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segunda-feira, 7 de abril de 2014

Frei Miguel Ângelo Serafini, Presbítero Capuchinho



A pedido de nosso irmão Moisés da Cruz, ocds, membro da Comissão de Formação e responsável pela Escola de Formação Santa Edith Stein e que é natural de Aracaju - SE,  publico algumas matérias sobre o Frei Michelângelo de Cíngoli (Michelângelo Serafini), mais conhecido como Frei Miguel Ângelo, frade capuchinho italiano que viveu a maior parte de sua longa vida (faleceu com 104 anos) como missionário no Estado do Sergipe.
O religioso faleceu com grande fama de santidade e estima pública. Portanto, já existe um movimento dos confrades de sua Ordem e da Arquidiocese de Aracaju para encaminhar sua causa de beatificação para o Vaticano. Lembro aos leitores do blog que o processo diocesano (a primeira fase do processo de beatificação/canonização de um candidato aos altares) somente pode começar após pelo menos 05 anos da morte do candidato. Claro que isso não impede a grande veneração do povo e o túmulo do futuro servo de Deus já é bastante visitado, no qual orações são feitas a Deus para alcançar graças com a sua intercessão. Esperamos que em breve sua causa seja aceita e que um dia seja mais uma estrela gloriosa a ornar os nossos altares, pois, já orna o Trono do Altíssimo a quem tanto amou e tão perfeitamente serviu na terra.


Notícia publicada no jornal em 31/10/2012, portanto, antes de sua santa morte:

Frei Miguel Ângelo celebra 104 anos com missa em Aracaju
Fiéis celebraram a data na Igreja dos Capuchinhos no Bairro América. Religioso dedicou quase 80 anos de vida aos trabalhos comunitários.

“A noite desta terça-feira (30) na Igreja dos Capuchinhos, localizada no Bairro América, Zona Oeste de Aracaju, foi de celebração e festa pelos 104 anos do Frei Miguel Ângelo, que dedicou 77 anos da sua vida aos trabalhos comunitários na região. Os fiéis católicos lotaram a missa festiva e cantaram os parabéns ao homenageado.
Mesmo com a saúde um pouco abalada Frei Miguel assistiu toda a programação em uma cadeira de roda. Para a estudante universitária Lucineide Gomes dos Santos, o franciscano deu grandes contribuições à comunidade. ‘Ele fez uma verdadeira revolução no Bairro América com seus trabalhos humanitários. Um verdadeiro símbolo religioso’, comenta a universitária que faz referência a ajuda do padre na construção da Igreja São Judas Tadeu.
Frei Florêncio da ordem dos Capuchinhos de Aracaju também reafirma a opinião da estudante Lucineide. ‘Padre Miguel é uma figura representativa da Igreja Católica em Sergipe. Sempre atuou no trabalho apostólico aqui no bairro, além de já ter liderado missas em várias outras partes do estado’, comenta.

77 anos de trabalho comunitário

Michelângelo Serafini é italiano da cidade de Cíngoli, província de Macerata. Ingressou na ordem dos capuchinhos em 1925 vindo ao Brasil como missionário após ter sido ordenado em 1934. Aqui no país ficou conhecido popularmente como Frei Miguel.
Antes de se estabelecer em Aracaju, trabalhou nas paróquias de Santa Rosa de Lima, Divina Pastora, Rosário do Catete, Maruim e Santo Amaro. Quando chegou à capital recebeu a missão de construir a primeira igreja capuchinha da cidade.
Com quase 80 anos de atuação dos trabalhos comunitários, hoje Frei Miguel é um exemplo de vida para muitos seguidores.
‘Sou gaúcho, mas conheci o Frei há 30 anos quando me casei nesta igreja de Aracaju. Sempre que posso venho aqui e sou muito bem recebido por ele. Apesar da idade Frei Miguel ainda está lúcido e tem energia. Esperamos que ele seja beatificado pelo Vaticano’, acredita o militar Paulo Ademar”.



Testemunho de um confrade seu capuchinho:

Frei Miguelângelo Serafini, acaba de completar 104 voltas  ao redor do Sol, ele mesmo um raio de sol para quem recebeu a graça de conhece-lo.

Quem olha atentamente para esse homem de Deus - hoje com os estigmas da passagem do tempo bem visíveis em seu corpo, mas sempre com o brilho das estrelas nos seus olhos -não pode deixar de maravilhar-se   com a sua transparência. Frei Miguel é qual uma janela, uma window, aberta para o alhures e apontando para o site de Deus, onde não entra nenhum tipo de vírus. Só leveza e amor. 



Li, se não me engano em Rubem Alves, que quem lê um livro de teologia não tem acesso a Deus, mas ao coração do teólogo, que O desenha e pinta com traços e cores tirados de dentro de si. Quem lê esse texto humano, que é Frei Miguel, tem acesso, quase direto, ao coração de Deus. Ele torna Deus evidente.  Por isso mesmo, as pessoas que dele se acercam, querem tocá-lo. Porque dele continua saindo uma Força apaziguadora.

Comecei meu noviciado em Aracaju, junto com três companheiros de sonho.  O que nosso mestre, Frei Urbano, nos dizia acerca de São Francisco (que era um irmão menor, cheio de bom senso, bom gosto e bom humor), nós o encontrávamos, materializado, naquele frade de sorriso maroto, de poucas palavras, com observações sempre concisas e certeiras, quase no estilo dos koans dos mestres zen ou dos apotegmas dos Padres do Deserto.


Hoje – já se passaram 40 anos –, quis a Providência divina que eu voltasse a compor aquela Fraternidade. Quando Frei Rubival me comunicou que eu iria morar em Aracaju, pensei logo na honra e na alegria que seria, para mim, morar perto de Frei Miguel.

E assim tem sido. Do alto dos seus 104 anos, nosso Miguilim (uma vez, venci a timidez e o chamei assim, e parece que ele gostou...) continua irradiando a bondade e a beleza do Grande Mistério. Sempre magnânimo, lembra um mahatma, um roshi, um discípulo de Jesus Cristo. Os sergipanos o veneram. E ele, na medida do possível, os atende com a mão que diz a palavra boa. Que abençoa. Com aquele sorriso, tímido e generoso, que é um dos sinais que mais o distinguem.

Tanto poderia testemunhar sobre Frei Miguel. Não podendo, entretanto, exceder o limite do que me foi pedido, digo, last but no least, que Frei Miguel não é apenas um irmão menor; ele é, como  no-lo revelou São Francisco no seu Testamento, o menor dos irmãos. O que para nós outros ainda é adjetivo e utopia, em Frei Miguel já é, visivelmente, um substantivo, uma eutopia. Sendo na prática o menor dos servos, ele nos desvela o maior segredo de Deus: Sua alegria e Sua simplicidade. Seu amor.

Frei José Edilson Bezerra OFMcap.



Notícia da morte do Frei Miguel publicada em 09/01/2013

Morre aos 104 anos, Frei Miguel Ângelo. O Frei, devido à idade avançada, vinha enfrentando problemas de saúde.

Foi em outubro do ano passado que centenas de fiéis e admiradores do trabalho de Frei Miguel Ângelo de Cíngoli, se reuniram na paróquia São Judas Tadeus, popularmente conhecida como Igreja dos Capuchinhos, para comemorar os seus 104 anos. Nessa quarta-feira (9), no entanto, os mesmos fiéis e admiradores se unem para a despedida. Frei Miguel morreu por volta das 6h de hoje.

Em junho de 2012, o frei foi internado no Hospital São Lucas. Na ocasião, a informação era que o frei estava sem querer se alimentar e precisou ser internado para recuperar as forças. Segundo os médicos, ele não sofria de doença nenhuma, nem diabetes, nem colesterol, não nada do tipo, apenas fraqueza por conta da idade.

Exéquias do Frei Miguel celebradas pelo Arcebispo de Aracaju, bispo
auxiliar e vários representantes do clero, bem como pelos confrades. 



Autoridades civis, eclesiásticas e o povo em geral lotam a igreja onde seu
corpo foi velado. 




O povo, com grande emoção, se despede do "frei santo", Frei Miguel
Ângelo, o "Santo de Aracaju". 


Adorado, não só pela comunidade em que se instalou na década de 60, o frei nasceu no ano de 1908, em Cíngoli, na Itália, e aprendeu desde cedo o espírito de sacrifício. Entrou no Seminário dos Frades Menores Capuchinhos da Província das Marcas de Ancona em 04 de outubro de 1926 e ordenou-se em 29 de julho de 1934 quando recebeu o nome de Frei Miguelângelo de Cíngoli.   Vindo para o Brasil no ano de 1935, fixou-se na Bahia onde lecionou para seminaristas e noviços.

Exerceu atividades missionárias também nos municípios baianos como Entre Rios, Rio Real, Jandaíra e Redondezas. Frei Miguel chegou à Aracaju em 1963 por designação da ordem e aqui exerceu o melhor da sua atividade pastoral e missionária.   São muitos anos de trabalhos exercidos com amor e perseverança com a comunidade de todo o Estado de Sergipe.

Na década de 70 e 80 o religioso foi vigário de Maruim, Santo Amaro, Rosário do Catete e General Maynard. Mas foi em Aracaju, especificamente no bairro América, que Frei Miguel marcou presença sempre paciente na hora de atender e ajudar a população.    


Seu venerável corpo foi velado na Igreja dos Capuchinhos, no bairro América, em Aracaju.

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