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sábado, 12 de julho de 2014

SANTA JULIANA FALCONIERI, VIRGEM E FUNDADORA (Ordem das Servas de Maria) - dois relatos biográficos.



Primeiro relato:

Santa Juliana de Falconieri Nasceu Juliana em 1270, filha de Caríssimo e Ricordata. Caríssimo era irmão de santo Alexis Falconieri, um dos fundadores dos Servitas. Caríssimo tornou-se muito rico, por sua habilidade comercial; temendo não ter ganhado honestamente as suas posses, pediu ao papa Urbano IV a absolvição geral e empregou os seus haveres em boas obras. Era bem idoso já, quando lhe nasceu Juliana. As primeiras palavras que a menina pronunciou foram Jesus e Maria. Caríssimo morreu pouco tempo depois.

Desde 1284, recebeu o hábito de terceira na Ordem dos Servos de Maria (chamados de “Servitas”), dado por são Filipe Benício. Durante um ano foi objeto de admiração para sua família e para sua mãe. Na presença de são Filipe fez ainda a sua profissão; pouco tempo depois ele faleceu, não sem recomendar-lhe a Ordem toda, mas, particularmente, as Irmãs.

Há muito tempo Juliana conhecia os instrumentos de penitência; jejuava às quartas e sextas-feiras, não recebendo senão a santa comunhão; aos sábados comia apenas um pouco de pão e tomava água, e passava o dia a contemplar as Sete Dores de Maria; a sexta-feira era consagrada aos mistérios da Paixão do Senhor, em honra dos quais se flagelava até o sangue.
 Após a morte de sua mãe, ocupou-se em reunir aquelas que, querendo se consagrar a Deus como ela, até então tinham vivido nas casas de suas famílias. Uma vez todas instaladas na casa, ela própria quis pedir a admissão, de pés nus e com uma corda ao pescoço, batendo à porta.
O papa Bento XI, em 1304, declarou essa Congregação verdadeira Ordem religiosa. Dois anos mais tarde, Juliana aceitou ser superiora. Tendo viva consciência de que aquele que está mais altamente colocado deve ser o servo dos outros, procurava sempre os trabalhos mais humildes. Dormia pouco, estendida sobre chão nu; suas orações, que duravam até um dia inteiro, obtiveram-lhe a graça e a força de resistir às mais abomináveis tentações.
Pacificou discórdias civis, interessou-se pelos pobres e pelos doentes, que ela curava ao contato de suas mãos.

Morte de santa Juliana Falconieri
No fim de sua vida, por causa de doença do estômago, não suportou mais alimento algum, nem mesmo a comunhão. Na hora da morte, não podendo receber o viático, suplicou ao padre Tiago de Campo Regio que lhe trouxesse ao menos o cibório em sua cela; ela se estendeu então por terra, e com os braços em cruz, quis que um corporal fosse estendido sobre o seu peito e que a santa hóstia fosse aí depositada; esta, assim que foi depositada, desapareceu misteriosamente, e Juliana morreu dizendo: “Meu doce Jesus”! Era o dia 19 de junho de 1341.

Por ocasião da toalete fúnebre, encontrou-se sobre o coração da santa, a marca da hóstia como um selo, com a imagem de Jesus crucificado. O Senhor, que ela tanto desejara receber, tinha-a escutado para além de toda esperança. Em memória desse milagre, as “Mantellate” (assim foram apelidadas as irmãs Servitas) trazem sobre o lado esquerdo do escapulário a imagem de uma hóstia.
Seu corpo é venerado em Florença, na basílica da Santíssima Anunciada. Foi proclamada santa por Clemente XII em 1737.


Fonte: “Um santo para cada dia”, de Mario Sgarbossa e Luigi Giovannini, da Paulus. 







Santa Juliana Falconieri (estátua existente
na Basílica de São Pedro, Vaticano)

Segundo relato:

Na cidade de Florença havia dois irmãos, nobres e ricos, Caríssimo e Aléssio Falconieri; exerciam o comércio como a maior parte das mais ilustres famílias de Florença e de outras cidades da Itália. O bem-aventurado Aléssio Falconieri tinha devoção particular pela Mãe de Deus. Foi um dos sete comerciantes de Florença, todos bem-aventurados, que, com são Felipe Benício, seu compatriota, fundaram a ordem dos Servitas. Caríssimo Falconieri, avançando em idade, impressionou-se com o exemplo e as exortações do piedoso irmão.

Passando uma acurada revista na vida, muito se inquietou com a possibilidade de ter adquirido algo por vias injustas. Pediu esclarecimentos a Deus, fez restituições e esmolas. Enfim, em 1263, suplicou ao Papa Urbano IV lhe concedesse uma absolvição geral por todos os erros que poderia ter cometido sem saber. O soberano Pontífice concedeu-lhe sob certas condições, que Caríssimo cumpriu com zelo.

Além das restituições e das esmolas, mandou construir em Florença uma igreja da Anunciação que, pela riqueza e beleza de arquitetura, é ainda hoje considerada uma maravilha. Foi recompensado de mais de uma maneira. Era já velho, quando lhe nasceu uma filha, que foi Santa Juliana Falconieri. Era pelo ano de 1270: a alegria foi grande para toda a família.

Juliana perdeu o pai pouco depois; apenas se lembrava de tê-lo visto. Mais tempo conservou o bem-aventurado tio Aléssio, que foi seu pai na piedade. As primeiras palavras que Juliana aprendeu a balbuciar foram os nomes de Jesus e Maria. Pronunciava-as tão frequentemente, que a ama muito se admirava, e sua piedosa mãe a via com alegria.

O bem-aventurado Aléssio dizia à cunhada que ela havia dado à luz não uma menina, mas um anjo, À medida que crescia, Juliana ocupava-se muito mais nos exercícios de devoção que lhe ensinava o santo tio, do que nos afazeres das mulheres, a que sua mãe se empenhava por habituá-la. Em lugar de manejar as agulhas e o fuso, construía pequenos altares, lia livros de piedade, cantava louvores da santa Virgem, recitava orações. Sua mãe com ela ralhava por vezes, dizendo que não sabia manter um ofício e dificilmente encontraria um marido. Juliana contentava-se em responder: Quando vier o tempo, a santa Virgem providenciará.

Como se tornasse muito bela com o correr dos anos, e virtuosa, a mãe alimentava dia por dia maiores esperanças em vê-la encontrar um dos mais honrosos partidos; já falava disso com o pessoal da casa. Mas Juliana tinha pensamentos inteiramente outros. De acordo com as inspirações do santo tio, havia resolvido guardar a virgindade, e consagrar-se ao serviço da Santa Virgem. Eis porque, nada obstante as exortações de sua mãe, nada obstante as carícias da família e do mundo, ligou-se pelo voto de continência, pronta a renunciar ao mundo e à família, para seguir Jesus Cristo pobre, desde que obtivesse permissão.

Completados, pois, seus dezesseis anos, recebeu das mãos de são Felipe Benício o hábito da ordem terceira dos Servitas. Meditou piedosamente nos mistérios durante o ano de provação. A túnica negra representava-lhe a tristeza de Maria sobre o Calvário, e a grandeza de seu martírio entre os sofrimentos do filho: a cintura de pele representava-lhe a pele do Salvador dilacerada pelos açoites, pelos pregos e pela lança; o véu branco a pureza da Virgem; a coroa os louvores que lhe foram rendidos pelo arcanjo. O livro lhe sugeria as meditações sobre a paixão de Jesus Cristo; o manto lhe recordava a proteção da mão de Deus, a quem se rejubilava em pertencer; o círio esta lâmpada acesa que devia trazer pronta, como virgem prudente, para ir ao encontro do esposo. Meditando assim sobre o seu piedoso hábito, Juliana foi uma edificação constante para a mãe, a família e todas as irmãs. No ano seguinte, 1285, fez profissão diante de São Filipe, que morreu pouco após.

A lembrança desse santo homem despertava nela de dia para dia, maior desejo de perfeição. Continuou junto de sua mãe, mas aumento muito as austeridades precedentes. Nas quartas e sextas-feiras tomava por alimento apenas a santa comunhão. Jejuava ainda no sábado, a pão e água, em honra da Virgem Santa, em cujas sete dores meditava. Empregava as sextas-feiras na meditação da paixão do Salvador. Para se tornar semelhante a ele, macerava a carne até o sangue, com rudes disciplinas. Muitas vezes foi arrebatada em êxtases, pelo veemente desejo de ser crucificada com Jesus sofredor. À sua morte encontraram-lhe uma cintura de ferro sobre os rins e tão fundo tinha penetrado na carne, que não puderam retirá-la sem lesar o corpo; isso faz crer que ela a carregasse desde a juventude. Seu tio, o bem-aventurado Aléssio Falconieri, dava-lhe o exemplo; recusou sempre ser promovido nas ordens sacras, e permaneceu a vida inteira na ordem leiga, dedicando-se aos mais humildes misteres, e mendigando todos os dias o pão para os irmãos. Da mesma maneira a sobrinha, em lugar de viver nobremente de seus bens, preferia ganhar a vida com o trabalho das mãos e partilhar o lucro com as irmãs. Imitou principalmente Filipe Benício, no zelo pela conversão das almas.

Com a morte da mãe, entrou no convento de suas irmãs da ordem terceira, e atraiu para lá várias nobres jovens de Florença. Em 1316, foi mister dar a esta casa uma regra definitiva e uma superiora. Juliana foi eleita prioresa por unanimidade. Recusou por longo tempo, julgando-se incapaz e indigna, e acabou aceitando por lembrar-se das palavras de são Filipe Benício, que lhe recomendara a congregação nascente, como prevendo que ela seria, um dia, a segunda fundadora. Foi-o menos pela autoridade do que pelo exemplo. A longevidade era como que um privilégio hereditário na família; seu tio, o bem-aventurado Aléssio, tinha cento e dez anos quando morreu, em 17 de Fevereiro de 1310. Se Juliana não ultrapassou os setenta, deve-se atribuir o fato às grandes austeridades. As religiosas da ordem terceira dos Servitas devotavam-se particularmente ao serviço dos enfermos e a outras obras de caridade. Juliana sofreu também longa e penosa enfermidade, que suportou com paciência inalterável. Um vômito contínuo não permitia lhe administrassem o santo viático nos últimos momentos.


Morte de Juliana Falconieri, após a Sagrada Hóstia ter sido
colocada por sobre seu peito. 


Corpo incorrupto de Santa Juliana Falconieri


O Salvador dignou-se fazer um prodígio para unir-se à esposa: a santa hóstia, colocada sobre o seu coração, desapareceu subitamente. No mesmo instante ela faleceu. Era no dia 19 de Junho de 1340. A verdade de diversos milagres, operados por sua intercessão, foram juridicamente provados, e Bento XIII beatificou-a em 1729 e Clemente XII terminou o processo de canonização.

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