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sábado, 29 de março de 2014

Serva de Deus Yvonne Aimée de Malestroit, Mística e Alma Vítima.


Serva de Deus Yvonne de Malestroit
      Yvonne nasceu a 16 de julho, festa de Nossa Senhora do Carmo. Foi bem acolhida pela mãe, porém seu pai, que muito desejava um filho homem, demorou cinqüenta dias para abraçá-la, pois como tinha doze filhas, esperava um menino.

    Yvonne recorda que aos cinco anos sua avó lhe falou sobre uma Boa Mãe, e disse-lhe que Ela tinha muito amor por nós e que era uma Mãe bela e pura. Yvonne pensou com tristeza que poderia perder sua pureza, e suplicou a Ela que a guardasse pura como um lírio.
    Yvonne tinha muitos defeitos, porém, a cólera era o mais dominante. Por um nada, ela brigava e rolava por terra. Seu pai faleceu quando tinha três anos e meio, ela vai lembrar-se se sempre do beijo que seu pai deu momentos antes de sua morte.
  
Ó meu pequeno Jesus, eu me dou a ti eternamente e para sempre. Eu farei tudo que Tu me disseres que eu faça. Eu só viverei por Ti. Eu trabalharei em silêncio por Ti. Eu sofrerei muito em silêncio. Eu Te suplico que me torne santa, mas eu quero também ser sempre pequena, a fim de te dar toda a glória. Eu quero Te possuir, Meu pequeno Jesus, e irradiar teu amor. Eu não quero ser nada, quero apenas tua vontade...”.
Tua pequena Yvonne (oração composta por Yvonne aos dez anos).
   
   A treze de julho de 1914, Yvonne entrou nas Filhas de Jesus de Kermarie; como Teresa de Lisieux, ela iria completar quinze anos no próximo dezesseis de julho. Aos dezoito anos, terminados os estudos secundários, Yvonne começou a visitar os pobres de Bologne, Billancount, Courneuve, Babigny, locais considerados perigosos até pela polícia, que não se aventurava a ir lá. Um filho de são Vicente de Paula deu o endereço para Yvonne e ela mesma foi à procura desses irmãos. No verão de 1920, uma época em que não havia nenhuma proteção social, muitos viviam uma negra miséria.
     Somente a caridade dava segurança a muitos. Yvonne Aimée passava por esses quarteirões socorrendo os doentes ocupando-se com os idosos, os agonizantes e as mulheres caídas, fazendo inúmeros favores e tornando decentes os pobres desses lugares, porém ela dispensava certos cuidados com ela própria, se ocupando somente com a sorte dos pobres, cuidando de quem Jesus designava. Ela praticou esse apostolado impressionante de caridade e doação dos dezoito aos vinte e sete anos. Tudo em Yvonne era harmonia de gestos, seus olhos eram azuis acinzentados, tinha um olhar penetrante, doze e luminoso. Era incrivelmente humana, revestida de um ar de majestade e doçura que marcava a todos com a experiência de Deus.
    No dia de cinco de julho de 1922, Em oração, ela ouviu seu nome: Yvonne! Ela olhou para a chaminé donde poderia ter vindo essa voz, não descobrindo nada, pensou em dormir. Uma segunda vez, ouviu a voz:  Yvonne!
    E teve medo, muito medo. Então, colocou sua cabeça debaixo da coberta e começou a rezar o Pai Nosso. Quando chegou na hora de recitar: “perdoai-nos as nossas ofensas assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido”, ouviu novamente a voz: Yvonne.  
    Então ela conta: ajoelhei-me na beira da cama e do alto da chaminé eu vi uma luz, luz natural não iluminação artificial, depois uma cruz se desenhou e ouvi uma voz de grande doçura que me disse: -Tu podes carregá-La?
    -Oh, sim Senhor, respondi eu.
    Eu me senti naquele momento invadida por uma bondade imensa. A voz repetiu:
    - Sou uma alma abandonada, aceita os sofrimentos que te enviarei como uma grande graça, e como um grande favor dado às almas que eu amo. Aceita-os sem reclamar, sem examinar a natureza e a duração, sem te prevaleceres deles. Não dês atenção as tuas mortificações ou humilhações. Olha-Me, Eu te amo. Isto não é suficiente para o seu coração?
   _-Oh, sim Senhor, respondi eu, eu vos amo mas, é bom para vós que vos digneis me falar e vos ocupar desta vossa pequena criatura? Fala Senhor, é bom para vós?
    Então eu vi uma mão avançando próxima a Cruz, colher uma flor de lírio e me entregá-la, neste momento fui invadida por uma alegria e por um grande amor que quase me fez desfalecer, entretanto me pareceu durar somente um momento e minha alma ficou cheia de paz.

       Testemunho do padre Labutti
     Nós nos encontramos em La Bradière, em janeiro de 1927, eu não conhecia nada sobre Yvonne Aimée, eu sabia somente que era uma criatura jovem extraordinária e que rezava por minha vocação. Quando eu me encontrei em sua presença pela primeira vez, eu tive a intuição que estava frente a uma mulher verdadeira e ao longo dos anos, nossa amizade viveu diferentes aspectos. Ela era para mim uma amiga maravilhosa, a irmã primogênita, uma segunda mãe. Sem jamais ter encontrado um mestre espiritual. Ela caminhava muito rapidamente e me dava a impressão que nunca tocava na terra, quando era jovem havia gostado muito de dançar, e conservou o senso do ritmo até o fim da sua vida.


       O tempo dos sofrimentos


Um sofrimento ou um conjunto de sofrimentos novos que se apresentaram nos anos que se seguiram. Certos dias, ela parecia esmagada, sobrecarregada pelo fardo que não era somente das almas que amparava e tinha sustentar um monastério, uma ordem que ela dirigia. Um dia, ela escreveu: “parece-me que sustento o mundo!”
De sua infância, até seus últimos dias, sua breve vida chegou aos 49 anos e foi um testemunho de contínuo progresso espiritual e de firmeza absoluta. Malgrado a avalanche de carismas (a palavra não era seu forte), ela viveu uma vida muito simples,no abandono total a Deus, na certeza de um trabalho bem feito, ela praticou o exercício da caridade fraterna, a alegria da Cruz. Sua experiência cristã, que se insere na Tradição Mística bi milenar da Igreja, não foi para ela uma evasão ou um refúgio, mas na discrição, no silêncio, na paz, no esquecimento de si própria, num transbordamento de vida. Muito doente, cheia de sofrimentos, de responsabilidades no trabalho, longe de proclamar seus sofrimentos, ela dedicou-se a uma atividade ordenada; não havia nela o menor paradoxo de uma existência inaudita. Da simplicidade de criança à postura de uma chefia, tudo nela era um raio de luz oriundo do Amor extraordinário, um Amor louco que ela manifestava a Deus, a Jesus Cristo, aos pobres, as almas.
Tudo a serviço do Rei Jesus” ; por este lema, ela doou todo o tempo de sua juventude, concretizado no seu amor por Jesus. Tudo fez por Ele, pela Igreja, pela França, por outras nações, pelos pobres e sobretudo pelo mundo de almas, as quais ela tinha uma extraordinária penetração. Moderna de gostos, caminhando conforme o tempo, fiel à Tradição, feliz e fiel filha da França, enraizada profundamente na Igreja Católica e na Ordem Agostiniana, discípula de Santa Teresa de Lisieux, ela tinha, entretanto,dimensão escatológica, vivia a plenitude do momento presente, dos valores do mundo que estava por chegar, sua vida era inteiramente de doação. O sentimento do exílio terrestre, a nostalgia do desejo o Céu, a lembrança do Amor que a possuía totalmente, a alegria da maravilhosa liberdade dos “pequenos” de Deus, nela se manifestavam. A clareza e a agilidade de seu corpo eram a antecipação do Reino. Yvonne faleceu em 1951.


"Yvonne Aimée foi superiora eclesiástica do Monastério de Malestroit, maravilhosamente preservada do mal teve 'extraordinárias manifestações divinas: êxtases, perfumes misteriosos, bilocações, surgimento inexplicável de flores, conhecimento íntimo das almas, profecias, também por diversas vezes sofreu cruéis investidas de satanás como poucos na história da Igreja." Assim nos relata Monsenhor François Pecado, bispo de Bayex-Lisieux.


Qual era sua missão? Seu carisma? Seu lugar na constelação dos místicos do nosso século?
    
Pode ser prematuro encontrar uma resposta; talvez esta resposta esteja reservada para Yvonne, nos tempos difíceis que se aproximam. Talvez conheçamos toda a estatura e dimensão desta mulher na Igreja do terceiro milênio. No imediatismo face ao materialismo, o silêncio sobre Deus, o drama do humanismo ateu, ela é uma grande testemunha de um mundo sobrenatural e ao mesmo tempo, sua feminilidade é acompanhada de um grande testemunho de humanidade.
Yvonne Aimée de Malestroit... sobre elas muitas obras foram publicadas na intenção de revelar ao mundo seus impressionantes carismas:
Escritos Espirituais de Yvonne Aimée de Malestroit... -Edition de Giubert 1981
Prioridade pelos pobres na zona vermelha da Resistência- Edition de Giubert 1981
Os estigmas à semelhança de São Francisco de Assis- Edition de Giubert 1987
Bilocação de Yvonne Aimée de Malestroit-- Edition de Giubert 1995
O amor mais forte que os sofrimentos- Edition de Giubert 1992
A santa infância-- Edition de Giubert 1994

(obras editadas somente em francês)


sexta-feira, 28 de março de 2014

Santa Ana Rosa Gattorno, Fundadora do Instituto de Santa Ana e Mística.

Santa Ana Rosa Gattorno, Fundadora
 Religiosa, fundadora do Instituto das Filhas de Santa Ana, nasceu em Gênova (Itália), no dia 14 de Outubro de 1831. Em 1852, com a idade de 21 anos, contraiu matrimônio com Jerônimo Custo e transferiu-se para Marselha (França). Uma imprevista crise financeira perturbou a felicidade da nova família, obrigada a retornar a Gênova. A sua primeira filha, Carlota, afetada de repentina enfermidade, ficou surda-muda para sempre; e apesar da alegria de outros dois filhos, ela foi novamente abalada com o falecimento do esposo, após seis anos de matrimônio, e com a morte do seu último filho.
Estes acontecimentos marcaram a sua vida e levaram-na a uma mudança radical, a que ela chamara "a sua conversão", isto é, à entrega total ao Senhor. Orientada pelo seu confessor, emitiu de forma privada os votos perpétuos de castidade e obediência, precisamente na festa da Imaculada:  08 de Dezembro de 1858, e depois, como terciária franciscana, professou também o voto de pobreza. Viveu intimamente unida a Cristo, recebendo a Comunhão todos os dias, privilégio que naquele tempo era pouco comum. Em 1862 recebeu o dom dos estigmas ocultos, percebidos mais intensamente nas sextas-feiras.

Num clima de intensa oração, diante do Crucifixo, recebeu a inspiração de fundar uma Congregação religiosa:  "Filhas de Santa Ana, Mãe de Maria Imaculada". Depois de tê-la escutado durante longo tempo, o Papa Pio IX confirmou-a na sua missão de Fundadora. Vestiu o hábito religioso no dia 26 de Julho de 1867 e a 08 de Abril de 1870 emitiu a profissão, com outras doze religiosas.
Com esta fundação, realizou muitas obras de atendimento aos pobres e doentes, às pessoas sozinhas, anciãs e abandonadas; cuidou da assistência às crianças e às jovens, proporcionando-lhes uma instrução religiosa e adequada, a fim de inseri-las no mundo do trabalho. Assim, foram abertas muitas escolas para a juventude pobre e a promoção humano-evangélica, segundo as necessidades mais urgentes da época.



Sofreu provas, humilhações, dificuldades e tribulações de todo o gênero, mas sempre confiou em Deus e, cada vez mais, atraía outras jovens para o seu apostolado. Assim, a Congregação difundiu-se rapidamente na Itália, Bolívia, Brasil, Chile, Peru, Eritreia, França e Espanha. Ana Rosa faleceu no dia 6 de Maio de 1900.

quinta-feira, 27 de março de 2014

SÃO POMPÍLIO MARIA PIRROTTI, Presbítero das Escolas Pias (Escolápios) e grande Apóstolo do Escapulário do Carmo.

       
      Nota do publicador do blog:
      Deus é glorificado nos seus santos. Hoje, trago ao conhecimento dos leitores do blog, a vida de São Pompílio Maria Pirroti, presbítero das Pias Escolas Cristãs, ou, Escolápios. Sua história é fantástica. Beiraria o absurdo, se não fosse testemunhada por muitos que compareceram a seu processo de beatificação/canonização para darem seus testemunhos. Deus prodigalizou por meio desse santo muitos prodígios extraordinários. Nós, carmelitas descalços seculares, devemos ter por ele grande consideração, mesmo não sendo um santo de nossa Ordem. 
    Quando se fala em devoção ao Escapulário do Carmo, logo associamos essa devoção aos Carmelitas (da antiga observância ou descalços), no entanto, muitos santos "não carmelitas" foram grandes devotos, inclusive, grandes apóstolos da devoção a este sacramental mariano. Um desses apóstolos que mais se destacaram foi o santo de hoje: São Pompílio Maria Pirrotti. Sua bela história deve ser conhecida e até mesmo divulgada em nossos círculos de convivência católica: famílias, paróquias, grupos de oração e comunidades. Espero que todos apreciem e gostem. 


São Pompílio Maria Pirroti, presbítero. 
Na tarde do dia 15 de julho de 1766, véspera da Virgem do Carmo, rendia a Deus sua alma o Apóstolo do Santo Escapulário, São Pompílio Maria.
Nascido em 19 de setembro de 1710, sentiu aos dezesseis anos o chamamento de Deus para a vida religiosa e, como resultado da quaresma pregada em sua pátria, Montecalvo Irpino, pelo padre reitor as Escolas Pias da vizinha capital de Benevento, Nápoles, localidades ambas da Itália meridional, fugiu de sua casa para o colégio de residência do fervoroso pregador e lhe pediu a batina calasancia (relativa a São José Calasanz, fundador das Pias Escolas Cristãs, ou, Escolápios).
As razões de seu bom pai, que seguiu atrás dele, e era notável advogado, foram estéreis ante a firme decisão de seu filho. E o período de noviciado e de neoprofissão, com seus estudos, não fizeram senão continuar o teor de vida inocente e penitente que já em casa havia levado.
Lá, com efeito, em muitas noites impunha-se a disciplina (chicotear-se durante a oração penitencial) e a oração mental. À noite, quando o sono lhe via e tentava apoderar-se dele, recorria à penitência e à privação de todo comodismo e permanecia em oração muitas vezes até à manhã seguinte. 
Terminada a carreira escolápia, exerce o apostolado do ensino e educação durante catorze anos. O primeiro desses anos com as primeiras letras em Turim e os treze restantes com Humanidades e Retórica em Francavilla, Brindis, Ortona, Chieti e Lanciano, mais a prefeitura das Escolas e a presidência da Arquiconfraria da Boa Morte.

Grande e santo educador de crianças e jovens. 
De seu apostolado entre os alunos se recordam rasgos de sobrenatural penetração. Um desses fatos ocorre em Lanciano. Ao começar sua aula lhe advertem os meninos a ausência de Giovanni Capretti. O padre Pompílio se concentra e poucos segundos depois exclama: “Pobre Capretti! Não pôde vir porque está moribundo... Porém, não será nada. Vão dois de vocês agora a perguntar por ele”. E correm os rapazes a sua casa a angustiante pergunta. Seus pais estranham, havendo-lhe ouvido levantar-se e crendo que estava na escola com toda normalidade. Sobem temerosos a seu quarto e, efetivamente, o encontram no solo, de bruços, sem sentidos, próximo a expirar. Sobressaltados o levantam, o sacodem e lhe chamam repetidas vezes. Ao fim o pobre acidentado começa a voltar a si, balbuciando entre soluços: “Padre Pompílio! Padre Pompílio”! Não sabia senão que, ao levantar-se, havia sido acometido de dores e calafrios que lhe fizeram desfalecer sem deixar-lhe gritar.
Depois, só sabia que lhe havia chamado seu mestre e que já se sentia viver. Ao voltar ao colégio os dois emissários, o padre aproveitou a situação para esclarecer a seus alunos a necessidade de se estar em todo momento na graça do Senhor. Dá para se entender o prestígio que aureolava o humilde padre semelhantes acontecimentos.
Porém, naquela mesma etapa docente, de 1733 a 1747, com dois anos de ordenado sacerdote, o Capítulo Provincial de 1736 acorda facultar-lhe para a pregação da Divina Palavra, sem eximir-lhe, naturalmente, de suas tarefas escolares; e, por todos aqueles mencionados colégios de La Pulla e de Los Abruzos, nos quis ensina a tantos meninos e jovens, começa a afervorar desde o púlpito a homens e mulheres, destacando-se como missionário de força e eficácia surpreendentes.
Rapidamente merece o título de “apóstolo dos Abruzos”, por causa de intervenções maravilhosas que impressionam a populações inteiras. No mesmo Lanciano, último dos colégios desta etapa, aproximando-se já a hora de meia noite, Pompílio sai uma vez de sua habitação, abre a porta da igreja, percorre as ruas vizinhas e põe-se a clamar despertando aos despreocupados dormentes, para que se levantem todos e acorram ao templo, pois, ele imediatamente lhes vai pregar. Faz até toca os sinos chamando ao sermão.
Diante tamanha novidade, todo Lanciano se abarrota e se agita em torno ao púlpito do apóstolo. E o santo vidente lhes anuncia estremecido que um horrendo terremoto será sentido em toda a comarca, porém, que eles não temam, pois, sua celestial Patrona, a Virgem do Poente, intercede de maneira singular pela afortunada população.
Com efeito, ainda está falando, quando um ronco fragor subterrâneo, que avança desde longe, faz tremer o solo e vacilar os edifícios, oprimindo de espanto e crispando de nervosismo a totalidade do auditório. Afortunadamente, o sismo se desvia, e um respiro de alívio sucede ao evento. O alarme do santo não havia sido em vão. A explosão de gratidão após a onda de terror é confissão coletiva do fruto daquelas vigílias, preenchidas de proféticas visões, nas quais o santo pregador, qual outro Abraão, participa da mediação e do segredo dos castigos e das condescendências divinas.
Segunda etapa da vida escolápia de são Pompílio é sua estancia em Nápoles por outros doze anos, de 1747 – 1759. Tanto no colégio de Caravaggio como no da Duquesa, ambos na capital do reino napolitano, arará campo mais vasto para seu celeiro.
Desde Lanciano havia solicitado do Papa o título de missionário apostólico. Bento XIV não lhe concedeu; porém, intensificou as missões nas duas Sicílias, tanto que os superiores da Congregação desligaram a Pompílio da tarefa do ensino para dedicar-se plenamente a ser capelão permanente, pregador cotidiano e confessor contínuo de pequenos e grandes nas capelas dos respectivos colégios. E em tal ambiente e como diretor da Arquiconfraria da Caridade de Deus, se entrega a uma vida apostólica fervorosíssima, que Deus sela com incontáveis e surpreendentes prodígios.

Pregador maravilhoso e cheio de unção
do Espírito Santo. 
Uma mãe acode um dia à igreja de Caravaggio com a terrível notícia de que seu filho havia caído em um poço. Pompílio se compadece, parte com ela até o local, aproxima-se da beirada do poço e faz o sinal da cruz. Nos processos canônicos consta a maravilha de que o nível da água começa a subir, como se o poço as regurgitasse, até que aflora o menino, ileso e sorridente, ao alcance da mão de sua mãe “enlouquecida”.
Uma penitente do taumaturgo sofre por maus tratos por parte de seu marido, homem vicioso e de áspera condição. Recomenda-se às orações de seu confessor. No mesmo dia o esposo a convida a um passeio pelo campo, no próximo domingo. Acha que o marido teria mudado de vida, porém, corre ela a contar ao confessor.  Este, sem dar-lhe crédito, a põe em receio e a aconselha que lhe chame se chegar a ver-se em perigo. Chega o dia do “passeio dominical”. Já em pleno campo o pérfido consorte saca um punhal e trata de assassiná-la. Porém, ao invocar ela ao padre Pompílio, aparece sua figura de semblante irado e austero, arrebata a arma ao assassino e o increpa de tal forma que cai de joelhos compungido e com a promessa de confessar-se. Vai, efetivamente, confessar-se na manhã seguinte com o próprio são Pompílio. Porém, o mais notável é que, na hora precisa do frustrado atentado, o santo estava em público, no púlpito de sua igreja. Interrompeu por alguns instantes o sermão, como se tivesse se distraído com outra coisa, depois segue normalmente pregando como se nada tivesse acontecido.  Não tardou em dar a conhecer todo o ocorrido e isso ficou deposto nos testemunhos processuais. A bilocação não é um fenômeno desconhecido na vida dos santos.
Mais terno e humano foi o incidente do sermão de 17 de novembro de 1756. O interrompeu no momento mais inspirado de um trecho vibrante; permaneceu mudo uns minutos, que ao público expectante pareceram eternos e, à continuação, explicou: “suplico um réquiem aeternam pela alma bendita de minha mãe, que neste instante acaba de falecer”. E assim inumeráveis feitos assombrosos.
Mas a santidade não se prova nos prodígios, senão na tribulação e no sofrimento. Foi a política externa da realeza? Foi política interna de separação de províncias entre a Pulla e a Napolitana? Foram – e é o mais provável – maquinações dos Capellonni jansenistas que chocavam com as misericordiosas benignidades do confessionário do padre Pompílio? O certo é que tanto do palácio real como da chancelaria arquiepiscopal saíram ordens no começo do ano 1759 suspendendo-o do ministério e desterrando do reino o taumaturgo de Nápoles. Os cavalos da carruagem que lhe levou primeiro ao colégio de Posilino não quiseram arrancar até que o padre reitor deu, por obediência, a ordem ao próprio desterrado. Consumando o primeiro passo, chegou de Roma o destino a Luga, na Emlia, e a Ancona, nas Marcas, regiões centrais da Itália, com colégios que não eram da Pulla e nem de Nápoles.

De quatro anos foi esta que podemos chamar de “terceira etapa” da vida apostólica de são Pompílio, nem menos fervorosa, nem menos fecunda que a de Nápoles ou dos Abruzos, e avaliada ademais com a resignação e humildade com que as quais abraçou toda a obediência. Porém, o Senhor dispôs sua reabilitação com a volta triunfal a Nápoles, o reitorado de Manfredônia, o apostolado em sua cidade natal de Montecalvo e o reitorado com o magistério de noviços em Campi Salentino da Pulla onde brilharam seus últimos reflexos e deixou com seus ossos a exemplaridade de sua santíssima morte. Por certo, aqui reviveu a figura do exemplar escolápio com suas preocupações docentes e até assumindo o encargo com as provisões da escola dos pequeninos.
Porém não há que omitir o duplo caráter de externa austeridade e de doçura interior que tem as duas faces da espiritualidade pompiliana. Em pleno século XVIII, o de Voltaire e Rousseau, do enciclopedismo, do iluminismo e racionalismo, pródromos da Revolução Francesa, são Pompílio pregou principalmente sobre os Novíssimos do homem (morte, julgamento, Céu ou inferno) com os acentos de um são Vicente Férrer, e plasmou a devoção às almas do Purgatório com prodígios que podem parecer “ridículos” ao conta-los, porém, que deixaram profundas marcas e “ondas” de pasmo e terror nos testemunhos presenciais ao realizarem-se, como, por exemplo, rezar o Rosário alternando com as caveiras da cripta da igreja de Caravaggio, ou saudar e receber contestação verbal dos esqueletos do cemitério de Montecalvo, e não em forma privada, senão diante das multidões.

Por outra parte, sua devoção à Virgem obteve colóquios como o da Ave Maria contestado com um “Ave, Pompílio”, da parte da “Mamãe bela”, como ele chamou sempre a Nossa Senhora. Também foi um grande propagador e apóstolo da devoção ao santo Escapulário do Carmo, como meio seguro da assistência da Mãe do Céu no tocante à salvação das almas.
Seu belo Amante foi o Coração de Jesus, cuja devoção propagou com tantos favores e prodígios como santa Margarida Maria Alacoque. Foi, pois, são Pompílio um chamado ao sobrenaturalismo na época mesma na qual começava o intento da descristianização dos séculos XVIII e XIX da Idade Moderna. 

Foi canonizado no dia 19 de março de 1934 por Sua Santidade Pio XI.