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segunda-feira, 29 de setembro de 2014

SANTA GIANNA BERETTA MOLLA, Mãe e Médica.



Santa Gianna Beretta Molla não é bem uma santa "desconhecida". Seu nome tornou-se de certa forma bem conhecido nas últimas três décadas, graças a seu processo de beatificação e canonização. Seu exemplo de amor materno que se entrega, que se sacrifica até o fim, até mesmo com a oferta da própria vida, feita de forma plenamente consciente, marcou muito. 
No entanto, noto que sua devoção deveria ser bem mais divulgada, em todas as dioceses e paróquias da terra. Não que ela seja uma santa "maior" que muitas outras que "pegaram" mais fama... Mas, porque seu exemplo, seu testemunho e sua mensagem são atualíssimas. Santa Gianna é uma voz, um grito constante contra o relativismo, o secularismo, o egoísmo, a destruição dos valores morais e familiares que campeiam por todo mundo. 
Espero que, com o tempo, o Espírito Santo do Senhor inspire ao clero e aos leigos uma maior devoção a essa mulher que foi uma "santa comum", como disse seu marido, Paulo, quando perguntado quem era Gianna... 


Santa Gianna Beretta Molla
Gianna Beretta nasce em Magenta (Milão, Itália) aos 04 de outubro de 1922. Desde sua primeira juventude, acolhe plenamente o dom da fé e a educação cristã, recebidas de seus ótimos pais. Esta formação religiosa ensina-lhe a considerar a vida como um dom maravilhoso de Deus, a ter confiança na Providência e a estimar a necessidade e a eficácia da oração.

Durante os anos de estudos e na Universidade, enquanto se dedicava diligentemente aos seus deveres, vincula sua fé com um compromisso generoso de apostolado entre os jovens da Ação Católica e de caridade para com os idosos e os necessitados nas Conferências de São Vicente. Laureada em medicina e cirurgia em 1949 pela Universidade de Pavia (Itália), em 1950 abre seu consultório médico em Mêsero (nos arredores de Milão). Especializa-se em pediatria na Universidade de Milão em 1952 e, entre seus clientes, demonstra especial cuidado para as mães, crianças, idosos e pobres.

Enquanto exercia sua profissão médica, que a considerava como uma «missão», aumenta seu generoso compromisso para com a Ação Católica, e consagra-se intensivamente em ajudar as adolescentes. Através do alpinismo e do esqui, manifesta sua grande alegria de viver e de gozar os encantos da natureza. Através da oração pessoal e da dos outros, questiona-se sobre sua vocação, considerando-a como dom de Deus. Opta pela vocação matrimonial, que a abraça com entusiasmo, assumindo total doação «para formar uma família realmente cristã».

Dia do matrimônio de Gianna com Pedro
Molla


Inicia seu noivado com o engenheiro Pedro Molla. Prepara-se ao matrimônio com expansiva alegria e sorriso. Ao Senhor tudo agradece, e ora. Na basílica de São Martinho, em Magenta, casa aos 24 de setembro de 1955. Transforma-se em mulher totalmente feliz. Em novembro de 1956, já é a radiosa mãe de Pedro Luís; em dezembro de 1957 de Mariolina e, em julho de 1959, de Laura. Com simplicidade e equilíbrio, harmoniza os deveres de mãe, de esposa, de médica e da grande alegria de viver.

Em setembro de 1961, no final do segundo mês de gravidez, vê-se atingida pelo sofrimento e pela dor. Aparece um fibroma no útero. Antes de ser operada, embora sabendo o grave perigo de prosseguir com a gravidez, suplica ao cirurgião que salve a vida que traz em seu seio e, então, entrega-se à Divina Providência e à oração. Com o feliz sucesso da cirurgia, agradece intensamente a Deus a salvação da vida do filho. Passa os sete meses que a distanciam do parto com admirável força de espírito e com a mesma dedicação de mãe e de médica. Receia e teme que seu filho possa nascer doente e suplica a Deus que isto não aconteça.

Alguns dias antes do parto, sempre com grande confiança na Providência, demonstra-se pronta a sacrificar sua vida para salvar a do filho: "Se deveis decidir entre mim e o filho, nenhuma hesitação: escolhei - e isto o exijo - a criança. Salvai-a"! Na manhã de 21 de abril de 1962 nasce Joana Manuela. Apesar dos esforços para salvar a vida de ambos, na manhã de 28 de abril, em meio a atrozes dores e após ter repetido a jaculatória: "Jesus eu te amo, eu te amo" morre santamente. Tinha 39 anos. Seus funerais transformaram-se em grande manifestação popular de profunda comoção, de fé e de oração. A santa repousa no cemitério de Mêsero, distante quatro quilômetros de Magenta, nos arredores de Milão (Itália).

"Meditata immolazione»"(imolação meditada), assim Paulo VI definiu o gesto da Beata Gianna recordando, no Ângelus dominical de 23 de setembro de 1973, "uma jovem mãe da Diocese de Milão que, para dar a vida à sua filha sacrificava, com imolação meditada, a própria". É evidente, nas palavras do Santo Padre, a referência cristológica ao Calvário e à Eucaristia.
Foi beatificada por São João Paulo II no dia 24 de abril de 1994, no Ano Internacional da Família, e canonizada, também por São João Paulo II no dia 16 de maio de 2004.


Milagres da Beatificação e Canonização:

Foi graças a dois milagres feitos no Brasil, atribuídos à pediatra italiana Gianna Beretta Molla, símbolo da luta contra o aborto, que ela foi proclamada santa pelo papa São João Paulo II.

Segundo a biografia oficial da nova santa, uma das poucas mulheres não-religiosas a alcançar a glória dos altares, conhecida como "a mártir do amor maternal" por ter preferido sacrificar a própria vida para dar à luz sua filha, o Brasil representava para ela um país ao qual queria ajudar, para onde pensou em se mudar na juventude como missionária leiga.

Mãe de família, médica pediatra, católica praticante, símbolo do "não" ao aborto, Gianna Beretta Molla (1922-1962), que em 1962 deu à luz sua quarta filha, Gianna Emanuela, não quis abortar apesar do fibroma uterino que acabou causando sua morte após dar à luz.

A nova santa escolheu levar sua gravidez até o fim, apesar de saber que tinha um tumor no útero e se negou a abortar, apesar das recomendações de vários médicos.

Beatificada em 1994 pelo Papa em plena luta entre a Santa Sé e a ONU sobre as políticas para o controle da natalidade e o aborto, em 1977 Beretta Molla intercedeu, segundo a Igreja, na cura milagrosa de uma gestante no quarto mês de gravidez, em Grajaú (Maranhão, centro).

Após o milagre ter sido aprovado pelo Pontífice em 1992, ela foi beatificada em 24 de abril de 1994, ano internacional da família, para que fosse venerada nos altares como modelo de "mãe de família".

Foi o primeiro passo para se tornar santa, mas para isto seria preciso demonstrar um segundo milagre.

A pediatra italiana, que morreu aos 40 anos, costuma ser usada como exemplo pelas autoridades católicas quando surge a discussão sobre o aborto, ao qual a Igreja se opõe firmemente, apesar de a prática ser legal em vários países da Europa, inclusive na Itália, e ilegal em quase toda a América Latina.

E é justamente por servir de exemplo que foi invocada por um jovem casal de Franca (São Paulo, nordeste), que durante o jubileu do ano 2000 lhe pediu em suas orações que favorecesse o nascimento de sua filha, apesar da perda de todo o líquido amniótico.

O nascimento, há três anos e meio, de Gianna Maria Arcolino Comparini, quarta filha do casal, depois de nos primeiros meses de gravidez se romper a membrana que contém o líquido para a sobrevivência do feto, foi declarado como milagre autêntico pelas autoridades eclesiásticas.

Mesmo que os médicos recomendem a interrupção da gravidez nestes casos, pois tanto o bebê quanto a mãe podem se infectar e o feto normalmente não resiste, a mãe brasileira não quis fazer o aborto e levou a gravidez até o fim, dando à luz uma menina saudável.

A canonização da médica, nascida em Magenta (norte da Itália), defendida pela organização conservadora Ação Católica, na qual militou desde jovem, foi elogiada por vários cardeais e prelados.

À cerimônia solene, presidida pelo Papa, estiveram presentes vários ativistas da organização, assim como representantes da Igreja brasileira.

O caso de nossa querida santa foi qualificado pelo papa Paulo VI como o de "uma mãe que para dar a vida ao seu filho, sacrifica a sua própria com meditada imolação".



Outras fotos de Santa Gianna:























Beata Amália Abad Casasempere, Mãe de Família e Mártir (Guerra Civil Espanhola, 1936)



Amália Abad Casasempere nasceu em 11 de dezembro de 1897 em Alcoy, Alicante, na Espanha. Foi batizada no mesmo dia na paróquia do seu povoado; foi crismada em 06 de  outubro de 1906 e recebeu a 1ª Comunhão em 22 de maio de 1907.
Amália foi educada nos valores da fé e cresceu, como muitas jovens da sua geração, em meio às dificuldades políticas daquelas primeiras décadas do século XX, na Espanha.
     Em 6 de setembro de 1924, casou-se com o capitão do exército Luís Maestre Vidal, preocupando-se doravante em ser uma boa esposa e criar o ambiente adequado para criar os filhos que Deus lhes concederia. Nada levava a crer que, após a alegria do nascimento dos seus três filhos, e depois de três anos de matrimônio, Amália ficaria viúva.
     Ela teve que ser forte e nos momentos de fraqueza confiava seus filhos à Virgem Maria. Sabia que a fé era o maior tesouro que poderia lhes dar e educou-os num ambiente de piedade e generosidade. Apesar da responsabilidade que implicava educar seus três filhos, Amália encontrava tempo para participar de várias atividades da Igreja, de maneira especial na Ação Católica. Sem se descuidar do seu lar, se dedicava com entusiasmo à catequese e às obras de caridade.
     Quando a perseguição religiosa começou na Espanha, com a consequente destruição de igrejas e conventos, e o assassinato de inúmeros católicos, Amália escondeu em sua casa duas religiosas, sabendo que esta atitude poderia custar-lhe a vida. Seu despojamento e caridade a impulsionaram a visitar dois fiéis encarcerados para dar-lhes ânimo e socorrê-los materialmente. Os perseguidores, conhecendo sua militância católica e a ajuda que prestava aos detentos, prenderam-na e submeteram-na a todo tipo de maus-tratos e fome.
     Finalmente, em 28 de setembro de 1936, a jovem mãe deu testemunho do seu amor a Jesus Cristo com seu próprio sangue, sendo assassinada em Benillup pelos milicianos. Sua confiança na Providência de Deus frutificou: seus filhos foram ajudados e anos mais tarde uma filha sua partiu rumo à África como missionária.

     O Papa São João Paulo II elevou-a a honra dos altares no dia 11 de março de 2001, juntamente com outros 232 mártires da perseguição religiosa ocorrida na Espanha. 

sábado, 27 de setembro de 2014

SANTA JOAQUINA DE VEDRUNA, Viúva, Religiosa e Fundadora das Carmelitas da Caridade.



Santa Joaquina de Vedruna
Esta é uma santa que ficou casada até os 33 anos. Teve nove filhos e vários netos. Aos 47 anos fundou a Comunidade das Irmãs Carmelitas da Caridade, e ao morrer, aos 61 anos, havia fundado mosteiros, escolas e hospitais em várias partes da Espanha.


Nasceu em Barcelona, na Espanha, no dia 16 de abril de 1783, quinta de oito irmãos. Seu pai, Dom Lorenzo de Vedruna, era rico e alto funcionário do governo. Sua família era muito católica.
A menina desde muito pequena tinha grande devoção ao Menino Jesus e as benditas almas do Purgatório.

Algo que a caracterizou desde seus primeiros anos foi um grande amor pela limpeza. Não tolerava qualquer mancha de sujeira em sua roupa. E isso a foi levando a não tolerar tampouco as manchas do pecado em sua alma.

Aos doze anos sentiu um grande desejo de ser freira carmelita. Mas as freiras não a aceitaram porque lhes parecia muito jovem ainda para decidir-se pela vocação religiosa.

Don Teodoro, esposo
de Santa Joaquina
Aos 26 anos, aos 24 de março de 1799, casa-se com um rico advogado, Don Teodoro de Mas, um muito amigo de seu pai e um funcionário público como ele. Teodoro estimava muito as três filhas de Don Lorenzo e para decidir-se por uma delas lhes levou um pacotinho de guloseimas como presente. As duas primeiras o rejeitaram como um presente demasiado infantil, mas Joaquina o aceitou com alegria exclamando: "Eu amo amêndoas." Este gesto de humildade fez com que o jovem decidisse escolhê-la como esposa.
No começo do casamento, por vezes, sentia graves escrúpulos não ter seguido a vocação religiosa que de criança tanto lhe chamava a atenção, mas seu esposo a confortava dizendo que na vida doméstica se pode chegar a tão alta santidade como em um convento e com suas boas obras de piedade iria substituindo aquelas que teria feito na vida religiosa. Isso a tranquilizou. Viveu 16 anos com seu esposo, e Deus a presenteou com nove filhos. E como recompensa por seus sacrifícios quatro de suas filhas se tornaram freiras, e várias de suas netas também.


Santa Joaquina e suas quatro filhas
que se tornaram religiosas



Dois filhos da santa que se casaram


Quando Napoleão invadiu a Espanha, o esposo de Joaquina partiu para o exército para defender a pátria e participou bravamente de cinco batalhas contra os invasores. Joaquina e seus filhos tiveram que deixar a cidade de Barcelona e fugir para a pequena cidade de Vich.

Quando Joaquina e seus filhos fugiam pela planície, de repente apareceu uma misteriosa Senhora e a trouxe até Vich para casa de uma família muito boa, que os recebeu com grande carinho. Em seguida, a Senhora desapareceu e ninguém pôde dar razão para isso. Joaquina sempre acreditou que havia sido a Santíssima Virgem que veio para ajudá-la.

Um dia, enquanto estava rodeada por sua família, ela pensou ter ouvido uma voz dizendo: "Logo você vai ser viúva". Ela se preparou para aceitar a vontade de Deus, e dois meses depois, em 03 de março de 1816, seu esposo, embora estivesse bem de saúde e tivesse apenas 42 anos, morreu inesperadamente. Joaquina ficou viúva aos 33 anos e encarregada das seis crianças que havia sobrevivido.

A partir daquele dia deixou todas as suas roupas de senhora rica. E se dedicou completamente a ajudar os pobres e assistir os doentes nos hospitais. No começo, as pessoas pensaram que ela havia enlouquecido por causa da tristeza pela morte de seu esposo, mas logo perceberam que ela estava se tornando uma grande santa. E admiravam a sua generosidade para com os necessitados. Ela vivia como as pessoas mais pobres, mas todas as suas energias eram para ajudar aqueles que sofriam miséria ou doença.

Retrato pintado da santa
Por 10 anos dedicou-se a penitências, muitas orações e contínuas obras de caridade, pedindo a Deus para iluminá-la sobre o que mais lhe convinha fazer para o futuro. Quatro de suas filhas se tornaram freiras e os outros filhos se casaram, e finalmente ela estava livre de toda responsabilidade doméstica. Agora iria realizar seu grande desejo de quando era uma criança: ser religiosa.
Providencialmente se encontrou com um padre muito santo, o Padre Esteban Olot, capuchinho, que lhe disse que Deus a tinha destinado a fundar uma comunidade religiosa dedicada à vida ativa de apostolado. O sábio Padre Esteban escreve as constituições da nova comunidade e, aos 26 de fevereiro de 1826, diante do Sr. Bispo de Vich, que a apoia plenamente, começa, com oito jovenzinhas, sua nova comunidade, à qual coloca o nome de "Hermanas Carmelitas de la Caridad de Vedruna", em sua casa, conhecida como "Manso Escorial".

Logo, as irmãs se tornam treze e mais tarde cem. Sua comunidade, como a sementinha de mostarda, começa sendo muito pequena e se torna uma grande árvore cheia de bons frutos. Ela vai fundando casas de religiosas por toda província.


Fundações de Santa Joaquina de Vedruna





Santo Antônio Maria Claret, 
bispo e fundador
Santa Joaquina teve a sorte de se encontrar também com o grande missionário, bispo e fundador Santo Antônio Maria Claret, cujos conselhos lhe foram de grande proveito para o progresso de sua nova congregação.

Depois veio a guerra civil chamada "Guerra Carlista", e nossa santa, perseguida pelos esquerdistas, fugiu para a França, onde esteve desterrada por três anos. Lá recebeu a assistência bem oportuna de um jovem misterioso, que ela sempre acreditou se tratasse de San Miguel Arcanjo, e Deus a encaminhou nesta terra para uma família espanhola que a tratava com amor verdadeiro.

Voltando à Espanha, talvez como fruto dos sofrimentos padecidos e das tantas orações, começou a crescer admiravelmente sua comunidade e as casas se foram multiplicando como verdadeira bênção de Deus.

Em 1850, começou a sentir os primeiros sintomas da paralisia que a imobilizaria completamente. Aconselhada pelo Vigário Episcopal renunciou a todos os seus encargos e se dedicou a viver humildemente como uma religiosa sem posto algum. Apesar de conservar totalmente suas qualidades mentais, deixou que outras pessoas dirigissem a congregação. Deus lhe suscitou um novo e santo diretor para sua comunidade, o Padre Bernardo Sala, beneditino, que se propôs a dirigir às religiosas no espírito da santa fundadora.

Durante quatro anos, a paralisia foi se espalhando e a foi imobilizando por completo, até lhe tirar também a fala. Então veio uma epidemia de cólera, que lhe tirou a vida e, no dia 28 agosto de 1854, passou santamente à eternidade.

Corpo incorrupto da santa


Antes havia tido o prazer de ver aprovada sua comunidade religiosa pela Santa Igreja, em 1850. E desde então foi ajudando de maneira prodigiosa a suas religiosas que se espalharam por muitos países.

As Carmelitas da Caridade, instituto religioso feminino de direito pontifício, foram aprovadas pela Santa Sé aos 5 de agosto de 1857 e foram agregadas à ordem Carmelitana aos 14 de setembro de 1860; as constituições foram aprovadas aos 20 de julho de 1990.

A Comunidade de Carmelitas da Caridade tem agora 290 casas em 25 países de 4 continentes, com 2.724 irmãs Vedruna. Ao todo, são 40.079 meninas educadas em suas escolas e 4.443 pessoas atendidas em seus hospitais. A sede generalícia está localizada em Roma.


UM MODO INÉDITO CARACTERIZADO POR SER:

• Uma rede de pequenas e flexíveis comunidades,
• Que se inserem "como levedura na massa" (Lc 13,21) nas populações onde são chamadas, rompendo, assim, com a antiga estrutura,
• Que vivem muito pobremente de seu trabalho,
• Que professam um estilo vida orante, fraterno, simples, alegre e muito familiar.

Uma nova forma de ação apostólica orientada ao único objetivo de "trabalhar para a glória de Deus e o bem do próximo". As comunidades de Joaquina de Vedruna foram colocadas em ambientes populares, inclusive marginais:
• Para promover a educação das mulheres,
• Para assistir aos enfermos pobres,
• Para ajudar e acompanhar aos excluídos e "fazer, assim, presente na terra o Reino prometido aos pobres".


Beatificada pelo Papa Pio XII, em 19 de maio de 1940, foi declarada santa pelo Papa João XXIII em 12 de abril de 1959, que disse dela: "Mãe de nove filhos, converteu-se na mãe de numerosos pobres". Os restos da santa repousam na capela do Manso Escorial de Vich.

Santa Joaquina:
Sem fazer milagres em vida e sendo uma mãe de família, uma esposa amorosa e uma mulher que teve que sofrer muito na terra, e que dedicou suas grandes energias em ajudar aos necessitados, seja para nós também um modelo para imitar, e uma poderosa protetora que reze pela nossa santificação e salvação. Que Deus nos mande muitas santas como esta, muitas outras Joaquinas.

"Confia em Deus. Nele encontrarás o amigo que não te deixará".

MOVIDA PELO ESPÍRITO
1. Abandono filial.
2. Seguimento incondicional.
3. Amor encarnado.


A espiritualidade de Joaquina.

A espiritualidade que viveu Joaquina foi a experiência profunda e cotidiana do amor de Deus Pai. Um amor que a humanidade de Jesus faz visível e cujo Espírito impulsiona a seguir o Cristo.

Esta espiritualidade trinitária suscitou nela:
·       Um amor ardente,
·       Uma confiança sem limites,
·       Uma entrega incondicional

Para encarnar em sua vida "aquele amor que nunca diz basta" (Carta 95 e 100), posto ao serviço da humanidade sofrida,
·       A quem Deus Pai ama e sustenta,
·       A quem Deus Filho serve e liberta,
·       A quem Deus Espírito Santo alenta e da vida.


Esta foi a bússola que orientou a vida de Joaquina. Esta experiência espiritual e o contato com a dor dos enfermos e marginalizados e com a exclusão cultural das mulheres suscitou nela o desejo apaixonado de reproduzir na vida deles o rosto compassivo do Pai, do Filho e do Espírito Santo.

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Beato Frederico Janssoone, Presbítero Franciscano, Missionário e Taumaturgo.


Beato Frederico Jansoone
“Franciscano, taumaturgo, guardião dos Santos Lugares, impulsionou a devoção à Via Sacra e aos templos na Terra Santa. Passou grande parte de sua vida no Canadá”.

Este franciscano, devoto de Maria, apóstolo na Terra Santa e em quantas missões lhe recomendaram, nasceu na localidade francesa de Ghyvelde em 19 de novembro de 1838. Seus pais eram honrados camponeses que gozavam de boa posição econômica. Coerentes com sua fé católica, a promoveram em seus numerosos filhos. Assim, Frederico, sendo um adolescente, viu no sacerdócio o mais apreciado ideal para sua vida. E depois de cursar os estudos no colégio de Hazebrouck e no Instituto de Nossa Senhora das Dunas, de Dunquerque, ingressou no seminário. Tinha boa base, porque, quando fez sua Primeira Comunhão na idade de 14 anos, havia recebido uma intensa e larga formação.
Na ocasião, fazia quatro anos que seu padre havia morrido. Foi precisamente essa circunstância que influenciou na economia doméstica e lhe obrigou a deixar em segundo plano sua preparação eclesiástica. Seu sentido de responsabilidade lhe fez ver que sua família precisava de sua ajuda para seguir adiante.
Em 1861 foi sua mãe quem partiu deste mundo, enquanto sua vocação franciscana se fazia cada vez mais palpável em seu interior. Na ocasião, tinha 23 anos e aos 26 deu causa a este sentimento ingressando no convento de Amiens onde fez o noviciado. Logo passou para Limoges e por Bruges, onde completou as etapas de sua consagração. Em 1868 emitiu a profissão e em 1870 recebeu o sacramento da ordem.
Uma de suas primeiras missões foi ao “front”, para assistir como capelão aos soldados que se batiam na guerra franco-prussiana. Quando esta terminou, o destinaram sucessivamente a Branday, a Burdeos – com o fim de abrir um novo convento - e a Paris – onde se fez encarregado da biblioteca. A partir de então, seu trabalho começou a desenvolver-se fora da Europa, marcado com o mesmo selo: o zelo apostólico que havia tido até esse momento. Os cinco primeiros anos que passou na Terra Santa, desde 1876 até 1881, como vigário custodial desse patrimônio incomparável da fé que foi colocado debaixo do amparo dos franciscanos, deixaram uma profunda marca em sua vida. Após um breve período de estada no Canadá, onde arrecadou doações para o sustento dos Santos Lugares, além de incentivar aos fiéis à atividade apostólica, volveu à Terra Santa em 1882. Outros seis anos de estada nela serviram, entre outras coisas, para por em descoberto qualidades que anteriormente permaneceram veladas.
De fato, não se havia apresentando a ocasião de constatar sua valia para o mundo diplomático, porém, nesse período, solucionou assuntos delicados com notável êxito. Quando voltou ao Canadá em 1888 deixava para trás obras como a igreja de Santa Catarina, construída por ele, e os regulamentos do Santo Sepulcro e de Belém. Não retornou mais à Terra Santa, porém, seguiu vinculado a ela na qualidade de comissário.
O resto de sua existência decorreu em terras canadenses, primeiro em Montreal e, depois, em Trois-Rivières, Quebec. Sua vida religiosa era um vivo testemunho de amor a Cristo. Era um homem austero, que havia encarnado o carisma franciscano admiravelmente, humilde, confiável, paciente, acolhendo as dificuldades com paz, disposto a cumprir em todo momento a vontade de Deus.
Vivia o ideal de pobreza com rigor e tratava com ternura aos pobre, que eram seus diletos irmãos em Cristo. Adorava com sumo fervor a Eucaristia e levava gravado em seu coração o amor a Maria. Com esse espírito mariano alentou aos fiéis a penetrarem profunda e fervorosamente em seu culto e a viverem piedosamente. Impulsionou peregrinações ao Santuário da Virgem Du-Cap, próximo a Trois-Rivières, que presidia como reitor; recordava a todos que se chega ao Filho através da Mãe. Também foi devoto do Sagrado Coração de Jesus e de São José. Compartilhou estas três dileções com o povo e produziu um notável incremento de fiéis que acudiam a Jesus, Maria e José. Pela mediação da Virgem, Frederico recebeu graças extraordinárias e ocorreram curas milagrosas. Converteu a muitas pessoas.
Infundiu grande amor à adoração eucarística. Pregava, catequizava, assistia às fraternidades franciscanas seculares, difundindo o carisma que havia abraçado. Também redigia escritos espirituais e catequéticos e buscava ajuda para erigir obras de grandes proporções como o Santuário da Virgem do Rosário, de Cap La Madeleine, - que logrou converter em um templo de adoração perpétua de Québec – e o mosteiro das Clarissas de Valleyfield. À instâncias suas, se erigiram imponentes vias sacras em vários lugares. Nada disso teria seguido adiante se não houvesse estado submerso na oração e na penitência.

Morreu em Montreal em 04 de agosto de 1916. Tinha 77 anos. São João Paulo II o beatificou em 25 de setembro de 1988. Suas relíquias são veneradas em Trois-Rivières. 

terça-feira, 16 de setembro de 2014

SÃO ROBERTO BELARMINO, Cardeal e Doutor da Igreja


São Roberto Belarmino
Sua viva fé e profunda sabedoria foram de incalculável valor para a Igreja. Se considerável parte da Áustria e da Alemanha ainda hoje permanece católica, deve-se, em boa medida, ao apostolado deste filho de Santo Inácio.


Apesar de haver ele disposto no testamento que seus funerais fossem sóbrios, como correspondia a um membro da Companhia de Jesus, quis o Papa Gregório XV dar grande solenidade às exéquias daquele Cardeal que tanto bem fizera à Igreja de Cristo. Revestido da púrpura recebida havia 22 anos, o corpo de Sua Eminência foi velado na igreja da Casa Professa dos Jesuítas, onde o povo se aglomerara para lhe prestar a última homenagem. Tornou-se necessário recorrer a uma guarda a fim de evitar a indiscreta devoção dos presentes.

Todo o Sacro Colégio participou dos ofícios, e o registro do Consistório lavrou ata da sua morte nos seguintes termos: “Esta manhã, 17 de setembro de 1621, à hora duodécima, o Reverendíssimo Senhor Belarmino, Cardeal Presbítero, de Montepulciano, passou desta região de morte para a morada dos vivos. Era um homem notabilíssimo, teólogo eminente, intrépido defensor da Fé Católica, martelo dos hereges, tão piedoso, prudente e humilde, como caridoso para com os pobres. O Sacro Colégio e toda a Corte Romana sentiram e choraram vivamente a morte de tão grande homem”.

Palavras breves e significativas, carregadas do sabor da época, bem sintetizam elas o sentir do povo romano em relação  esse Cardeal de quem afirmavam, ao vê-lo passar: "Ecco il santo! - Eis o santo!".



Precoce no estudo e na pregação

Roberto Francesco Romolo Belarmino nasceu em Montepulciano, na Toscana, em 04 de outubro de 1542. O pai, Vincenzo Belarmino, de nobreza empobrecida, ocupara durante muitos anos o cargo de governador da cidade. A mãe, Cinzia Cervini, era irmã do futuro Papa Marcelo II que governou a Igreja durante apenas 22 dias, em abril de 1555.

Desde cedo se aplicou aos estudos, aprendendo com facilidade tudo a que se dedicava, inclusive a música. Mas, encantava-lhe também visitar o Santíssimo Sacramento, e, apesar da pouca idade, observava os jejuns do Advento e da Quaresma.


Grande escritor sacro, de inteligência 

brilhante e iluminada pelo Espírito Santo, 
São Roberto foi um dos maiores expoentes 
da Igreja dos séculos XVI e início do XVII.
Encontro com a vocação religiosa

Aos catorze anos ingressou ele no colégio da Companhia de Jesus, onde começou a despontar sua vocação de grande pregador e polemista. Um pequeno episódio da época ilustra esse pendor.

Espalharam pela cidade boatos caluniosos, sobre a qualidade do ensino ministrado nesse colégio, que deixaram Roberto indignado. Para acabar com eles de vez, tomou alguns dos seus companheiros e desafiou para um debate público os melhores alunos das outras instituições de ensino. No dia combinado, coube-lhe fazer o discurso de abertura, na sala do município, onde se deu o evento. A vitória dos estudantes jesuítas foi estrondosa!

Com a palavra fácil, raciocínio metódico e lógico, e, sobretudo, piedade sincera, o jovem santo passou a ser convidado para pregar em retiros e outros eventos. O sucesso batia-lhe às portas. Sendo, ademais, sobrinho de um Papa, embora de reinado efêmero, cresciam no pai as esperanças de vê-lo levantar o nome da família, quiçá como destacado membro da corte pontifícia...

Porém, Roberto media bem os perigos da dourada ascensão que se apresentava diante dele: “Estando durante muito tempo pensando na dignidade a que podia aspirar, me veio de modo insistente a brevidade das coisas temporais. Impressionado com estes sentimentos, cheguei a conceber um horror desta vida e determinei buscar uma ordem religiosa na qual não houvesse perigo de tais dignidades”. Tomou, então, a resolução de fazer-se jesuíta.



Primeiros anos na Companhia de Jesus

Vencidas as resistências paternas e após um ano de prova na própria cidade natal, foi transferido para Roma, onde fez os votos de devoção na Companhia e começou a estudar filosofia no Colégio Romano.

Apesar de ter compleição débil e enfermiça, sua inteligência era agudíssima. Possuía, ademais, uma memória tão privilegiada que lhe bastava uma simples leitura para reter o conteúdo de um livro. Assim, marcantes foram os êxitos acadêmicos. Na defesa de sua tese de filosofia, salientou-se pela segurança e clareza de raciocínio com que expôs a matéria e respondeu às objeções propostas. Isso lhe valeu o cargo de professor de Humanidades no Colégio de Florença, apesar de seus 21 anos.

Além das aulas, recebeu também a incumbência de pregar aos domingos e dias santos diante de prelados e eclesiásticos, bem como do escol intelectual da cidade. Os categorizados ouvintes admiravam-se, mais do que por sua eloquência, por vê-lo praticar de forma coerente aquilo mesmo que lhes pregava nos sermões.

Doze meses depois, o jovem Roberto foi enviado como professor de retórica a Mondovi, onde permaneceu durante três anos. Ao ouvir ali uma das suas pregações, o Padre Provincial o encaminhou a Pádua, para os estudos de Teologia, a fim de receber as ordens maiores.

Em vista dos rápidos progressos que lá fizera, São Francisco de Borja, então Superior Geral, determinou sua ida para Lovaina, onde se precisava de homens de talento para defender o "Depósito da Fé", fortemente questionado na época pelos intelectuais luteranos.


Exímio pregador, embora ainda sem estola

Localizada a menos de vinte quilômetros de Bruxelas - próxima, portanto, de vários Estados que aderiram às teses de Lutero -, era a Universidade de Lovaina um baluarte da verdadeira doutrina. A ela chegou Roberto para permanecer dois anos, os quais se transformaram em sete, segundo a previsão que ele mesmo fizera.

Pequeno de estatura, o jovem jesuíta era um gigante no púlpito. Aos domingos, pregava em latim na igreja do ateneu, repleta de um público habituado a escutar com espírito crítico os mais doutos pregadores. Preciosos foram os frutos desses sermões: católicos hesitantes eram confirmados na Fé, numerosos jovens consagravam-se ao serviço de Deus, muitos protestantes se convertiam. Não faltavam entre eles os que, vindos da Holanda ou da Inglaterra para ouvi-lo e refutar-lhe os argumentos, retornavam arrependidos. Em Gante, a 25 de março de 1570, recebeu Roberto o presbiterato.




O período mais fecundo de sua vida

Renhidas polêmicas marcavam a época. Os problemas levantados pelos protestantes levaram o padre Belarmino a estudar o hebraico, a fim de adquirir uma segurança exegética ainda maior. Chegou a compor, para seu uso, uma gramática dessa língua, que acabou sendo também de grande ajuda para seus alunos.

São Roberto estudou ainda, com afinco, os Padres da Igreja, os Doutores, Papas, Concílios e a História da Igreja. Aparelhou-se, assim, para uma forma de ensino sólida, orientada para um gênero de apologética na qual os erros eram sempre impugnados com respeito e prudência.

Foi o período mais fecundo de sua vida. As principais universidades da Europa, inclusive a de Paris, disputavam-no como professor de Teologia. Até mesmo São Carlos Borromeu chegou a solicitá-lo para Milão. Contando apenas 30 anos de idade, arcava com imensas responsabilidades pastorais e acadêmicas, as quais desempenhava com virtude e talento. Isso levou os superiores a adiantarem sua profissão solene.



Controvérsias: a "Summa" de Belarmino

Algum tempo mais tarde, a Santa Obediência o fez retornar à Cidade Eterna. Gregório XIII fundara no Colégio Romano uma cátedra de apologética chamada Controvérsias, com o objetivo de ensinar a verdadeira doutrina contra os erros que pululavam nos centros universitários de então. São Roberto encarregou- se dela por doze anos, durante os quais refutou primorosamente as objeções dos protestantes. Seus ensinamentos durante esse longo período foram compilados, por ordem dos seus superiores, na monumental obra Controvérsias.

Considerada a "Summa" de Belarmino, ela foi acolhida com grande entusiasmo e traduzida para quase todas as línguas europeias. São Francisco de Sales, o grande Bispo de Genebra, afirmou ter pregado por cinco anos contra os calvinistas em Chablais, usando apenas a Bíblia e as Controvérsias de Belarmino.

Até mesmo os protestantes deram testemunho da eficácia e valor desta obra. Guiène reconheceu valer o santo jesuíta, por si só, por todos os doutores católicos. Bayle confessou não ter havido nenhum autor que tenha sustentado melhor a causa da Igreja. E ficou célebre a confidência do sucessor de Calvino, Théodore de Bèze, ao desabafar com seus amigos, batendo com a mão nas Controvérsias: “Eis o livro que nos deitou a perder”.

Assim, a fé viva e a profunda sabedoria do santo, bem como seu método tomista de argumentar - começando sempre por expor com imparcialidade as razões e argumentos apresentados pela parte contrária -, foram de incalculável valor para a defesa da Igreja. Se a maior parte da Áustria e quase um terço da Alemanha ainda hoje permanecem católicos, podemos afirmar dever-se, em boa medida, ao apostolado de São Roberto Belarmino.

"‘Ó! Se soubésseis quantos filhos restituístes a Cristo!', escrevia--lhe o Duque Guilherme da Baviera, ao pedir-lhe licença de traduzir as ‘Controvérsias'".



Amizade e admiração entre santos

Naquele período conturbado para a Igreja, muitos foram os jesuítas que praticaram a virtude em grau heroico, merecendo ser elevados à honra dos altares. Com alguns deles teve São Roberto um trato mais estreito.

Sendo diretor espiritual do Colégio Romano, coube-lhe ser confessor de São Luís Gonzaga, que o admirava como a um Anjo. Aquele, por sua vez, dizia nunca haver tratado com alma tão pura e delicada quanto a deste jovem.

Mais tarde, durante uma visita como provincial ao colégio de Lecce, no sul da Itália, conheceria São Bernardino Realino. Quando os dois jesuítas se encontraram, caíram de joelhos, um diante do outro, e se abraçaram. "Um grande santo nos deixou"5- disse São Bernardino quando partiu o superior. Ambos jesuítas, unidos desde aquele momento por uma amizade toda sobrenatural, veneravam-se mutuamente como santos.



Cardeal em nome da Santa Obediência

A fecunda atuação de São Roberto Belarmino na Cidade Eterna não se circunscrevia ao Colégio Romano, do qual passaria, em 1592, a ser Reitor. Entre outros encargos, foi ele teólogo do Papa Clemente VIII, consultor do Santo Ofício e teólogo da Penitenciária Apostólica. Fez também parte da comissão encarregada de preparar a edição clementina da Vulgata, versão oficial da Bíblia para o rito latino até 1979, quando foi substituída pela Neovulgata.

Sua nomeação como Cardeal era inevitável. Ele, porém, recusava-se a aceitar o cargo, alegando incompatibilidade com seus votos. Mas o Papa Clemente VIII o obrigou a aceitar em nome da Santa Obediência, afirmando: "Nós o elegemos porque não há na Igreja de Deus outro que lhe equipare em ciência e sabedoria".

Com o mesmo espírito religioso, desinteresse e abnegação que o caracterizaram até aquele momento, dedicou-se aos trabalhos, muitas vezes espinhosos, exigidos aos prelados romanos. Mas em 1602, Clemente VIII o liberou da pesada carga nomeando-o Arcebispo de Cápua, conferindo-lhe ele mesmo a ordenação episcopal.


À frente da Arquidiocese de Cápua

Gozando já em vida de fama de santidade, o Cardeal Belarmino foi recebido na catedral com grande pompa e enorme concurso de fiéis, que tocavam nele medalhas e terços.

Seu governo começou por uma reforma geral do clero. Entrevistou-se em particular com cada um dos presbíteros, usando de bondade e firmeza evangélica para com os transviados. Manifestava-se disposto a perdoar os mais graves pecados aos arrependidos, mas mantinha uma inflexibilidade completa para com os recalcitrantes: aut vitam aut habitum - ou mudança de vida ou de hábito.

Na catedral, deu nova vida ao coro, participando ele próprio da recitação do Ofício. Dedicou-se com frequência à pregação, como era seu costume, usando deste meio para as almas. Visitou também todo o território da arquidiocese, estimulando a piedade dos fiéis e ajudando a reerguer os conventos decadentes. Mas, como bom filho de Santo Inácio, dava particular importância à formação: ele próprio ensinava o Catecismo nas paróquias e na catedral, aos domingos.

No meio de todas essas ocupações, sua vida espiritual era uma obra-prima de serenidade. Conseguia organizar seu tempo de modo a encontrar momentos para pensar, meditar, rezar, estudar, escrever, sem descuidar as obrigações para com seu rebanho. Pelo contrário, era do recolhimento e da oração que hauria as forças para a ação pastoral.

Que linda ilustração da tese de D. Chautard: o apostolado é o transbordamento da vida interior!




Eleição do novo Papa

Agrave; morte de Clemente VIII, o Cardeal Belarmino regressou a Roma para participar de um Conclave, pela primeira vez. O papa eleito foi Leão XI, falecido menos de um mês depois.

No segundo Conclave, São Roberto chegou a ter um bom número de votos. Mas, assim como recusara as honras de Cardeal, revela em sua Autobiografia haver pedido a Deus, naqueles dias, que fosse escolhido alguém mais apto, rezando com insistência: "Do Papado, livrai-me, Senhor!".

Eleito Paulo V, este o trouxe para junto de si, fazendo-o deixar definitivamente a Arquidiocese de Cápua. Ainda dezesseis anos passaria em Roma, desempenhando os mais altos cargos a serviço da Santa Sé e intervindo nos assuntos mais importantes, para cuja resolução exercia o seu parecer uma influência decisiva.



Serenidade na vida e na morte

Ao sentir se aproximar a morte, São Roberto pediu ao recém-eleito Papa Gregório XV dispensa de todos os seus cargos na Cúria e retirou--se para o Noviciado de Santo André, no Quirinal, a fim de "esperar o Senhor", como costumava dizer. Ele chegou em 17 de setembro de 1621. Depois de curta enfermidade, tendo recebido a visita de muitas pessoas ilustres - incluindo o próprio Papa -, que lhe pediam um último conselho ou uma bênção, despediu-se desta terra com uma sereníssima morte.

Pio XI o canonizou em 29 de junho de 1930, e o declarou Doutor da Igreja no ano seguinte. Aquele que, durante a vida, com tanto empenho fugira de honras e dignidades, tornava-se assim o único jesuíta inscrito na lista dos santos como Cardeal e como Bispo.

(Irmã Clara Isabel Morazzani Arráiz, EP; Revista Arautos do Evangelho, Set/2010, n. 105, p. 30 à 33)