 foi nomeado pároco de Pentidattilo, um vilarejo onde prosperava somente a pobreza, o analfabetismo e a ignorância religiosa, e as pessoas viviam no silêncio o drama da marginalização e da prepotência. Ele dedicou-se imediata e inteiramente à missão de pastor, compartilhando com todos as privações, as angústias, as alegrias e as dores da sua gente.

Uma das poucas fotos de São Caetano
Catanoso, sempre com seu terço na mão
Desde então o povo identificou nele o carisma da paternidade e espontaneamente começou a chamá-lo "pai", apelativo que melhor qualificava a sua personalidade sacerdotal e pastoral.
Foi inflamado pela devoção à Sagrada Face sofredora do Senhor e abraçou a missão de defender o culto da mesma entre os povos. Em 1919 instituiu em Pentidattilo a Pia União da Sagrada Face, e em 1934 fundou a Congregação das Irmãs Verónicas da Sagrada Face, aprovada canonicamente em 1953. Com o conforto dos sacramentos, morreu santamente a 4 de Abril de 1963, em Régio, na Casa Matriz da Congregação que ele tinha fundado. Hoje a sua vida doada produz muitos frutos.



Corpo incorrupto de São Caetano Catanoso, Presbítero e Fundador


Trecho da homilia do Santo Padre Bento XVI por ocasião de sua canonização em 23 de outubro de 2005:

“São Caetano Catanoso foi cultor e apóstolo da Sagrada Face de Cristo. ‘A Sagrada Face afirmava é a vida. Ele é a minha força’. Com uma feliz intuição ele conjugou esta devoção à piedade eucarística. Assim se expressava: ‘Se queremos adorar a Face real de Jesus... encontramo-lo na divina Eucaristia, onde o Corpo e Sangue de Jesus Cristo se esconde sob o branco véu da Hóstia a Face de Nosso Senhor’. A Missa quotidiana e a frequente adoração do Sacramento do altar foram a alma do seu sacerdócio:  com fervor e incansável caridade pastoral ele dedicou-se à pregação, à catequese, ao ministério das Confissões, aos pobres, aos doentes, ao cuidado das vocações sacerdotais. Às Irmãs Verônicas da Sagrada Face, que ele fundou, transmitiu o espírito de caridade, de humildade e de sacrifício, que animou toda a sua existência”.

terça-feira, 1 de abril de 2014

SÃO PAULO DA CRUZ, Presbítero e Fundador da Congregação da Paixão do Senhor, ou, Passionistas.


São Paulo da Cruz, Presbítero e Fundador
Papa Pio IX, assinalado pelo honroso epíteto "Cruz da Cruz", teve a satisfação de inscrever no catálogo dos santos a São Paulo da Cruz, o grande devoto da Sagrada Paixão de Jesus, o benemérito fundador dos Passionistas.
Este santo nasceu em 1694 na Itália setentrional e recebeu no batismo o nome de Paulo Francisco.  Os piedosos pais souberam dar a seu filho uma educação ótima cristã, e em suas instruções, muitas vezes relataram-lhe fatos da vida de penitência que levaram os santos eremitas. Foi neste ambiente de piedade e amor de Deus, que Paulo Francisco nasceu e cresceu. Não podia, pois, faltar, que também ele fosse do mesmo espírito e, menino ainda de poucos anos, se entregasse aos exercícios de oração e penitência também. Seu lugar predileto era a igreja, ou para acolitar o sacerdote no altar ou para visitar Nosso Senhor no SS. Sacramento.  Este terno amor a Maria Santíssima, teve-o recompensado uma vez com a aparição de Nossa Senhora com o Menino Jesus, e outra vez pela salvação miraculosa de um grande perigo de morte. Desde jovem que cultivava um espírito de grande penitência e mortificação. Nas sextas-feiras se flagelava e seu alimento era um pedaço de pão embebido em vinagre e fel. 

Na juventude, a Virgem Maria aparece-lhe e o orienta
a fundar uma congregação dedicada a honrar e divulgar
a devoção à Sagrada Paixão e Morte de Jesus Cristo. 
Fez estudos em Cremolino, localidade vizinha. Não só revelou bonitos talentos, como entre os condiscípulos se distinguiu pela pureza de costumes, que o fez ser por todos respeitado e amado.  Com alguns de seus companheiros fez uma santa aliança, com o fim de se solidificarem no amor de Deus e se familiarizarem com a meditação sobre a Sagrada Paixão e Morte do Salvador.  Entrou com eles na Irmandade de Santo Antônio, sendo ele nomeado seu chefe. Nesta qualidade, muitas vezes dirigia a palavra à numerosa assistência dos Irmãos, que muito apreciavam suas alocuções, cheias de sentimento e piedade.
O jovem padre escreve a Regra de sua futura
Congregação religiosa
Quis seu tio sacerdote que, por interesse puramente materiais, tomasse estado, a que o sobrinho teve esta bela resposta: "Meu Salvador crucificado, eu vos asseguro, em que vós vejo o meu sumo Bem e que, possuindo-vos a vós, me basta". Esta vitória sobre sua própria natureza Deus lhe recompensou com um forte desejo, que lhe deu ao martírio.
Quis se alistar entre os soldados de Veneza, para com eles ir combater com os turcos, mas Deus lhe revelou, ser a sua vontade que fundasse uma Congregação de homens que, como missionários, trabalhassem para a salvação das almas. Paulo confiou este segredo ao bispo de Alexandria, o qual, após madura reflexão, aprovou o plano, e em 22 de novembro de 1720, lhe deu o hábito preto com uma cruz branca sobre o peito, encimada esta do Santo Nome de Jesus, e impôs-lhe o nome de Paulo da Cruz. Na mesma ocasião, autorizou-o a ensinar a doutrina cristã ao povo de Castelazzo.
São Paulo da Cruz era um grande pregador. Suas
práticas eram sempre acompanhadas por multidões
que acorriam para ouvi-las. Todos maravilhavam-se
com sua eloquência e emocionavam-se com suas
ardentes palavras. As conversões eram numerosas.
Paulo obedeceu; com o crucifixo na mão, andou pelas ruas da cidade, chamando o povo para dar atenção às verdades divinas.  Suas prédicas sobre a Sagrada Paixão, causaram profunda impressão. Os ouvintes choravam, velhas inimizades acabaram de vez; não mais se ouvia falar de orgias no Carnaval e por toda a parte apareceram dignos frutos de penitência. Ali mesmos, restringindo a sua alimentação a pão e água, escreveu a Regra da sua futura Ordem, fez uma romaria a Roma, e com seu irmão João, se retirou para o monte Argentano, perto de Orbitello. A fama do seu zelo apostólico, de sua vida mortificada e santa, fizeram com que o bispo de Toja os chamasse para sua diocese, lhes conferisse as ordens sacerdotais e do Papa Benedito XIII alcançasse a licença para aceitar candidatos em seu noviciado. 

Depois de alguns anos de abençoada atividade, os Irmãos voltaram para o monte Argentano, para proceder à fundação da Ordem. Em breve, aliaram-se-lhes discípulos. A cidade de Orbitello se encarregou de dotá-los de grande convento, de que tomara posse em 1737.

São Paulo da Cruz, grande apóstolo da devoção à
Sagrada Paixão e Morte de Jesus. 
A finalidade da Ordem, fundada por São Paulo da Cruz é pela pregação de missões implantar e firmar, nos corações, o amor de Deus por meio de meditação da Sagrada Paixão e Morte de Jesus Cristo.  Todos os seus religiosos, aos três votos comuns, acrescentam o quarto, pelo qual se obrigam a trabalhar pela propagação entre os fiéis da devoção à Sagrada Paixão.
 A Ordem foi aprovada pelo Papa Bento XIV, em 1741. Deste mesmo Papa é o conceito: "Esta Ordem, que a nosso ver, devia antes de todas ser a primeira, acaba de  ser aprovada por último". Paulo foi nomeado seu primeiro superior geral. 
Com o estabelecimento oficial da Ordem, as suas obrigações começaram a vigorar. Não é possível enumerar  as Missões que foram pregadas nas cidades e nas aldeias;  e muito menos haverá quem possa contar as  conversões nelas  efetuadas. As prédicas de São Paulo da Cruz sobre a Paixão de Cristo operaram milagres nas almas dos mais empedernidos pecadores. "Padre,  disse-lhe certa vez um oficial militar, eu estive no tumulto da batalha; presenciei terrível canhoneio sem estremecer; mas as suas práticas fazem-me tremer da cabeça aos pés".  Paulo, pregando, parecia ser tomado todo do amor divino;  falando do amor de Jesus na Eucaristia, dos tesouros insondáveis do sacrifício da Missa, ou tratando da devoção da Mãe de Deus dolorosa, seu rosto se transfigurava, e o ardor com que falava, se comunicava aos ouvintes. 
A santa Missa celebrada por ele, era um espetáculo de piedade e de concentração para todos, a quem era dado lhe assistir. 
Em um êxtase, Jesus Crucificado aparece-lhe,
abraça-o e faz com que beba do Preciosíssimo
Sangue que sai da Sagrada Chaga do Costado. 
Os seis Papas, em cujo governo Paulo da Cruz viveu, tinham-no em alta consideração.  Clemente XIV deu à sua Ordem o Convento de São João e Paulo no monte Céio, onde tinham pregado as últimas Missões. Quando, muito doente, desenganado pelos médicos, mandou ao Santo Padre pedir a bênção para a hora da morte, Pio VI deu ao mensageiro esta resposta:  "Não queremos que o vosso Superior morra agora;  dizei-lhe que esperamos a  sua visita aqui, depois de três dias".  Paulo, ao receber esta ordem, apertou o crucifixo ao coração e disse, em abafado gemido: "Oh, meu Senhor crucificado, quero obedecer ao vosso representante".  O perigo da morte desapareceu imediatamente e  três dias depois esteve no Vaticano, cordialmente recebido pelo Papa.

Viveu mais três anos, cheios de  sofrimentos, mas sempre unido a  Jesus na Sagrada Paixão e a Maria a  Mãe dolorosa, de quem favores especiais recebeu na hora da morte, em 18 de outubro de 1775.  Paulo da Cruz despediu-se do mundo na idade de 81 anos. Sua Ordem chamada a  dos "Passionistas", continua florescente, no vigor e no espírito do seu fundador,  espalhada em  diversos  lugares do mundo.  No Brasil, ela se estabeleceu em 1911, com Casa Provincial em São Paulo.     




Reflexões

A Ordem dos Passionistas foi fundada no século dezoito, numa época em que a maçonaria cantava vitórias sobre a Igreja Católica, das quais uma foi a supressão da Companhia de Jesus, que sua nefanda política conseguiu extorquir do Papa Clemente XIV.  Na França ela preparou uma revolução; as chamas da revolução subiram ao céu e toldavam os horizontes; na Alemanha e na Áustria ela favoreceu o pernicioso Josefinismo, que muito prejuízo trouxe ao Reino de Cristo naqueles países. Para tempos tão tristes, não podia haver remédio melhor, senão a união mais estreita com Jesus crucificado, e a meditação da sua Sagrada Paixão e Morte.

A importância desta devoção ressalta da história da Igreja e do seu exemplo.  Simão Pedro era um Apóstolo zeloso e não menos privilegiado. Tinha ouvido as pregações de Jesus, presenciou todos os milagres operados por seu Mestre, esteve presente na Transfiguração do monte Tabor, recebeu da mão de Jesus a santa comunhão.  Não obstante, deu sinais de fraqueza, já no Horto das Oliveiras e mais tarde no pátio do palácio do sumo pontífice. Chegou a negar seu divino Mestre, só para não dar a conhecer a uma empregada.  Bastou, entretanto, um só olhar para Jesus, ao vê-lo na sua humilhação e miséria, para romper em amargo pranto e se converter.

Dimas, o bom Ladrão, criminoso inveterado, e até a última hora impenitente, quando viu Nosso Senhor na Cruz, um raio de luz penetrou sua alma e, arrependido dos seus malfeitos e ao mesmo tempo confiante na misericórdia divina, a Jesus dirigiu esta súplica: "Senhor, lembrai-vos de mim, ao entrardes no vosso reino". Jesus recompensou imediatamente esta expressão da fé e da comiseração, dizendo-lhe: "Ainda hoje estarás comigo no Paraíso". (Lc. 23)

O capitão romano de que fala São Mateus, morava em Jerusalém. Pouco se lhe dava a doutrina e os milagres de Jesus. Da boca de Pilatos tinha ouvido a declaração da inocência deste, o que não interessou. Comandante da corte, deu suas ordens, assistiu impassível à crucificação. Nada de compaixão, nada de sentimento superior em sua alma movia. Mas quando fixou seu olhar "no homem das dores", pregado na cruz, seu orgulho experimentou um choque irreprimível e em voz alta, para todos ouvirem, declarou: "Verdadeiramente este era o Filho de Deus", no que concordaram todos os que com ele estavam guardando a Jesus. (Mt 27)


Glorificação de São Paulo da Cruz no Céu. 
A firmeza dos Mártires, o heroísmo dos defensores da fé, não tiveram outra fonte, senão a Santa Paixão e Morte de Jesus. Os grandes penitentes encontraram - todos eles - a sua paz, a sua tranquilidade, a sua felicidade ao pé da cruz.

Por tudo isso é que a Igreja não cessa de chamar os seus filhos para junto da Cruz do Filho de Deus crucificado. Sem haver uma obra de interrupção, o santo sacrifício da missa é celebrado no mundo inteiro. Todos os católicos são obrigados a assistir este sacrifício nos domingos e dias santos. 


A devoção à Sagrada Paixão e Morte de Jesus é a garantia da salvação para quem a pratica com fé e amor.    

domingo, 30 de março de 2014

São Leonardo Murialdo, Presbítero e Fundador da Congregação de São José.



São Leonardo Murialdo
São Leonardo Murialdo, nasceu no dia 26 de outubro de 1828, na cidade de Turim, Itália, tendo ficado órfão de pai com apenas cinco anos.  Era de uma família tradicionalmente rica, ao mesmo tempo, religiosa. Recebeu esmerada educação, transmitida pela mãe desde a infância, fazendo florescer nele as mais belas virtudes cristãs.  Frequentou a faculdade de Savona, onde se dedicou aos jovens pobres e órfãos, e logo a prática da caridade tornou-se peculiar ao seu caráter, à sua personalidade.
São Leonardo insere-se no número das figuras de singular santidade que caracterizaram a Igreja piemontesa no século XIX. Distinguem-se, entre outros, as fortes personalidades de Cottolengo, de Lantieri, de Alamano, de Dom Bosco e de Dom Orione, com as suas intuições perspicazes, o genuíno amor pelos pobres e a ilimitada confiança na Providência. Através da ação deles, a caridade da Igreja pôde promover de maneira eficaz a emancipação material e espiritual dos filhos do povo, vítimas de graves injustiças e postos à margem do tumultuoso processo de modernização da Itália e da Europa.


Foi ordenado sacerdote em 1851. A sua espiritualidade, fundada sobre a Palavra de Deus e sobre a doutrina de autores seguros, tais como Santo Afonso e São Francisco de Sales, para nomear apenas alguns, foi animada pela certeza do amor misericordioso de Deus. O cumprimento da vontade de Deus na realidade quotidiana, a intensa vida de oração, o espírito de mortificação e uma ardente devoção à Eucaristia caracterizaram o seu caminho de fé.



Já no início de seu ministério sacerdotal, empenhou-se na catequese de crianças e também na criação de diversos orfanatos, aos pobres e pessoas abandonadas.  Foi escolhido como reitor do Colégio de Jovens Artesãos, cargo que desempenhou com brilho especial, formando os jovens dentro de uma formação eminentemente cristã, objetivando perfeito aprimoramento moral e profissional.  Os que ingressavam no Colégio e persistiam nos estudos, formavam-se com qualificação profissional. O sucesso deste empreendimento motivou a criação de diversos outros colégios por toda a Itália, a fim.  Seria este o início da então Pia Sociedade Turinesa de São José, hoje conhecida como Congregação de São José, que se alastrou rapidamente na Europa, África e nas Américas.

O coirmão e biógrafo, Padre Reffo, observa que Murialdo queria sempre dar-se conta precisamente das condições de família dos seus jovens, para saber regular-se com eles e com os seus pais, e tinha cuidados especiais por aqueles que provinham de famílias más e, por isso, já tinham adquirido princípios corruptos. Antes, ele "cuidava de se ocupar individualmente de algum jovem mais ignorante ou mais lento em aprender e, com grande paciência, procurava instruí-lo”.

Soube ser pai para os seus jovens em tudo o que se referia ao seu bem-estar físico, moral e espiritual, preocupando-se da sua saúde, alimentação, vestuário e formação profissional. Favoreceu, ao mesmo tempo, a preparação e a qualificação dos responsáveis pelos vários laboratórios, procurando aperfeiçoar a sua capacidade educativa através de conferências pedagógico-religiosas.

Jamais descuidou o crescimento religioso, além do humano, dos jovens. "O nosso programa - ele escreveu - não é apenas tornar os nossos jovens inteligentes e trabalhadores eficientes, nem sequer fazê-los sabichões orgulhosos..., mas antes de tudo fazê-los cristãos sinceros e francos". Por isto desenvolveu entre eles a catequese, favoreceu a prática sacramental e incrementou associações para os jovens e adolescentes, estimulando-os a serem apóstolos no meio dos seus companheiros e dando vida, quanto a isto, à Confraria de São José e à Congregação dos Anjos da Guarda.”


Viveu e consagrou-se de forma tão intensa aos seus trabalhos sociais e espirituais, que as extenuantes horas de dedicação acabaram culminando no declínio de sua saúde.   Após sofrer várias crises de pneumonia, entregou sua alma a Deus, no dia 30 de março de 1900.   Foi canonizado em 1970 pelo Papa Paulo VI, que designou a comemoração de sua festa para o dia 18 de maio.