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quinta-feira, 27 de março de 2014

SÃO POMPÍLIO MARIA PIRROTTI, Presbítero das Escolas Pias (Escolápios) e grande Apóstolo do Escapulário do Carmo.

       
      Nota do publicador do blog:
      Deus é glorificado nos seus santos. Hoje, trago ao conhecimento dos leitores do blog, a vida de São Pompílio Maria Pirroti, presbítero das Pias Escolas Cristãs, ou, Escolápios. Sua história é fantástica. Beiraria o absurdo, se não fosse testemunhada por muitos que compareceram a seu processo de beatificação/canonização para darem seus testemunhos. Deus prodigalizou por meio desse santo muitos prodígios extraordinários. Nós, carmelitas descalços seculares, devemos ter por ele grande consideração, mesmo não sendo um santo de nossa Ordem. 
    Quando se fala em devoção ao Escapulário do Carmo, logo associamos essa devoção aos Carmelitas (da antiga observância ou descalços), no entanto, muitos santos "não carmelitas" foram grandes devotos, inclusive, grandes apóstolos da devoção a este sacramental mariano. Um desses apóstolos que mais se destacaram foi o santo de hoje: São Pompílio Maria Pirrotti. Sua bela história deve ser conhecida e até mesmo divulgada em nossos círculos de convivência católica: famílias, paróquias, grupos de oração e comunidades. Espero que todos apreciem e gostem. 


São Pompílio Maria Pirroti, presbítero. 
Na tarde do dia 15 de julho de 1766, véspera da Virgem do Carmo, rendia a Deus sua alma o Apóstolo do Santo Escapulário, São Pompílio Maria.
Nascido em 19 de setembro de 1710, sentiu aos dezesseis anos o chamamento de Deus para a vida religiosa e, como resultado da quaresma pregada em sua pátria, Montecalvo Irpino, pelo padre reitor as Escolas Pias da vizinha capital de Benevento, Nápoles, localidades ambas da Itália meridional, fugiu de sua casa para o colégio de residência do fervoroso pregador e lhe pediu a batina calasancia (relativa a São José Calasanz, fundador das Pias Escolas Cristãs, ou, Escolápios).
As razões de seu bom pai, que seguiu atrás dele, e era notável advogado, foram estéreis ante a firme decisão de seu filho. E o período de noviciado e de neoprofissão, com seus estudos, não fizeram senão continuar o teor de vida inocente e penitente que já em casa havia levado.
Lá, com efeito, em muitas noites impunha-se a disciplina (chicotear-se durante a oração penitencial) e a oração mental. À noite, quando o sono lhe via e tentava apoderar-se dele, recorria à penitência e à privação de todo comodismo e permanecia em oração muitas vezes até à manhã seguinte. 
Terminada a carreira escolápia, exerce o apostolado do ensino e educação durante catorze anos. O primeiro desses anos com as primeiras letras em Turim e os treze restantes com Humanidades e Retórica em Francavilla, Brindis, Ortona, Chieti e Lanciano, mais a prefeitura das Escolas e a presidência da Arquiconfraria da Boa Morte.

Grande e santo educador de crianças e jovens. 
De seu apostolado entre os alunos se recordam rasgos de sobrenatural penetração. Um desses fatos ocorre em Lanciano. Ao começar sua aula lhe advertem os meninos a ausência de Giovanni Capretti. O padre Pompílio se concentra e poucos segundos depois exclama: “Pobre Capretti! Não pôde vir porque está moribundo... Porém, não será nada. Vão dois de vocês agora a perguntar por ele”. E correm os rapazes a sua casa a angustiante pergunta. Seus pais estranham, havendo-lhe ouvido levantar-se e crendo que estava na escola com toda normalidade. Sobem temerosos a seu quarto e, efetivamente, o encontram no solo, de bruços, sem sentidos, próximo a expirar. Sobressaltados o levantam, o sacodem e lhe chamam repetidas vezes. Ao fim o pobre acidentado começa a voltar a si, balbuciando entre soluços: “Padre Pompílio! Padre Pompílio”! Não sabia senão que, ao levantar-se, havia sido acometido de dores e calafrios que lhe fizeram desfalecer sem deixar-lhe gritar.
Depois, só sabia que lhe havia chamado seu mestre e que já se sentia viver. Ao voltar ao colégio os dois emissários, o padre aproveitou a situação para esclarecer a seus alunos a necessidade de se estar em todo momento na graça do Senhor. Dá para se entender o prestígio que aureolava o humilde padre semelhantes acontecimentos.
Porém, naquela mesma etapa docente, de 1733 a 1747, com dois anos de ordenado sacerdote, o Capítulo Provincial de 1736 acorda facultar-lhe para a pregação da Divina Palavra, sem eximir-lhe, naturalmente, de suas tarefas escolares; e, por todos aqueles mencionados colégios de La Pulla e de Los Abruzos, nos quis ensina a tantos meninos e jovens, começa a afervorar desde o púlpito a homens e mulheres, destacando-se como missionário de força e eficácia surpreendentes.
Rapidamente merece o título de “apóstolo dos Abruzos”, por causa de intervenções maravilhosas que impressionam a populações inteiras. No mesmo Lanciano, último dos colégios desta etapa, aproximando-se já a hora de meia noite, Pompílio sai uma vez de sua habitação, abre a porta da igreja, percorre as ruas vizinhas e põe-se a clamar despertando aos despreocupados dormentes, para que se levantem todos e acorram ao templo, pois, ele imediatamente lhes vai pregar. Faz até toca os sinos chamando ao sermão.
Diante tamanha novidade, todo Lanciano se abarrota e se agita em torno ao púlpito do apóstolo. E o santo vidente lhes anuncia estremecido que um horrendo terremoto será sentido em toda a comarca, porém, que eles não temam, pois, sua celestial Patrona, a Virgem do Poente, intercede de maneira singular pela afortunada população.
Com efeito, ainda está falando, quando um ronco fragor subterrâneo, que avança desde longe, faz tremer o solo e vacilar os edifícios, oprimindo de espanto e crispando de nervosismo a totalidade do auditório. Afortunadamente, o sismo se desvia, e um respiro de alívio sucede ao evento. O alarme do santo não havia sido em vão. A explosão de gratidão após a onda de terror é confissão coletiva do fruto daquelas vigílias, preenchidas de proféticas visões, nas quais o santo pregador, qual outro Abraão, participa da mediação e do segredo dos castigos e das condescendências divinas.
Segunda etapa da vida escolápia de são Pompílio é sua estancia em Nápoles por outros doze anos, de 1747 – 1759. Tanto no colégio de Caravaggio como no da Duquesa, ambos na capital do reino napolitano, arará campo mais vasto para seu celeiro.
Desde Lanciano havia solicitado do Papa o título de missionário apostólico. Bento XIV não lhe concedeu; porém, intensificou as missões nas duas Sicílias, tanto que os superiores da Congregação desligaram a Pompílio da tarefa do ensino para dedicar-se plenamente a ser capelão permanente, pregador cotidiano e confessor contínuo de pequenos e grandes nas capelas dos respectivos colégios. E em tal ambiente e como diretor da Arquiconfraria da Caridade de Deus, se entrega a uma vida apostólica fervorosíssima, que Deus sela com incontáveis e surpreendentes prodígios.

Pregador maravilhoso e cheio de unção
do Espírito Santo. 
Uma mãe acode um dia à igreja de Caravaggio com a terrível notícia de que seu filho havia caído em um poço. Pompílio se compadece, parte com ela até o local, aproxima-se da beirada do poço e faz o sinal da cruz. Nos processos canônicos consta a maravilha de que o nível da água começa a subir, como se o poço as regurgitasse, até que aflora o menino, ileso e sorridente, ao alcance da mão de sua mãe “enlouquecida”.
Uma penitente do taumaturgo sofre por maus tratos por parte de seu marido, homem vicioso e de áspera condição. Recomenda-se às orações de seu confessor. No mesmo dia o esposo a convida a um passeio pelo campo, no próximo domingo. Acha que o marido teria mudado de vida, porém, corre ela a contar ao confessor.  Este, sem dar-lhe crédito, a põe em receio e a aconselha que lhe chame se chegar a ver-se em perigo. Chega o dia do “passeio dominical”. Já em pleno campo o pérfido consorte saca um punhal e trata de assassiná-la. Porém, ao invocar ela ao padre Pompílio, aparece sua figura de semblante irado e austero, arrebata a arma ao assassino e o increpa de tal forma que cai de joelhos compungido e com a promessa de confessar-se. Vai, efetivamente, confessar-se na manhã seguinte com o próprio são Pompílio. Porém, o mais notável é que, na hora precisa do frustrado atentado, o santo estava em público, no púlpito de sua igreja. Interrompeu por alguns instantes o sermão, como se tivesse se distraído com outra coisa, depois segue normalmente pregando como se nada tivesse acontecido.  Não tardou em dar a conhecer todo o ocorrido e isso ficou deposto nos testemunhos processuais. A bilocação não é um fenômeno desconhecido na vida dos santos.
Mais terno e humano foi o incidente do sermão de 17 de novembro de 1756. O interrompeu no momento mais inspirado de um trecho vibrante; permaneceu mudo uns minutos, que ao público expectante pareceram eternos e, à continuação, explicou: “suplico um réquiem aeternam pela alma bendita de minha mãe, que neste instante acaba de falecer”. E assim inumeráveis feitos assombrosos.
Mas a santidade não se prova nos prodígios, senão na tribulação e no sofrimento. Foi a política externa da realeza? Foi política interna de separação de províncias entre a Pulla e a Napolitana? Foram – e é o mais provável – maquinações dos Capellonni jansenistas que chocavam com as misericordiosas benignidades do confessionário do padre Pompílio? O certo é que tanto do palácio real como da chancelaria arquiepiscopal saíram ordens no começo do ano 1759 suspendendo-o do ministério e desterrando do reino o taumaturgo de Nápoles. Os cavalos da carruagem que lhe levou primeiro ao colégio de Posilino não quiseram arrancar até que o padre reitor deu, por obediência, a ordem ao próprio desterrado. Consumando o primeiro passo, chegou de Roma o destino a Luga, na Emlia, e a Ancona, nas Marcas, regiões centrais da Itália, com colégios que não eram da Pulla e nem de Nápoles.

De quatro anos foi esta que podemos chamar de “terceira etapa” da vida apostólica de são Pompílio, nem menos fervorosa, nem menos fecunda que a de Nápoles ou dos Abruzos, e avaliada ademais com a resignação e humildade com que as quais abraçou toda a obediência. Porém, o Senhor dispôs sua reabilitação com a volta triunfal a Nápoles, o reitorado de Manfredônia, o apostolado em sua cidade natal de Montecalvo e o reitorado com o magistério de noviços em Campi Salentino da Pulla onde brilharam seus últimos reflexos e deixou com seus ossos a exemplaridade de sua santíssima morte. Por certo, aqui reviveu a figura do exemplar escolápio com suas preocupações docentes e até assumindo o encargo com as provisões da escola dos pequeninos.
Porém não há que omitir o duplo caráter de externa austeridade e de doçura interior que tem as duas faces da espiritualidade pompiliana. Em pleno século XVIII, o de Voltaire e Rousseau, do enciclopedismo, do iluminismo e racionalismo, pródromos da Revolução Francesa, são Pompílio pregou principalmente sobre os Novíssimos do homem (morte, julgamento, Céu ou inferno) com os acentos de um são Vicente Férrer, e plasmou a devoção às almas do Purgatório com prodígios que podem parecer “ridículos” ao conta-los, porém, que deixaram profundas marcas e “ondas” de pasmo e terror nos testemunhos presenciais ao realizarem-se, como, por exemplo, rezar o Rosário alternando com as caveiras da cripta da igreja de Caravaggio, ou saudar e receber contestação verbal dos esqueletos do cemitério de Montecalvo, e não em forma privada, senão diante das multidões.

Por outra parte, sua devoção à Virgem obteve colóquios como o da Ave Maria contestado com um “Ave, Pompílio”, da parte da “Mamãe bela”, como ele chamou sempre a Nossa Senhora. Também foi um grande propagador e apóstolo da devoção ao santo Escapulário do Carmo, como meio seguro da assistência da Mãe do Céu no tocante à salvação das almas.
Seu belo Amante foi o Coração de Jesus, cuja devoção propagou com tantos favores e prodígios como santa Margarida Maria Alacoque. Foi, pois, são Pompílio um chamado ao sobrenaturalismo na época mesma na qual começava o intento da descristianização dos séculos XVIII e XIX da Idade Moderna. 

Foi canonizado no dia 19 de março de 1934 por Sua Santidade Pio XI. 






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