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quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Beatos Mártires Claretianos (Missionários Filhos do Coração Imaculado de Maria) de Barbastro, Espanha - Guerra Civil Espanhola, 1936.


Hoje vou apresentar um magnífico grupo de cristãos, que entregaram a vida por Cristo com uma valentia, uma heroicidade, com um entusiasmo transbordante, que me dão um grande exemplo radical de amor a Jesus Cristo sem par, um dos martírios mais comoventes da história moderna da nossa Santa Igreja Católica.

Era o mês de agosto de 1936. A perseguição marxista contra a Igreja tinha-se abatido em toda a Espanha com uma fúria diabólica. O Seminário dos Missionários Claretianos da cidade de Barbastro foi feito prisioneiro na sua totalidade. Ignorando que os três padres superiores do seminário tinham sido já assassinados, toda a comunidade (padres, irmãos e seminaristas) foi encarcerada na cave de um antigo colégio. Para que os jovens seminaristas ficassem sem apoio dos padres ou dos Irmãos (religiosos não-sacerdotes), os milicianos executaram no dia 12. Havia a expectativa, que mediante alguma tortura, os amedrontados jovens seminaristas renunciassem à sua religião e sua Fé em Jesus Cristo, tornando-se nuns apóstatas. Ficavam assim, 40 jovens seminaristas desapoiados e deixados à sua sorte. Assim pensavam os vermelhos. Mas aquele punhado de valentes, verdadeiros cristãos, jovens com uma fé adulta, agigantaram-se e prepararam-se para o martírio.

As três semanas precedentes tinham sido terríveis. Na cave que fazia de prisão, aqueles presos sofreram toda a espécie de indignidades, privações e insultos. Tentavam vencer a resistência dos jovens, e recorreu-se a prostitutas, ameaças, ofertas de liberdade em troca de abandonarem sua vocação... E isto até ao último instante.

Até que ao verem que não conseguiam vergar aqueles valentes cristãos, se disseram claramente qual era a causa da sua morte: "Não vos odiamos a título pessoal, mas sim à vossa religião, a vossa sotaina, esse trapo repugnante. Se as tirarem, pouparemos vossas vidas. Mas a matar-vos, será com ela vestida, e assim sereis com a sotaina sereis enterrados". Assim souberam eles porque os perseguiam. Morreriam mártires por Jesus Cristo, e nada mais que por Jesus Cristo.

No dia 12 de agosto foi um grande dia na prisão. Desse dia nos chegaram uns testemunhos escritos verdadeiramente memoráveis. Em papel que embrulhava os chocolates que lhes ofereceram para o pequeno-almoço. Cada um escreveu um lema, uma frase que resumia o seu ideal de vida, e de seu martírio. Quarenta assinaturas que escrevem uma das mais gloriosas páginas da Santa Igreja Católica do século XX: "Viva Cristo-Rei!"; "Viva o Coração Imaculado de Maria!"; "Morro contente por Deus!... Nunca imaginei ser digno de receber esta Graça!"; Por Ti, Meu Deus, pela Santíssima Virgem meu sangue dou!”, e assim todos os 40!

Não creio que exista na história da Igreja um documento martirial como este. E dizem as testemunhas: "Todos estavam contentes e se felicitavam entre eles, como os Apóstolos, por terem sido considerados dignos a sofrer pelo nome de Jesus". Ao anoitecer, os candidatos ao martírio, abraçavam-se, beijavam mutuamente os pés e as faces uns dos outros, choravam de alegria por estar próximo o fuzilamento...

Às 24h00 do dia 13, irrompiam os milicianos na cave. Leram 20 nomes, em que cada um era vigorosamente respondido com um "Presente!". Alguns beijavam com amor as cordas que lhes atavam as mãos, e todos dirigiam palavras de perdão aos seus verdugos. Atravessaram a praça cheia de gente. E ao subir para uma camioneta de caixa aberta, gritavam entusiasticamente: "Viva Cristo-Rei!", e os presentes respondiam: "Morram, morram! Canalhas, vão ver o que vos espera no cemitério!" E era uma cena impressionante, pois ao longo da noturna viagem de três quilômetros em cima da camioneta, cantavam e rezavam. Alegres! Diz o relato de uma testemunha dessa noite: "Todo Barbastro os ouviu! Todos cantavam cânticos religiosos. E eram inocentes com anjos!" Recusado a última oferta de liberdade em troca da apostasia, todos caíram debaixo das balas com o nome de Jesus nos lábios, como confessou um dos assassinos: "Com os braços abertos, em cruz, e gritando Viva Cristo-Rei, receberam a descarga dos projeteis".

A meia-noite do dia 15, os vinte restantes iam para o Céu, celebrar a grande festa da Assunção. Animados pelo exemplo dos seus colegas anteriores, deixaram escrito: "Morremos todos contentes, e nenhum de nós sente desânimo ou pesar". Repetiram-se as mesmas cenas, trágicas para uns, porque nessa noite, os vermelhos não iam tolerar aquele escândalo dos "Vivas" e dos cânticos religiosos ao meio da noite pelas ruas, e a golpes de coronhada das espingardas, desfizeram o crânio de um deles, embora não tenham conseguido os seus intentos, e até pelo contrário, incentivou os seminaristas a cantar com redobrado entusiasmo louvores a Cristo-Rei, ao Coração de Maria, à religião católica e ao Santo Padre.

Um dos verdugos, refugiado em Paris, depois de terminada a Guerra Civil, dizia: "Não havia quem os fizesse calar. Por todo o caminho foram cantando e dando Vivas a Cristo-Rei. Nós, mesmo dando golpes com a coronha das armas, não os conseguíamos fazer parar. E não pense que eram golpes mansinhos... Um deles caiu morto, com a cabeça aberta. Mas quanto mais lhes batíamos, mais forte cantavam e gritavam, Viva Cristo-Rei!"

Três dias mais tarde, morriam também fuzilados dois companheiros, que por doença, tinham sido transferidos para o Hospital. Ficava assim completo o número daquela comunidade cristã: os 51 Missionários Claretianos Mártires: nove sacerdotes, cinco Irmãos missionários e 37 seminaristas, que em Barbastro encheram a nossa Santa Igreja Católica Apostólica Romana de Glória.

Em outubro de 1992 foram Beatificados pelo Santo Padre João Paulo II, em Roma. No final da Missa, o Papa emocionado, exclamou: "Pela primeira vez na História da Igreja, todo um Seminário Mártir!".



Nesse mesmo ano de 1992, abriu em Barbastro, o Museu do Mártires Claretianos, relicário dos seus restos, seus testemunhos, suas mensagens, suas recordações, local de peregrinação para milhares de fiéis católicos do mundo inteiro.

Hoje, o testemunho desses jovens seminaristas, inspira muito vocacionados a entregarem suas vidas ao Senhor ao serviço na Sua Igreja.
É esta a fibra dos santos da minha Igreja, na qual tenho a imensa Graça de caminhar na Fé!

Bem Aventurados Mártires de Barbastro, rogai por nós, pobres pecadores! 




A lista dos bem-aventurados mártires: 
Felipe de Jesús Munárriz Azcona, sacerdote professo
Leoncio Pérez Ramos, sacerdote professo
Juan Díaz Nosti, sacerdote professo
+ 2 agosto 1936

Gregorio Chirivas Lacamba, religioso professo
Nicasio Sierra Ucar, sacerdote professo
Sebastián Calvo Martínez, sacerdote professo
Pedro Cunill Padrós, sacerdote professo
Wenceslao Clarís Vilaregut, chierico professo
José Pavón Bueno, sacerdote professo
+ 12 agosto 1936

Secundino Ortega García, sacerdote professo
Javier Luís Bandrés Jiménez, clérigo professo
José Brengaret Pujol, clérigo professo
Manuel Buil Lalueza, religioso professo
Antolín Calvo y Calvo, clérigo professo
Tomàs Capdevila Miró, clérigo professo
Esteban Casadevall Puig, clérigo professo
Eusebi Maria Codina Millà, clérigo professo
Juan Codinachs Tuneu, clérigo professo
Antonio Dalmau Rosich, clérigo professo
Juan Echarri Vique, clérigo professo
Pedro García Bernal, clérigo professo
Hilario Llorente Martín, clérigo professo
Alfonso Miquel Garriga, religioso professo
Ramon Novich Rabionet, clérigo professo
José Ormo Seró, clérigo professo
Salvador Pigem Serra, clérigo professo
Teodoro Ruiz de Larrinaga García, clérigo professo
Juan Sánchez Munárriz, clérigo professo
Manuel Torras Sais, clérigo professo
+ 13 agosto 1936

Luís Masferrer Vila, sacerdote professo
José Amorós Hernández, clérigo professo
José Maria Badía Mateu, clérigo professo
Juan Baixeras Berenguer, clérigo professo
José Blasco Juan, clérigo professo
Rafael Briega Morales, clérigo professo
Francisco Castán Meseguer, religioso professo
Luís Escalé Binefa, clérigo professo
José Figuero Beltrán, clérigo professo
Ramon Illa Salvia, clérigo professo
Luís Lladó Teixidor, clérigo professo
Manuel Martínez Jarauta, religioso professo
Miguel Masip González, clérigo professo
Faustino Pérez García, clérigo professo
Sebastian Riera Coromina, clérigo professo
Eduardo Ripoll Diego, clérigo professo
José Ros Florensa, clérigo professo
Francisco Roura Farró, clérigo professo
Alfonso Sorribes Teixidó, clérigo professo
Agustín Viela Ezcurdia, clérigo professo
+ 15 agosto 1936

Jaime Falgarona Vilanova, clérigo professo
Atanasio Vidaurreta Labra, clérigo professo

+ 18 agosto 1936

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