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sábado, 27 de dezembro de 2014

Beato Francisco Spoto, Presbítero e Mártir (Congregação dos Missionários Servos dos Pobres).


Francisco Spoto nasceu a 08 de Julho de 1924, em Raffadali (Itália). Os pais, Vincenzo Spoto e Vincenza Marzullo,  educaram-no para uma fé profunda e genuína e transmitiram-lhe um grande sentido do dever. A família, a escola e a paróquia foram os ambientes frequentados por Francisco: os seus educadores e os pais em primeiro lugar intuíram que naquele menino bom, consciencioso e sensível estavam amadurecendo os gérmens de vocação ao serviço de Deus e dos irmãos.
Com a idade de 12 anos, respondendo ao chamado de Deus, entrou no Seminário dos Missionários Servos dos Pobres (os Padre Boconistas) de Palermo, para seguir a estrada da “Caridade sem limites” traçada pelo Beato Giácomo Cusmano. Quando jovem sentiu o forte desejo de partir para as missões, mas soube aceitar a vontade de Deus que tinha para ele outros desígnios.
Desde o início mostrou possuir um carácter determinado: humilde, mas tenaz, com o sentido do dever e da responsabilidade muito acentuado. Exatamente por causa da sua determinação e tenacidade ganhou dois apelidos, respectivamente dos companheiros e dos superiores: "alemão" e "rocha", nomes que dão uma clara imagem do temperamento do jovem. Durante os anos de seminário nasceu nele a paixão pelos estudos, que se traduziu na sua breve vida, numa sólida preparação, claramente visível nos seus escritos, cartas e homilias. Cultura não finalizada a si mesma, mas colocada ao serviço do amor de Deus e dos irmãos.
No dia 01 de Novembro de 1940 Francisco emitiu a sua primeira profissão. Dotado de inteligência vivíssima, se empenhou apaixonadamente nos estudos que concluiu com ótimos resultados junto ao Seminário Arquidiocesano de Palermo. A 22 de julho de 1951, no Santuário de Nossa Senhora dos Remédios (Palermo), foi ordenado sacerdote pelo Cardeal Ernesto Ruffini. Imediatamente dedicou o seu ministério sacerdotal ao desenvolvimento das obras típicas da Congregação dos Servos dos Pobres. Destinado pelos superiores ao ensino, desempenhou ao mesmo tempo o ministério sacerdotal com zelo. No Capítulo de 1959 foi eleito Superior Geral com apenas 35 anos, com a devida dispensa da Santa Sé por causa da sua jovem idade. Consciente das novas responsabilidades com tenacidade renovada, determinação e sentido do dever ainda mais fortes, empenha-se com todas as forças a dar impulso e vitalidade à Congregação, colocando-se ao serviço de todos com ativa humildade e amorosa firmeza. A sua vida perfuma e vibra de oração, por ele considerada o centro da atividade quotidiana.
O seu modo concreto permitiu-lhe concluir a aprovação das Constituições da parte da Santa Sé, a nova Casa de estudos teológicos em Roma e, em 1961, a inauguração da missão de Biringi, na atual República Democrática do Congo (ex-Zaire). E, precisamente lá, na terra tão amada, Pe. Spoto transcorrerá os últimos meses da sua vida numa corrida toda orientada para a santidade e para o martírio.
Com efeito, no dia 04 de Agosto de 1964, partiu para Biringi a fim de confortar os irmãos, que se encontravam em notável dificuldade devido à situação política crítica e perigosa na ex-colônia belga que, após obter a independência em 1960, atravessava um período muito instável, com lutas assinaladas pela ideologia materialista e antirreligiosa, que se tornaram mais ferozes a partir de 1964 devido à perseguição de inúmeros religiosos e religiosas. Neste contexto, Padre Francisco partiu para o Congo, cheio de entusiasmo, embora consciente de que poderia perder a própria vida. No mês de Setembro, quando a situação em Biringi se fez mais difícil, decidiu deixar o cargo de Superior-Geral, comunicando a decisão numa carta dirigida ao Vigário-Geral: "Se permaneço aqui – confia ao Vigário-Geral –não é por teimosia ou desinteresse, mas somente por um elevado sentido do dever, só pelo interesse e amor da Congregação" (Carta ao Vigário-Geral, 20 de Setembro de 1964). Podendo escolher entre o retorno à Itália e a permanência na missão, não hesitou nem mesmo por um momento e quis permanecer na “catacumba verde” para condividir a paixão dos coirmãos. Um bom pai não abandona os próprios filhos na necessidade extrema.

O Beato Francisco Spoto (segundo, da esquerda para a direita)
e seus coirmãos missionários no Congo, perseguidos pelos
"Simba". Padre Spoto pediu a Deus que poupasse a vida
de seus irmãos em troca da sua vida... Sua prece foi ouvida. 
O mártir não procura a morte e faz de tudo para evitá-la, mas se deve passar por ela sem fugir – fruto das provocações do perseguidor – , então a aceita e oferece o sacrifício supremo de si, a suporta pacientemente por amor a Deus, como testemunho da própria fidelidade a Cristo. O fim que teve o Padre Francisco Spoto, sétimo sucessor do Beato Giácomo Cusmano, confirma tudo isso. De fato, ele não buscou a morte, mas estando diante de sua aterradora presença, a aceitou. Agiu com uma digna e cristã resignação por amor a Cristo, oferecendo a própria vida também em troca daquela dos seus três Coirmãos, como profeticamente havia confiado alguns dias antes: “O Senhor deverá contentar-se com três cálices cheios de amargura, mas apenas um de sangue”.
No início de Novembro, Padre Spoto e três irmãos de hábito foram obrigados a deixar a missão e a vagar sem rumo, escondendo-se e procurando fugir dos ferozes “Simba” (grupo de guerrilheiros anticristãos) que os seguiam para assassiná-los.
Nesta angustiante situação, Pe. Francisco afinou o sentido do sacrifício, aperfeiçoou a vontade de oferecer a vida para que os companheiros fossem salvos. Não obstante vivendo esta vida errante, repleta de sustos e medos, Pe. Francisco conseguiu escrever uma espécie de "diário".
No dia 03 de Dezembro os seus companheiros foram capturados. Embora tenha conseguido fugir, passou a noite a vaguear pelo bosque com os pés descalços, sedento, faminto, ensanguentado... Na manhã seguinte, encontrou os três companheiros livres, milagrosamente incólumes.
Na noite de 11 de Dezembro Pe. Francisco foi atacado por dois guerrilheiros e, devido às violentas pancadas, permaneceu paralisado. A partir daquela trágica noite até ao dia da sua morte ele foi transportado numa espécie de maca, ao prosseguirem a fuga para evitar nova captura. Pe. Francisco morreu a 27 de Dezembro de 1964, após ter recebido o sacramento da unção dos enfermos. Foi sepultado nas proximidades da cabana onde se refugiava. Foi, portanto, um verdadeiro martírio que lhe foi infligido in odium fidei pelos revolucionários ateus congoleses, que espreitavam a ele e aos outros religiosos da Missão de Biringi. Não obstante as dores atrozes, ele enfrentou os últimos dias do evento supremo com ânimo cristão, e nos confrontos com os algozes, várias vezes – mesmo que lacrimosamente, pois quase não podia falar – exprimiu o mais completo perdão.
Os seus irmãos de hábito salvaram-se e regressaram à Itália. Sepultado em Biringi, Enterrados em Biringi, os seus veneráveis despojos foram transladados para Palermo, na Itália, em 1984 e sepultados em 1987 na Paróquia “Coração Eucarístico de Jesus”, na via Corso Calatafimi, 327.
A oferta suprema do Bem-Aventurado não foi em vão e o seu sangue inocente irrigou os torrões daquele pedaço de terra da África, em cujo seio cresceram e desenvolveram frutos copiosos. De fato, depois da morte de Pe. Spoto, a Congregação dos Missionários Servos dos Pobres tem no Congo cerca de 50 religiosos em cinco comunidades. Verdadeiramente o sangue dos Mártires é semente de novos cristãos!
O Servo de Deus se consumiu como lenha seca no caminho, para iluminar a quem não era ainda iluminado por Cristo. Na sua vida terrena, terminada aos 40 anos, uniu a mansidão à fortaleza, a paciência à afabilidade, a coerência à compreensão, a cultura à simplicidade. Caminhou ao encontro da morte confiando-se ao mistério insondável e adorável da vontade de Deus, com o espírito da obediência filial de Jesus vivida até à morte de cruz (Fl 2,8).
Como a sua fama, com o passar dos anos crescia sempre mais, aos 16 de dezembro de 1992, em Palermo, deu-se início ao Processo diocesano de Beatificação.
Aprovada pela Santa Sé a validade jurídica dos Atos e redigida a Positio, em seguida aos votos favoráveis emitidos pelos Consultores teológicos e pelos Cardeais e Bispos, o Santo Padre Bento XVI autorizou em 26 de junho de 2006 a promulgação do Decreto referente ao martírio de Padre Francisco Spoto, que foi beatificado no dia 21 de Abril de 2007.


Oração:
Beato Francisco Spoto, nós rendemos graças ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo pelas maravilhas operadas em ti. Tu que realizaste o desígnio misterioso de Deus e te deixaste conduzir no caminho da caridade e do sacrifício total, derramando o teu sangue nas terras áridas da África, dá-nos uma fé ardente e operosa, conserva-nos no amor a Deus e aos irmãos, abre o nosso coração à esperança e faze que, enquanto confiamos as nossas necessidades à tua intercessão, possamos ser capazes de realizar o projeto que Deus tem para cada um de nós. Amém.


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