Páginas

terça-feira, 25 de novembro de 2014

São Rafael de São José (Kalinowski), Presbítero da Ordem Carmelita Descalça (OCD)

          
São Rafael Kalinowski: apóstolo do confessionário. 
Dedicava várias horas do dia a administração do 
Sacramento da Reconciliação.Era muito procurado
 por penitentes e peregrinos, vindos de várias 
localidades da Polônia, mesmo as mais longínquas. 
  São Rafael de São José (Kalinowski), presbítero. Foi o segundo frade carmelita descalço canonizado já que o primeiro foi São João da Cruz. 

          São Rafael de São José, Kalinowski, nasceu em Vilna, na Polônia, no dia 01 de setembro de 1835 e foi batizado com o nome de José, na igreja paroquial de São João, fundada pelos Padres Jesuítas, hoje transformada em museu da Universidade. Filho do casal André Kalinowski e Josefina Polonska, ambos nascidos em famílias nobres. Fez em casa seus primeiros estudos. Aos oito anos começou a estudar no Instituto para os Nobres, em Vilna, onde seu pai era professor e diretor.

O jovem Kalinowski pensava em cursar estudos superiores. Nesta época a Polônia estava dividida entre três potências militares: Áustria católica, Prússia protestante e Rússia Ortodoxa. A cidade de Vilna e arredores estavam sob o domínio russo. As universidades polacas e lituanas tinham sido fechadas. Os jovens polacos e lituanos só podiam estudar nas universidades russas de Petersburgo, Moscou e Kiev. O pai propõe a José e a um irmão que frequentassem a Academia de Agronomia de Hory-Horki, uma cidade situada próxima a Orsza, na região de Mohylev, na Bielorússia.

José não se sentia nem um pouco atraído para a agricultura. Ao final de dois anos, em 1852, foi para Petersburgo para estudar na Escola Superior de Pontes e Estradas, mas não encontrou vaga. Então, por necessidade, matriculou-se na Escola Militar de Engenharia.

Tendo terminado com êxito os cursos básicos, em 1855, foi admitido à Academia Militar Superior. Seus dotes morais e sua inteligência atraíram a atenção dos professores. Assim, Kalinowski recebeu a função de Assistente de matemática e de mecânica.

Por ocasião da guerra da Criméia (1835-1856) foi enviado à Ilha de Kronstadt, na baía da Finlândia, para construir, junto a outros estudantes, trincheiras para a defesa da ilha contra as operações de guerra dos ingleses. Em julho de 1856, foi promovido a Subtenente e transferido para a seção prática da Academia. Em julho de 1857 foi promovido como Tenente Engenheiro e permaneceu na Academia como professor permanente, colocando-se assim, ao serviço do Corpo de Engenheiros da Academia.

A vida militar não o agradava, mas a Providência Divina o conduzia por este caminho. No futuro, a arte militar lhe seria útil para ajudar a pátria. Mas não queria permanecer muito tempo naquele ambiente no qual, segundo escreve em uma de suas cartas, "ao buscar o espírito, encontrava a matéria".

Em 1859 deixou a Academia e foi transferido para o Comando de Engenheiros de Petersburgo. Porém, aí também não ficou satisfeito. Por sua própria conta iniciou o trabalho de projeção da ferrovia estratégica de Kursk-Kiev-Odesa.

Em 1860 foram suspensos os trabalhos da ferrovia, e Kalinowski, em outubro deste mesmo ano, foi designado, a seu próprio pedido, para a fortaleza de Brest Litowski, com a função de engenheiro superintendente da manutenção e fortificação.

Brest Litowski é célebre por alguns importantes eventos históricos. Aí se ratificou, em 1596, a União da Igreja Oriental de Kiev com a Igreja Romana. Em 1918 foi assinado o tratado de paz entre os Bolcheviques de Lênin, Alemanha e Áustria, mais tarde anulado.

Além dos trabalhos na fortaleza, dos deslocamentos ao Estado Maior de Petersburgo, Kalinowski abriu em 1861, na cidade de Brest, uma casa para abrigar jovens abandonados e fundou uma escola gratuita para eles. Em abril de 1862 foi promovido a Capitão do Estado Maior do exército russo. Eram tempos difíceis, dado que a juventude polaca de Varsóvia estava preparando a insurreição armada contra a Rússia.  
São Rafael quando era capitão do exército russo. 

Kalinowski, que conhecia perfeitamente o poder militar russo, desaconselhava a insurreição; mas, ao ver que os jovens compatriotas não queriam aceitar raciocínios prudentes, pediu baixa do exército russo para não se ver obrigado a lutar contra seu próprio povo. Em janeiro de 1863 explodiu a revolta. Kalinowski, tendo recebido a aceitação de sua renúncia, deixou Brest Litowski e retornou a sua casa em Vilna. Dirigiu-se a Varsóvia para receber o último soldo, quando se encontrou casualmente com o coronel José Galezowski, que lhe pediu para assumir o cargo de Ministro da Guerra na Lituânia. Kalinowski aconselhou-se com seu diretor espiritual e com pessoas de sua confiança e aceitou o posto que lhe fora oferecido.

Assim ele justifica os motivos de sua decisão: "O que ouvira não me entusiasmava a participar na insurreição: mas deveria fechar os olhos aos que haviam provocado o incêndio, e voltá-los, antes de qualquer coisa, para os que se atiravam a esse fogo trepidante, e isto foi decisivo".

Nos primeiros dias de junho de 1863, Kalinowski regressava a Vilna. Sem que seus familiares o soubessem, estabeleceu o quartel general em sua própria casa. Contudo, era perseguido sempre mais intensamente por uma necessidade de vida espiritual num tempo tão perigoso. Em cumprimento de seu dever como Ministro da Guerra, ajudava às famílias dos combatentes, fazendo o possível para lhes poupar do pior.

Kalinowski retornou às praticas da vida sacramental, graças à uma de suas irmãs, Maria, que, ao lhe oferecer uma cruzinha de ouro destinada a um primo, Jaime Gieysztor, condenado à deportação na Sibéria, suplicou a José que se confessasse. José não pôde resistir a um convite tão amável e se confessou. Era o dia 15 de agosto de 1863. A partir deste dia começou a viver uma vida de intensa espiritualidade.

Enquanto isso, os chefes da insurreição na Polônia e Lituânia caíam nas mãos dos russo e eram condenados à morte ou deportados para a Sibéria. Em Vilna, durante os meses de fevereiro e março, Kalinowski ficou só. Mas também foi levado na madrugada de 24 para 25 de março de 1864. Foi processado e condenado ao fuzilamento. A intervenção da família e outros motivos, entre os quais se encontrava a grande estima moral de que ainda gozava entre os russos, induziram o governador de Vilna, Murawiew, a comutar-lhe a pena de morte. Foi mandado para o exílio e trabalhos forçados na Sibéria por dez anos.

Ao final de nove meses de caminhada num percurso de 8.000 km, os sobreviventes, entre os quais se encontrava Kalinowski, chegaram a Usolé, perto do lago de Bajkal. Usolé era uma aldeia construída às margens do rio Angara; os sobreviventes foram amontoados num único salão do quartel local. É impossível se ter uma mínima ideia dos sofrimentos enfrentados pelos deportados, expostos durante o inverno ao frio siberiano, que oscilava entre 30 e 45 graus abaixo de zero, às tempestades de neve e às enfermidades. Kalinowski a tudo suportou resignadamente, fortalecido pela oração e uma profunda vida interior. Também pôde consolar, ajudar e animar a seus desventurados companheiros. Por isso era muito querido. Tinham-no por santo. O padre Nowakowski, capuchinho e companheiro de exílio, testemunha que os prisioneiros chegavam a acrescentar às suas orações a seguinte invocação: "Pelas orações de José Kalinowski, liberta-nos, Senhor!"

Em agosto de 1868, o governo russo trocou a pena de trabalhos forçados para um simples desterro em Irkutsk, onde permaneceu até 1872, ano em que recebeu licença para estabelecer-se em Perm, próximo aos Montes Urais, de onde podia ir abraçar seus familiares durante as férias.

A repatriação definitiva ocorreu em 1874. Mas o decreto de anistia lhe proibia estabelecer-se na Lituânia. Foi então para a casa de seu irmão Gabriel, em Varsóvia, localizada à Rua Krakowskie Przedmiescie, próxima à igreja dos Carmelitas Descalços.

Na Sibéria, Kalinowski adquirira fama de excelente educador. Por influência de Alexandre Oskierka, um de seus amigos durante o exílio ofereceu-lhe o cargo de preceptor e educador do príncipe Augusto Czartoryski, que residia em Paris, no "Hotel Lambert". O príncipe Ladislau Czartoryski queria para seu filho não apenas um mestre, mas um guia, um amigo, alguém que representasse toda a cultura histórica e religiosa da Polônia e que estivesse em condições de formar o jovem, ligado, da parte de sua mãe Maria do Amparo, à família real espanhola, então no exílio.

O "Hotel Lambert" era uma residência para príncipes, localizada no centro de Paris, na ilha de Saint Louis. A mãe de Augusto morrera muito jovem e o príncipe Ladislau se casara com uma sobrinha do rei Luís Felipe, a princesa Margarida de Orleans, que era a "dona da casa" quando chegou Kalinowski.

Na residência parisiense do Hotel Lambert, Kalinowski logo descobriu a riqueza interior de Augusto, sua vocação sacerdotal. Durante três anos se dedicou a ele integralmente, com um carinho sempre crescente. Nas contínuas viagens que Augusto precisava fazer, à procura de locais de clima mais suave, devido à sua frágil saúde, Kalinowski sempre o acompanhava. Transformou-se assim em verdadeiro pai, amigo, mestre, companheiro, diretor espiritual e enfermeiro.

Kalinowski entendeu que Augusto precisava de um educador sacerdote, enquanto ia, ele mesmo, descobrindo sua vocação ao Carmelo. Augusto, efetivamente, tornou-se sacerdote salesiano e morreu em odor de santidade. Atualmente é Venerável Servo de Deus e só lhe falta um milagre para sua beatificação. No dia 5 de julho de 1877, Kalinowski deixou a família Czartoryski e se mudou para a Áustria.

Os Carmelitas Descalços fundaram o primeiro convento em Cracóvia no ano de 1605. Antes da divisão da Polônia contavam com 17 conventos e 291 religiosos, 7 mosteiros e 116 monjas. Depois da divisão, no transcurso de um século foram-se suprimindo todos os conventos de padres, exceto o de Czerna, e todos os mosteiros, entre os quais apenas um se salvou, o de Cracóvia, à Rua Kopernika. Neste mosteiro, em 1875, viviam 26 monjas, provindas dos vários mosteiros supressos. Neste mesmo ano a Madre Xaviera de Jesus Czartoryska fundou em Cracóvia o segundo mosteiro, à Rua Lobzowska, e com suas religiosas, tudo fez para restaurar o ramo masculino da Província. No entanto, o problema mais agudo de seu projeto era a falta de homens candidatos a tal empresa.

Eis que aparece no horizonte a figura de José Kalinowski. Madre Czartoryska viu nele o homem providencial e apto para uma obra grandiosa. Conhecia-o bem, pois sabia muito a seu respeito através de sua família em Paris, já que ela era tia de Augusto. Kalinowski não se sentia apto para empreender a restauração do Carmelo na Polônia, mas decidiu ingressar na Ordem para fazer penitência e orar por sua pátria e pela Igreja. A Providência Divina, sem dúvida, atuou de tal forma em sua vida religiosa e sacerdotal, que Kalinowski se tornou o verdadeiro restaurador da província polaca.

No dia 26 de novembro de 1877, Kalinowski ingressou no noviciado da Ordem dos Carmelitas Descalços, em Graz, na Áustria, recebendo o hábito carmelitano e adotando o nome de Frei Rafael de São José. O Mestre de noviços foi muito exigente, mas Kalinowski, acostumado à vida dura da Sibéria, suportou todo o rigor da vida religiosa.

Concluído um noviciado exemplar, emitiu seus votos temporários e foi enviado a Raab (Gyor), na Hungria, para iniciar seus estudos de filosofia e teologia. Aí emitiu seus votos solenes no dia 27 de novembro de 1881. Foi mandado para Czerna, onde foi ordenado sacerdote no dia 1882, pelo bispo Dom Albino Dunajewski, futuro cardeal e amigo do Frei Rafael. Após sua ordenação, foi nomeado Vice Mestre dos noviços, e já em 1883, era Prior.


São Rafael Kalinowski era diretor espiritual e grande amigo de Santo Alberto
Chmielowski, franciscano secular, famoso por suas obras de caridade para
com os pobres.


Frei Rafael se propôs a trabalhar pela restauração da vida religiosa em Czerna através de novas fundações, de Monjas, em Premislia (1884), Leópolis (1888) e dos Padres em Wadowice (1892) e Cracóvia (1906).

Em 1892 foi com alguns padres para Wadowice como superior da nova fundação. Rapidamente construíram uma bela igreja e um grande convento sob a proteção de São José. As vocações começaram a surgir.


Uma das raríssimas foto de São Rafael.
Mostra o santo confessando.


Em Wadowice, Frei Rafael "viveu os anos mais belos de sua vida, dedicado à direção dos trabalhos, sobretudo à educação dos jovens candidatos à vida religiosa, à direção espiritual de numerosíssimas almas que procuravam sua direção espiritual (seu confessionário em Wadowice, como em Czerna, era assediado até as primeiras horas da madrugada).". Organizou a Ordem Carmelita Secular e a Irmandade do Escapulário. Em meio a esta intensa atividade apostólica encontrou tempo para investigações históricas e teológicas com as quais pudesse reforçar as bases históricas e teológicas da restauração da Ordem e a renovação espiritual do Povo de Deus.

São Rafael tinha um grande sonho: morrer no dia 02 de novembro, dia de Finados, por causa de sua devoção às almas do Purgatório. Isso não ocorreu. Em compensação, morreu em Wadowice, no dia 15 de novembro de 1907, exatamente no dia da comemoração de todos os fiéis falecidos do Carmelo. Todos estavam convencidos de que morrera um santo. Dele alguém disse: "tinha todas as virtudes dos anjos e nenhum defeito dos humanos". Esta fama de santidade se espalhou imediatamente, conforme afirmou uma testemunha ocular, frei Bronislau da Santíssima Trindade, Carmelita Descalço:

"Os habitantes da cidadezinha de Wadowice e das aldeias circunvizinhas visitaram espontaneamente e em grande número os despojos mortais; rezavam, tocavam o corpo do Servo de Deus com pequenas imagens, devocionários e rosários. [...] Os religiosos, de sua parte, pegavam às escondidas da cela do Servo de Deus pequenos objetos, como relíquias de quem morrera em odor de santidade. Eu mesmo peguei uma espécie de venda, que havia usado durante sua enfermidade. Dela emanava um estranho aroma balsâmico. Não querendo acreditar neste aroma, pensei que ele talvez usasse alguma pomada perfumada quando o vendavam. Fui ao coro monástico, onde o Servo de Deus celebrava a Missa, depois de sua primeira enfermidade; ali encontrei o amito, o corporal e o sanguíneo que ele usava para celebrar a Santa Missa, e percebi uma coisa estranha. O mesmo idêntico aroma balsâmico emanava dos panos sagrados, do cálice e do amito, como eu percebera na venda. Muito respeitosamente, fiz um pacote com estes objetos e o entreguei às Monjas Carmelitas da Rua Wesola, em Cracóvia, para que o conservassem".

São Rafael era um homem de profunda 
vida interior e oração. Muitos o chamavam 
com o apelido de "oração vivente".
 Era devotíssimo da Virgem Maria. 

Foi sobretudo um homem de Deus, solícito em estar em contínua comunhão com Ele. Seus contemporâneos são unânimes em definí-lo como "oração vivente". Continuamente recordava a seus religiosos: "Nosso principal afazer no Carmelo é o conversar com Deus em todas as nossas ações". A oração, alimentada e sustentada pela austeridade, pelo silêncio e pelo recolhimento, foram o cimento de toda sua vida espiritual. Procurava viver em profunda intimidade com a Virgem Maria e isto recomendava a seus frades e monjas. Venerava-a e a amava como "Mãe e Fundadora" da Ordem, empenhando-se em tê-la sempre presente no espírito e se esforçava para trabalhar por sua glória. Dizia: “Para os religiosos e monjas carmelitas, o ato de honrar a Virgem Santíssima é de capital importância. Nós a amamos verdadeiramente quando nos esforçamos em imitar suas virtudes, especialmente sua humildade e seu recolhimento na oração... Nosso olhar deve estar constantemente fixado nela, e a ela devem se orientar todos os nossos afetos, conservando sempre a lembrança de seus benefícios e esforçando-nos em lhe ser sempre fiéis". Escreveu vários livros sobre Maria e outros temas carmelitanos. Foi confessor famoso. Para este apostolado escolheu o lema de São Paulo: "Caridade, alegria e paz" (Gl 5,22).


São Rafael oferecia a Deus os méritos de todas as suas 
orações e ações pela reconciliação e união entre as Igrejas 
Católica Romana e Ortodoxa Russa. 


O beato João Paulo II (em breve também santo) o beatificou na Polônia, no dia 22 de junho de 1983. Foi canonizado no dia 17 de novembro de 1991 pelo mesmo papa. Vale lembrar que em Wadowice, cidade onde faleceu São Rafael de São José, nasceu, em 1920, o beato João Paulo II que, pelo afeto que nutria pelos Carmelitas e por sua veneração aos restos de São Rafael Kalinowski, por duas vezes tentou ser religioso carmelita.

São Rafael de São José, rogai por nós! 

(Fonte para consulta: site do Carmelo Nossa Senhora Aparecida)

SANTA MARIA GUADALUPE GARCIA ZAVALA, Virgem e Fundadora


Santa Maria Guadalupe
Garcia Zavala
Maria Guadalupe Garcia Zavala nasceu em 27 de abril de 1878 em Zapopan, Jalisco, México. Foram seus pais Fortino Garcia Zavala e Refugio de Garcia. Quando criança, ela era conhecida pela sua piedade e fez visitas frequentes à Basílica de Nossa Senhora de Zapopan, que se encontrava ao lado da loja de artigos religiosos dirigida por seu pai. Seu amor por Deus foi particularmente demonstrado em seu amor pelos pobres.

Não” ao matrimónio, “sim” a Jesus
Com transparência e simplicidade fora do comum, Maria tratava a todos com igual amor e respeito. Ainda jovem planeou casar-se com Gustavo Arreola, mas de repente rompeu seu noivado quando tinha 23 anos. O motivo: Maria “ouviu” que Jesus a chamava a amá-Lo sem partilha, de maneira exclusiva, convidando-a à vida religiosa, e ela acreditou plenamente nesta chamada, entregando-se plenamente na assistência aos pobres e doentes.

Fundadora das “Servas”
Maria quando confidenciou a seu diretor espiritual, Pe. Cipriano Iñiguez, a sua “súbita mudança de coração”, ele disse-lhe que durante algum tempo ele tivera a intenção de fundar uma congregação religiosa que prestasse assistência aos hospitalizados, e convidou Maria para acompanhá-lo nesta fundação. A nova Congregação, que começou oficialmente em 13 de Outubro de 1901, era conhecida como a das “Servas de Santa Margarida Maria (Alacoque) para os Pobres”.


Pobre com os pobres”
Maria trabalhava como enfermeira, dando assistência para os primeiros pacientes que foram recebidos no “seu hospital”. Independentemente da pobreza e da falta de bens materiais dos pacientes, a compaixão e o cuidado com o bem-estar físico e espiritual dos doentes foram as principais preocupações, e Maria entregou-se de todo o seu coração para levar a cabo esta tarefa de amor.

Irmã Maria foi nomeada Superiora Geral da Congregação rapidamente crescente, e ensinou as Irmãs que lhe foram confiadas, principalmente por meio de seu exemplo, a importância de viver uma verdadeira pobreza interior a exterior com alegria. Ela estava convencida que era apenas amando e vivendo a pobreza que se pode ser verdadeiramente “pobres com os pobres”. De facto, Madre Maria era conhecida pela sua humildade, simplicidade e vontade de aceitar tudo o que vem das mãos de Deus.
Em tempos de “grandes dificuldades”, Madre Maria pediu autorização ao seu diretor espiritual para ir pedir esmola a fim de recolher dinheiro para o hospital. Juntamente com outras irmãs foi pedir esmolas até que as necessidades do hospital e os pacientes foram atendidos: ela não pedia mais do que o necessário ao bem de todos. As Irmãs trabalhavam igualmente nas paróquias, onde elas ajudavam os sacerdotes ensinando o Catecismo.

Arriscando a vida para ajudar aqueles escondendo
De 1911 até 1936, a situação político-religiosa no México tornou-se inquietante e a Igreja Católica sofreu perseguição. Madre Maria colocou a sua própria vida em risco para ajudar os sacerdotes e o Arcebispo de Guadalajara “escondendo-os” no hospital. Ela não se limitou simplesmente à sua caridade para ajudar os “justos”, mas também deu alimentos e cuidado aos perseguidores, que viviam perto do hospital, e não demorou muito para estes, também, começassem a defender os doentes no hospital dirigido pelas Irmãs.

Os dois últimos anos de vida da Madre Maria foram vividos em extremo sofrimento por causa de uma doença grave, e em 24 de Junho de 1963, ela morreu em fama de santidade com a idade de 85 anos. Durante a vida da fundadora, 11 fundações foram criadas na República do México. Hoje, a Congregação conta com 22 bases e está presente em cinco países diferentes: México, Peru, Islândia, Grécia e Itália.

SANTO JOÃO ANTÔNIO FARINA, Bispo e Fundador (canonizado no dia 23/11/2014)


São João Antônio Farina,
Bispo e Fundador
Sacerdote de extraordinária espiritualidade e de grande generosidade apostólica, João Antônio Farina pode ser considerado um dos mais insignes Bispos dos anos Oitocentos. Foi o Fundador das Irmãs Mestras de Santa Dorotéia Filhas dos Sagrados Corações, que trabalham atualmente em várias partes do mundo com atividades educacionais, assistenciais e pastorais.

Nascido em Gambellara (Província de Vicenza) em 11 de maio de 1803, filho de Pedro e de Francisca Bellame, João Antônio Farina recebeu a primeira formação das mãos de seu tio paterno, um santo sacerdote que foi para ele verdadeiro mestre de espírito e também seu preceptor, uma vez que, naquela época, não havia escolas públicas nas pequenas localidades. Aos quinze anos, entrou para o Seminário Diocesano de Vicenza, onde frequentou todos os cursos, distinguindo-se pela bondade de alma e por uma particular aptidão para os estudos. Aos 21 anos, enquanto ainda frequentava a Teologia, foi designado professor no Seminário, revelando excepcionais dotes de educador.

Em 14 de janeiro de 1827, foi ordenado sacerdote e, logo em seguida, conseguiu o diploma de habilitação para o ensino nas escolas elementares. Nos primeiros anos, de ministério, exerceu várias funções: o magistério no Seminário por dezoito anos, a capelania de São Pedro em Vicenza por dez anos e a participação em várias instituições culturais, espirituais e caritativas da cidade, entre as quais a direção da escola pública elementar e do liceu.
 
Em 1831, deu início, em Vicenza, a primeira escola popular feminina e, em 1836, fundou as Irmãs Mestras de Santa Dorotéia Filhas dos Sagrados Corações, um instituto de «mestras de comprovada vocação, consagradas ao Senhor e dedicadas inteiramente à educação das meninas pobres». Logo ele quis que as suas religiosas se dedicassem também às meninas de famílias abastadas, às surdas-mudas e às cegas. Enviou-as em seguida para a assistência aos doentes e aos idosos nos hospitais, asilos e nos domicílios Em 1° de março de 1839, conseguiu do Papa Gregório XVI o Decreto de Louvor. As Regras que elaborou permaneceram em vigor até 1905, quando o Instituto foi aprovado pelo Papa Pio X, que fora ordenado Sacerdote pelo próprio Bispo Dom Farina.

Em 1850, foi eleito Bispo de Treviso, tendo recebido a consagração episcopal em 19 de janeiro de 185l. Nesta Diocese, desenvolveu uma multiforme atividade apostólica: iniciou imediatamente a visita pastoral e organizou em todas as paróquias, associações para a ajuda material e espiritual aos indigentes, o que lhe mereceu ser chamado de «o Bispo dos pobres». Incrementou a prática dos exercícios espirituais e a assistência aos sacerdotes pobres e enfermos. Cuidou da formação doutrinal e cultural do clero e dos fieis, da instrução e da catequese da juventude. Todo o decênio de seu episcopado em Treviso foi perturbado por questões jurídicas com o Cabido da Catedral, questões que lhe causaram profundo sofrimento e interferiram na concretização do seu programa pastoral, ficando muitas iniciativas, a ponto de impedir a celebração do Sínodo diocesano.

Uma das raras fotos do santo bispo. 
Em 18 de junho de 1860, foi transferido para a sede episcopal de Vicenza, onde pôs em marcha um vasto programa de renovação e desenvolveu uma impressionante obra pastoral, orientada para a formação cultural e espiritual do clero e dos fiéis, para a catequese das crianças, para a reforma dos estudos e da disciplina no Seminário. Convocou o Sínodo diocesano, que não se celebrava desde 1689. Na visita pastoral, percorreu algumas vezes vários, quilômetros a pé ou em lombo de mula, para alcançar até mesmo lugarejos de montanha que jamais tinham visto um Bispo. Instituiu numerosas irmandades para a assistência aos pobres e aos sacerdotes idosos e para a pregação de exercícios espirituais ao povo. Incrementou uma profunda devoção ao Sagrado Coração de Jesus, a Nossa Senhora e à Eucaristia. Entre dezembro de 1869 e junho de 1870, participou do Concilio Vaticano I, onde esteve entre os que apoiavam a definição dogmática da Infalibilidade Pontifícia.

Os últimos anos de sua vida foram assinalados por abertos reconhecimentos de sua atividade apostólica e de sua caridade, mas também por agudos sofrimentos e por injustas acusações diante das quais reagiu com o silêncio, com a tranquilidade interior e o perdão, com a fidelidade à própria consciência e à regra suprema da «salvação das almas». Depois de uma primeira grave enfermidade em 1886, suas forças físicas se debilitaram gradativamente, até ao ataque de apoplexia que o levou à morte, em 4 de março de 1888.


A sua mensagem de santidade

João António Farina foi um pastor zeloso, que não soube o que fosse mediocridade e que caminhou constantemente rumo aos píncaros da santidade. Era sustentado por extraordinário zelo sacerdotal na educação da juventude, na animação da vida cristã e no empenho pela formação de sacerdotes misericordiosos e perseverantes na oração, conforme ele mesmo testemunhava com a própria vida.

A virtude que mais chama a atenção nele é a caridade heroica, tanto que foi definido como «o homem da caridade». Os pobres, os infelizes, os abandonados, os sofredores de toda espécie foram o objeto de sua ternura e de seus cuidados. Já Bispo, ofereceu-se como voluntário para prestar assistência espiritual e corporal aos doentes do hospital, motivando com o seu exemplo os seus sacerdotes a fazerem o mesmo. Sua caridade era uma caridade inteligente, clarividente. Como verdadeiro educador, compreendeu o papel da escola na reforma da sociedade, a necessidade de cooperação entre escola e família, e a importância da preparação do pessoal docente. Concebeu a educação como algo orientado para a formação integral da pessoa humana, para a vivência religiosa, e para a caridade fraterna. Seu lema era este: «A verdadeira ciência consiste na educação do coração, isto é, no prático temor de Deus».

Uma das raras fotos do santo, da qual se fez a pintura de
seu painel de beatificação e canonização. 


Após a morte, sua fama de santidade começou a difundir-se nos ambientes eclesiásticos e civis. E desde 1897, começou-se a recorrer à sua intercessão em busca de graças e favores celestes. Em 1978, uma freira equatoriana, Irmã lnês Torres Cordova. Afetada por grave tumor com metástase difusa, curou-se milagrosamente, após ter invocado o santo fundador juntamente com suas coirmãs.


Este Bispo da caridade, que viveu em uma situação histórica difícil para a Igreja italiana do século XIX, tem um autêntico valor de atualidade e possui ainda hoje, a fecundidade espiritual das pessoas de proa na Igreja e para a Igreja do terceiro milênio.

Beata Beatriz de Ornacieu, Virgem da Ordem Cartuxa


Beata Beatriz de Ornacieu,
rogai por nós! 
Beatriz nasceu no seio da nobre e antiga família dos Ornacieux, no solar feudal dos mesmos, nos confins do Delfinado e Saboia, na última metade do século XIII.
O Senhor concedeu-lhe um coração e um espirito cheio de docilidade e doçura que, conjugado com a sua esmerada educação cristã, a levou ao desprezo pelos bens materiais deste mundo, para alcançar mais elevadas pretensões. Assim, apenas com 13 anos, abandona os luxos próprios de seu “status” social, pelo hábito de lã das filhas de São Bruno, as monjas Cartuxas, na então recém-fundada Cartuxa do Monte de Santa Maria, na Parmênia (França).
Sua edificante e maravilhosa vida nos deixou escrita a Beata Margarida de Oyngt, sua mestre de noviças, guardando-se em Grenoble, proveniente da Grande-Chartreuse, o manuscrito original.
Humílima de coração, a Beata Beatriz era muito caritativa e sofrida, procurando em tudo servir as necessidades das irmãs. De grande obediência, foi sempre perseverante na oração.

Admitidas na profissão solene, e logo à consagração das virgens, recebeu, de acordo com antigo cerimonial Cartuxo que ainda hoje existe, a cruz, o manípulo e a estola, símbolos de sua vida de penitência, sua força invencível frente aos ataques do Demónio, sua submissão à vontade do Senhor, e abandono completo às mãos da Providência Divina.
Devido à sua grande e fervorosíssima devoção à Sagrada Paixão e Morte do Senhor, a bem aventurada foi agraciada com dom de trazer consigo estigmas, que traziam-lhe indizíveis sofrimentos, físicos e morais, devido ao imenso sentimento de indignidade que a invadia. 
No ano de 1300 foi obrigada por obediência em aceitar a nova fundação Cartuxa feminina de Eymeux, aonde veio a falecer santamente, em 25 de novembro de 1303.
Ali sepultada, vieram os relatos de vários milagres ocorridos por sua intercessão, o que veio a difundir a sua devoção entre os fiéis. Seu corpo acabou por ser transladado para a Cartuxa de Parmênia, onde recebeu honrosa sepultura, e estendendo-se a sua veneração a todo o pais, e especialmente à Ordem.
Como a Ordem da Cartuxa, na sua humildade, não toma a iniciativa de abrir processos de beatificação ou canonização, o Papa Pio IX, em 1869, decretou que a Serva de Deus, Beatriz de Ornacieux, monja Cartuxa, Virgem, devia continuar a ter o culto que os povos lhe tributavam com o título de Beata, desde tempos imemoriais.
Beata Beatriz, Ora Pro Nobis!

Stat Cruz Dum Volvitur Orbis!

SÃO ROQUE, Peregrino e Confessor da Fé (Patrono contra a Peste)




     São Roque, modelo de renúncia e abnegação
  Muitos santos medievais, pertencentes.à nobreza, renunciam inteiramente a sua condição social - e este é bem o caso de São Roque - para praticarem a perfeição da virtude cristã no despojamento completo dos bens deste mundo. E isto o Santo realizou como peregrino, que faz lembrar o Bom Samaritano, socorrendo as vítimas da peste negra (1) que então grassava em várias regiões da Itália e também da França, sua terra natal.


   Conjuntura histórica
   Pode-se dizer que, à época de São Roque (1295-1327), o mundo cristão vivia uma situação duplamente pestilencial: no sentido espiritual, e também no material.Pesava sobre a Igreja Católica a luta entre o Papado, o Império e o Reino da França. As divisões daí decorrentes influenciaram o Sacro Colégio dos Caldeais. Em conseqüência, os Papas deixaram a Cidade Eterna e se estabeleceram em Avinhão (sudeste da França, próximo de Montpellier, cidade natal de São Roque).Em 1304, morria o bem-aventurado Bento XI, e no ano seguinte, num conclave trabalhoso foi eleito na França, como Papa, o Arcebispo de Bordéus, Dom Bertrand de Got, com o nome de Clemente V (1305 a 1314). O novo Papa estabeleceu-se em Avinhão, onde levantou palácios, corte e fortalezas. Durante 70 anos os Papas ali residiram.Entre os católicos, as heresias faziam suas vítimas, afastando o povo da verdadeira doutrina de Nosso Senhor Jesus Cristo: valdenses, cátaros e albigenses, patarinos, os beguardos (2).E, para acréscimo de sofrimento, a peste negra afugentava as populações das cidades e dizimava com morte dolorosa.


         Síntese biográfica
    São Roque nasceu em 1295 no sudeste da França, em Montpellier, cidade rica de história religiosa, cultural e artística. Sua família, profundamente católica, pertencia à nobreza e fazia parte do governo da cidade. O pai chamava-se João Rog (de onde vem o nome Roque) e a mãe, Líbera. O Santo, com toda certeza, cursou as escolas de sua cidade, especialmente a célebre Faculdade de Medicina. E este estudo não foi inútil para seu futuro aposto lado entre os doentes e empestados, em favor dos quais operou incontáveis milagres.
     Ele ficou órfão ainda jovem, e quando atingiu os 20 anos de idade, devia assumir a direção do palácio familiar e a administração de vastas terras. Lembrou-se da passagem do Evangelho sobre o moço rico, e do apelo que fizera Nosso Senhor quando lhe respondeu como deveria fazer para ser perfeito. Então, Rogue renunciou à sua nobreza e distribuiu aos pobres o seu rico patrimônio. Saiu ocultamente de sua cidade, dirigindo-se, como peregrino, a Roma, onde haveria de permanecer três anos, e à Terra Santa, em peregrinação penitencial.Seu percurso, entretanto, foi enormemente tumultuado, pois teve de interrompê-lo repetidas vezes para socorrer os acometidos pela peste negra em torno de Roma e em diversas localidades da Província da Romanha (Cesena, Rimini e Forli). Na própria Cidade Eterna, quando ali chegou, São Roque encontrou o povo da cidade sobressaltado por causa da peste, que ali grassava.

    Ao passar por Piacenza cuidando dos enfermos, também ele contraiu a peste negra. Para não molestar ninguém e poder tratar-se por si próprio, retirou-se para um bosque, habitando uma cabana situada à beira de uma nascente. Curado milagrosamente por um anjo, passou a ser alimentado por um cachorro que todos os dias lhe trazia um pedaço de pão.Assim, durante oito anos, a Itália tomar-se-á sua pátria de adoção, como santo protetor contra as epidemias. Ele chegou à sua cidade natal em trajes de peregrino, sem revelar sua identidade, e foi tomado por vagabundo e espião, pois Montpellier vivia momentos de grande agitação política.

     Por ordem do próprio tio, Bartolomeu Rog, foi encarcerado, sofrendo durante cinco anos os vexames da prisão, sua solidão e incômodos. E morreu no cárcere, no dia 16 de agosto de 1327, com 32 anos de idade. Só então é que se soube quem era ele, pois deixara sob sua cabeça uma tabuinha com o seu nome escrito.A notícia despertou entre os habitantes da cidade uma emoção profunda. Clero, nobreza e povo, também das cidades vizinhas, acorreram para venerar seus despojos expostos à visitação pública, primeiro no palácio da família, e depois na igreja de Nossa Senhora des Tables.
     Para reparar a injustiça, seu tio Bartolomeu mandou erigir, na cidade vizinha de Miguelone, artístico mausoléu em forma de capela. E o povo proclamou-o Santo Padroeiro contra epidemias e doenças graves.Em 1485, a maior parte de suas veneráveis relíquias foram transferidas para Veneza, onde a Irmandade, instituída sob seu patrocínio, construir-lhe-ia a mais célebre igreja. A Sereníssima República, rainha dos mares, haveria de ser o foco de irradiação da devoção e de seu culto para o mundo inteiro.

      Conforme à tradição, após a morte de Gregório XI, em 1378, um Papa e dois antipapas disputavam a Cátedra de São Pedro: o Cardeal Pedro de Luna (Bento XII), Baltasar Cossa (João XXIII) e o Papa verdadeiro, Cardeal Ângelo Corai, que tomou o nome de Gregório XII. Era o cisma instalado uma vez mais na Igreja!Para dirimir a questão, reuniu-se um Concílio na cidade suíça de Constança, de 1414 a 1418. Cardeais, Arcebispos,Bispos, Teólogos, doutores, chefes de Estado e o próprio Imperador, entretanto, foram acometidos pela peste negra. Foi proposto que se fizesse uma procissão penitencial, invocando a proteção de São Roque.Assim foi feito, e antes de terminado aquele ato público de penitência, obteve-se a erradicação da peste pela gloriosa intercessão do Santo.


       A devoção a São Roque no Brasil
     Em nosso País, o maior número de paróquias dedicadas a São Roque localiza-se nos Estados onde os imigrantes italianos tiveram bastante influência para a escolha do patrono das cidades. Na cidade paulista de São Roque, existe a igreja mais antiga do Brasil em sua honra: foi fundada em 1733. Existem em todo o País 33 paróquias consagradas ao padroeiro contra peste: 12 no Estado de São Paulo, sete no Rio Grande do Sul, cinco no Paraná, três em Santa Catarina, duas na Bahia, duas em Minas Gerais e uma nos Estados de Mato Grosso, Rio de Janeiro e Espírito Santo. A mais nova cidade dedicada ao Santo é São Roque de Minas.
     Em muitas partes é costume, no dia da festa que transcorre a 16 de agosto, dar-se a bênção aos animais domésticos e de criação. E também, doa-se cabeças de gado para um leilão, a fim de obter proteção e saúde para o rebanho; doa-se ainda galos velhos à festa, são os "galos de São Roque". Há devotos que vestem manto de peregrino para acompanhar a procissão, como ato de penitência.
Vestem-se as crianças de Anjo, para lembrar os contínuos colóquios de São Roque com os protetores celestiais, que lhe indicavam o modo de curar os doentes. No dia da festa, benze-se também sal para ser dado aos animais, a fim de que São Roque os proteja contra doenças e pestes.

Notas
1. A peste negra, ou peste bubônica, é causada por um bacilo descoberto em 1894 por Alexandre Yersin, microbiologista francês de origem suíça. Ficou célebre pela devastação que produziu na Itália ao longo do século XIV, onde ela chegou a reincidir cinco vezes, ceifando 10 milhões de vidas! Sobretudo a cidade de Veneza esteve particularmente exposta ao contágio, em razão do grande intercâmbio comercial com o Oriente, de onde veio a moléstia.
2. Os "Beguardos" pretendiam a perfeição cristã nas forças espontâneas da natureza. Seriam os "ecologistas" da época, que faziam do respeito à natureza um dever e uma religião. Os cátaros e os albigenses negavam praticamente todos os pontos da doutrina católica.
FONTE DE REFERÊNCIAPe. Júlio J. Brustoloni, C.SS.R. Vida de São Roque: peregrino de Deus e herói da caridade, Editora Santuário, Aparecida (SP). 1992.

terça-feira, 18 de novembro de 2014

SÃO LEOPOLDO MANDIC´, Presbítero Capuchinho (Apóstolo e Patrono do Sacramento da Confissão).


São Leopoldo Mandic: Apóstolo do confessionário

Era o dia 14 de maio de 1944. A Europa estava em plena guerra e a Itália, aliada da Alemanha, sofria as consequências do seu envolvimento no conflito. Pádua tinha sido escolhida como alvo da aviação inimiga. As bombas choviam, devastando a cidade. A igreja dos capuchinhos foi duramente atingida, bem como grande parte do convento.
Cessada a tempestade, quando a fumaça se dissipou, o trágico alcance da destruição apareceu aos olhos de todos. Algo, porém, chamava enormemente a atenção: uma pequena parcela daquele mosteiro permanecia intacta no meio das ruínas. A fúria demolidora do bombardeio respeitara de modo miraculoso apenas um aposento e uma imagem de Nossa Senhora das Graças.
Doze anos antes – em 23 de março de 1932 –, um frade desse mesmo mosteiro, chamado frei Leopoldo, predissera que a Itália seria envolvida num mar de fogo e sangue. Iniciada a guerra, perguntaram- lhe se Pádua seria bombardeada. Sua resposta foi clara: “Será, e duramente. Também o convento e a igreja serão atingidos, mas esta pequena cela, não, esta não! Aqui Deus usou de tanta misericórdia para com as almas, que deve ficar como monumento de Sua bondade”!
E o lugar que permaneceu intacto durante o bombardeio foi precisamente a cela-confessionário de frei Leopoldo Mandic, onde, durante quase quarenta anos, de dez a doze horas por dia, ele ouviu em confissão milhares e milhares de almas arrependidas.


São Leopoldo Mandic, capuchinho
Dalmácia: terra de tradições cristãs
Tal como São Jerônimo, frei Leopoldo era dálmata. Nasceu em 12 de maio de 1866, na pequena cidade de Castelnovo, localizada na belíssima Baía de Cátaro. Embora a região da Dalmácia integre em nossa época o território croata, não se desvinculou, nos panoramas da História, dos dias em que abrigara os palácios de férias dos imperadores romanos, atraídos pelos irresistíveis encantos de sua costa. Com efeito, desde aqueles remotos tempos até os dias de hoje, a proximidade com a Península Itálica propiciou um intercâmbio cultural ininterrupto.
Por tais influências, a família de frei Leopoldo era profundamente católica. Os pais, Pedro Mandic e Carolina Zarevic, descendiam da antiga nobreza local, e cultivavam tradições legadas por seus maiores, fruto de um passado rico em serviços prestados à nação e à Igreja. Isso marcou indelevelmente a alma do futuro sacerdote.
Dos doze filhos do casal, ele era o mais jovem e, também, o menos robusto. Sua compleição, menos avantajada que a da média de seus conterrâneos, escondia entretanto uma alma de gigante, daquela sorte de homens que, quanto mais se conhece, maiores parecem ser, sobretudo pela união e entrega a Deus, fazendo jus ao nome recebido na pia batismal: Bogdan, que significa Adeodato, "dado a Deus".


Confessava, quer fizesse frio, quer fizesse
calor, de 10 a 12 horas por dia... 
"Não posso chorar; vou para a casa do Senhor"

Sua infância e adolescência foram assinaladas por admirável clarividência de espírito, a qual só podemos explicar pelo vigor da Fé que ele possuía desde tenra idade.
Menino de agudo senso analítico, sentiu-se chocado ante os embates surgidos do ódio entre raças e religiões, ocasionados na Croácia por anos consecutivos de guerra e ocupações estrangeiras. À medida que passava o tempo, o jovem Bogdan penetrava na raiz daquelas discórdias, compreendendo como os homens, quando se afastam de Deus, acabam por se render às suas más inclinações. Discernia também, com toda clareza, o quanto podia a Igreja Católica ser naquela conjuntura um poderoso instrumento de paz.
As primeiras decisões por ele tomadas na vida foram coerentes com a luz interior que Deus lhe havia concedido. Sem titubear, abraçou a vocação franciscana, em seu ramo capuchinho, aos 16 anos de idade. Alimentava desde o início o veemente desejo de dedicar-se às missões nos Bálcãs, para trazer de volta ao seio da Igreja aqueles que dela se haviam separado.
Designado pelos superiores para realizar o noviciado na Itália, não podia ocultar seu contentamento aos parentes quando, em prantos, dele vieram se despedir. Indagado sobre sua isenção de ânimo num momento tão difícil para a maioria dos vocacionados, respondeu sorrindo: “Não posso chorar. Vou para a casa do Senhor. Como querem que eu chore”? 



São Leopoldo era de compleição franzina
e de estatura muito baixa. Seu ardente desejo
pelas missões foi frustado por causa disso. 
Submisso à vontade de Deus, fez do
confessionário sua "terra" de missão. 
Deus o chama a ser missionário

Os meses de inverno se aproximavam no seminário capuchinho de Údine, quando chegou Bogdan, em novembro de 1882. Ali, o noviço aplicou-se aos estudos e fez rápidos progressos, mas, sobretudo, dava bons exemplos.
Em 1884, foi transferido para Bassano Del Grappa, onde recebeu o hábito da ordem, com o nome de Frei Leopoldo. Sofreu muito devido à sua débil compleição física (era franzino e de baixa estatura, em torno de 1,4 metro) e ao rigor do noviciado dos capuchinhos, mas tudo enfrentou com heroísmo, tendo a alma sempre posta no ideal das missões. Professou no ano seguinte e retomou os estudos em Pádua, onde fez Filosofia; depois iria para Veneza, cursar Teologia.
Em junho de 1887, quando ainda era estudante em Pádua, ouviu claramente no fundo da alma a voz de Nosso Senhor que o convidava a ser missionário entre os ortodoxos para reconduzi-los ao seio da Santa Igreja. A data ficou-lhe tão marcada que, meio século depois, escrevia: “Este ano é o quinquagésimo aniversário de quando, pela primeira vez, ouvi a voz de Deus que me chamava para rezar e promover o retorno dos dissidentes orientais à unidade católica”.
Para melhor compenetrar-se dessa missão, obrigou-se por voto a cumpri-la. Estudava com afinco as línguas balcânicas e confiava em converter aqueles povos, sobretudo por meio da devoção a Nossa Senhora, que pretendia difundir pela palavra escrita e falada.
Tão logo recebeu a ordenação sacerdotal, em 20 de setembro de 1890, em Veneza, pediu autorização para partir e lançar-se na missão. Mas esta lhe foi negada, devido a seu precário estado de saúde.


Dotado de dons e carismas extraordinários,
São Leopoldo foi um grande apóstolo no
confessionário. Muitas almas ali encontraram
conforto, libertação, salvação e santificação. 
Inúmeros pecadores deixaram os pecados e os 
vícios por uma vida digna e santa. 
Inesperada terra de missão e campo de batalha

Deus tem misteriosos desígnios a respeito de seus santos! Frei Leopoldo nunca pôde viajar para os Bálcãs, como tanto havia desejado. Os verdadeiros contornos de sua missão eram outros e foram se delineando pouco a pouco ante seus olhos: a Providência queria que ele se sacrificasse por aquele povo separado da Igreja, sofrendo, como vítima expiatória, um martírio interior.
O confessionário foi o principal instrumento para a realização de tal oferecimento: nele permanecia todos os dias mais de dez horas, às vezes doze, atendendo almas às quais consolava, orientava e ministrava o Sacramento da Reconciliação. Jamais deixou de mostrar-se solícito com quem o procurava, mesmo quando se tratava de pessoas impertinentes ou quando o horário já era tardio. O pequeno espaço de sua cela-confessionário transformou-se para ele num verdadeiro campo de batalha. Dizia com frequência: “Devo fazer tudo só para o bem das almas, tudo, tudo mesmo! Quero e devo morrer lutando”.
Só no fim da vida, Frei Leopoldo iria revelar a um irmão leigo capuchinho um esclarecedor fato ocorrido no início de sua vocação. Certo dia, após ministrar a Sagrada Comunhão a uma pessoa piedosa, esta lhe confidenciou: “Padre, Jesus me mandou dizer-lhe que cada alma que o senhor assiste aqui em confissão é o seu Oriente”.
Ele nunca pôde ser missionário nos Bálcãs, mas exerceu uma profícua atividade apostólica sem jamais perder de vista esse grande horizonte. Em setembro de 1914, deixou escrito este testemunho: “O fim de minha vida deve ser procurar o retorno dos dissidentes orientais à unidade católica, isto é, devo dirigir todas as ações de minha vida diante de Deus, na fé e na caridade de Nosso Senhor, vítima propiciatória pelos pecados do mundo, de modo que, no que toca à minha insignificância, minha vida dê alguma coisa a tamanha obra, pelo mérito do sacrifício”.


Como tinha o dom de ler as consciências
e de conhecer as profundezas das almas, 
não poucos pecadores, tendo descobertos
seus pecados, mesmo os mais ocultos e 
esquecidos, choravam copiosamente diante
de sua presença... 
Dons de exímio confessor

Franzino, de pequena estatura, voz fraca, frei Leopoldo nada aparentava, do ponto de vista natural, que pudesse atrair as pessoas. Entretanto, suas palavras simples, embebidas de amor a Deus e ao próximo, penetravam profundamente nos corações e os transformavam.
Possuía em tão alto grau o dom da sabedoria e do conselho que pessoas de todas as classes sociais vinham pedir sua sábia orientação. Inclusive altos dignitários eclesiásticos o consultavam sobre intricados problemas de suas dioceses ou funções.
Recebeu de Deus também o dom de perscrutar os corações e disto nos dá testemunho, por exemplo, o Sr. José Bolzonella, de Pádua, o qual frequentemente acorria a Frei Leopoldo para receber o Sacramento da Reconciliação. Numa manhã, quando ele se ajoelhou no confessionário, o capuchinho narrou-lhe, em pormenores, tudo quanto ele havia feito. Vendo seu penitente profundamente impressionado, o padre concluiu, fitando-o com amabilidade: “Fique tranquilo! Fique tranquilo e não pense mais nisso”.
O santo confessor demonstrava particular zelo em reconduzir ao bom caminho os penitentes que se acusavam de faltas contra a pureza, de modo superficial e sem manifestar arrependimento sério, sobretudo quando se tratava de atos públicos. Reagia com severidade, objetivando movê-los à contrição e acordá-los do seu letargo. Esse gênero de pecados causava-lhe um verdadeiro horror, pois ele era de uma castidade ilibada. Chegou a dizer, em sua velhice, que sentia ter ainda uma alma de criança, dando a entender que conservara intacta a inocência batismal.
Seu trato com as almas vinha marcado por uma extrema bondade. E se alguém manifestasse estranheza diante de tanta afabilidade, sempre apontava para o Crucifixo, dizendo ter sido Jesus quem lhe havia ensinado e dado o exemplo.
Pouco antes de morrer, declarou que confessava há mais de 50 anos e não sentia remorso por ter quase sempre absolvido o penitente, mas, sim, pesar pelas poucas ocasiões nas quais não pudera fazê-lo; e examinava-se rigorosamente para saber se, nesses casos, havia feito tudo quanto estava a seu alcance para que aquelas almas fossem tocadas pela graça do arrependimento.
Contudo, quando necessário, sabia manifestar uma fortaleza capaz de vencer os corações mais duros. Certo dia, apresentou-se diante dele um pecador inveterado, alegando falsas teorias para legitimar seus erros. Frei Leopoldo, com grande caridade, procurou dissuadi-lo de sua má atitude. Mas quando percebeu que todos os argumentos eram inúteis, levantou-se com o rosto inflamado de santa indignação e apontou-lhe a porta, dizendo em tom severo: “Olhe, com Deus não se brinca; vá e morrerá no seu pecado”!  Como que atingido por um raio, o pecador caiu de joelhos aos seus pés e, debulhado em lágrimas, pediu perdão, prometendo renunciar totalmente aos seus falsos princípios. O santo sacerdote abraçou-o, misturando suas lágrimas às dele, e emocionado por ver a ação da graça, disse-lhe: “Agora somos irmãos”!

Mesmo idoso, fraco e doente, lutou até o fim 
pela salvação das pobres almas dos pecadores. 

Pediu a graça de morrer combatendo

O amor enlevado à Cruz marcou a vida de Frei Leopoldo. Além do heroico empenho no atendimento diário das confissões, vivia em constante luta contra seu temperamento forte e impetuoso. Também não lhe faltaram sofrimentos físicos: dores gástricas, oftalmias, artrite deformante. Depois da celebração do seu jubileu de ouro sacerdotal, em 1940, seu estado de saúde piorou muito. Uma breve melhoria permitiu-lhe voltar ao "campo de batalha", mas pouco depois lhe foi diagnosticada a doença que o levaria à morte: um tumor maligno no esôfago. A enfermidade progrediu a ponto de não lhe ser possível deglutir alimento algum, com exceção das Sagradas Espécies, graça singular que lhe causava imensa alegria.
Vendo aproximar-se a hora final, Frei Leopoldo pediu a graça de morrer combatendo, e a obteve. No dia 30 de julho de 1942, levantou-se às cinco e meia da manhã e dirigiu-se à capela da enfermaria. Na véspera, apesar do seu estado precário, tinha atendido várias confissões. Após uma hora de orações, caminhava rumo à sacristia a fim de preparar-se para celebrar a Santa Missa, quando subitamente caiu ao solo. Levado para o leito, recebeu a Unção dos Enfermos, ainda com inteira lucidez. O superior do convento recitou três vezes a Ave Maria e depois a Salve Rainha. O santo frade repetia as palavras, com voz cada vez mais fraca. Quando terminou de dizer: "Ó clemente, ó piedosa, ó doce sempre Virgem Maria", sua alma voou para o Céu.

O venerando corpo do Santo em suas exéquias

O bom pastor oferece a vida por suas ovelhas

A notícia do falecimento se espalhou rapidamente pela cidade e aldeias vizinhas. Multidões desfilaram diante de seu corpo e um clamor popular dizia a uma só voz: “Morreu um santo”! No dia seguinte, um imenso cortejo triunfal o conduziu ao cemitério, entre alas de pessoas que permaneciam ajoelhadas e lançavam flores sobre o féretro.
Em 1963, o corpo incorrupto de Frei Leopoldo foi trasladado para uma capelinha construída ao lado de sua cela-confessionário. O Papa Paulo VI o proclamou bem-aventurado em 1976, e São João Paulo II o canonizou em 1983, quando se realizava o Sínodo Mundial dos Bispos, convocado para tratar do Sacramento da Penitência; precisamente o Sacramento que o santo capuchinho tanto amou.
As palavras do Papa, nessa ocasião, foram muito significativas e resumem a vida de virtude heroica de São Leopoldo: "Para todos aqueles que o conheceram, ele não foi mais que um pobre frade, pequeno e doentio. A sua grandeza está em outra parte: em oferecer-se como sacrifício, em doar-se, dia após dia, por todo o tempo da sua vida sacerdotal, ou seja, por 52 anos, no silêncio, na discrição, na humildade de uma pequena cela-confessionário: ‘O bom pastor oferece sua vida pelas ovelhas'".


São Leopoldo Mandic, rogai por nós! 


Outras fotos de São Leopoldo Mandic´: 






Foto do santo em uma visita sua
à casa de um paroquiano 
amigo dos frades. 

Nesta foto de São Leopoldo com uma família
de paroquianos, vê-se claramente a baixa
estatura do santo... Apesar disso, era um 
"gigante" na fé, na caridade e santidade. 






Foto do santo poucos dias antes de sua
santa morte...