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domingo, 21 de dezembro de 2014

SANTA LUZIA (ou Lucia), Virgem e Mártir - Memória em 13 de dezembro.


Uma das mais famosas santas virgens mártires da perseguição romana, Luzia nasceu em Siracusa, cidade da Itália. Era uma jovem linda. Conta-se que seus olhos eram tão lindos que encantavam a todos. Seu nome significava “aquela que ilumina”.
Viveu na época do tirano, o imperador Dioclesiano, que governou o império romano no fim do Séc. III e começo do século IV da era cristã. 
Naquela época, como é sabido, a lei imperial proibia as pessoas de serem cristãs pois a maioria dos "césares" queria ser venerada como "deuses" protetores do império. 
De família nobre e cristã, muito prendada, desde cedo decidiu consagrar sua vida ao Senhor, e assim fez votos de virgindade perpétua.
Após a morte do pai, sua mãe a prometeu em casamento a um jovem nobre, porém pagão.
Conta-se que um dia Luzia foi à cidade de Catana, para visitar o túmulo de Santa Águeda (ou Ágata). A mãe foi com ela. Fizeram esta romaria para pedir a cura da mãe que sofria de uma hemorragia.
Junto ao túmulo de Santa Águeda, Luzia rezava pela cura de sua mãe. E aí, a Santa lhe apareceu e a consolou dizendo: “Luzia Virgem, porque me pedes aquilo que Tu mesma podes dar a tua mãe? Tua fé salvará sua mãe. É por tua fé que ela ficara boa. E pela tua virgindade preparastes para Deus uma grandiosa habitação”.
A mãe de Luzia realmente ficou curada.
Quando mãe e filha, depois da romaria chegaram em casa, Luzia pediu dois favores à mãe.
O primeiro era permitir que não se casasse, porque queria ficar virgem para consagrar sua vida a Cristo e aos mais humildes irmãos de Jesus.
O segundo era permitir que recebesse já os bens que lhe cabiam como dote de casamento, para vendê-los e distribuir entre os pobres.
A Mãe consentiu, e sendo uma fervorosa dama cristã, segundo se afirma, recebeu como a filha a palma do martírio.
De fato Luzia era de família rica, desprendeu-se de suas riquezas e com ela foi ajudar os pobres.
Seu noivo sabendo, porém, que Luzia resolvera nunca se casar, ficou desiludido e com muita raiva também. Como o jovem era pagão, descobriu logo um jeito de se vingar. Correu ao governador da cidade e denunciou Luzia, acusando-a de ser cristã.
O governador mandou seus soldados à casa de Luzia, e estes prenderam a jovem. Ela foi levada a julgamento.
Dioclesiano perguntou a Luzia se era verdade que ela era cristã. A jovem respondeu com firmeza que era verdade. O governador, impressionado com a beleza e juventude de Luzia, tentou primeiro com palavras bonitas e promessas sedutoras, abalar a fé da jovem. Exigiu que Luzia adorasse a falsos deuses, ela, porém, respondeu: 
“Adoro somente meu único Deus e Senhor e a Ele prometi fidelidade e amor”.



O sanguinário tirano, então, perdendo a paciência, e vendo que com palavras brandas não ia conseguir nada, passou a fazer ameaças.
Disse ele a Luzia: “A tua coragem e as tuas palavras desaparecerão quando chegar a hora das torturas”. O homem estava furioso. Mas Luzia, sem perder a calma, e sem mostrar medo algum, respondeu: “Senhor governador, aos servos de Deus não faltarão palavras, pois Cristo Senhor nos disse: quando estiverdes diante dos reis e governadores, não vos preocupeis com o que haveis de dizer, pois não sois vós que então falareis, mas o Espírito Santo”.
Assim Luzia responde ao governador com as palavras que o próprio Jesus falou para o conforto e edificação de seus fiéis discípulos. Luzia conhecia a Sagrada Escritura e confiava na palavra de Cristo, a Palavra de Deus.
Então, o governador lhe perguntou zombando: Ah! Sim, você tem um Espírito Santo, não é?
Santa Luzia, sempre conhecedora da Sagrada Escritura, lembra-se das palavras de São Paulo e responde:
“Sim, os que vivem casta e piedosamente são templo do Espírito Santo”.
Depois destas palavras de Santa Luzia o governador ficou mais furioso ainda e zombando disse: “Vou mandar você para uma casa de perdição e aí quero ver se o Espírito Santo ainda quer ficar em você”’
A corajosa Virgem, porém, respondeu sem temor: “Se tu mandares que assim seja feito contra minha vontade, a minha castidade terá dupla coroa”.
Esgotada a paciência do governador, este manda que Luzia fosse levada a uma casa de perdição. Os soldados pediram que Luzia fosse andando. Ela, porém, não se moveu. Ficou no lugar onde estava. Os soldados então recorreram a empurrões, puxões, e até a socos. Mesmo assim, a jovem cristã não se movia. Os soldados então amarraram Luzia a uma corda e com toda força tentaram puxá-la e arrastá-la. E, aí interveio a força Divina vencendo a força violenta e bruta dos inimigos de Deus. Nenhuma tentativa da parte dos guardas conseguiu mover Luzia. Ela ficou no mesmo lugar, inabalável. Deus não permitiu que a castidade de sua Virgem fiel sofresse algum dano.
O governador então mandou que em volta dela fosse jogado, resina e óleo, e que se botasse fogo em tudo isso. Quando esse material inflamável pegou fogo, Cristo mostrou mais uma vez o seu poder. As chamas envolviam a Luzia, mas não a tocavam. Cristo não permitiu que as chamas danificassem o corpo virginal da jovem Cristã.
Novamente Jesus demonstrou que Ele é o Rei que ajuda a gente no meio dos perigos.
O governador ficava cada vez mais furioso, e ao mesmo tempo envergonhado: não conseguindo vencer a resistência de uma frágil jovem.
Recorreu, então, a toda sorte de torturas. Eram torturas horríveis. Luzia sofria terrivelmente. Mas o governador não conseguia abalar a sua fé.
Esgotados todos os meios violentos e bárbaros, acabada também a paciência do pagão, o governador mandou que Luzia fosse degolada. E assim morreu mais uma mártir!
Sua fé a salvou. Agora está gloriosa no céu.
Antes de receber o golpe mortal, Luzia, diante do governador pagão, perseguido da Igreja de Cristo e diante de uma multidão de gente fez uma profecia.
Anunciou a toda gente que logo viria o tempo que a igreja de Cristo encontraria a tranquilidade e a liberdade. Ser Cristão não mais seria crime.
Santa Luzia fez este anuncio no ano de 304. Nove anos depois, o imperador romano, filho de Santa Helena, tornou-se cristão e deu liberdade a Igreja de Cristo e o paganismo com seus falsos deuses, foi desaparecendo.
Depois que Luzia fora morta, os cristãos enterraram seu corpo na sua cidade natal Siracusa. Mais tarde foi transferido para a cidade de Constantinopla, para que suas relíquias fossem preservadas.
Atualmente, os restos mortais de Santa Luzia repousam em Veneza, Itália.
Uma lenda conta que Luzia arrancou seus próprios olhos, colocou-os em uma bandeja e os entregou ao noivo, que tinha antes fascinado pela beleza deles, mas em vez de ficar cega, no mesmo instante surgiram outros mais belos ainda. Verdade ou não, todos a consideram como a Virgem protetora dos olhos e da vista.
Os milagres atribuídos à sua intercessão a transformaram numa das santas auxiliadoras da população, que a invocam, principalmente, nas orações para obter cura nas doenças dos olhos ou da cegueira.
A arte perpetuou seu ato extremo de fidelidade cristã através da pintura e da literatura. Foi enaltecida pelo magnífico escritor Dante Alighieri, na obra "A Divina Comédia", que atribuiu a santa Luzia a função da graça iluminadora. Assim, essa tradição se espalhou através dos séculos, ganhando o mundo inteiro, permanecendo até hoje.

Santa Luzia é comemorada no dia 13 de dezembro.

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