Páginas

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Beata Cecília Eusepi, Virgem e Terciária Servita (uma "nova Teresinha de Lisieux")



Beata Cecília Eusepi, virgem

     Esta é a história de uma mocinha. Não era um gênio, não deixou obras. Nada de excessivo, em suma, nada de especial. Se não fosse que para Alguém (Deus) tivesse sido tão preciosa.
     Cecília Eusepi é o nome desta jovem que viveu no início do século XX num vilarejo às portas de Roma e morta pela tuberculose com apenas dezoito anos. De si não deixou mais do que poucos cadernos com as suas recordações de infância e um diário, escritos apenas para obedecer ao seu confessor quando já estava tomada pela doença.
     A beatificação, introduzida pouco depois da sua morte, procedeu sem obstáculos. No dia 1º de junho de 1987 foi declarada venerável por São João Paulo II, e no dia 17 de junho de 2012 foi proclamada Beata pelo Papa Bento XVI.
     Hoje já há quem a considere uma irmã espiritual de Santa Teresa de Lisieux, à qual Cecília Eusepi é semelhante em muitos aspectos.


      Vida e Morte
     Nepi é uma antiga cidadezinha da Tuscia a quarenta quilômetros de Roma. Um dos muitos sonolentos vilarejos que tempos atrás pertenciam à Itália camponesa. Foi neste ambiente que foi morar Cecília, vinda de Monte Romano, uma cidadezinha próxima na qual tinha nascido no dia 17 de fevereiro de 1910, última de onze filhos. Com a mãe viúva e o tio materno estabeleceram-se a três quilômetros do vilarejo, numa propriedade chamada “La Massa” que pertencia aos Duques Lante della Rovere, onde o tio trabalhava como caseiro.

A beata com sua avó. 
   Muito vivaz e sensível, cresceu circundada por um afeto particular, principalmente por parte do tio, a cujos cuidados seu pai, antes de morrer, a tinha confiado. Aos seis anos, como muitas meninas do povoado, foi mandada à escola junto ao mosteiro cisterciense de Nepi, que hospedava na comunidade as órfãs de guerra. Pela destacada sensibilidade e a rapidez de aprendizado de tudo aquilo que lhe ensinavam, as monjas não esconderam a esperança de tê-la um dia entre os muros do claustro.
     Mas não era a vida monacal que atraía Cecília. Um pouco mais adiante, a cem metros do convento, encontrava-se a paróquia de São Ptolomeu mantida pelos Servos de Maria, à qual tinha anexo o seminário, que então era lotado de aspirantes sacerdotes para as missões. Em torno da paróquia de São Ptolomeu gravitava toda a vida juvenil do vilarejo.

     Concluída a escola primária, Cecília passava o seu tempo ali, e foi neste contexto que amadureceu precocemente e com surpreendente clareza a sua vocação. Tanto que com apenas doze anos, junto com outras colegas maiores, pediu para entrar como terciária na Ordem dos Servos de Maria e, no ano seguinte, apesar da tenra idade e das tentativas para dissuadi-la por parte dos familiares, obteve do bispo a dispensa para entrar postulante entre as “Mantellates” Servas de Maria. Foi estudar em Roma, em Pistóia e depois em Zara.
     Mas a sua aspiração de partir como missionária não se realizaria. Em outubro de 1926, atingida pela doença que dois anos depois a levaria à morte, foi obrigada a voltar para Nepi.
     A pedido do Pe. Gabriele Roschini, seu confessor, escreveu suas memórias e as entregou em junho de 1927 num caderninho de escola.


       Como Santa Teresa de Lisieux
     Quem lê aquela narração talvez poderá se admirar com o modo infantil e confidencial de Cecília falar da sua ligação de pertença a Jesus, mas toda sua sabedoria está neste ser criança abandonada à graça de Deus. Exatamente como Santa Teresa de Lisieux. Ela mesma diz isso: “Chegarei a Jesus por um pequeno atalho, breve, muito breve, que me foi traçado pela pequena Teresa do Menino Jesus”.
     Foi justamente a leitura de "História de uma Alma" que provocou em Cecília ainda menina o desejo de abraçar a vida religiosa. Cecília ainda não tinha completado dez anos e Teresa de Lisieux não tinha sido proclamada venerável. Mais tarde diria: “Jamais pensei em chamá-la de irmã, embora tivesse notado entre a minha alma e a Sua uma grande semelhança, não pela correspondência à graça, mas pelos dons de graça que Jesus nos concedeu”.
     No dia 23 de outubro de 1926, com a volta para Nepi, para Cecília se inicia o último e breve percurso da sua vida, marcado pela manifestação e agudeza progressiva da tuberculose. Período que se tornou ainda mais doloroso pela solidão do chamado por ela “exílio em La Massa”. Um exílio sofrido pela consciência de não poder mais professar os votos, pelo afastamento de Nepi, e as calúnias por parte dos proprietários do local. Único conforto, a devoção filial a Nossa Senhora das Dores que ela chama o seu “coração” e à Eucaristia, o seu “tesouro”, que Pe. Roschini, duas vezes por semana, com qualquer condição de tempo, pontualmente levava para ela.
     Não faltam, para romper o exílio, as frequentes visitas dos camponeses, dos colegas da Ação Católica, e dos jovens seminaristas acompanhados pelos padres, os quais com frequência pedem a essa mocinha doente e pouco instruída conselhos para as homilias.

A beata em seu leito de doença e morte.
     Nestes últimos anos Cecília terá do “pequeno caminho” uma lúcida consciência: “Humildade, abandono, amor”. Até o fim não diminuiria a sua simplicidade e alegria, faleceu cantando as orações à Maria que tinha aprendido quando pequena. Era o dia 1º de outubro de 1928. E também esta data parece quase uma coincidência. Teresa morrera no dia precedente, dia 30 de setembro de 1897. Em 1927, ano em que foi proclamada por Pio XI padroeira das missões, no dia 1º de outubro Teresa apareceu num sonho de Cecília, assim como está documentado no seu diário, preanunciando sua morte exatamente para aquele dia.
     Cecília desejava repousar para sempre na igreja de São Ptolomeu, aos pés do altar de Nossa Senhora das Dores, ali onde estava o seu “coração”. E também este desejo foi concedido durante a guerra, quando por temor dos bombardeamentos os frades decidiram transportar os seus restos para o interior da igreja. Naquela ocasião foi feito um reconhecimento dos seus restos e os presentes viram com surpresa que o corpo estava intacto (assim como se encontra até agora) “e a pele era tão macia”, lembra Pe. Pietro, atual pároco de São Ptolomeu, “que parecia que estava dormindo...”.



Painel de sua beatificação
     
 Milagre
     Uma junta médica aprovou por unanimidade, no dia 1° de outubro de 2009, a cura de Thomas Ricci, ocorrida em 4 de agosto de 1959, depois que ele sofreu uma queda acidental. Sua recuperação milagrosa foi a condição necessária para a continuação da causa de beatificação da Serva de Deus Cecilia Eusepi.



Fontes: 30 Dias; http://www.carmelitasmensageiras.com.br/

Nenhum comentário:

Postar um comentário