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sábado, 6 de dezembro de 2014

Beato Pier Giorgio (Pedro Jorge) Frassati, Jovem Leigo da Ação Católica, modelo de santidade para os jovens.



Beato Pedro Jorge Frassati, um jovem
santo para o mundo moderno. 

Os que pensam que os santos são pessoas tímidas e solitárias, que desprezam esta vida só pensando na outra, ficarão surpreendidos diante da figura do beato Pedro Jorge Frassati.
Verdadeiro brincalhão, apelidado de “Robespierre” por seus amigos, com quem formou a associação denominada “Tipi Loschi”, os tipos de “arruaceiros”. Frassati foi um amigo dos pobres e via neles o Cristo. São especialmente os jovens, que, em sua busca por um modelo, encontram alguém com quem se identificar. Pedro Jorge fez de sua curta vida uma “aventura maravilhosa”.



Pedro Jorge Frassati nasceu em Turim, Itália, em 6 de abril de 1901. Sua mãe, Adelaide Ametis, era pintora. Seu pai, Alfredo, agnóstico, foi fundador e diretor do jornal liberal “La Stampa”. Homem influente entre os políticos italianos, desempenhou também os cargos de Senador e Embaixador da Itália na Alemanha.

Pedro Jorge e seu pai Alfredo, jornalista,
empresário e político influente na Itália. 
Pedro Jorge estudou em casa antes de ingressar em uma escola estatal junto com sua irmã Luciana, posteriormente frequentou uma escola dirigida por jesuítas. Ali se associou à Congregação Mariana e ao Apostolado de Oração, chegando a comungar diariamente.

Pedro Jorge desenvolveu uma profunda vida espiritual que nunca deixou de compartilhar com seus amigos. A Santa Eucaristia e a Virgem Maria foram polos de seu mundo de oração. Aos 17 anos de idade, em 1918, ingressou na Sociedade São Vicente de Paulo e dedicou a maior parte de seu tempo livre ao serviço dos doentes e necessitados, cuidando dos órfãos e dos soldados da primeira guerra mundial que voltavam para suas casas. Decidiu se graduar em engenharia mineral na Universidade Politécnica de Turim, com a finalidade de “servir melhor a Cristo entre os mineiros”, como expressou a um amigo.

Um jovem santo engajado na política
e no trabalho social em sua cidade e
país. 
Mesmo seus estudos, que considerava sua prioridade, não o apartaram da sua inflamada atividade social e política. Em 1919 se associou à Federação de Estudantes Católicos e à Ação Católica. Diferenciando-se das ideias políticas de seu pai, chegou a ser membro verdadeiramente ativo do Partido Popular, que promoveu os ensinamentos da Igreja Católica embasados nos princípios da “Rerum Novarum”. Também concebeu a ideia de unir a Federação de Estudantes Católicos à Organização Católica de Trabalhadores. “A caridade não basta: necessitamos de uma reforma social”, costuma dizer trabalhando para ambas.



Beato Pedro Jorge: anjo da caridade
para com os pobres e sofredores. 
Os pobres e os sofredores eram seus donos e ele foi para eles um verdadeiro servo, vivendo essa ocupação como um privilégio. Em Pedro Jorge, a caridade não consistia só em entregar algo para os demais, mas, antes em se entregar a si mesmo por inteiro. Essa caridade se sustentava diariamente com Jesus Cristo Eucaristia, com a frequente adoração noturna, com a meditação do hino da caridade de São Paulo e com férias na casa de verão da família Frassati, no vilarejo de Pollone, já que “Se todos saem de Turim, quem vai se encarregar dos pobres"?


Pedro Jorge era um jovem vigoroso
e saudável. Praticava alpinismo.
São João Paulo II, ao beatificá-lo, 
propôs que ele fosse o patrono dos
esportistas. 
Pedro Jorge era um entusiasta esportista: um dos seus esportes favoritos o alpinismo. As excursões que organizava com seus amigos, os “Tipi Loschi”, eram para ele uma ocasião concreta de apostolado.

Costumava ir ao teatro, à ópera e aos museus: amava a arte, a música e proclamava versos inteiros de Dante. Os veementes sermões de Savaranola e os escritos de Santa Catarina de Sena o impulsionaram a ingressar em 1922 na Terceira Ordem Dominicana. Quis se chamar Jerônimo, como o missionário dominicano e reformador do Renascimento florentino, Jerônimo Savanarola. “Sou um fervoroso admirador desse frei, que morreu como santo na fogueira” escreveu um dia a um amigo.

Pedro Jorge era um jovem muito alegre, 
animado e expansivo. Conquistava o apreço
dos amigos e seu respeito por seu modo de 
agir e de tratar as pessoas. 
Tal qual seu pai, foi um vigoroso antifascista e nunca escondeu suas ideias políticas. A princípio se viu envolto em disputas contra os anticlericais, comunistas primeiro e fascista depois. Ao participar de uma demonstração organizada pela Igreja em Roma, sofreu a violência e foi preso pela polícia.
Pouco antes de se formar, Pier Giorgio se contagiou com Poliomielite, enfermidade que, segundo os médicos, contraiu pela sua dedicação aos doentes. A agonia e morte de sua avó, ocorrida poucos dias antes, ocultou o declínio de sua saúde (inclusive, sua mãe não estava em casa quando ele começou a adoecer, pois, estava de viagem em visita aos seus familiares). Faleceu depois de seis dias de terríveis sofrimentos, em 04 de julho de 1925, aos 24 anos de idade. Sua última preocupação foram os pobres. 



A poliomielite (doença gravíssima e que para a época não
havia vacina), vitimou Pedro Jorge após 06 dias de
dolorosos sofrimentos. Seus funerais foram um grande
acontecimento na cidade, por causa da numerosa multidão
dos pobres e necessitados que ele ajudava e consolava. 


Seu funeral foi um triunfo, as ruas da cidade se encheram de gente que chorava sem consolo e que sua família não conhecia: eram os pobres e necessitados que ele havia atendido sem desânimo durante sete anos; muitos deles ficaram surpreendidos ao se inteirarem de que o jovem que conheciam pertencia a uma família tão poderosa. Numerosos peregrinos, em especial jovens estudantes, vão ao túmulo de Pedro Jorge para solicitar favores e coragem para seguir seu exemplo. Em 1982, como última etapa do Processo Apostólico, foram exumados seus restos mortais, encontrando-se o corpo de Pedro Jorge intacto, com um sorriso iluminado.

O Papa São João Paulo II, depois de ter visitado seu túmulo em Pollone, em 1989 disse: “Quero render homenagem a um jovem que soube ser testemunho de Cristo com singular eficácia no nosso século. Eu também conheci, na minha juventude, a benéfica influência de seu exemplo cristãoEm Pier Giorgio vemos o homem das oito bem-aventuranças, que traz consigo a graça do Evangelho, da alegria da salvação oferecida pelo Cristo”.

Em 20 de maio de 1990, na Praça de São Pedro, diante de dezenas de milhares de fiéis, o Papa João Paulo II beatificou Pedro Jorge Frassati, considerando-o como “O Homem das Oito Bem-Aventuranças”. Seus restos mortais foram trasladados do túmulo da família Frassati em Pollone para Catedral de Turim.

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Retirado do folhetim entregue aos jovens reunidos na Jornada Mundial da Juventude em Sidney, Austrália, no ano de 2008. O mesmo possuía autorização da Associazione Píer Giorgio Frassati.


Pedro Jorge, ao lado de Santa Teresinha,
proposto também como co-patrono da
juventude. 
Oração a Deus, com a intercessão do Bem-aventurado Pedro Jorge Frassati

Pai Celeste, nós vos agradecemos pela vida do Bem-aventurado Pedro Jorge Frassati, cujo zelo pela vida e o comprometimento à sua fé estavam unidos ao amor pelos pobres, doentes e necessitados. Que nós possamos imitar esta caridade alimentada pelo seu amor à Eucaristia, devoção à Nossa Santa Mãe e uma confiança inabalável em Vós, Pai.
Graças a seu testemunho comprometido de alegria e verdade; e fortalecido pelo Espírito Santo, Pedro Jorge viveu a vida como maravilhosa aventura provando que a santidade é possível a todos. Que nós possamos também, através de suas orações e testemunho do Evangelho, viver uma vida que alcance o alto! Nós vos pedimos por Cristo, nosso Senhor, Amem.

Bem-aventurado Pedro Jorge Frassati, rogai por nós.


Oração pela Canonização de Pedro Jorge

“Ó Deus misericordioso, que em meio aos perigos do mundo, conseguistes preservar por Vossa graça o Vosso servo Pedro Jorge Frassati puro de coração e ardoroso na caridade, escutai, nós Vos pedimos, às nossas orações e, se for de Vossa vontade que ele seja glorificado pela Igreja, mostre-nos o Vosso querer, nos dando as graças que Vos pedimos, por sua intercessão. Pelos méritos de Jesus Cristo, nosso Senhor. Amém.”

Imprimatur, 1932 + Maurillo, Arcebispo de Turim



 FRASES E TRECHOS SELECIONADOS

“Jesus vem a mim a cada manhã na Santa Comunhão e eu O retribuo de uma maneira pequena visitando os pobres” (disse Pedro Jorge a um amigo)

“Ele testemunha que a santidade é possível para todos...Esforçai-vos para conhecê-lo! Eu confio vosso compromisso missionário a ele” (João Paulo II)

“Se meus estudos permitirem, quero passar dias inteiros nas montanhas, contemplando naquele ar puro a grandiosidade do Criador” (carta a Marco Beltramo, 6 de agosto de 1923)

“Impressionada, as pessoas viam esse jovem nas ruas de Turim ajudando os pobres a procurar uma casa; puxando carroças cheias com seus pertences”.

Quando um amigo o perguntou como ele podia aguentar os odores e a sujeira das favelas, ele respondeu: “Nunca esqueça que mesmo sendo a casa miserável, você está se aproximando de Cristo. Em meio aos doentes e desafortunados, vejo uma luz peculiar, uma luz que não temos.”

“Viver sem uma fé, sem um patrimônio para defender, sem um esforço constante, pela verdade, não é viver mas somente existir.” (carta a I. Bonini, 27 de fevereiro de 1925)

“Não são aqueles que sofrem violências que devem temer, mas aqueles que as praticam. Quando Deus está convosco, nós não precisamos ter medo.”

“A fé dada a mim no batismo me sugere com uma voz segura: Por suas próprias forças, você nunca fará nada, mas se você tiver Deus como centro de suas ações, então sim, você alcançará o objetivo.” (carta a I. Bonini, 15 de janeiro de 1925)

“Na oração a alma se eleva acima da tristeza da vida.” (uma dedicação em um livro dado por Pedro Jorge a um amigo)

“Quanto mais alto formos, melhor nós ouviremos a voz de Cristo.”

“Nós costumávamos visitar os leprosos do Hospital de São Lázaro – nos deparamos com um jovem, 20 anos, cuja face estava destroçada pela lepra...temos o dever de colocar nossa saúde a serviços daqueles que não a tem; pois agir de outra forma seria trair o dom de Deus e de Sua bondade.” (T. Vigna, amiga de Pedro Jorge)

“Eu não hesitaria em dizer que o segredo da perfeição espiritual de Pedro Jorge deve ser encontrado em sua devoção a Maria...Nunca se passou um dia sem que ele estivesse aos pés de sua Mãe celestial com seu terço, sua oração favorita, entrelaçado em seus dedos...” (Marco Beltramo, amigo de Pedro Jorge)

“Eu suplico a vocês com toda a força da minha alma que se aproximem da Mesa Eucarística tanto quanto possível” (Aos jovens católicos de Pollone, 1923)

“Eu também amei assim” (Pedro Jorge sofreu por não ter conseguido concretizar seu amor por uma garota em particular e teve que entregar isso a Deus)

“E peço que reze para que Deus me dê a força cristã para suportar tudo isso serenamente e que Ele a dê toda alegria terrena e a força para finalmente alcançar o fim para o qual fomos criados.” (de uma carta a I. Bonini, 28 de dezembro de 1924)

“Na vida terrena, depois dos pais e das irmãs, uma das mais bonitas formas de afeição é a amizade.” (carta a I. Bonini, 10 de abril de 1925)

“Você me pergunta se eu sou feliz. Como não poderia ser, enquanto minha fé me der força...pois o sofrimento é algo bem diferente da tristeza, que é a pior doença de todas. É quase sempre causada pela falta de fé”. (Carta à sua irmã Luciana, 14 de fevereiro de 1925)

“Verso l’alto” – “Em direção ao alto” (frase profeticamente escrita por Pedro Jorge atrás de uma foto poucas semanas antes de morrer. Esse tornou seu lema.)

“A glória de Deus é o homem completamente vivo” (Santo Irineu. Adv. Haeres 4, 20)

Luciana Frassati se recorda que, nas últimas horas de sua vida, Pedro Jorge “mal conseguia falar, mas um traço de vida permanecia em seus olhos, que estavam fixos na face de Nossa Senhora.”

“O dia de minha morte será o dia mais bonito da minha vida.” (falado rotineiramente por Pedro Jorge)

“o melhor homem do mundo está morto” (do diário de Alberto Falcheti um membro italiano do parlamento quando Pedro Jorge morreu)


“Oração e contemplação, silêncio e recepção dos sacramentos deram o tom e a substância para seus variados apostolados; e sua vida, animada pelo espírito de Deus, é transformada em uma aventura maravilhosa.” (Papa São João Paulo II – Roma, 20 de maio de 1990)

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