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quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Venerável BERTA PETIT, Leiga, Franciscana Secular, Alma Vítima e Apóstola da devoção ao Coração Doloroso e Imaculado de Maria.

Berta Petit, Alma Vítima e Mística.

      Nasceu aos vinte e três de janeiro de 1870 em Enghien, na Bélgica e morreu em 1943. Ela foi privilegiada por visões de Nosso Senhor e da Santíssima Virgem Maria desde a idade de quatro anos. Estas são palavras ditas a ela pelo menino Jesus enquanto traçava uma Cruz na sua fronte, estando ela ajoelhada em frente ao Tabernáculo: “Você sofrerá sempre, mas Eu estarei convosco”.
      Na idade de dez anos recebeu sua primeira comunhão. Os efeitos desta, nunca a abandonaram. Pode-se mesmo dizer que toda a sua vida não foi senão uma preparação à Santa Comunhão com Jesus e uma oração perpétua de ação de graças. Ela sabia passar longos períodos de tempo em oração, meditação e ação de graças após receber a Santa Comunhão.
Sua vocação foi-lhe revelada no dia de sua Primeira Eucaristia. Ela revelou a uma religiosa, sua professora: “Eu devo sofrer muito, eu devo ser como Jesus”. Quem lhe disse isso?, perguntou-lhe a religiosa. “A pequena Hóstia que é o meu grande Jesus”, respondeu imediatamente a criança.
E, verdadeiramente, ela sofreu durante toda a história da sua vida, dores, enfermidades e ossos quebrados. As doenças de Berta fizeram-na chegar próxima da morte diversas vezes, recebendo os Ritos Finais por sete vezes. Mas, pior do que os sofrimentos físicos, Berta sofreu com sofrimentos espirituais, foi continuamente vítima de perseguições diabólicas. Sua alma foi atormentada noite e dia por medos, dúvidas e perplexidades. Ela foi literalmente lançada abaixo, caindo dezoito degraus de escada, pelo demônio e teria morrido senão tivesse sido salva por uma intervenção milagrosa de Nosso Senhor. O demônio a ameaçou, gritando furiosamente: “Eu devo lutar com você até o fim, atormentando as mentes, endurecendo os corações e alimentado as paixões”.
Mas, apesar de todos esses sofrimentos, Berta Petit mantendo a alegria e a doçura, com carinho e grande coragem em todas as dores. Esta humilde alma vítima adquiriu alguma notoriedade pública ao final de sua vida. Poucos foram seus amigos. Sua Eminência, o Cardeal Mercier, um dos poucos que a conheceram pessoalmente, tinha grande reverência por sua santidade e autenticidade pessoais, assim refletidas em sua obediência aos avisos divinos e no pedido de Nosso Senhor para a consagração solene do seu país, ao Doloroso e Imaculado Coração de Maria, e por seus escritos.
Quase cinco anos após os alemães terem deixado Bruxelas, Berta voltou a sua casa unicamente para encontrá-la totalmente destruída. Berta foi obrigada a morar com as Irmãs do Sagrado Coração no convento de Overyssche e viveu com elas por algum tempo. Uma das religiosas, a pedido dos superiores, deveria observar se Berta comia secretamente em seu quarto, porque eles descobriram que ela não comia nada, salvo um pouco de café pela manhã e uma pequena taça de vinho à tarde, que ela logo vomitava. Por um ano inteiro, a religiosa cética observou cuidadosamente tudo o que Berta fazia ou dizia e saiu sem nada testemunhar contra ela, mas possuída de uma grande admiração por essa simples e virtuosa alma. Berta, como foi confirmado, vivia somente da Santíssima Eucaristia, Jesus era seu único sustento. Como a Irmã testemunhou: “O fato que as pessoas viessem a saber que ela vivia sem comida, era uma real mortificação para ela”.
Berta Petit e o sacerdote fruto do sacrifício
    da Venerável Serva de Deus. 
Berta foi chamada a uma dupla missão. A primeira era a de oferecer sua vida de sofrimentos por um bom sacerdote da escolha de Deus, em troca ela desistiria do seu grande desejo de se tornar irmã. Nos seus dias de juventude, ela desejou com todo o seu coração tornar-se Irmã da Caridade de São Vicente de Paulo, mas nunca concretizou este desejo. Sua família viveu tempos difíceis e ela foi forçada a ajudá-los com o seu salário. Quando ainda era uma adolescente Berta ofereceu o sacrifício desde seu sonho a Deus, para que pudesse ser uma fonte de graças para um santo sacerdote, que um dia levaria muitas almas de volta para Deus. O Senhor aceitou sua oferenda. E, a fez saber, que um dia, ela encontraria este sacerdote por quem ela se sacrificou e sofreu.
A segunda e mais profunda missão foi-lhe revelada durante a peregrinação ao Santuário de Santana, na Alsácia; sua grande missão era a de obter a consagração do mundo ao Doloroso e Imaculado Coração de Maria.
Berta sabia que ela não viveria para ver o dia do cumprimento total de sua grande missão dada por Nosso Senhor. No fim de sua vida, durante dores intensas ela repetiu diversas vezes: “Sitio”, isto é, tenho sede. Após ter sida fortificada pelos ritos da Santa Igreja Católica, Berta entrou pacificamente na Mansão Eterna numa sexta-feira, dia vinte e seis de março de 1943.


quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

SÃO SEBASTIÃO, Mártir (Padroeiro de várias paróquias e onomástico de muitos brasileiros)


A imensa quantidade de brasileiros que ostenta o nome Sebastião permite imaginar o quanto aquele santo militar romano é admirado e venerado em nosso país, o que também ocorre em numerosas outras nações, especialmente do Ocidente. Crianças são batizadas com seu nome, paróquias o têm por padroeiro, igrejas o festejam como titular, bairros e cidades também a ele se vinculam na devoção ao santo que é tido como padroeiro dos soldados, arqueiros e atletas, sendo muito invocado no combate às epidemias.
A Cidade Maravilhosa, uma das mais conhecidas em todo o mundo, tem por nome oficial "São Sebastião do Rio de Janeiro" (assim como a importante arquidiocese ali sediada), uma homenagem ao santo cujo nome era ostentado pelo então soberano português reinante à época em que a localidade recebeu a nominação.


Quem foi, porém, São Sebastião? Os registros oficiais são escassos a seu respeito, o que não impede que dele possamos ter muitas informações que emanam da feliz e indissociável combinação entre a história e a piedade popular, e que permite retratar, ainda que não exatamente a realidade, ao menos (o que é o mais importante) o espírito da realidade com que um militar cristão, servindo no exército de um dos mais sanguinários imperadores romanos, ajudou numerosas almas a não enfraquecerem na fé, consolando-as e permitindo-lhes trilhar de cabeça erguida o caminho do Paraíso; ademais, ele próprio não deixou, no momento oportuno, de declarar-se cristão, dando o testemunho e servindo de exemplo a numerosos outros seguidores de Jesus que enfrentavam as perseguições da Era dos Mártires, como foi chamado o período de busca e morte aos fiéis conforme ordenado pelo sanguinário imperador Deocleciano.
Já antes do nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo os romanos chamavam Mare Nostrum ("nosso mar") ao Mediterrâneo, uma vez que todas as terras por ele banhadas faziam parte do império. Foi em uma região costeira, na província da Gália, correspondendo à atual cidade de Narbonne (França), que Sebastião veio ao mundo. Sua família era de Milão (na atual Itália), e não era ele inclinado à carreira das armas, tendo-a seguido por causa do desejo de servir aos irmãos na fé, que sofriam as perseguições.
Sebastião desempenhou corretamente seus deveres como soldado, mas por baixo das vestes militares estava um verdadeiro cristão, e dentro de seu corpo pulsava um coração ardente de desejos de apoiar os perseguidos e ajudá-los a seguir o Divino Mestre, não só durante esta vida mas também quando se encontravam prestes a partir para a outra. Mantinha em segredo sua fé, como era comum entre os cristãos nas épocas de perseguição, pois assim podia ajudar os que dele precisavam, mas não tinha receio de perder seus bens ou sua própria vida.
Uma de suas ações apostólicas refere-se aos irmãos gêmeos Marcos e Marceliano, que haviam sido aprisionados em Roma, os quais eram visitados diariamente por Sebastião. Submetidos a chicotadas, apesar de serem membros de família de senadores, foram condenados à decapitação, tendo seus familiares obtidos do administrador romano, chamado Cromácio, um prazo para que se tentasse mudá-los quanto à opinião. Mantidos acorrentados na casa do escriba da prefeitura, Nicóstrato, eram submetidos a tentativas de convencimento por parte de seus pais, suas esposas e seus filhos ainda pequenos, além de amigos, mas quando estavam em risco de fraquejar foram as palavras de Sebastião que os reanimaram, as quais impressionou a todos que as ouviram.
Zoé, esposa de Nicóstrato, discernindo em Sebastião um homem de Deus, atirou-se aos seus pés e por gestos indicou-lhe a doença de que padecia: uma doença lhe fizera perder a capacidade de falar. Sebastião fez o sinal da cruz sobre a boca de Zoé e pediu em voz alta a Nosso Senhor Jesus Cristo que a curasse, e imediatamente ela recuperou a dicção e pôs-se a louvar aquele homem, acrescentando que acreditava em tudo o que ele acabara de dizer.
Diante da cura da esposa, o próprio Nicóstrato lançou-se aos pés de Sebastião e pediu perdão por ter mantido os dois cristãos aprisionados, libertando-os em seguida e declarando que se sentiria feliz se viesse a ser aprisionado e morto em lugar deles. E os dois irmãos, naquele momento libertados, recusaram-se a abandonar a luta para a ela expor outra pessoa, firmando-se na fé ao ver a ação de Deus, que anulou todos os esforços feitos para fazê-los abandonar a Igreja, além de nela ingressarem os donos da casa em que estiveram aprisionados.
Nas horas que se seguiram, outras pessoas também abraçaram a fé cristã, sendo 68 o número de pessoas convertidas e batizadas por São Policarpo, ali chamado por Sebastião: Nicóstrato, sua esposa Zoé, toda a família de Nicóstrato, seu irmão Castor, o carcereiro Cláudio com dois filhos e sua esposa Sinforosa, o pai dos gêmeos, chamado Tranquilino, com sua esposa Márcia e seis amigos, as esposas dos gêmeos, e dezesseis outros encarcerados.
Sem saber os detalhes - pois houvera sido enganado - o prefeito de Roma, Cromácio, que havia concedido aos gêmeos o período de espera para que renunciassem à fé, chamou o pai de ambos, Tranquilino, determinando que eles oferecessem incenso aos deuses; Tranquilino então afirmou-se cristão, acrescentando que assim houvera sido curado de uma enfermidade da qual o prefeito também padecia. Cromácio disponibilizou dinheiro para conseguir a cura da enfermidade, arrancando de Tranquilino risos, tendo este assegurado que para ser curado bastaria recorrer a Cristo.
Após um instrutivo catecumenato, no qual foi explanada a superioridade da fé sobre a simples cura de sua doença, Cromácio e seu filho se tornaram também cristãos, permitindo que fossem quebradas mais de duzentas estátuas de ídolos que eram por eles adorados, bem como que fossem destruídos os instrumentos que eram utilizados para astrologia e outras práticas divinatórias. Porém não apenas aquele pai e seu filho se tornaram cristãos em sua casa, mas um total de 1.400 pessoas, incluindo escravos a quem deu a liberdade dizendo que os que passaram a ter Deus por pai não mais podiam ser escravos de um homem.
Diocleciano, tendo assumido o império romano, conservou Sebastião no posto, e lhe deu o cargo de capitão da primeira companhia de guardas pretorianos em Roma, depositando nele muita confiança.
Bela imagem de São Sebastião existente 
na igreja matriz da paróquia de 
Cristo Rei, no centro de Fortaleza, Ceará. 
Chegou, porém, o momento em que Sebastião afirmou-se cristão, depois de ter cuidado para que muitos trilhassem o caminho do Paraíso. Inconformado o imperador o enviou para a morte: foi preso a um tronco, e teve o corpo perfurado por flechas. Crendo-o morto, foi abandonado pelos que o supliciaram, mas uma piedosa viúva, que pretendia sepultá-lo com honras cristãs, encontrou-o vivo, tendo dele cuidado para que se recuperasse.
Algum tempo depois, ei-lo apresentando-se a Diocleciano (que se surpreendeu ao vê-lo vivo), a quem censurou pela injustiça com que perseguia os cristãos, pois estes rezavam pelo império e por seus exércitos, mas eram supliciados como se fossem inimigos do estado.

O cruel imperador, obstinado em seus erros, mandou que Sebastião fosse imediatamente levado a um local próximo, onde foi morto a bordoadas. Foi sepultado na catacumba que atualmente leva seu nome, sobre a qual se ergue uma das sete principais igrejas de Roma, a Basílica de São Sebastião, na Via Appia.

São Sebastião sendo morto a bordoadas por ordens do imperador. 


FONTES: Vida dos Santos, Padre Rohrbacher / Dix Mille Saints, Beneditinas de Ramsgate / Catholic of Saints, John Delaney

SÃO VICENTE PALLOTTI, Presbítero e Fundador da Pia Sociedade do Apostolado Católico e da União do Apostolado Católico.



São Vicente Pallotti, Presbítero e Fundador.
Vicente Pallotti nasceu em Roma no dia 21/04/1795. No dia seguinte foi batizado na Igreja de São Lourenço, em Damasco, com o nome de Vicente Luiz Francisco.
Seu pai, Pedro Paulo, não se casou jovem. Tinha trinta e três anos…A esposa de Pedro Paulo chamava-se Maria Madalena Rossi…Provinha de uma família religiosa, sem pretensões, mas rica em virtudes.  Vicente nos traça o perfil espiritual e humano da própria mãe:
 “Uma mulher de profunda abnegação; mulher piedosa; forte diante do sofrimento; mulher de profunda fé que sabia ser grata a Deus dizendo que o próprio Deus a visitara através da doença; mulher, esposa e mãe exemplar; mulher que soube educar seus filhos na fé, no temor de Deus e educá-los através de seu próprio testemunho. Tanto que nunca quis ter empregados, para que não tivessem modelos negativos; mulher de muita oração, ocupava seus filhos nos estudos e na oração”.
 “Deu-me Deus pais santos. Que conta lhe deverei dar, se não aproveitar dos seus ensinamentos”!
 Pedro Paulo realizou em pleno centro de Roma um matrimônio feliz: 10 filhos. Cinco morreram na infância. Os que sobreviveram eram homens. Nenhum se casou. Por isso a família Pallotti não teve descendência.
 “Quem se coloca com toda a alma no caminho do amor de Deus, não pode falir”.
 Era 1807. Vicente tinha apenas 12 anos. No seu tempo livre corria à casa do Padre Bernardino para conversar, pedir conselhos e ajudá-lo no que precisasse. Entre os dois estabeleceu-se uma profunda e longa amizade que foi amadurecendo. Amigo não se cansa. Amigo descansa, anima, é força no caminho da vida. Fazzini era um sacerdote sábio, soube comunicar ao pequeno Vicente os valores fundamentais da vida cristã. Nos longos diálogos com o cego Fazzini, aprendeu a enxergar mais com o coração que com os olhos.  Fazzini e Vicente foram amigos por 30 anos. E o sacerdote morreu em 1838 aos 80 anos de idade.


 Sacerdócio
 Foram os encontros com o amigo, padre Fazzini, que levaram Vicente a tomar a decisão de ser sacerdote, realizando assim um desejo que sentia desde pequeno, quando disse a sua mãe: “Um dia você me verá celebrar a Missa no altar de São Felipe Néri”.

 Casa de Oração
 Aos 15 anos, foi impedido de entrar no seminário por causa das perseguições religiosas. Então, transforma a casa num pequeno seminário, onde padre Fazzini o acompanha nos estudos e oração e já pensa no seu apostolado de amanhã.
 “Minha intenção é, agora e sempre, rezar com muito fervor a Deus uno e trino, a nosso Senhor. O Esposo diletíssimo de minha alma, a minha mais enamoradíssima Mãe, aos anjos e santos e a todos os justos, para que Deus dê ao meu diretor espiritual abundantíssimas luzes por um caminho (direi assim) infinitamente santo, seguro, perfeito e oculto aos olhos dos homens”.



Vocação sacerdotal
 Vicente Pallotti, na sua amizade com Bernardino Fazzini, foi descobrindo que Deus o chamava para o sacerdócio. Uma descoberta que lhe fez experimentar o amor de Deus. Toda manhã saía de casa para ir até o seminário para participar das aulas e retornava à família onde se dedicava ao estudo, ao trabalho e à oração.

 Pobreza
 No tempo livre do estudo, encontramos o jovem Vicente no meio das crianças do seu bairro, atento aos pobres e doentes, pelos quais quer ser: “Quisera ser alimento para os famintos, veste para os nus, bebida para os sedentos, licor para o estômago débeis, plumas macias para repouso de membros quebrados e cansados, medicamento e saúde para os doentes e sofredores, para os coxos, para os mutilados, para os surdos, para os mudos; luz para os cegos de corpo e de espírito; vida para ressurreição das criaturas todas que morreram para Deus e para os homens, a fim de que o retorno à vida as leve a realizar, até o dia do juízo, grandes coisas para a honra do meu Deus, do meu Criador, do meu bem, do meu tudo”.

 Sensibilidade pela dor alheia
 Quando vejo ou ouço falar em pessoas aflitas, angustiadas, atribuladas, cansadas, carregadas de pesos e fadigas: lavradores, carroceiros, pedreiros, pobres, pelas noites em que não dormem, porque eles mesmos estão doentes ou inquietos; o desprezo e o sofrimento dos pobrezinhos de Jesus Cristo; quando reflito sobre todas as outras misérias que não enumerei e nem sequer compreendo. Se eu mesmo ou outra pessoa pudesse penetrar em todos os ângulos da terra e enxergar de uma só vez as misérias que atribulam a pobre humanidade, acredito que o coração humano não suportaria semelhante visão, mas todos morreríamos de dor”.

 Renuncia às honras
 Padre Vicente era um ótimo aluno de Teologia, aplicado, inteligente, fiel, à doutrina da Igreja. Professor, amado pela sua compreensão e temido pela sua exigência. Despojou-se de toda autoridade e fez-se um aluno no meio dos outros, cativando a simpatia de todos. Não tardou em compreender que não era a sua vocação ser professor, embora tivesse capacidade. Sentia que o Senhor o queria no meio do povo.

 Evangelizava os carreteiros (“caminhoneiros” da época)
 Havia em Roma um grande albergue chamado Santa Galla, ponto de encontro de todos os migrantes e pobres que ali encontravam refúgio, pousada e um prato de comida. Naquele tempo não havia caminhões, todo o transporte era feito através de charretes. Os carreteiros reuniam-se perto do albergue para descansar, beber e depois retomar caminho. Uma vida dura e difícil, mal pagos e longe da própria família, corriam riscos da solidão e abandono. Padre Vicente era acompanhante espiritual destes excluídos da sociedade, para todos tinha uma palavra de ânimo e de coragem. Exercia a pastoral dos migrantes do tempo. Padre Vicente sabia fazer-se amar e pelo caminho do coração podia anunciar o Evangelho. Quando chegava ao acampamento, os carreteiros sentiam-se felizes porque viam nele um amigo sincero.

 Amor
 “A fim de acender o fogo do amor em todos os corações, a divina providência deixou os homens estes meios: orações, obras de serviço Evangélico e todas as demais obras que conduzem a este fim, bem como os meios temporais para isto necessários e adequados”.
 “Procura a Deus e irás encontrá-lo Procura-o sempre, irás encontrá-lo em tudo”.


 Entrega total da vida
 Uma das características da vida de Padre Vicente era não saber dizer não, e era sua alegria ir ao encontro de todos. Ajudar, doar seu tempo e amor com plena e total generosidade. Não pensava que o dia tinha 24 horas, assumia compromisso para 48 horas diárias. Estando em apuros recorria aos amigos sacerdotes ou leigos para que o ajudassem. “Padre Vicente era tão santo que não precisava dormir” – diziam os amigos – que o viam sempre trabalhando, estava disponível de dia e de noite para os irmãos. Durante a noite a luz do quarto ficava acesa, era Padre Vicente que depois das fadigas diárias, dedicava-se ao estudo.

 Dons extraordinários
Tinha o dom de prever acontecimentos futuros: previu a eleição do Cardeal Capellari como Papa, com o nome de Pio IX;
Também tinha o dom de ler as consciências e os corações. Quando as pessoas aflitas vinham até ele para pedir-lhe conselhos ou uma luz para suas vidas, antes que elas apresentassem suas dificuldades, ele ia dizendo tudo o que se passava, dando conselhos acertados e apropriados a cada caso.

São Vicente Palloti: grande animador e promotor
do Apostolado Católico.
 Não tinha vergonha de pedir dinheiro
 Padre Vicente queria ajudar os missionários, e desde o início do seu sacerdócio, foi procurando terços, medalhas, crucifixos para doá-los aos missionários que voltavam para a própria missão. Não se envergonhava de pedir, sabia que não era para ele e que tudo isso seria um meio para tornar-se missionário com os missionários.

 Pia Sociedade do Apostolado Católico
 No dia 11 de julho de 1835, um dia calorento do verão italiano, o Papa assinou o documento de aprovação da Pia Sociedade do Apostolado Católico.

 Amor aos doentes
 “Vicente atuava com eles, como mãe solícita por seus filhos queridos. Administrava-lhes remédios, dava-lhes de beber, erguia-os na cama, quando era necessário, animava-os a suportar tudo com paciência, consolava-os de maneira mais afetuosa”.

 Instituto feminino
 Tem início o Instituto Feminino, no dia 25 de maio de 1838, primeiro dia da Novena de Pentecostes.(p.61).

 Visita ao Papa Pio IX
 Um dia, foi visitar o Papa Pio IX, já seu velho amigo. O Papa, olhando com carinho para Padre Vicente, lhe perguntou:
-Está contente, Padre Vicente?
E, notando que não estava plenamente feliz, diz a todos:
-Vocês veem. Eu sabia que o Padre Vicente não estaria de modo algum satisfeito. Estar satisfeito é parar no caminho.

 Contra a preguiça
 “Não sejamos preguiçosos nem dorminhocos, nem entregues ás seduções do mundo”.

Máscara mortuária de São Vicente Pallotti.
 Morte
 O médico diagnosticou uma pleuresia, doença grave, porque tinha os pulmões bem debilitados. O Padre Vaccari, o sucessor na direção do Apostolado Católico, disse-lhe apreensivo:
 - Padre Vicente, se o senhor pedir a Deus que prolongue a sua vida, Ele o escutará. Vicente, olhando-o com muita bondade respondeu-lhe:
-Deixa-me ir para onde Deus me chama.
Era o dia 22 de janeiro de 1850, às 21h45. Padre Vicente partia feliz e rico em merecimentos para a Casa do Pai.]



São Vicente Pallotti e a Devoção Mariana
Grande devoto de Maria Santíssima. 

 “A devoção a Nossa Senhora consiste antes de tudo em imitar seu filho e dele aprender a imitá-lo. Promoverei com todos os meios a devoção a Maria, minha mais que enamoradíssima Mãe”.
“Quando escrevo ou falo de Nossa Senhora, particularmente na minha pregação, quero dar à Santíssima virgem os títulos mais augustos. Sou indigno de amá-La, mas, pela misericórdia de Deus e os méritos de Jesus Cristo, desejo obter a graça de amá-La e desejo amá-La com o mesmo amor que Deus a ama”.
 “Cantarei eternamente as misericórdias do Senhor. Cantarei eternamente as misericórdias de Maria. Meu Deus e meu Tudo”!
 “Maria não é saudada com o título de rainha dos sacerdotes, dos bispos, do Papa, mas com o título de Rainha dos Apóstolos, porque está acima dos apóstolos. Ainda que não possua a jurisdição eclesiástica, concorreu mais que estes na propagação da fé e na dilatação do reino de Jesus Cristo: por isso, cada um no seu estado segundo as suas condições com confiança na graça pode cooperar na propagação da fé e merece o título de apóstolo. Tudo o que fizer para tal fim será apostolado”.
 “Nossa padroeira, Maria, poderia vos falar, mais ou menos, o seguinte: ‘Recordai-vos de que o meu Divino Filho vos recompensará no seu reino de glória, por cada pensamento, cada palavra, cada ação e cada pequena coisa com que tiverdes contribuído para a difusão da Santa Fé. Sim, Ele irá até vos coroar por toda a eternidade com a coroa gloriosa de seu apostolado, se, para este fim, fizerdes tudo quanto vos for possível. Decidi-vos a fazer o máximo possível para aumentar os meios adequados para a difusão da Santa Fé, sobretudo, por meio de jejuns e da oração humilde, confiante e perseverante. Estejai atentos para não esmorecer na decisão. Meus filhos, se Deus vos fez poderosos sobre esta terra, utilizai, então, este poder para a difusão, a conservação e o reavivamento da Santa Fé. Sois instruídos? Contribuí, então, o mais possível com o vosso conhecimento, a fim de que o Pai, o Filho e o Espírito Santo, os mistérios da redenção e a lei do Evangelho se tornem conhecidos. Sois ricos em bens terrenos? Utilizai-os, então, tanto quanto puderes, para aumentar os meios para a difusão da fé. Aproveitai sem cessar, com todas as forças, até a vossa morte, tudo quanto vos recomendei e vossa recompensa será grande no reino da glória. Sim, Deus mesmo será vossa recompensa por toda eternidade’”.
Em honra da Mãe de Deus escreve três livrinhos, chamados “Mês de Maio”, dedicados aos sacerdotes, aos religiosos e aos leigos.


“A vida de Jesus Cristo seja a minha vida”.
No dia 22 de janeiro de 1950, Vicente Pallotti é beatificado pelo Papa Pio XII.

No dia 20 de janeiro de 1963, Vicente Pallotti é canonizado pelo Papa João XXIII, na Basílica de São Pedro, em Roma. 


 Fonte: São Vicente Pallotti – A Caridade de Cristo nos impulsiona – Frei Patrício Sciadini, Ocd – Edições Loyola. Coleção "Os Fundadores", 1995.



Outras Imagens de São Vicente Pallotti: 


Corpo Incorrupto de São Vicente Pallotti. 




























terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Servos de Deus Jerônimo e Zélia, um exemplo de santidade matrimonial e de bondade cristã.



Servos de Deus Jerônimo e Zélia, Esposos. 
Jerônimo de Castro Abreu Magalhães e Zélia Pedreira Abreu Magalhães casaram-se em 27 de julho de 1876, na Chácara da Cachoeira, Tijuca. Ele engenheiro civil e ela uma jovem letrada, com primorosa formação artística, literária e científica, de modo que aos 14 anos traduziu do italiano para o português, a obra de Cesare Cantu “Il Giovinetto”, que publicou sob o título de “O Adolescente”.
Após uma temporada em Petrópolis, o casal fixou sua residência na Fazenda Santa Fé, perto do Carmo do Cantagalo, Província do Rio de Janeiro e há muito pertencente à família Abreu Magalhães. Lá os dois constituíram um autêntico lar cristão. Na fazenda tinha uma capela, na qual inúmeras vezes ao dia podiam-se vê rezando, como também seus escravos, que só iniciavam o trabalho do dia sempre com oração guiada pelo casal no pátio da fazenda onde havia um coreto.
Jerônimo e Zélia se preocupavam muito com a vida espiritual deles, por isso, eles sempre participavam da Santa Missa, confissões e catequese sempre promovidas pelo casal. Eles mesmos os catequizavam, adultos e crianças. Jerônimo e Zélia nunca trataram seus escravos como sendo propriedades suas. Lá eles viviam em liberdade e recebiam, inclusive, salário. Quando foi assinada a lei Áurea em 13 de maio de 1888, na Fazenda Santa Fé os escravos permaneceram residindo lá, pois junto com Jerônimo e Zélia eles sempre viveram e foram tratados como pessoas livres, pois já a muito tempo o casal havia libertados os escravos de sua Fazenda. Lá eles construíram uma enfermaria para tratar dos escravos doentes e, periodicamente, vinha um médico e Jerônimo e Zélia iam com seus filhos visitá-los e também tratar deles.
Desse santo e feliz casamento nasceram-lhes treze filhos: quatro falecidos em tenra idade, tendo todos os demais (três homens e seis mulheres) abraçado diferentes Ordens Religiosas. Dentre eles, o franciscano Frei José Pedreira de Castro, professor de Ciências Bíblicas, que fundou em 1956 o Centro Bíblico e o curso de Sagrada Escritura por correspondência, cuja a repercussão alcançou todos os Estados da Federação numa intensidade jamais prevista, se tornando ele personagem Histórico da Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil.
Em 1909, Jerônimo morreu em odor de santidade. Zélia foi então cuidar de seu pai, cuja esposa havia falecido em 1901. Ela ficou residindo com ele até sua morte em 01 de novembro de 1913. A partir daí, Zélia então concretiza um antigo desejo seu de se tornar religiosa, ingressando então no Convento das Servas do Santíssimo Sacramento, o “Venite Adoremus”, estabelecido em 1912 no Largo do Machado, Rio de Janeiro.
Após vender todos os seus bens e doá-los aos mais necessitados e também a Igreja, depois de ter cumprido a passagem do Evangelho de vender tudo e aos pobres para depois seguir a Jesus mais de perto, Zélia a partir de então passaria a ser chamada de Irmã Maria do Santíssimo Sacramento, tomando o habito para a vida religiosa em 22 de janeiro de 1918, vindo a terminar sua edificante e modelar existência no dia 8 de setembro de 1919, em justa fama de santidade.

Inúmeras são as graças alcançadas pela intercessão deste grande casal fiel a Deus. Que não só entregaram seus filhos a Deus, mas suas próprias vidas pela causa do Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Servos de Deus Jerônimo e Zélia: exemplo de santidade
matrimonial e de amor cristão pelo próximo. 



Devoção popular ao casal  Abreu Magalhães. 


Os nove filhos (na foto veem-se oito) do casal
consagraram-se a Deus na vida religiosa. 



Reconhecimento Canônico dos Restos Mortais do Casal
Jerônimo e Zélia. 


Dom Orani, Arcebispo do Rio de Janeiro, incensando
os restos mortais do casal candidato à honra dos altares. 



Beata Maria de Jesus Deluil - Martiny, Virgem, Fundadora e Mártir


Filha de um brilhante advogado e excelente católico, sua mãe era uma digna sobrinha bisneta da Venerável Ana Madalena Remuzat (¹), a visitandina que durante a peste de 1720 havia conseguido que Marselha se consagrasse ao Coração de Jesus. Assim, a devoção ao Sagrado Coração era considerada "patrimônio familiar".
Maria nasceu em Marselha a 28 de maio de 1841. Foi educada pelos pais e pelas religiosas da Visitação. Um dia as Irmãs contam suas travessuras ao Monsenhor de Mazenod, fundador dos Oblatos de Maria Imaculada (canonizado em 1995), que lhes responde: "Não se inquietem, são coisas de menina; verão que um dia será a santa Maria de Marselha".
Em 1848, após vários distúrbios, o rei Luís Felipe abdica. As ruas tranquilas de Marselha, cidade cheia de recordações de São Lázaro, Santa Marta e Santa Maria Madalena, foram invadidas pelo ódio revolucionário. Maria tinha apenas sete anos. Aproveitando-se da distração momentânea dos adultos, sai de casa para ver de perto o que está acontecendo. Chega até as barricadas feitas pelos soldados. Sem medo, aproxima-se e observa tudo com interesse. Alguns soldados a ignoram, outros sorriem diante de sua inocente e viva curiosidade. Um a toma pela mão e a reconduz a casa.
Estes episódios da infância nos revelam muito da personalidade desta Beata. Vivaz, brilhante, cultíssima e muito a par das coisas da sociedade e da história.
Aos 16 anos, prossegue sua formação em Lyon com as religiosas do Sagrado Coração, fundadas por santa Sofia Barat.
Terminados os estudos superiores em 1858, fez exercícios espirituais e consultou São João Batista Vianney, o Santo Cura d’Ars, sobre a própria vocação. O Santo respondeu-lhe: “Minha filha, antes de a conheceres, terás de rezar muitos Veni, Sancte Spiritus (Vem, Espírito Santo). Sim, serás toda de Deus, mas deverás esperar longamente no mundo”. De fato, aguardou durante anos a inspiração do que Deus queria dela. Embora ainda vivendo com a sua família, ocupando-se de seus pais, pratica as obras de apostolado, coloca-se a serviço dos pobres, ajuda os sacerdotes e as missões. Mons. Comboni, em sua viagem à França, teve a ajuda da jovem Maria.

Em 1864, providencialmente cai em suas mãos um folheto procedente da Visitação de Bourg-en-Bresse intitulado: Guarda de honra do Sagrado Coração: finalidade da obra. A jovem lê e relê essas linhas que parecem dirigidas a sua alma de fogo. A 7 de fevereiro escreve ao Mosteiro solicitando ser inscrita na Guarda de honra e oferecendo-se, cheia de entusiasmo, para trabalhar pela obra.
Inicia-se então uma ativa correspondência entre a Irmã Maria do Sagrado Coração e a "pequena Maria", como a chama carinhosamente a fundadora. Maria consegue seu primeiro êxito fazendo chegar a Guarda de Honra até santa Sofia Barat, que se inscreve com todas suas religiosas.
No dia 5 de junho do mesmo ano, o Cardeal de Villecourt consagra solenemente a nova igreja de Nossa Senhora da Guarda, em Marselha. É uma cerimônia impressionante a qual assiste também o Cardeal Pitra e grande número de bispos franceses. Maria consegue que os dois cardeais e 20 bispos se inscrevam na Guarda de Honra.
Graças à direção espiritual do Padre Calage, ela vai pouco a pouco conhecendo a sua vocação. O Bem-aventurado Papa Pio IX e o Cardeal Dechamps, Arcebispo de Malines-Bruxelas, se interessaram por ela. Este último a define como “a Santa Teresa d’Ávila do nosso século”.

Finalmente, a 20 de junho de 1873, solenidade do Sagrado Coração de Jesus, com algumas amigas, funda o Instituto das Filhas do Coração de Jesus, cuja finalidade é dedicar-se, na clausura, à adoração da Eucaristia, à oração e à imolação pela conversão do mundo distante de Deus, reparação pelos sacrilégios e pela santificação dos sacerdotes. O centro é Jesus Eucarístico oferecido ao Pai em todos os altares do mundo, presente no Tabernáculo, adorado noite e dia, vivido na intimidade da graça santificante e da caridade. O seu modelo, como ela mesma explica, é Nossa Senhora.
Seguiram-se breves e densos anos. Muitas jovens acorreram e madre Maria de Jesus – nome que adotou quando se tornou religiosa – funda mais dois mosteiros: Aix-en-Provence e La Servianne, perto de Marselha, numa propriedade herdada de sua mãe.
Madre Maria cresce na intimidade com Jesus, educa as suas “filhas” nessa intimidade com Ele e na doação total. As suas “filhas” a amam como a uma mãe.
No mês de abril de 1882 é obrigada a fechar o mosteiro de Aix-en-Provence devido à ameaça de perseguição por parte do governo francês. As religiosas são acolhidas parte em Berchem, parte em La Servianne.

Madre Maria de Jesus escreve: “Legalmente, eles não têm nenhum poder sobre nós na La Servianne: estou na minha casa, na propriedade da minha família por quatro gerações e nenhum tribunal pode me mandar sair daqui. Mas, em nome da revolução, com o motim, os infames poderão quanto Deus permitir. Não haverá regras que os detenham. Quanto a nós, permaneçamos muito tranquilas...”.
 Madre Maria de Jesus é uma religiosa, uma contemplativa, mas não vive nas nuvens, fora do mundo. Nem é ignorante ou ingênua. A família e o ambiente do qual provém lhe abriram os olhos a tudo. Assim, o quadro que traça nesta carta de 8 de dezembro de 1882 é completo, a visão da História do mundo é lúcida, com um conhecimento claro de quanto gera na sociedade a rebelião contra Cristo e a Sua Igreja. 
Na segunda parte da carta, ela escreve: "Ao ver o triunfo do erro, a aparente legalidade com que se quer legitimar tanto mal, deveríamos nos desesperar do presente e do futuro? Não, irmãs, nunca! Jesus venceu satanás e o mundo! A Jesus Cristo pertence todo poder; ao ouvir o seu Nome todos os joelhos se dobram, inclusive nos abismos. As nações Lhe foram dadas em herança. Enquanto Ele permite que o monstro infernal se agite aos seus pés em fugazes e falsos sucessos, Ele vence e triunfa. Os Anjos já cantam a Sua vitória definitiva. As portas do inferno não prevalecerão contra a Igreja fundada por Ele. O triunfo final não é para aqueles que trazem as insígnias do dragão, mas para nós que levamos o nome de Jesus Cristo sobre nossas frontes e o Seu amor em nossos corações”!
“A Igreja prossegue de luta em luta, de conquista em conquista, até a eternidade bendita. Engana-se quem quisesse, no momento presente, julgar o conjunto das coisas. Nós temos a promessa e a certeza da vida eterna e, aquilo que conforta: Deus triunfa tão mais grandiosamente quanto mais a nós custa a vitória... A nossa tarefa é lavrar a terra, trabalhar removendo penosamente o terreno! Outros colherão a seara... Mas esta, fecunda e copiosa, será colocada certamente no celeiro do Pai celeste... Modestas operárias desta grande obra, trabalhemos no silêncio e na esperança”.
“Rezemos - é a condição para o sucesso; reparemos, porque a dor suprema é a de ver Deus ultrajado e blasfemado; soframos, lutemos, morramos, se for preciso, certas de que lá no alto a Providência vela, a Onipotência de Deus nos assiste e tornar-se-á vitoriosa”...
“Nós somos da estirpe de Maria Santíssima, a qual Deus mesmo pôs na inimizade perpétua com a raça de satanás, estirpe à qual Ele dá a vitória por meio de Jesus Cristo, sem, entretanto, eximi-la da fadiga, nem privá-la da honra e do mérito da luta”.

Madre Maria de Jesus teve que vencer não poucas dificuldades até ver o seu Instituto aprovado. Governou-o apenas durante dez anos, porque no dia 27 de fevereiro de 1884 foi barbaramente assassinada por um jardineiro que havia sido despedido do Convento La Servianne por sua preguiça e desleixo. Ele era ligado a grupos anarquistas e nela o assassino descarregou o seu ódio à Fé. Suas últimas palavras são: "Eu o perdoo! Pela a Obra!" Ela se tornou virgem e mártir como sempre havia desejado.
A 22 de outubro de 1989 foi solenemente beatificada pelo Papa João Paulo II em Roma.



Corpo Incorrupto da Beata Maria de Jesus