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sábado, 31 de maio de 2014

SANTA GERTRUDES COMENSOLI, Virgem e Fundadora do Instituto das Irmãs do Santíssimo Sacramento ou Sacramentinas de Bérgamo (dois textos).


Texto do site “Zenit.org”

Gertrudes Comensoli, santa da Eucaristia e da solidariedade
(Fundadora das Irmãs do Santíssimo Sacramento ou Sacramentinas de Bérgamo)

(Carmen Elena Villa)

Santa Gertrudes Comensoli morreu enquanto contemplava o Santíssimo Sacramento exposto. Em meio à sua doença terminal, pediu que abrissem uma janela do seu quarto ao lado da capela de sua comunidade, para poder olhar para a Eucaristia em seu leito de morte.


Santa Gertrudes Comensoli
Seu nome era Catarina. Ela nasceu em 1847. Cresceu em uma família simples e profundamente crente.

«Desde menina, era muito sensível à contínua presença de Deus no meio dos homens através da Eucaristia e viveu o desejo do Senhor de cumprir o serviço do louvor para a salvação dos humanos», explica à Zenit o Pe. Riccardo Petroni, postulador de sua causa de canonização.

Em 1862, entrou no instituto Filhas da Caridade, que teve de abandonar por problemas de saúde. Depois se consagrou à Companhia de Santa Ângela, como noviça.

Buscando sempre o serviço aos mais necessitados, ela se converteu mais adiante na promotora da Guarda de Honra, uma associação que nasceu para difundir o culto ao Sagrado Coração.

Os desafios de uma sociedade industrializada

Catarina tinha uma grande preocupação: a tradicional sociedade camponesa da Itália de fins do século XIX se transformava em uma sociedade industrial. As famílias tinham de enfrentar novas exigências trabalhistas. Dava-se uma grande degradação moral no ambiente. O que mais inquietava Catarina era que as excessivas horas de trabalho «não deixavam espaço para a alma».

Vendo esta situação, Catarina assistiu em Roma a uma audiência privada com o Papa Leão XIII, que a alentou a que fizesse algo pela difícil situação social e moral que tanto estava afetando o mundo dos trabalhadores.

Catarina não pôde conter o clamor de seu coração: “Era uma voz potente a que me chamava. Eu sentia uma grande pena por não tender a Deus e à prática das virtudes; provava como uma espécie de agonia nas conversas da noite”, testemunha a santa em sua breve autobiografia.

Assim fundou o Instituto de Adoração e Educação em 15 de dezembro de 1882. Recebeu a companhia e o conselho do Pe. Francesco Spinelli e o apoio do bispo de Bérgamo, Dom Gaetano Camillo Guindan.

O primeiro objetivo era o da adoração perpétua, para que, graças à oração profunda, as religiosas pudessem projetar-se na ação de caridade para com os mais necessitados. Dois anos mais tarde, Catarina vestiu o hábito e tomou o nome de Irmã Maria Gertrudes do Santíssimo Sacramento.

“As irmãs se comprometeram em fazer que os empregos não constituíssem um risco para a salvação da alma e não fossem em abandono ou em detrimento daqueles valores sobrenaturais que pertenciam ao tecido cristão e social da Itália daquele tempo”, assegura o Pe. Riccardo.

Mas, sete anos depois, uma grande crise açoitou sua comunidade, quando o tribunal de Bérgamo declarou o instituto em quebra. “Meu Jesus, daqui a qualquer minuto virão recolher tudo. Os homens recolherão nossas coisas. Tu, recolhe meu coração em teu dulcíssimo e amável coração”, escrevia a Irmã Gertrudes.

O bispo daquela época, Dom Giambattista Rota, estendeu-lhe a mão e ela recebeu assim uma nova casa central. Desta maneira, a congregação teve os recursos para retomar seu caminho.
Altar de Adoração Perpétua na Casa Mãe do
Instituto em Bérgamo, Itália. 
Em 1900, o Instituto das irmãs do Santíssimo Sacramento recebeu o primeiro reconhecimento pontifício por parte de Leão XIII.

Hoje são 90 comunidades presentes na Itália, Brasil, Equador, Quênia, Maláui, Bolívia e Croácia. Nutridas do amor pela Eucaristia, desenvolvem seu serviço cotidiano nas obras assistenciais, educativas e litúrgicas. Faleceu em 1903. Hoje seu corpo jaz incorrupto na capela da casa central da comunidade das Irmãs do Santíssimo Sacramento, localizada na cidade de Bérgamo, ao norte da Itália. Sua cabeça conserva a posição na qual morreu, contemplando a Eucaristia. O Papa São João Paulo II a beatificou em 1989 e o Papa Bento XVI a canonizou em 26 de abril de 2009.

“Jesus Cristo vive no meio de nós para estar sempre perto, disposto a ajudar-nos. O amor o faz prisioneiro em uma hóstia, escondido dia e noite no santo tabernáculo. Ele tem suas delícias na luz inacessível do Pai e, contudo, encontra sua delícia ao estar com os homens” (Santa Gertrudes Comensoli).


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Texto do livro “Santos de Cada Dia”


Santa Gertrudes Comensoli, Fundadora - Festejada 18 de fevereiro

Quinta de dez filhos de uma família modesta, mas de profunda religiosidade, nasceu em Bienno, Brescia, Itália, a 18 de janeiro de 1847. No batismo recebeu o nome de Catarina.
Desde pequena sentiu grande atração por Jesus Cristo presente na Eucaristia. Passava horas em silêncio diante do sacrário a pensar, como ela dizia.
Começou a confessar-se aos cinco anos e aos sete, sem prevenir ninguém, aproximou-se da Sagrada Comunhão. Movida pelo Espírito Santo, fez voto de virgindade perpétua, dizendo a Nosso Senhor: “Juro um milhão de vezes que serei sempre vossa, Senhor. Se algum dia Vos hei-de ser infiel, levai-me imediatamente”.
Aos 15 anos entrou no Instituto das Irmãs de Caridade de Lovere, fundado por Santa Bartolomea Capitanio, mas deixou-o espontaneamente ao cabo de seis meses, por falta de saúde.
Em 1867, para aliviar as carências da família, foi para Chiari como empregada doméstica do arcipreste, Padre João Batista Rota, futuro Bispo de Lodi, indo depois para S. Gervasio d’Alda (Cremona) como dama de companhia da Condessa Fé-Vitali.
Foi ali que, em 1879, se encontrou pela primeira vez com o Padre Francisco Spinelli. Os dois tinham os mesmos ideais: fundar uma congregação que tivesse por fim a adoração perpétua ao Santíssimo Sacramento e a educação cristã de meninas pobres.
Em 1880, tendo estado em Roma, entrevistou-se com o Papa Leão XIII a quem falou de seu projeto. Este pontífice apoiou sua obra, mas além da adoração ao Santíssimo Sacramento enfatizou a educação das jovens operárias.



A Santa na juventude

Depois da morte dos pais e de conseguir separar-se da família Fé-Vitali, que a estimava como filha, foi para Bérgamo onde, sob a orientação espiritual do Padre Spinelli, com sua irmã Bartolomea e uma outra companheira, deu início ao novo Instituto, a 15 de agosto de 1882.
Decorrido dois anos, a 15 de dezembro de 1884, com a bênção e consentimento do Bispo, Dom Camilo Guindani, cinco Adoradoras ou Sacramentinas vestiram o hábito, e Catarina Comensoli, que tomara o nome de Irmã Gertrudes do Santíssimo Sacramento, foi eleita Superiora da comunidade, de que faziam parte outras nove religiosas que haviam professado anteriormente.
O Instituto difundiu-se rapidamente por várias cidades e povoações. Tudo parecia correr pelo melhor quando uma grande tempestade desabou sobre a Congregação. Por razões nada fáceis de apurar, as casas e bens do Instituto foram confiscados, sem culpa dos fundadores. Por outro lado, entre eles tinha havido já um certo desentendimento: a Irmã Gertrudes desejava que o Instituto desse primazia à adoração ao Santíssimo, ao passo que o Padre Spinelli era de opinião que as obras de caridade deviam ocupar o primeiro posto. Quando o caso da falência se veio juntar a esta divergência, o desfecho natural era cada um seguir o próprio caminho.
A Irmã Gertrudes, por conselho do Bispo Guindani, afastou-se temporariamente de Bérgamo, levando consigo um grupo de religiosas, que tomaram o nome de Sacramentinas. Foram para Lodi, onde o Bispo João Batista Rota as acolheu favoravelmente e em 8 de setembro de 1891 lhes concedeu a aprovação diocesana.
No ano seguinte, a 28 de março, puderam regressar à casa de Bérgamo já resgatada da hipoteca. Foi ali que a Madre Gertrudes passou os últimos anos de vida. Aproveitou-os para dar consistência e desenvolvimento ao Instituto e sobretudo para lhe incutir o carisma próprio da adoração e reparação ao Santíssimo Sacramento.

Adoradora diante do Santíssimo

A Santa Sé concedeu-lhes o Breve laudatório a 11 de abril de 1900 e a aprovação definitiva a 14 de dezembro de 1906, quando a fundadora já havia partido para a eternidade. Com efeito, Madre Gertrudes havia falecido aos 56 anos, no dia 18 de fevereiro de 1903.
O solene funeral bem mostrou de quanta veneração ela gozava entre todos. Em 09 de agosto de 1926, o venerado cadáver (incorrupto) foi transportado do cemitério para a Casa Mãe, onde permanece numa capela apropriada, contígua à Igreja da Adoração.
A sua fama de santidade confirmou-se no processo canônico, que levou à declaração das virtudes heróicas a 26 de abril de 1961.
Deus corroborou com um milagre, aprovado no dia 13 de maio de 1989, quanto foi preciosa aos Seus olhos a vida e morte de Madre Gertrudes Comensoli, que finalmente recebeu as honras da beatificação no dia 1º de outubro do mesmo ano.
Em 26 de abril de 2009, Bento XVI a inscreveu no livro dos Santos.

quinta-feira, 29 de maio de 2014

Beata Imelda Lambertini, Virgem, Padroeira da Primeira Comunhão e dos Primeiros Comungantes.


Imelda Lambertini nasceu na cidade de Bolonha, Itália, no ano de 1322, num ambiente de muita fé e piedade. Desde tenra idade, assimilou com especial afeição a primorosa educação recebida. Seu amor a Deus, sua conduta incomum no dia a dia chamava muito a atenção dos pais. Era de fato, uma menina muito especial. Os jogos infantis não lhe agradavam como a oração. Costumava esconder-se nos locais mais ocultos da casa para aplicar-se a ela.  Sua mãe, sempre a encontrava ajoelhada e rezando, quando sentia falta da filha em casa.

Ao completar nove anos de idade a menina pede insistentemente para ingressar no Convento das Irmãs Dominicanas, porém, a Madre superiora de todas as formas tentou persuadi-la a esperar, pois que a idade ainda não permitia que fosse admitida entre as irmãs do convento.

Como a insistência de Imelda tornou-se constante, a Madre, que conhecia seus pais, indagou se não estava feliz por ter pais maravilhosos e boas condições de vida em casa, tendo ela prontamente respondido que estava sim, muito feliz, que amava sua família, mas que as irmãs tinham algo a mais que lhe atraía muito: "Nosso Senhor".  Era a devoção à Santíssima Eucaristia que verdadeiramente lhe encantava e lhe enchia a alma de amor e devoção.  Finalmente, a Madre chamou seus pais e lhes pediu permissão para que Imelda fosse admitida, pelo menos a título de experiência, já que o desejo ardente de ingressar no convento era já notório também para seus pais. Apesar de entristecidos, percebiam que Deus reservara algo de extraordinário para a pequena filha.  Por isso, acabaram aceitando a proposta da Reverenda e consagraram-na a Deus.

Consumado seu ingresso, tudo lhe era motivo de encanto, os momentos de oração, o hábito das Irmãs, o silêncio.  Era muito amada por elas que tentavam privá-la dos serviços e da rigidez da regra, mas nada adiantava, pois queria acompanhar as irmãs em tudo, participando plenamente e auxiliando nos trabalhos monásticos no convento.   A Madre pedia que não a acordassem durante as orações noturnas, mas Imelda levantava-se no meio da noite e percorria os grandes salões do convento, caminhando e rezando silenciosamente as matinas. 

A visita ao Tabernáculo fazia sua alma transbordar de alegria. Só a pronúncia de qualquer assunto relacionado à Eucaristia, fazia com que seu rosto se transfigurasse instantaneamente.  Ela desejava ardentemente receber a Santa Comunhão.  Nessa época, as crianças não podiam receber a Primeira Comunhão com idade inferior a 12 anos.  Tal qual sua insistência para ingressar no convento, Imelda pede a graça de receber Jesus, mesmo que não tivesse completado a idade.  Pedia isso com fervor tão intenso, que as irmãs comoviam-se pelo desejo que a pequenina nutria em receber o Senhor na Eucaristia. Mas isto ainda não lhe era possível, conforme as normas da Igreja.

Assim, aceitou com resignação os argumentos das Irmãs. Porém, à medida que o tempo passava, crescia mais e mais nela o desejo de receber Jesus Sacramentado. No ano de 1333, tinha ela completado 11 anos de idade quando, depois da Santa Missa, a última freira que saiu da capela observou que a pequena Imelda, como de costume, lá permaneceu sozinha rezando mais um pouco.  Só que desta vez, a freira percebeu algo extraordinário: uma Hóstia flutuava acima dela e lhe projetava uma luz branca. Rapidamente esta irmã chamou as outras monjas e todas se prostraram diante deste milagre.  A Madre, constatando que se tratava de manifestação real de Deus para que a menina recebesse a Primeira Comunhão, chamou o pároco.  Ao chegar com a patena de ouro nas mãos, o padre admirado, dirigiu-se até à Hóstia.  Assim que se aproximou da menina ajoelhada, a Hóstia pousou sobre a patena.  Assim, foi-lhe administrada a Primeira Comunhão. Em seguida, vagarosamente, Imelda baixou a cabeça em oração.
Corpo da Beata Imelda, que se conserva intacto
há 680 anos! 
 Imelda permaneceu assim, diante das irmãs por um tempo demasiadamente longo.  Isto fez com que a Madre fosse até ela, que a nada respondia.  Tentando levantá-la cuidadosamente pelos ombros, a menina caiu em seus braços, trazendo no rosto uma expressão delicada, de inexplicável alegria.  Havia partido para o Céu naquele sublime momento.  A alegria de receber Nosso Senhor foi demais para o pequeno coração que ardia pela presença real de Cristo na Eucaristia.  Certa vez, Imelda já havia dito às Irmãs: "Eu não sei por que as pessoas que recebem Nosso Senhor não morrem de alegria"

 A pequena Imelda Lambertini foi beatificada em 1826 pelo Papa Leão XII, e foi proclamada Patrona das Primeiras Comunhões em 1910 pelo Papa São Pio X.  Foi neste ano que foi declarado que as crianças menores de 12 anos poderiam receber a Primeira Comunhão.


Até hoje, seu pequeno corpo virginal se encontra intacto, depois de mais de 680 anos, numa redoma de cristal, na Igreja de São Sigismundo, em Bolonha.
Em 1826 o Papa Leão XII confirmou e estendeu para toda a Igreja o culto que havia séculos se prestava a ela em Bolonha. E São Pio X a proclamou, em 1908, Padroeira das Crianças que vão fazer a Primeira ComunhãoSua memória litúrgica é celebrada no dia 12 de maio.



                                                Orações à Beata Imelda Lambertini:

Senhor Jesus, que havendo abrasado com o fogo do vosso amor e recriado milagrosamente com o alimento da Imaculada Hóstia, a Bem Aventurada Imelda, a recebestes no céu, concedendo-nos por sua intercessão aproximar-nos da Sagrada Mesa com o mesmo amor de caridade que ela, de tal maneira que ansiamos separarmos do corpo para unirmos a Vós, que viveis e reinais com o Pai e o Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos. Amém.

Menina querida do Menino Jesus, vós morrestes de amor na mesma hora em que recebestes a sua Primeira Comunhão, seja vós minha intercessora para com o divino Menino. Apresenta a Ele o meu coração, que fornece o que me falta para agradá-lo; alcança-me a graça de comungar com as devidas disposições; traga-o ao meu lado na hora de minha morte para que minha alma expire abrasada a Ele e que em companhia de ambos, viva e reine nos céus por todos os séculos dos séculos. Amém.


 Reflexões:

A meditação da história da pequena Imelda traduz o pleno conhecimento, o cristalino panorama que uma menina de apenas 11 anos tinha sobre as verdades divinas.  Visão tão clara que Imelda não entendia como as pessoas não morriam ao receber Jesus na Eucaristia.   São Tomás de Aquino, a respeito desse amor eucarístico, certa vez declarou: 

"O Martírio não é nada em comparação com a Santa Missa. Pelo martírio, o homem oferece a Deus a sua vida;  na Santa Missa, porém,  Deus dá o seu Corpo e o seu Sangue em sacrifício para os homens. Se o homem reconhecesse devidamente esse mistério, morreria de amor".


Amolece, Senhor, o nosso coração petrificado.  Aclara, Senhor, nossa visão, obscurecida pelas ilusões mundanas. Abre nossa mente, Senhor, para que possamos compreender a sublimidade da Eucaristia. Tende piedade de nós, Senhor, pela nossa indiferença na fila da Comunhão.  Aproxima-nos, Senhor, do sacramento da Penitência, para que possamos Te receber com a casa limpa, livre das imundícies que todos os dias deixamos agregar à alma.  Não permitais, jamais, Senhor, que Te recebamos indignamente. Piedade, Senhor, piedade de nós e da humanidade inteira.  Adoramos-te na Eucaristia e imploramos, por intercessão de Maria, que o Pão do Céu seja para nós SEMPRE:  alimento espiritual, remédio para a alma,  força na luta contra o mal, consolo nas tribulações e  proteção constante na caminhada terrena. Amém!

domingo, 25 de maio de 2014

Beato Francisco Xavier Seelos, Presbítero Redentorista.


Francisco Xavier Seelos nasceu no dia 11 de janeiro de 1819 em Füssen, Baviera, Alemanha. Foi batizado no mesmo dia na igreja paroquial de São Mang. Desde pequeno mostrava um grande desejo de se tornar padre e entrou para o seminário diocesano em 1842, após completar seus estudos de filosofia.
Pouco tempo depois de ter conhecido os missionários da Congregação do Santíssimo Redentor, fundada para a evangelização dos mais abandonados, decidiu entrar para esta Congregação e trabalhar junto aos imigrantes de língua alemã nos Estados Unidos. Ele foi aceito pela Congregação no dia 22 de novembro de 1842 e no ano seguinte embarcou no porto de Le Havre, na França, chegando a Nova York no dia 20 de abril de 1843.
No dia 22 de dezembro de 1844, após completar o noviciado e os estudos de teologia, Seelos foi ordenado sacerdote na Igreja Redentorista de São Tiago em Baltimore, Maryland, USA. Depois da ordenação trabalhou por nove anos na paróquia de Santa Filomena em Pittsburgh, no estado de Pensilvânia, primeiramente por seis anos como coadjutor de São João Neumann, superior da comunidade religiosa e nos últimos três anos como superior e pároco. Durante este tempo, foi também mestre dos noviços redentoristas. Com Neumann se dedicou à pregação das missões. Quanto ao relacionamento entre os dois, Seelos disse: "Ele me introduziu na vida ativa" e "foi meu diretor espiritual e confessor". Sua disponibilidade e bondade natural no entender e responder às necessidades dos fiéis, o fizeram logo muito conhecido como um excelente confessor e diretor espiritual, a tal ponto que acorriam a ele pessoas de cidades vizinhas.
Fiel ao carisma redentorista, praticou um estilo simples de vida e desenvolveu uma maneira simples de se expressar. Os temas de sua pregação, ricos em conteúdos bíblicos, sempre foram ouvidos e entendidos pelas pessoas mais simples. Dedicava-se com grande esforço em suas atividades pastorais à instrução das crianças na fé. Considerava seu trabalho ministerial fundamental para o crescimento da comunidade cristã na paróquia. Em 1854, foi transferido de Pittsburgh para Baltimore, depois em 1857 para Cumberland e em 1862 para Annapolis, sempre engajado no ministério paroquial e trabalhando na formação de futuros Redentoristas, como prefeito dos estudantes. E também quanto a este trabalho se mostrava sempre um pastor bondoso e feliz, muito atento às necessidades de seus estudantes e consciente da importância da formação doutrinal. Acima de tudo, se empenhou em incutir nestes futuros Redentoristas o entusiasmo missionário, o espírito de sacrifício e o zelo apostólico para o bem espiritual e temporal do povo.

Em 1860 foi-lhe feita a proposta de ser candidato a bispo da diocese de Pittsburgh. O Papa Pio IX aceitou suas razões para não ser eleito. De 1863 a 1866 ele se dedicou à vida de missionário itinerante, pregando em inglês e alemão nos dez estados seguintes: Connecticut, Illinois, Michigan, Missouri, New Jersey, New York, Ohio, Pensilvânia, Rhode Island e Wisconsin.
Após um breve tempo no ministério paroquial de Detroit, Michigan, em 1866 foi designado para a comunidade redentorista de Nova Orleans, Estado de Louisiana, no sul dos Estados Unidos. Também ali, na Igreja de Santa Maria da Assunção ficou logo conhecido pela sua disponibilidade aos fiéis e pela preocupação especial com os mais pobres e abandonados. Os planos de Deus, no entanto, reservaram-lhe um curto ministério em Nova Orleans. No mês de setembro, exausto de visitar e cuidar das vítimas da peste da febre amarela, ele próprio contraiu a doença fatal. Depois de sofrer pacientemente por algumas semanas, Pe. Francisco Xavier Seelos passou à vida eterna no dia 4 de outubro de 1867, quando tinha apenas 48 anos e 9 meses.

No dia 9 de abril do solene Ano Jubilar 2000, na Praça São Pedro no Vaticano, Sua Santidade o Papa João Paulo II proclamou beato o Pe. Seelos.

sábado, 24 de maio de 2014

Serva de Deus Madre Maria do Carmo da Santíssima Trindade, Madre Carminha de Tremembé.


Serva de Deus Madre Carminha, de Tremembé, São Paulo
A CARMINHA DE TREMEMBÉ

Carmem Catarina Bueno nasceu em Itu/SP, a 25 de novembro de 1898, festa de Santa Catarina de Alexandria. Seus pais eram Teotônio Bueno e Maria do Carmo Bauer Bueno, que apenas contava quinze anos ao dar à luz a sua primogênita. Da mãe herdou o caráter decidido, temperamento ardoroso. Do pai, a alma de artista.

Ao dar-lhe a luz, a jovem mãe esteve com a saúde abalada. “Nhá Cota” (apelido afetuoso dado a D. Maria Justina Camargo Bueno) pediu para cuidar da recém-nascida em Campinas, como fizera com o filho adotivo, Teotônio.

A 12 de fevereiro de 1899 é batizada da Matriz Velha, pelo Pároco Pe. Manuel Ribas D’Ávila. Como padrinhos teve Nhá Cota e seu esposo Comendador Francisco de Paula Bueno.

Em Campinas continuou a morar com os pais adotivos, feliz porque muito querida. Em Itu, o lar de seus pais se enriquece com a chegada de outros irmãozinhos: Esther (1901), Francisco (1902), Zey (1904), Dácio (1906) e José (1909).
Carminha aos 02 anos

Aos três anos a menina desaparece de casa e quando enfim a encontram, na Matriz Velha, de joelhos, no altar do Sagrado Coração de Jesus, lhe perguntam o que fazia ali; responde: – “Estou na ‘mixa’ do ‘Colação’ de Jesus!” Muitas outras vezes, ainda, repete a pequenina sua proeza.


Alegria de viver

Gostava de brincar com os companheirinhos no Largo da Matriz, correndo a pedir a bênção de seu pároco, logo que o percebia. Um de seu amigos de infância viria a ser o Bispo de Taubaté, Dom Francisco Borja do Amaral.
Carminha e Esther

Vez por outra Carminha acompanhava Nhá Cota, já viúva, para visitar os papais e maninhos. Em outras ocasiões, a família é que passeava em Campinas.






                                    Suprema recordação                 

Primeira Eucaristia
Em junho, meses após a dor de ter perdido seu papai Teotônio, no dia de São Luiz Gonzaga, 21 de junho de 1910, recebe pela primeira vez o beijo de Jesus Eucarístico, “que em Céu a transformou”, pelas mãos de Dom João Batista Corrêa Nery. Carminha teve um intenso desejo de ir para o Céu e não mais se separar de seu Deus!


Na terra carioca

Aos 15 anos vai visitar a “mamãe moça” no Rio, que oito dias depois falece em consequência do nascimento de um filho, que a precede 24 horas no túmulo.
O padrasto se vê só e com cinco enteados e solicita a presença de D. Maria Justina junto deles, que se estabelece na terra carioca junto a Carminha.


Idade dos sonhos

Em 1916 vão se estabelecer na formosa Ilha de Paquetá, na Baía de Guanabara, na Praia dos Frades.
Carmem conhece um estudante de engenharia e gostam-se imensamente. Aspiram ao matrimônio, à vida a dois. Traçam planos.


Caminhos de Deus

O estudante pertence a uma família abastada e de meio cultural muito bom, e deseja que Carminha se aprimore nos estudos, indicando-lhe “Sion”. Com o retorno de Nhá Cota para São Paulo, era a ocasião propicia para realizar a vontade do noivo.

Carminha (à direita) e
amigas. A do meio
será fundadora das Irmãs
de Jesus Crucificado
Sion

É feliz sua estadia no Colégio. Vai se tornar Filha de Maria, no dia 23 de setembro de 1917, dia em que ouve o chamado do Senhor. Rompe, então, o noivado, escrevendo sincera e delicadamente para aquele que, indiretamente, lhe proporcionara tão grande graça. Fiel por natureza, rezará pelo moço até o fim de sua vida.




Futura carmelita

Nesta ocasião lê “História de uma Alma”, da futura Santa Teresinha. Toma a resolução de ser como Teresa de Lisieux: Carmelita. Escolhe como diretor Dom Francisco de Campos Barreto que a exercitou no amor de Deus e nas virtudes.


Para a meta

Sua mana Esther ao casar-se, em 1920, convida-a e à Nhá Cota para virem para o Rio. Aí frequenta a Capela Nossa Senhora do Carmo, futura Basílica de Santa Teresinha, na Rua Mariz e Barros, onde trabalham os Carmelitas Descalços da Província Romana. É a Divina Providência tudo dirigindo.


"Santinho" das promessas de Carminha
como carmelita secular (na época, ainda
se chamava "Terceira"). 
1921: carmelita secular antes de ser monja

Transcrevo “ad literam” uma nota da época na antiga “Ordem Terceira de Nossa Senhora do Carmo e Santa Teresa de Jesus” (era assim que era chamada a Ordem Carmelita Descalça Secular na época antes do Concílio Vaticano II):

Maria do Carmo Bueno entrou para a Ordem Terceira de Nossa Senhora do Carmo e Santa Teresa de Jesus, logo após a fundação da referida Ordem em 1921, onde professou. Foi, portanto, uma das primeiras Irmãs Terceiras. Tomou o nome de Irmã Maria Benigna Consolata do Coração Eucarístico de Jesus. Teve como Priora a Irmã Teresa de Jesus, fundadora da Ordem Terceira, uma alma de escol que muito trabalhou na organização da citada Ordem.

Pouco tempo esteve a Irmã Benigna na Ordem Terceira, pois, Jesus a queria mais retirada do mundo. Durante o tempo em que permaneceu como Terceira a todos edificou pelas suas virtudes. Era simples, boa, delicada, piedosa, cumpridora dos deveres da Regra. Era também uma Irmã alegre, trazia sempre o sorriso estampado no rosto, sinal da pureza e da simplicidade que revestiam a sua alma. Por todos estes méritos chegou a ocupar o cargo de vice- Priora em fevereiro de 1925, edificando a todas as Irmãs pelo seu fino trato.

Como veremos a seguir, em Março de 1926, entrou para o Carmelo de São José, sob a orientação dos Padres Carmelitas Descalços, tornando-se assim uma Carmelita enclausurada para entregar-se melhor à vida de oração, de contemplação, de sacrifício.

Ótimo elemento perdeu a Ordem Terceira com a saída da querida irmã que no Carmelo trilhou o caminho da perfeição, da santidade, chegando a ocupar o alto cargo de Priora.

A Ordem Terceira de Nossa Senhora do Carmo e Santa Teresa de Jesus, instalada na Basílica de Santa Teresinha, cidade do Rio de Janeiro, e da qual era membro a nossa biografada, sentiu muito a falta de Irmã Maria Benigna Consolata do Coração Eucarístico de Jesus, que jamais será esquecida pelas suas irmãs.

Irmã Maria do Carmo ainda de véu branco
1926            

É decidida sua entrada no Carmelo São José, no Rio, onde ingressa após a dolorosa separação de Nhá Cota. Fica ao lado dela, sua filha adotiva Emília Souza Aranha, que a leva para Ribeirão Preto (SP). Era o dia 21 de abril de 1926. Vestida de noiva, com o Menino Jesus de Praga nos braços, atravessa a porta do Mosteiro, então na sede provisória (Rua Abílio, 32).
Recebe o Santo Hábito em 24 de outubro de 1926, com nome religioso de Irmã Maria do Carmo da Santíssima Trindade. Apesar de ser feliz, teve suas lutas, dado o temperamento ardoroso e as saudades de Nhá Cota. Mas Jesus vence!


Amém de Deus

No dia de sua profissão temporária escreve em suas anotações: “Quero ser o Amém de Deus”. Em 1928 recebe a última visita de Nhá Cota, que no ano seguinte repousa no Senhor, em Ribeirão Preto (SP).



Sabedoria da humildade

Suas lutas, por causa do temperamento vivo, prosseguem. Tudo faz com exuberância: daí objetos quebrados, derrubados e até um mergulho, de hábito e tudo, num tanque grande de água da pior espécie. Tudo serve para Carminha colocar os alicerces de sua santificação: a humildade, que se reconhece plena de limitações, mas que ousa desejar ser “perfeita como o Pai do Céu”. Para chegar a atingir sua meta, faz o voto de mansidão, a conselho de Dom Barreto, um de seus diretores espirituais.


Estrela de sua vida

Maria é a estrela que guia os caminhos de Irmã Maria do Carmo. Tudo faz para a glória de Maria. A ela entrega a direção de seus atos, suas intenções mais caras.
Exerceu o ofício de Mestra de noviças, sub-priora e finalmente de priora (a primeira após a Fundadora).
Com tudo isto não se esquece de dar atenção aos seus manos. Estes, especialmente sua mana Esther, a ajudaram no acabamento da construção do Mosteiro São José do Rio.
Alma profundamente humilde é de extrema delicadeza para com a Madre Fundadora (Madre Benedita de Jesus, Maria e José) e para com as filhas espirituais.

Madre Carminha com seu irmão Zey e
cunhada.
Força da alma

Em 1949 volta a ser mestra de noviças. Sempre fora doente e doente cardíaca. O reumatismo deixa-a entravada, por vezes.
Em 1952 volta a dirigir o Carmelo e aí surge a ideia e a ocasião propícia para a fundação do Carmelo da Santa Face e Pio XII com a visita do “amigo” de infância – já Bispo de Taubaté – Dom Francisco Borja do Amaral. A fundação ocorre em 07 de setembro de 1955. Em 1957 é transladada a Comunidade, em procissão (até filmada). Madre Carminha trabalhava, sofria, rezava. Não lhe foram poupadas as provações. A tudo superava. Em 12 de setembro de 1961, Madre Maria do Carmo passa o governo da casa à Madre Antonieta Maria, ficando responsável pelo noviciado e pelo fim das obras.



“O Esposo espera...”

Em julho de 1965 ouve o primeiro chamado de Deus, numa crise de angina pectoris e a 13 de julho de 1966 falece santamente, vítima de um derrame cerebral (que a acometeu no dia 07 precedente e a deixou em coma profundo). Deixou saudades imensas e logo, do céu, começou a ajudar as filhas e o povo que, a sua intercessão, recorriam humilde e confiantemente.
Havendo, por algum tempo, o projeto de transladar o mosteiro para a cidade de Mairinque (SP) foi necessário em 1974, a abertura do túmulo de Madre Maria do Carmo (que, em 1972, sendo aberto, constatou-se a conservação de seu corpo). Médicos da USP, chefiados por Dr. Mário Degni (segundo laudo médico guardado em nosso arquivo) fizeram o exame do corpo de Madre Carminha e deduziram se tratar de mumificação de cadáver, embora unhas e cabelos só pudessem ser arrancados com pinça. O certo é que o povo reagiu contra nossa mudança e obteve do Sr. Bispo e dos moradores de Tremembé um abaixo-assinado, requisitando a divisão da Comunidade, metade permanecendo em nossa cidade. E foi o que se deu para a alegria de todos.


Causa de Canonização

A lembrança de sua profunda vida mística e suas inúmeras virtudes, dentre as quais se destacava a humildade, levou a Comunidade do Carmelo da Santa Face e Pio XII, após muita oração, a assumir em capítulo (por unanimidade) a introdução da Causa de Canonização de Madre Maria do Carmo, pois acredita que, através desta, Deus será glorificado.

Sua FAMA DE SANTIDADE tomou dimensões maiores, como a Comunidade relata neste fato:

“Em vista da supressão do nosso Carmelo de Tremembé e de sua transferência para a cidade de Mairinque, SP, no sexto aniversário da morte de Madre Maria do Carmo, decidimos fazer a exumação dos seus restos mortais e, qual não foi a nossa surpresa, quando se descobriu seu corpo intacto, inclusive suas vestes e as flores secas e, nem mesmo mau odor exalou de sua sepultura! Foi aí que a cidade de Tremembé mobilizou-se contra a transferência do Carmelo para outra cidade: a Sra. Prefeita Erondina Matos levou ao Sr. Bispo de então - Dom Francisco Borja do Amaral - um abaixo assinado da cidade de Tremembé que desejava enviar ao Papa Paulo VI. Foi acompanhada das principais personalidades da cidade, prometendo que, se as Irmãs consentissem em ficar, teriam ajuda em tudo. Hoje, consideramos esse acontecimento como o primeiro milagre de Madre Maria do Carmo. A então popularmente chamada ‘Santinha da Ponte’ continua atraindo os olhares do povo tremembeense, que diz alcançar inúmeras graças por sua intercessão.”

Sua canonização contribuirá para manter vivo e espalhar seu ideal: adorar a Sagrada Face de Cristo e reparar os ultrajes contra ela cometidos. Também fortalecer no coração dos fiéis o Sensus Eclesiae que a levava a uma imolação constante pelo Pontífice reinante, através do exercício diário da Via-Crucis e de uma vida totalmente doada, na simplicidade, humildade e caridade, que atinge seu ápice na unidade entre as pessoas – ‘CONGREGAVIT NOS IN UNUM CHRISTI AMOR!’ (Este era um dos seus lemas).

Assim, se um dia a Igreja achar conveniente, seja reconhecida a santidade desta Carmelita.



O Processo de Canonização de Madre Carminha
Por Frei Patrício Sciandini
Nada mais belo do que termos consciência de que Deus nos criou para conhecê-Lo, amá-Lo e servi-Lo aqui na terra e depois gozar de Sua presença na eternidade. Esta vocação passa através dos acontecimentos da vida que nem sempre soam claros para nós, mas sempre soam claros para Deus que nos conduz com infinita ternura.
 A Igreja propõe-nos viver, ser santos e, coloca em evidência homens e mulheres que souberam viver com admirável intensidade a própria vocação, tornando-se modelos para todos nós. Os Santos não nasceram tais, se fizeram. Tinham um caráter como o nosso, instintos bárbaros, mas souberam orientar, com a graça de Deus, a própria vontade até o ponto de tornarem-se mansos e humildes à imitação de Jesus. Descobrir estes “homens e mulheres excepcionais” é tarefa da mesma Igreja.


Eu fico muito feliz quando ouço dizer de mais um Processo de Canonização de alguém, e muito mais quando este “alguém” é uma Carmelita descalça ou carmelita descalço. O Carmelo com sua vida de silêncio, de oração, de total doação ao serviço de Deus e da Igreja, como fermento e água viva, sacia o desejo e alimenta a experiência de Deus.

A Diocese de Taubaté está iniciando o Processo de Canonização de Irmã Maria do Carmo da Santíssima Trindade, mais conhecida como a Carminha de Tremembé. Uma monja Carmelita Descalça que, antes de chegar a Tremembé, peregrinou por vários lugares, desejosa de ser Santa, e que conseguiu ser um sinal de fé, de esperança e de amor para muitas pessoas.

Quando falamos dos Santos, somos tentados a pensar que eles tiveram uma família bem constituída, viveram nos braços da ternura e nunca tiveram nenhuma dificuldade na própria caminhada humana e espiritual. É um grande erro.
Hoje como ontem nós tivemos “mães meninas” e quando a Carminha nasceu em Itu, sua mãe tinha apenas 15 anos. Uma idade tão comum hoje em dia. Como pode uma menina de quinze anos ter uma filha? Aí vemos como a Providência intervém: os avós paternos, pais de Teotônio, levam a menina – Carmen – para Campinas, onde deram toda uma educação, uma formação humana e intelectual. A distância da mãe e do pai não provocou grandes lacunas no coração de Carmen, porque encontrou amor!
Mais tarde, ela estava em São Paulo, no Colégio Sion para completar a sua formação e depois no Rio de Janeiro onde, em 1926, no dia 21 de abril, entra no recém fundado Carmelo São José. Mas vamos evidenciar algumas datas importantes na vida de Carminha:

25 de novembro de 1898 – Nascimento em Itu/SP.
12 de fevereiro de 1899 – Santo batismo em Campinas/SP.
21 de junho de 1917 - Primeira Comunhão em Campinas/SP.
21 de abril de 1926 – Entrada no Carmelo São José no Rio de Janeiro/RJ.
24 de outubro de 1926 – Vestição religiosa.
02 de novembro de 1930 – Profissão Solene.
23 de maio de 1946 – Eleita Priora no Carmelo São José.
07 de setembro de 1955 – Fundação do Carmelo da Santa Face e Pio XII em Tremembé /SP.
13 de julho de 1966 – às 5h45, entrega sua alma ao Senhor.


Se nós queremos sintetizar com poucas palavras toda a vida da Irmã Maria do Carmo da Santíssima Trindade, poderíamos usar suas mesmas palavras de 1951, quando ela celebrava os 25 anos de sua vestição religiosa: “amor, dor, felicidade”. De fato, ao longo de toda sua vida ela não teve nenhuma preocupação a não ser a de realizar o projeto de Deus. Nela o amor de Deus não foi estéril. Sempre e em todas as circunstâncias se compromete em dar o melhor de si a Nosso Senhor: os seus afetos, a sua inteligência, a sua dedicação… Sentia-se totalmente inserida no Coração de Jesus e queria ser na Igreja uma presença orante diante da Hóstia Consagrada.

Mas o amor não pode existir sem a marca da Cruz que, para nós que temos fé, não é castigo e nem tampouco falta de amor de Deus que dá a cruz por aqueles que ama de verdade. A cruz, a dor, nos consagram e nos tornam ainda mais amigos de Deus. Todos nós, quando amamos a Deus, queremos abraçar com gosto a nossa cruz e assumir no nosso coração todos os sofrimentos da humanidade. Maria do Carmo fez isto na sua vida e com seu testemunho ensinou as irmãs de sua Comunidade a serem amantes da cruz de Cristo e Sua paixão, para que o Cristo possa sempre ter almas que se ofereçam ao Pai pela salvação da humanidade.

O amor assumido com a cruz gera a beatitude, como Carminha diz, que é a felicidade.  Na escola dos santos do Carmelo, especialmente de Santa Teresa, São João da Cruz e Santa Terezinha, Irmã Maria do Carmo alimentou sua vida interior, e sabe que quando se ama, a felicidade não significa ausência da Cruz, mas sim capacidade de carregá-la com alegria.  O corpo pode estar ferido, o coração sofrendo, mas a alma canta, rejubila e bendiz a Deus por tudo. Estas três palavras “amor, dor e felicidade” constituem o projeto da vida de Irmã Maria do Carmo e o nosso.

Depois da morte de Irmã Maria do Carmo, que foi uma verdadeira festa na terra e no Céu, onde o povo de Tremembé e de outros lugares tiveram a graça de ter alguém para interceder, foi se difundindo sua “fama de Santidade”. Sua lembrança não foi apagada pelos anos, mas foi crescendo até o ponto que a comunidade do Carmelo de Tremembé, provocada pelo povo, pelos Sacerdotes e amigos Bispos, sentiu a necessidade de pedir a abertura do Processo de Canonização.

Estamos esperando, com a graça de Deus, esse grande acontecimento eclesial. Na Diocese de Taubaté, animada pelo Senhor Bispo Dom Carmo João Rhoden, vamos desde já continuar a suplicar ao Senhor que revele Seu amor por nós. Esperamos que, se for de Sua vontade, um dia Carminha de Tremembé possa ser proclamada Santa pela autoridade e pelo ministério da Igreja. E, a nós, cabe trabalhar para que isto aconteça.


Frei Patrício Sciandini
Vice-Postulador da causa de Madre Maria do Carmo


Oração
Adoro-Vos, meu Deus e Senhor! Louvando- vos, agradeço de todo meu coração por terdes chamado Madre Maria do Carmo para ser toda vossa na Ordem da Bem-Aventurada Virgem Maria do Monte Carmelo. Suplico-vos agora também ó Deus - Senhor Nosso - Vossa graça, para tê-la brevemente elevada à honra do Altar.
(Formular o pedido)
Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém.
Com aprovação eclesiástica
Taubaté, 27 de outubro de 2006.



Alguns poemas da Serva de Deus: