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domingo, 28 de dezembro de 2014

Beato Giácomo (Tiago) Cusmano, Presbítero e Fundador (Congregação dos Missionários Servos dos Pobres).



Beato Giácomo Cusmano
INFÂNCIA

Nasceu em Palermo no dia 15 de março de 1834. Foi o quarto filho do casal Giácomo Cusmano e Madalena Patti, que tiveram outros quatro filhos além de Giácomo: Vicenzina, Giusepina, Pedro e o caçula Giusepe. No dia seguinte ao nascimento, foi batizado na Igreja de São Nicolau pelo seu tio materno, Pe. Vicenzo Patti.
Aos 03 anos de idade perdeu sua mãe, vítima do cólera, passando a ser cuidado pela irmã mais velha, Vicenzina, juntamente com a tia Catarina. Desde pequeno Giácomo tinha um grande amor pelos pobres.
Fez sua primeira comunhão sob a orientação de Vicenzina e, como era costume na família, Giácomo fez seus primeiros estudos em casa, orientado pelo Pe. Francisco Libani, tendo frequentado posteriormente o colégio Máximo dos jesuítas a fim de completar o curso de humanidade e retórica.


    FORMAÇÃO ACADÊMICA

    Aos 15 anos, sua ânsia em ser missionário o levou a quase façanha de fugir junto com o superior dos jesuítas de navio para terras distantes. Na continuidade dos estudos, praticava um útil e benéfico apostolado entre seus companheiros, sendo seus melhores amigos Enrico Albanese e Michele de Franchis. Tendo concluído seus estudos de Medicina, se formou ao 21 anos de idade, no dia 11 de julho de 1855. Três anos antes, a 20/07/1852, perdeu o pai. Como médico, era muito bom e atencioso, sendo que, quando era chamado, deixava tudo para acorrer ao leito de qualquer enfermo, a qualquer hora.
     A Itália daquele tempo estava agitada pela revolução, a qual pretendia sua unificação. Giácomo era, inclusive, cotado para ser o chefe de um grupo revolucionário. Entretanto, no ano de 1859 o jovem Cusmano foi invadido por dúvidas vindo a perceber que não era aquele caminho que deveria seguir, pois Deus o chamava para algo mais. Foi então que ele procurou Monsenhor Domenico Turano, aconselhado por Vincenzina. Giácomo contou-lhe sua situação. Mons. Turano o aconselhou a mais intensa vida de oração.


O SACERDÓCIO

Com o passar do tempo, Giácomo foi pedir a bênção a Mons. Turano para fazer parte dos Capuchinhos, como um frade mendicante, mas o guia espiritual lhe mostrou outro caminho: o sacerdócio.
O jovem sentia-se indigno do sacerdócio e recusava aquele apelo de Deus. Entretanto, o confessor dizia-lhe o contrário e o chamado de Deus acabou vencendo a recusa do jovem Cusmano, que em 08/12/1859 vestiu o hábito talar na Paróquia São Tiago, inscrevendo-se na Congregação Clerical de Maria Santíssima do Fervor.
Sob guia do Pe. Pietro Boccone completou em um ano os estudos de teologia. Então, recebeu a tonsura e as ordens menores em 18/03/1860, sendo ordenado subdiácono aos 24/03, diácono aos 22/09 e, finalmente, sacerdote aos 22/12/1860.
Em poucas palavras traçou o programa de sua vida, ao qual se mostrou sempre fiel: “Encarnar Cristo em mim mesmo, dar e dar-me, como Ele, para o alívio dos corpos e para a redenção das almas”.
Assim, Pe. Giácomo uniu-se aos Recordantes, cuja missão era assistência aos moribundos, e rejeitou o ofício de Pároco em São Giuseppe Jato, aceitando ser o capelão da Igreja dos Santos Quarenta Mártires, no bairro Casaletto. Entretanto, ele pensava na fundação de uma obra que pudesse irmanar ricos e pobres. Certo dia, na hora do almoço na casa do amigo de Franchis, viu que a família dele tirava um pouco de comida do prato de cada um para pôr em outro prato que depois seria dado a um pobre. Daí surgiu a ideia do "Boccone del Povero".


A OBRA

Em 1866 a situação na Sicília voltou a complicar-se. Houve uma intensa rebelião popular, a supressão das comunidades religiosas e a cólera devastou a cidade de Palermo. A situação era alarmante: fome, doenças etc. Nesse período uma cena chocou Pe. Giácomo: ao entrar numa casa viu uma família se alimentando de um cão cru para matar a fome.
A alma da nascente e tão sonhada obra do "Boccone del Povero" foram a irmã Vicenzina, a tia Catarina, a sobrinha Madalena e as três irmãs Delise, responsáveis pela divisão daquilo que provinha das coletas e na determinação de recursos. O berço da obra foi a Igreja dos Santos Quarenta Mártires, mas foi necessário alugar um lugar a ela anexo. Todas as tardes cerca de duzentas pessoas ali se alimentavam, sem contar os atendimentos nas casas.

O Beato Giacomo Cusmano fazendo a coleta do Bocado do Pobre em Palermo Pe. Giácomo começou a contar com a ajuda de leigos e mais de vinte padres. Em 1868, Pe. Giácomo, aproveitando a viagem de Dom Ercole Tedeschi, enviou uma carta para o Papa Pio IX pedindo a autorização para apresentar ao governo um projeto para um asilo de pobres e aceitar a reabertura de casas religiosas fechadas. Pio IX em 05/08/1865 louvava e bendizia a obra, autorizando-o a pedir para o governo abrigo aos pobres e reabertura de casas religiosas fechadas. Em 08/12/1868 o Arcebispo Naselli instituiu canonicamente a obra sob o titulo de "Boccone del Povero", sendo que a solene inauguração deu-se em 10/01/1869. Proposta pelo Arcebispo Naselli, se fez depois inserir no livro de associação do Bocado uma estampa de Jesus em atitude amorosamente suave, de um lado acolhendo os pobres e, de outro, as ofertas dos ricos, feliz como se a ele mesmo fossem dadas.
Pe. Giácomo, por sua vez, se fez pobre entre os pobres, cedendo o seu próprio apartamento e indo morar em um cubículo; frequentemente ele também se improvisava como marceneiro, alfaiate, sapateiro, fazendo os mais humildes serviços. Em 1870 começou a decadência da obra: alguns padres se afastaram para assumir encargos eclesiásticos, o Arcebispo Naselli faleceu, muitos cooperadores abandonaram-no e até Vicenzina pensou em deixá-lo para ir viver num claustro. Dessa forma, por onze anos Pe. Giácomo ficou com apenas um leigo e com os padres Mammana e Datino. Tudo isso aconteceu para a ascese mística de sua alma. Em 03/04/1871, Pe. Giácomo foi nomeado membro do Conselho de Administração do Depósito de Mendicância de Palermo, mas, no ano seguinte, em 1872, Monsenhor Turano tornou-se Bispo de Agrigento e levou o Cusmano consigo.
Pe. Mammana logo escreveu ao Bispo pedindo a volta do Pe. Giácomo para que ele cuidasse das obras. Depois de dois meses ele retornou com um vasto programa em mente: pensava abrir escolas infantis, de instrução profissional de jovens e adultos, inclusive para surdos-mudos e cegos, colônias agrícolas, além de enfermarias para doentes e hospitais.
Em 1874 obteve o Convento e a Igreja de São Marcos, transferindo para lá os órfãos. Com as dificuldades Pe. Giácomo pensava em entregar a sua obra para que alguma Congregação a mantivesse; no entanto, por esse período, Pe. Giácomo teve um sonho misterioso no qual apareceu Nossa Senhora abençoando a obra e dando forças para ele prosseguir seu caminhar: sua obra era uma obra de Deus!
Assim, em 23/05/1880, Festa da Santíssima Trindade, receberam o hábito seis noviças, às quais Pe. Giácomo chamou de "Servas dos Pobres": Irmã Madalena Vicenzina Cusmano, Irmã Maria Madalena Cusmano, Irmã Maria Rosaria Caravello, Irmã Maria Naimo, Irmã Maria Poietra Naimo e Irmã Maria Sofia Winter.
Pe. Giácomo aceitou então a proposta do Senhor Barão de Niccolò Turrisi de obter a Quinta Casa no Melo que era antiga casa de retiros dos jesuítas. Em 1881, chegaram as Irmãs sob a direção do Pe. Salvatore Gambino; havia ali 52 pessoas.
Em 05/01/1882, acompanhado pela irmã e outras cinco religiosas, Pe. Giácomo chegou a Agrigento para cuidar de um orfanato, o qual se encontrava em uma situação horrível. Em 01/05/1882 as 30 órfãs da Quinta Casa ocuparam um novo edifício localizado em Terre Rosse, o qual seria um orfanato feminino. A 05/04/1883 ele partiu com mais oito irmãs para Valguarnera Caropepe, para uma nova fundação. No dia 06/04 celebrou na Igreja Matriz deste lugar a Missa e depois seguiu em procissão com Cristo Eucarístico até a nova casa. No Natal de 1883, cinco irmãs com a Madre Vicenzina tomaram a direção da casa de Monreale. Aos 10/07/1884 chegaram as irmãs em São Cataldo, acompanhadas pelo Pe. Gambino, onde passaram a cuidar do orfanato e do hospital.
Aos 04/10/1884, Pe. Giácomo entregou o hábito aos primeiros Irmãos Servos dos Pobres, para cuidarem dos órfãos e auxiliarem a obra. Em 1885, a cidade de Palermo foi vítima novamente do cólera e Pe. Giácomo não dormia bem, sempre preocupado com as casas da obra. Em 24/11, as carroças carregadas de madeiras e outros materiais de construção começaram a chegar a São Giuseppe Jato, na colônia agrícola da família do Pe. Giácomo. Tendo sido terminada a construção, em 1886 recebeu ali os primeiros pobres. Em janeiro de 1886, foi inaugurada a casa de Canicatti, onde as irmãs, entre elas Madre Vicenzina, foram recebidas acompanhadas pelo Pe. Boscarini.



Instituição dos Padres Missionários Servos dos Pobres 

Aos 21/11/1887, Festa da Apresentação de Nossa Senhora no Templo, na Igreja de São Marcos, a comunidade tão sonhada e desejada recebeu oficialmente a sanção canônica. Ali, Pe. Giácomo, com a presença do Exmo. Cardeal Arcebispo de Palermo Dom Miguel Ângelo Celesia, entregou aos primeiros Padres Missionários Servos dos Pobres o crucifixo.
Depois de ver que toda a sua obra alcançara êxito e que tudo provinha de Deus, Pe. Giácomo exclamou a 09/02/1888 que a sua missão estava terminada. Aos 17/02 começou a enfraquecer-se por febre e, a partir daí, foi só sofrimento e cada vez mais a sua doença ia aumentando. No dia 13/03, os médicos o examinaram e consideraram-no curado. Entretanto, às quatro horas da manhã do dia 14/03/1888 Pe. Giácomo veio a falecer santamente.
A piedade de Pe. Giácomo exprimiu-se na devoção à Santíssima Trindade, ao Sagrado Coração de Jesus, além da piedade  eucarística, da qual nasceu a ideia do Bocado do Pobre, e da piedade mariana, na qual chamava Maria Mãe da Misericórdia.
Entre suas virtudes poderíamos citar a caridade, a humildade e a mansidão. O Santo Padre Papa São João Paulo II beatificou, na Praça de São Pedro, no Vaticano, o Pe. Giácomo Cusmano, a 30/10/1983.
Os Servos dos Pobres encontram-se, atualmente, presentes na Itália, no Brasil, no México, na República Democrática do Congo, nas Filipinas e na Índia.




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