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domingo, 30 de março de 2014

São Leonardo Murialdo, Presbítero e Fundador da Congregação de São José.



São Leonardo Murialdo
São Leonardo Murialdo, nasceu no dia 26 de outubro de 1828, na cidade de Turim, Itália, tendo ficado órfão de pai com apenas cinco anos.  Era de uma família tradicionalmente rica, ao mesmo tempo, religiosa. Recebeu esmerada educação, transmitida pela mãe desde a infância, fazendo florescer nele as mais belas virtudes cristãs.  Frequentou a faculdade de Savona, onde se dedicou aos jovens pobres e órfãos, e logo a prática da caridade tornou-se peculiar ao seu caráter, à sua personalidade.
São Leonardo insere-se no número das figuras de singular santidade que caracterizaram a Igreja piemontesa no século XIX. Distinguem-se, entre outros, as fortes personalidades de Cottolengo, de Lantieri, de Alamano, de Dom Bosco e de Dom Orione, com as suas intuições perspicazes, o genuíno amor pelos pobres e a ilimitada confiança na Providência. Através da ação deles, a caridade da Igreja pôde promover de maneira eficaz a emancipação material e espiritual dos filhos do povo, vítimas de graves injustiças e postos à margem do tumultuoso processo de modernização da Itália e da Europa.


Foi ordenado sacerdote em 1851. A sua espiritualidade, fundada sobre a Palavra de Deus e sobre a doutrina de autores seguros, tais como Santo Afonso e São Francisco de Sales, para nomear apenas alguns, foi animada pela certeza do amor misericordioso de Deus. O cumprimento da vontade de Deus na realidade quotidiana, a intensa vida de oração, o espírito de mortificação e uma ardente devoção à Eucaristia caracterizaram o seu caminho de fé.



Já no início de seu ministério sacerdotal, empenhou-se na catequese de crianças e também na criação de diversos orfanatos, aos pobres e pessoas abandonadas.  Foi escolhido como reitor do Colégio de Jovens Artesãos, cargo que desempenhou com brilho especial, formando os jovens dentro de uma formação eminentemente cristã, objetivando perfeito aprimoramento moral e profissional.  Os que ingressavam no Colégio e persistiam nos estudos, formavam-se com qualificação profissional. O sucesso deste empreendimento motivou a criação de diversos outros colégios por toda a Itália, a fim.  Seria este o início da então Pia Sociedade Turinesa de São José, hoje conhecida como Congregação de São José, que se alastrou rapidamente na Europa, África e nas Américas.

O coirmão e biógrafo, Padre Reffo, observa que Murialdo queria sempre dar-se conta precisamente das condições de família dos seus jovens, para saber regular-se com eles e com os seus pais, e tinha cuidados especiais por aqueles que provinham de famílias más e, por isso, já tinham adquirido princípios corruptos. Antes, ele "cuidava de se ocupar individualmente de algum jovem mais ignorante ou mais lento em aprender e, com grande paciência, procurava instruí-lo”.

Soube ser pai para os seus jovens em tudo o que se referia ao seu bem-estar físico, moral e espiritual, preocupando-se da sua saúde, alimentação, vestuário e formação profissional. Favoreceu, ao mesmo tempo, a preparação e a qualificação dos responsáveis pelos vários laboratórios, procurando aperfeiçoar a sua capacidade educativa através de conferências pedagógico-religiosas.

Jamais descuidou o crescimento religioso, além do humano, dos jovens. "O nosso programa - ele escreveu - não é apenas tornar os nossos jovens inteligentes e trabalhadores eficientes, nem sequer fazê-los sabichões orgulhosos..., mas antes de tudo fazê-los cristãos sinceros e francos". Por isto desenvolveu entre eles a catequese, favoreceu a prática sacramental e incrementou associações para os jovens e adolescentes, estimulando-os a serem apóstolos no meio dos seus companheiros e dando vida, quanto a isto, à Confraria de São José e à Congregação dos Anjos da Guarda.”


Viveu e consagrou-se de forma tão intensa aos seus trabalhos sociais e espirituais, que as extenuantes horas de dedicação acabaram culminando no declínio de sua saúde.   Após sofrer várias crises de pneumonia, entregou sua alma a Deus, no dia 30 de março de 1900.   Foi canonizado em 1970 pelo Papa Paulo VI, que designou a comemoração de sua festa para o dia 18 de maio.







sábado, 29 de março de 2014

Serva de Deus Yvonne Aimée de Malestroit, Mística e Alma Vítima.


Serva de Deus Yvonne de Malestroit
      Yvonne nasceu a 16 de julho, festa de Nossa Senhora do Carmo. Foi bem acolhida pela mãe, porém seu pai, que muito desejava um filho homem, demorou cinqüenta dias para abraçá-la, pois como tinha doze filhas, esperava um menino.

    Yvonne recorda que aos cinco anos sua avó lhe falou sobre uma Boa Mãe, e disse-lhe que Ela tinha muito amor por nós e que era uma Mãe bela e pura. Yvonne pensou com tristeza que poderia perder sua pureza, e suplicou a Ela que a guardasse pura como um lírio.
    Yvonne tinha muitos defeitos, porém, a cólera era o mais dominante. Por um nada, ela brigava e rolava por terra. Seu pai faleceu quando tinha três anos e meio, ela vai lembrar-se se sempre do beijo que seu pai deu momentos antes de sua morte.
  
Ó meu pequeno Jesus, eu me dou a ti eternamente e para sempre. Eu farei tudo que Tu me disseres que eu faça. Eu só viverei por Ti. Eu trabalharei em silêncio por Ti. Eu sofrerei muito em silêncio. Eu Te suplico que me torne santa, mas eu quero também ser sempre pequena, a fim de te dar toda a glória. Eu quero Te possuir, Meu pequeno Jesus, e irradiar teu amor. Eu não quero ser nada, quero apenas tua vontade...”.
Tua pequena Yvonne (oração composta por Yvonne aos dez anos).
   
   A treze de julho de 1914, Yvonne entrou nas Filhas de Jesus de Kermarie; como Teresa de Lisieux, ela iria completar quinze anos no próximo dezesseis de julho. Aos dezoito anos, terminados os estudos secundários, Yvonne começou a visitar os pobres de Bologne, Billancount, Courneuve, Babigny, locais considerados perigosos até pela polícia, que não se aventurava a ir lá. Um filho de são Vicente de Paula deu o endereço para Yvonne e ela mesma foi à procura desses irmãos. No verão de 1920, uma época em que não havia nenhuma proteção social, muitos viviam uma negra miséria.
     Somente a caridade dava segurança a muitos. Yvonne Aimée passava por esses quarteirões socorrendo os doentes ocupando-se com os idosos, os agonizantes e as mulheres caídas, fazendo inúmeros favores e tornando decentes os pobres desses lugares, porém ela dispensava certos cuidados com ela própria, se ocupando somente com a sorte dos pobres, cuidando de quem Jesus designava. Ela praticou esse apostolado impressionante de caridade e doação dos dezoito aos vinte e sete anos. Tudo em Yvonne era harmonia de gestos, seus olhos eram azuis acinzentados, tinha um olhar penetrante, doze e luminoso. Era incrivelmente humana, revestida de um ar de majestade e doçura que marcava a todos com a experiência de Deus.
    No dia de cinco de julho de 1922, Em oração, ela ouviu seu nome: Yvonne! Ela olhou para a chaminé donde poderia ter vindo essa voz, não descobrindo nada, pensou em dormir. Uma segunda vez, ouviu a voz:  Yvonne!
    E teve medo, muito medo. Então, colocou sua cabeça debaixo da coberta e começou a rezar o Pai Nosso. Quando chegou na hora de recitar: “perdoai-nos as nossas ofensas assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido”, ouviu novamente a voz: Yvonne.  
    Então ela conta: ajoelhei-me na beira da cama e do alto da chaminé eu vi uma luz, luz natural não iluminação artificial, depois uma cruz se desenhou e ouvi uma voz de grande doçura que me disse: -Tu podes carregá-La?
    -Oh, sim Senhor, respondi eu.
    Eu me senti naquele momento invadida por uma bondade imensa. A voz repetiu:
    - Sou uma alma abandonada, aceita os sofrimentos que te enviarei como uma grande graça, e como um grande favor dado às almas que eu amo. Aceita-os sem reclamar, sem examinar a natureza e a duração, sem te prevaleceres deles. Não dês atenção as tuas mortificações ou humilhações. Olha-Me, Eu te amo. Isto não é suficiente para o seu coração?
   _-Oh, sim Senhor, respondi eu, eu vos amo mas, é bom para vós que vos digneis me falar e vos ocupar desta vossa pequena criatura? Fala Senhor, é bom para vós?
    Então eu vi uma mão avançando próxima a Cruz, colher uma flor de lírio e me entregá-la, neste momento fui invadida por uma alegria e por um grande amor que quase me fez desfalecer, entretanto me pareceu durar somente um momento e minha alma ficou cheia de paz.

       Testemunho do padre Labutti
     Nós nos encontramos em La Bradière, em janeiro de 1927, eu não conhecia nada sobre Yvonne Aimée, eu sabia somente que era uma criatura jovem extraordinária e que rezava por minha vocação. Quando eu me encontrei em sua presença pela primeira vez, eu tive a intuição que estava frente a uma mulher verdadeira e ao longo dos anos, nossa amizade viveu diferentes aspectos. Ela era para mim uma amiga maravilhosa, a irmã primogênita, uma segunda mãe. Sem jamais ter encontrado um mestre espiritual. Ela caminhava muito rapidamente e me dava a impressão que nunca tocava na terra, quando era jovem havia gostado muito de dançar, e conservou o senso do ritmo até o fim da sua vida.


       O tempo dos sofrimentos


Um sofrimento ou um conjunto de sofrimentos novos que se apresentaram nos anos que se seguiram. Certos dias, ela parecia esmagada, sobrecarregada pelo fardo que não era somente das almas que amparava e tinha sustentar um monastério, uma ordem que ela dirigia. Um dia, ela escreveu: “parece-me que sustento o mundo!”
De sua infância, até seus últimos dias, sua breve vida chegou aos 49 anos e foi um testemunho de contínuo progresso espiritual e de firmeza absoluta. Malgrado a avalanche de carismas (a palavra não era seu forte), ela viveu uma vida muito simples,no abandono total a Deus, na certeza de um trabalho bem feito, ela praticou o exercício da caridade fraterna, a alegria da Cruz. Sua experiência cristã, que se insere na Tradição Mística bi milenar da Igreja, não foi para ela uma evasão ou um refúgio, mas na discrição, no silêncio, na paz, no esquecimento de si própria, num transbordamento de vida. Muito doente, cheia de sofrimentos, de responsabilidades no trabalho, longe de proclamar seus sofrimentos, ela dedicou-se a uma atividade ordenada; não havia nela o menor paradoxo de uma existência inaudita. Da simplicidade de criança à postura de uma chefia, tudo nela era um raio de luz oriundo do Amor extraordinário, um Amor louco que ela manifestava a Deus, a Jesus Cristo, aos pobres, as almas.
Tudo a serviço do Rei Jesus” ; por este lema, ela doou todo o tempo de sua juventude, concretizado no seu amor por Jesus. Tudo fez por Ele, pela Igreja, pela França, por outras nações, pelos pobres e sobretudo pelo mundo de almas, as quais ela tinha uma extraordinária penetração. Moderna de gostos, caminhando conforme o tempo, fiel à Tradição, feliz e fiel filha da França, enraizada profundamente na Igreja Católica e na Ordem Agostiniana, discípula de Santa Teresa de Lisieux, ela tinha, entretanto,dimensão escatológica, vivia a plenitude do momento presente, dos valores do mundo que estava por chegar, sua vida era inteiramente de doação. O sentimento do exílio terrestre, a nostalgia do desejo o Céu, a lembrança do Amor que a possuía totalmente, a alegria da maravilhosa liberdade dos “pequenos” de Deus, nela se manifestavam. A clareza e a agilidade de seu corpo eram a antecipação do Reino. Yvonne faleceu em 1951.


"Yvonne Aimée foi superiora eclesiástica do Monastério de Malestroit, maravilhosamente preservada do mal teve 'extraordinárias manifestações divinas: êxtases, perfumes misteriosos, bilocações, surgimento inexplicável de flores, conhecimento íntimo das almas, profecias, também por diversas vezes sofreu cruéis investidas de satanás como poucos na história da Igreja." Assim nos relata Monsenhor François Pecado, bispo de Bayex-Lisieux.


Qual era sua missão? Seu carisma? Seu lugar na constelação dos místicos do nosso século?
    
Pode ser prematuro encontrar uma resposta; talvez esta resposta esteja reservada para Yvonne, nos tempos difíceis que se aproximam. Talvez conheçamos toda a estatura e dimensão desta mulher na Igreja do terceiro milênio. No imediatismo face ao materialismo, o silêncio sobre Deus, o drama do humanismo ateu, ela é uma grande testemunha de um mundo sobrenatural e ao mesmo tempo, sua feminilidade é acompanhada de um grande testemunho de humanidade.
Yvonne Aimée de Malestroit... sobre elas muitas obras foram publicadas na intenção de revelar ao mundo seus impressionantes carismas:
Escritos Espirituais de Yvonne Aimée de Malestroit... -Edition de Giubert 1981
Prioridade pelos pobres na zona vermelha da Resistência- Edition de Giubert 1981
Os estigmas à semelhança de São Francisco de Assis- Edition de Giubert 1987
Bilocação de Yvonne Aimée de Malestroit-- Edition de Giubert 1995
O amor mais forte que os sofrimentos- Edition de Giubert 1992
A santa infância-- Edition de Giubert 1994

(obras editadas somente em francês)


sexta-feira, 28 de março de 2014

Santa Ana Rosa Gattorno, Fundadora do Instituto de Santa Ana e Mística.

Santa Ana Rosa Gattorno, Fundadora
 Religiosa, fundadora do Instituto das Filhas de Santa Ana, nasceu em Gênova (Itália), no dia 14 de Outubro de 1831. Em 1852, com a idade de 21 anos, contraiu matrimônio com Jerônimo Custo e transferiu-se para Marselha (França). Uma imprevista crise financeira perturbou a felicidade da nova família, obrigada a retornar a Gênova. A sua primeira filha, Carlota, afetada de repentina enfermidade, ficou surda-muda para sempre; e apesar da alegria de outros dois filhos, ela foi novamente abalada com o falecimento do esposo, após seis anos de matrimônio, e com a morte do seu último filho.
Estes acontecimentos marcaram a sua vida e levaram-na a uma mudança radical, a que ela chamara "a sua conversão", isto é, à entrega total ao Senhor. Orientada pelo seu confessor, emitiu de forma privada os votos perpétuos de castidade e obediência, precisamente na festa da Imaculada:  08 de Dezembro de 1858, e depois, como terciária franciscana, professou também o voto de pobreza. Viveu intimamente unida a Cristo, recebendo a Comunhão todos os dias, privilégio que naquele tempo era pouco comum. Em 1862 recebeu o dom dos estigmas ocultos, percebidos mais intensamente nas sextas-feiras.

Num clima de intensa oração, diante do Crucifixo, recebeu a inspiração de fundar uma Congregação religiosa:  "Filhas de Santa Ana, Mãe de Maria Imaculada". Depois de tê-la escutado durante longo tempo, o Papa Pio IX confirmou-a na sua missão de Fundadora. Vestiu o hábito religioso no dia 26 de Julho de 1867 e a 08 de Abril de 1870 emitiu a profissão, com outras doze religiosas.
Com esta fundação, realizou muitas obras de atendimento aos pobres e doentes, às pessoas sozinhas, anciãs e abandonadas; cuidou da assistência às crianças e às jovens, proporcionando-lhes uma instrução religiosa e adequada, a fim de inseri-las no mundo do trabalho. Assim, foram abertas muitas escolas para a juventude pobre e a promoção humano-evangélica, segundo as necessidades mais urgentes da época.



Sofreu provas, humilhações, dificuldades e tribulações de todo o gênero, mas sempre confiou em Deus e, cada vez mais, atraía outras jovens para o seu apostolado. Assim, a Congregação difundiu-se rapidamente na Itália, Bolívia, Brasil, Chile, Peru, Eritreia, França e Espanha. Ana Rosa faleceu no dia 6 de Maio de 1900.

quinta-feira, 27 de março de 2014

SÃO POMPÍLIO MARIA PIRROTTI, Presbítero das Escolas Pias (Escolápios) e grande Apóstolo do Escapulário do Carmo.

       
      Nota do publicador do blog:
      Deus é glorificado nos seus santos. Hoje, trago ao conhecimento dos leitores do blog, a vida de São Pompílio Maria Pirroti, presbítero das Pias Escolas Cristãs, ou, Escolápios. Sua história é fantástica. Beiraria o absurdo, se não fosse testemunhada por muitos que compareceram a seu processo de beatificação/canonização para darem seus testemunhos. Deus prodigalizou por meio desse santo muitos prodígios extraordinários. Nós, carmelitas descalços seculares, devemos ter por ele grande consideração, mesmo não sendo um santo de nossa Ordem. 
    Quando se fala em devoção ao Escapulário do Carmo, logo associamos essa devoção aos Carmelitas (da antiga observância ou descalços), no entanto, muitos santos "não carmelitas" foram grandes devotos, inclusive, grandes apóstolos da devoção a este sacramental mariano. Um desses apóstolos que mais se destacaram foi o santo de hoje: São Pompílio Maria Pirrotti. Sua bela história deve ser conhecida e até mesmo divulgada em nossos círculos de convivência católica: famílias, paróquias, grupos de oração e comunidades. Espero que todos apreciem e gostem. 


São Pompílio Maria Pirroti, presbítero. 
Na tarde do dia 15 de julho de 1766, véspera da Virgem do Carmo, rendia a Deus sua alma o Apóstolo do Santo Escapulário, São Pompílio Maria.
Nascido em 19 de setembro de 1710, sentiu aos dezesseis anos o chamamento de Deus para a vida religiosa e, como resultado da quaresma pregada em sua pátria, Montecalvo Irpino, pelo padre reitor as Escolas Pias da vizinha capital de Benevento, Nápoles, localidades ambas da Itália meridional, fugiu de sua casa para o colégio de residência do fervoroso pregador e lhe pediu a batina calasancia (relativa a São José Calasanz, fundador das Pias Escolas Cristãs, ou, Escolápios).
As razões de seu bom pai, que seguiu atrás dele, e era notável advogado, foram estéreis ante a firme decisão de seu filho. E o período de noviciado e de neoprofissão, com seus estudos, não fizeram senão continuar o teor de vida inocente e penitente que já em casa havia levado.
Lá, com efeito, em muitas noites impunha-se a disciplina (chicotear-se durante a oração penitencial) e a oração mental. À noite, quando o sono lhe via e tentava apoderar-se dele, recorria à penitência e à privação de todo comodismo e permanecia em oração muitas vezes até à manhã seguinte. 
Terminada a carreira escolápia, exerce o apostolado do ensino e educação durante catorze anos. O primeiro desses anos com as primeiras letras em Turim e os treze restantes com Humanidades e Retórica em Francavilla, Brindis, Ortona, Chieti e Lanciano, mais a prefeitura das Escolas e a presidência da Arquiconfraria da Boa Morte.

Grande e santo educador de crianças e jovens. 
De seu apostolado entre os alunos se recordam rasgos de sobrenatural penetração. Um desses fatos ocorre em Lanciano. Ao começar sua aula lhe advertem os meninos a ausência de Giovanni Capretti. O padre Pompílio se concentra e poucos segundos depois exclama: “Pobre Capretti! Não pôde vir porque está moribundo... Porém, não será nada. Vão dois de vocês agora a perguntar por ele”. E correm os rapazes a sua casa a angustiante pergunta. Seus pais estranham, havendo-lhe ouvido levantar-se e crendo que estava na escola com toda normalidade. Sobem temerosos a seu quarto e, efetivamente, o encontram no solo, de bruços, sem sentidos, próximo a expirar. Sobressaltados o levantam, o sacodem e lhe chamam repetidas vezes. Ao fim o pobre acidentado começa a voltar a si, balbuciando entre soluços: “Padre Pompílio! Padre Pompílio”! Não sabia senão que, ao levantar-se, havia sido acometido de dores e calafrios que lhe fizeram desfalecer sem deixar-lhe gritar.
Depois, só sabia que lhe havia chamado seu mestre e que já se sentia viver. Ao voltar ao colégio os dois emissários, o padre aproveitou a situação para esclarecer a seus alunos a necessidade de se estar em todo momento na graça do Senhor. Dá para se entender o prestígio que aureolava o humilde padre semelhantes acontecimentos.
Porém, naquela mesma etapa docente, de 1733 a 1747, com dois anos de ordenado sacerdote, o Capítulo Provincial de 1736 acorda facultar-lhe para a pregação da Divina Palavra, sem eximir-lhe, naturalmente, de suas tarefas escolares; e, por todos aqueles mencionados colégios de La Pulla e de Los Abruzos, nos quis ensina a tantos meninos e jovens, começa a afervorar desde o púlpito a homens e mulheres, destacando-se como missionário de força e eficácia surpreendentes.
Rapidamente merece o título de “apóstolo dos Abruzos”, por causa de intervenções maravilhosas que impressionam a populações inteiras. No mesmo Lanciano, último dos colégios desta etapa, aproximando-se já a hora de meia noite, Pompílio sai uma vez de sua habitação, abre a porta da igreja, percorre as ruas vizinhas e põe-se a clamar despertando aos despreocupados dormentes, para que se levantem todos e acorram ao templo, pois, ele imediatamente lhes vai pregar. Faz até toca os sinos chamando ao sermão.
Diante tamanha novidade, todo Lanciano se abarrota e se agita em torno ao púlpito do apóstolo. E o santo vidente lhes anuncia estremecido que um horrendo terremoto será sentido em toda a comarca, porém, que eles não temam, pois, sua celestial Patrona, a Virgem do Poente, intercede de maneira singular pela afortunada população.
Com efeito, ainda está falando, quando um ronco fragor subterrâneo, que avança desde longe, faz tremer o solo e vacilar os edifícios, oprimindo de espanto e crispando de nervosismo a totalidade do auditório. Afortunadamente, o sismo se desvia, e um respiro de alívio sucede ao evento. O alarme do santo não havia sido em vão. A explosão de gratidão após a onda de terror é confissão coletiva do fruto daquelas vigílias, preenchidas de proféticas visões, nas quais o santo pregador, qual outro Abraão, participa da mediação e do segredo dos castigos e das condescendências divinas.
Segunda etapa da vida escolápia de são Pompílio é sua estancia em Nápoles por outros doze anos, de 1747 – 1759. Tanto no colégio de Caravaggio como no da Duquesa, ambos na capital do reino napolitano, arará campo mais vasto para seu celeiro.
Desde Lanciano havia solicitado do Papa o título de missionário apostólico. Bento XIV não lhe concedeu; porém, intensificou as missões nas duas Sicílias, tanto que os superiores da Congregação desligaram a Pompílio da tarefa do ensino para dedicar-se plenamente a ser capelão permanente, pregador cotidiano e confessor contínuo de pequenos e grandes nas capelas dos respectivos colégios. E em tal ambiente e como diretor da Arquiconfraria da Caridade de Deus, se entrega a uma vida apostólica fervorosíssima, que Deus sela com incontáveis e surpreendentes prodígios.

Pregador maravilhoso e cheio de unção
do Espírito Santo. 
Uma mãe acode um dia à igreja de Caravaggio com a terrível notícia de que seu filho havia caído em um poço. Pompílio se compadece, parte com ela até o local, aproxima-se da beirada do poço e faz o sinal da cruz. Nos processos canônicos consta a maravilha de que o nível da água começa a subir, como se o poço as regurgitasse, até que aflora o menino, ileso e sorridente, ao alcance da mão de sua mãe “enlouquecida”.
Uma penitente do taumaturgo sofre por maus tratos por parte de seu marido, homem vicioso e de áspera condição. Recomenda-se às orações de seu confessor. No mesmo dia o esposo a convida a um passeio pelo campo, no próximo domingo. Acha que o marido teria mudado de vida, porém, corre ela a contar ao confessor.  Este, sem dar-lhe crédito, a põe em receio e a aconselha que lhe chame se chegar a ver-se em perigo. Chega o dia do “passeio dominical”. Já em pleno campo o pérfido consorte saca um punhal e trata de assassiná-la. Porém, ao invocar ela ao padre Pompílio, aparece sua figura de semblante irado e austero, arrebata a arma ao assassino e o increpa de tal forma que cai de joelhos compungido e com a promessa de confessar-se. Vai, efetivamente, confessar-se na manhã seguinte com o próprio são Pompílio. Porém, o mais notável é que, na hora precisa do frustrado atentado, o santo estava em público, no púlpito de sua igreja. Interrompeu por alguns instantes o sermão, como se tivesse se distraído com outra coisa, depois segue normalmente pregando como se nada tivesse acontecido.  Não tardou em dar a conhecer todo o ocorrido e isso ficou deposto nos testemunhos processuais. A bilocação não é um fenômeno desconhecido na vida dos santos.
Mais terno e humano foi o incidente do sermão de 17 de novembro de 1756. O interrompeu no momento mais inspirado de um trecho vibrante; permaneceu mudo uns minutos, que ao público expectante pareceram eternos e, à continuação, explicou: “suplico um réquiem aeternam pela alma bendita de minha mãe, que neste instante acaba de falecer”. E assim inumeráveis feitos assombrosos.
Mas a santidade não se prova nos prodígios, senão na tribulação e no sofrimento. Foi a política externa da realeza? Foi política interna de separação de províncias entre a Pulla e a Napolitana? Foram – e é o mais provável – maquinações dos Capellonni jansenistas que chocavam com as misericordiosas benignidades do confessionário do padre Pompílio? O certo é que tanto do palácio real como da chancelaria arquiepiscopal saíram ordens no começo do ano 1759 suspendendo-o do ministério e desterrando do reino o taumaturgo de Nápoles. Os cavalos da carruagem que lhe levou primeiro ao colégio de Posilino não quiseram arrancar até que o padre reitor deu, por obediência, a ordem ao próprio desterrado. Consumando o primeiro passo, chegou de Roma o destino a Luga, na Emlia, e a Ancona, nas Marcas, regiões centrais da Itália, com colégios que não eram da Pulla e nem de Nápoles.

De quatro anos foi esta que podemos chamar de “terceira etapa” da vida apostólica de são Pompílio, nem menos fervorosa, nem menos fecunda que a de Nápoles ou dos Abruzos, e avaliada ademais com a resignação e humildade com que as quais abraçou toda a obediência. Porém, o Senhor dispôs sua reabilitação com a volta triunfal a Nápoles, o reitorado de Manfredônia, o apostolado em sua cidade natal de Montecalvo e o reitorado com o magistério de noviços em Campi Salentino da Pulla onde brilharam seus últimos reflexos e deixou com seus ossos a exemplaridade de sua santíssima morte. Por certo, aqui reviveu a figura do exemplar escolápio com suas preocupações docentes e até assumindo o encargo com as provisões da escola dos pequeninos.
Porém não há que omitir o duplo caráter de externa austeridade e de doçura interior que tem as duas faces da espiritualidade pompiliana. Em pleno século XVIII, o de Voltaire e Rousseau, do enciclopedismo, do iluminismo e racionalismo, pródromos da Revolução Francesa, são Pompílio pregou principalmente sobre os Novíssimos do homem (morte, julgamento, Céu ou inferno) com os acentos de um são Vicente Férrer, e plasmou a devoção às almas do Purgatório com prodígios que podem parecer “ridículos” ao conta-los, porém, que deixaram profundas marcas e “ondas” de pasmo e terror nos testemunhos presenciais ao realizarem-se, como, por exemplo, rezar o Rosário alternando com as caveiras da cripta da igreja de Caravaggio, ou saudar e receber contestação verbal dos esqueletos do cemitério de Montecalvo, e não em forma privada, senão diante das multidões.

Por outra parte, sua devoção à Virgem obteve colóquios como o da Ave Maria contestado com um “Ave, Pompílio”, da parte da “Mamãe bela”, como ele chamou sempre a Nossa Senhora. Também foi um grande propagador e apóstolo da devoção ao santo Escapulário do Carmo, como meio seguro da assistência da Mãe do Céu no tocante à salvação das almas.
Seu belo Amante foi o Coração de Jesus, cuja devoção propagou com tantos favores e prodígios como santa Margarida Maria Alacoque. Foi, pois, são Pompílio um chamado ao sobrenaturalismo na época mesma na qual começava o intento da descristianização dos séculos XVIII e XIX da Idade Moderna. 

Foi canonizado no dia 19 de março de 1934 por Sua Santidade Pio XI. 






sábado, 22 de março de 2014

Santa Rafqa (Rebeca) Ar-Rayès, Virgem e religiosa de rito Maronita.


Rafqa Pietra Choboq Ar-Rayès (Em árabe: رفقا بطرسيّة شبق ألريّس) nasceu aos 29 de junho de 1832 na cidade de Himlaya, distante uns 30 km de Beirute, capital do Líbano e faleceu aos 23 de março de 1914 no Mosteiro de São José em Jrabta (na região do Monte Líbano) e distante aproximadamente 54 km de Beirute. Também conhecida como Santa Rafka, é uma santa católica maronita libanesa canonizada pelo Papa João Paulo II em 10 de junho de 2001.

Infância e Juventude
Nascida no dia de São Pedro e São Paulo, foi batizada aos 07 de julho de 1832, tendo recebido o nome de "Boutroussieh", cuja tradução aproximada seria "Petra" ou "Petrina" (feminino de Pedro). Era filha única do casal Mourad Saber al-Choboq al-Rayès e de Rafqa Gemayel. Sua mãe, faleceu em 1839, quando ela tinha apenas 6 anos de idade. Seu pai, em situação de penúria, mandou-a para Damasco, na Síria, em 1843, para servir como empregada doméstica na casa de uma família amiga, os El Badawi, de origem libanesa. Quando voltou para ao Líbano, em 1847, Boutroussieh já tinha 14 anos de idade, e seu pai havia voltado a casar-se.
Considerada bonita, de boa índole, humilde e piedosa, sua família procurou arranjar-lhe um casamento, tendo recebido duas propostas: uma de sua tia materna, para que se casara com seu filho, primo de Boutroussieh; e outra de sua madrasta, para que se casara com seu irmão, cunhado de seu pai. O conflito entre as duas mulheres foi franco e aberto. No entanto, Boutroussieh já havia feito sua escolha: queria abraçar a vida religiosa.

Vida Religiosa
Ajudada pelo padre Joseph Gemayel, Rafqa entrou como aspirante na "Congregação das Filhas de Maria da Imaculada Conceição" (em francês Mariamettes) em 1º de janeiro de 1853, aos 21 anos, na cidade de Bikfaya. Em 09 de fevereiro de 1855, festa de São Marun, iniciou o seu noviciado na cidade de Ghazir, quando escolheu o nome religioso de Anissa (Inês em árabe). Fez seu primeiros votos no ano seguinte, em 1856, e aos 19 de junho de 1862 fez seus votos perpétuos. Como monja foi enviada para o recém fundado seminário jesuíta, também em Ghazir, onde serviu como cozinheira. Seguiu então para Deir el Qamar, onde os conflitos entre cristãos e druzos eram abertos e lá ficou por um ano. No ano seguinte ensinou em Jbeil (a antiga Byblos) e depois passou sente anos seguidos (1864-1871) no povoado de Ma'ad (também na região de Jbeil - Biblos) dando aulas de instrução cristã à população.
No entanto, a "Congregação das Filhas de Maria da Imaculada Conceição" dissolveu-se em 1871. Apesar da insistência do chefe local, Antoun Issa, que ela ficasse em Ma'ad, Rafqa decidiu ingressar na Ordem Baladita (que, junto à Ordem dos Alepianos e à Ordem dos Antoninos, forma a tríade das três mais importantes ordens monásticas do Líbano). Foi inicialmente para o mosteiro de São Simão de Al-Qarn; em 12 de julho de 1871 iniciou novamente o seu noviciado. Professou novamente seu votos perpétuos em 25 de agosto de 1873 mas, desta vez, escolheu para nome religioso o nome de sua mãe, Rafqa ("Rebeca" em árabe) e ficou no mosteiro até 1897.



Sofrimentos e Fé
Em 1885, Rafqa foi acometida de sérias dores de cabeça. Acompanhada por uma irmã a Trípoli, foi ao médico, onde constatou-se um grave dano ao nervo óptico. Depois de jorrar pus por mais de um mês, foi perdendo progressivamente a visão: primeiro o olho esquerdo, depois o direito, até que ambos começaram a sangrar.
Rafka começou a sentir dores terríveis na cabeça e nos olhos. Após os exames médicos foi submetida a várias cirurgias. Durante a última o médico errou e ela ficou sem chance de cura. Rafka aceitou toda aquela lenta agonia tendo a certeza que deste modo participava da Paixão de Jesus Cristo e no sofrimento da Virgem Maria.
Foram vinte e seis anos de sofrimento na cidade de Aitou. Depois, com outras cinco religiosas, Rafka foi transferida para o novo convento dedicado a São José, em Grabta. Neste período ficou completamente cega e paralítica. Mesmo assim se manteve feliz porque podia usar as mãos, fazendo meias e malhas de lã. Rafka ainda vivia e a população falava dela como santa


Momentos Finais
Completamente cega, com uma paralisação progressiva dos membros a partir de 1907, Rafqa esperou humildemente sua morte. Três dias antes de falecer, disse: "Eu não tenho medo da morte que tanto esperei. Deus me fará viver através de minha morte". Aos 23 de março de 1914, log após receber a Unção dos Enfermos e a Eucaristia, Rafqa entregou sua alma a Deus. Tinha então 82 anos.

       Beatificação e Canonização
Depois da sua morte em 23 de março de 1914 a sua fama se difundiu por todo o Líbano, Europa, e nas Américas.Os prodígios e milagres foram se acumulando.
Em 09 de junho de 1984, Vigília de Pentecostes, na presença de Sua Santidade, o Papa João Paulo II, foi aprovado oum decreto tendo em vista o milagre relativo a Elizabeth Ennakl, que foi completamente curada de um câncer uterino após visitar o túmulo de Rafqa, ainda no ano de 1938.
Em 16 de novembro de 1985 o mesmo Papa João Paulo II beatificou-a e em 10 de junho de 2001, canonizou-a na Praça de São Pedro, em Roma.

Oração da Santa Rafqa:
Ó Senhor Jesus Cristo, nosso Deus, Tu gravaste a imagem de Tua Paixão na vida Santa Rafqa (Rebeca) fazendo dela mestra e operária orando e compartilhando Contigo o Mistério da Redenção. Aqui estamos, humildemente diante de Ti, orando e pedindo a intercessão de Santa Rafqa (Rebeca) para que as crianças sejam abençoadas, os doentes recebam a graça da cura e os que sofrem, a alegria e a felicidade e para que aqueles que oram nas Igrejas e Mosteiros tenham seus pedidos atendidos. (pedir a graça)

E assim como Tu honraste Rafqa (Rebeca) com a visão da Tua Luz Celestial, permita-nos viver como Rafqa (Rebeca) viveu durante toda sua vida na Fé, na Esperança e na Caridade, a fim de que com ela, com a Virgem Maria e todos os Santos, Te glorifiquemos e agradeçamos até o fim dos tempos. Amém.


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Outra biografia de Santa Rafqa Ar-Rayès: 


      O Lírio de Himlaya

     Petra (seu nome de batismo) nasceu em Himlaya, vilarejo do Metn setentrional, no dia 29 de junho de 1832. Era filha única de Mourad Saber al-Choboq al-Rayès e de Rafqa (Rebeca) Gemayel; foi batizada em 7 de julho de 1832 e recebeu o nome de Boutroussyeh (Petra). Os seus pais a ensinaram a amar a Deus e a rezar todos os dias.
     Em 1839, quando tinha sete anos, perdeu sua mãe, à qual era muito apegada. Seu pai caiu então na pobreza, e em 1843 a enviou a Damasco, a serviço na casa de Asaad al-Badawi, de origem libanesa, onde permaneceu por quatro anos.
     Petra voltou para a casa paterna em 1847 e descobriu que na sua ausência seu pai havia se casado de novo com uma senhora chamada Kafa. Ela, então com quinze anos, era bonita, sociável e de bom caráter, dotada de uma voz melodiosa e de uma religiosidade profunda e humilde.
     Desde sua juventude, Petra sentiu um profundo amor por Cristo e à Eucaristia, por isso queria ingressar como noviça nas Irmãs de Maria, porém a forte influência daqueles que mais tarde seriam os Santos libaneses, os maronitas Charbel Makhlouf e Nimatullah Al-Hardini, levaram-na a entrar no mosteiro maronita de São José de Batroun, o que ocorreu em 1897, tomando o nome de Irmã Rafqa (Rebeca) em homenagem a sua mãe.
     Em 1860, Irmã Rafqa foi transferida para Deir al-Qamar, para ensinar Catecismo aos jovens. Naquele período tiveram lugar os dramáticos acontecimentos que ensangüentaram o Líbano. Irmã Rafqa viu com os próprios olhos o martírio de um grande número de pessoas. Também teve a coragem de esconder um menino sob sua capa, salvando-o da morte. Ela permaneceu em Deir al-Qamar cerca de um ano.
     No primeiro domingo de outubro de 1885, na igreja do mosteiro, durante a oração, ela suplicou a Deus que a fizesse participar de sua Paixão redentora. Seus rogos foram atendidos nessa mesma tarde: ela começou a sentir fortes dores de cabeça e pouco depois a dor se estendeu aos olhos. Todos os tratamentos foram inúteis e se decidiu mandá-la a Beirute para tentar outras opções.
     Durante a viagem se deteve em Biblos, onde foi confiada a um médico americano que, depois de analisar seu caso, decidiu operá-la. Porém, durante a operação extraiu-lhe por erro o olho direito. A doença logo afetou o olho esquerdo. Então os médicos julgaram que qualquer tratamento seria inútil e Irmã Rafqa voltou para o seu mosteiro, onde a dor ocular a acompanhou por 12 anos. Suportou sua dor com paciência, em silêncio, em oração e com alegria, repetindo continuamente: "Em união com a Paixão de Cristo”.
     Em 1897, um grupo de monjas do convento de São Simeão de Aitou se transferiu para o novo convento de São José de Ad-Daher. A Madre Úrsula, que ia ser a superiora da nova fundação, pediu que a Irmã Rafqa fosse incluída no grupo, para que seu exemplo junto as irmãs diminuísse as dificuldades que sempre existem em uma nova fundação.
     A Irmã Rafqa passou os últimos dezessete anos de sua vida neste convento, que ia ser o cenário de seus maiores sofrimentos, bem como de suas alegrias mais espirituais.
     Irmã Rafqa não decepcionou a Madre Úrsula. Seu exemplo e ajuda foram muito valiosos no estabelecimento do novo mosteiro. As noviças ficavam especialmente impressionadas com o espírito de oração da monja cega, além de sua humildade e caridade. Muitos anos depois de sua morte, várias das irmãs que, ou haviam chegado com ela na nova fundação, ou haviam sido noviças durante os dezessete anos que ela viveu em São José de Ad-Daher, não haviam esquecido o tempo vivido junto a ela e deram testemunho de sua santidade.
     Só Deus sabe o muito que a Irmã Rafqa teve que suportar. Sua dor era contínua noite e dia, entretanto as outras irmãs nunca a ouviram murmurar ou se queixar. Com frequência a ouviam dar graças a Deus por seus sofrimentos, "...porque sei que a enfermidade que tenho é para o bem de minha alma e para Sua glória" e que "a enfermidade aceita com paciência e ação de graças purifica a alma como o fogo purifica o ouro". Estava sempre tranquila, sorridente, confiando no Senhor, pois Ele prometeu aumentar o deleite de seus servos fieis no céu (cf. Lucas 21:19).
     A Irmã Rafqa se caracterizou também pelo amor que sentia pelos doentes e pelas crianças abandonadas, e orava por eles. Ela também ofereceu suas dores físicas em reparação pelos pecados de toda a humanidade, sobretudo de seu país.
     A Santa adormeceu no Senhor em odor de santidade no dia 23 de março de 1914, depois de uma vida passada na oração, no serviço e no sofrimento da Cruz, confiando na intercessão de Maria SSma. e de São José. Foi sepultada no cemitério do mosteiro.

     No dia 10 de julho de 1927, seus despojos mortais foram transferidos para um túmulo novo em um ângulo da igreja do mosteiro. A causa de sua beatificação foi introduzida em 23 de dezembro de 1925. Foi declarada venerável no dia 11 de fevereiro de 1982; beatificada em 17 de novembro de 1985 e canonizada em 10 de junho de 2001.

terça-feira, 18 de março de 2014

SÃO JOSÉ: O QUE OS SANTOS DIZEM DELE.







São Mateus afirma em seu Evangelho que São José “era um homem justo” (Mt 1,19). Isto, na linguagem bíblica, significa um homem repleto de todas as virtudes, de santidade completa, perfeito.
Jesus quis ter um pai na terra: O anjo do Senhor, aparecendo-lhe em sonho, diz-lhe: “José, filho de Davi, não temas receber Maria, tua esposa, pois o que ela concebeu é obra do Espírito Santo” (Mt. 1,20).

Coube a S. José dar o nome ao Filho de Deus humanado. O Anjo lhe disse: “Ela dará à luz um filho, a quem porás o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo de seus pecados. Tudo isto aconteceu para que se cumprisse o que o Senhor falou pelo profeta” (Mt 1, 21-22).

Em uma aparição a Santa Margarida de Cortona, disse Jesus: “Filha, se desejas fazer-me algo agradável, rogo-te não deixeis passar um dia sem render algum tributo de louvor e de bênção ao meu Pai adotivo São José, porque me é caríssimo”.

Santo Afonso de Ligório (†1787), doutor da Igreja, garantia que todo dom ou privilégio que Deus concedeu a outro Santo também o concedeu a São José.

São Francisco de Sales (†1655), doutor da Igreja, diz que "São José ultrapassou, na pureza, os Anjos da mais alta hierarquia".

São Jerônimo (†420), doutor da Igreja, diz que: “José mereceu o nome de “Justo”, porque possuía de modo perfeito todas as virtudes”.

São Bernardo (†1153), doutor da Igreja: “De sua vocação, considerai a multiplicidade, a excelência, a sublimidade dos dons sobrenaturais com que foi enriquecido por Deus”.

Se São José foi escolhido para Esposo de Maria, a mais santa de todas as mulheres, é porque ele era o mais santo de todos os homens. Se houvesse alguém mais santo que José, certamente seria este escolhido por Jesus para Esposo de Sua Mãe Maria. Nós não pudemos escolher nosso pai e nossa mãe, mas Jesus pôde, então, escolheu os melhores que existiam.

São Francisco de Sales:
“Oh! que divina união entre Nossa Senhora e o glorioso São José; união que tornava José participante de todos os bens de sua cara Esposa e o fazia crescer maravilhosamente na perfeição, pela contínua comunicação com Ela, que possuía todas as virtudes em grau tão alto, que nenhuma criatura o pode atingir”.

Testemunho de Santa Teresa de Ávila (†1582), doutora da Igreja, devotíssima de São José. No “Livro da Vida”, sua autobiografia, ela escreveu:

“Tomei por advogado e senhor ao glorioso São José e muito me encomendei a ele. Claramente vi que dessa necessidade, como de outras maiores referentes à honra e à perda da alma, esse pai e senhor meu salvou-me com maior lucro do que eu lhe sabia pedir. Não me recordo de lhe haver, até agora, suplicado graça que tenha deixado de obter. Coisa admirável são os grandes favores que Deus me tem feito por intermédio desse bem-aventurado santo, e os perigos de que me tem livrado, tanto do corpo como da alma. A outros santos parece o Senhor ter dado graça para socorrer numa determinada necessidade.”
“Ao glorioso São José tenho experiência de que socorre em todas. O Senhor quer dar a entender com isso como lhe foi submisso na terra, onde São José, como pai adotivo, o podia mandar, assim no céu atende a todos os seus pedidos. Por experiência, o mesmo viram outras pessoas a quem eu aconselhava encomendar-se a ele. A todos quisera persuadir que fossem devotos desse glorioso santo, pela experiência que tenho de quantos bens alcança de Deus...De alguns anos para cá, no dia de sua festa, sempre lhe peço algum favor especial. Nunca deixei de ser atendida".

Cultos prestados pela Igreja:
1.    Latria = adoração – à Santíssima Trindade.
2.    Dulia = veneração - aos Santos e Anjos.
3.    Hiper Dulia = super veneração – a Nossa Senhora Mãe de Deus
4.    Proto – Dulia = primeira veneração – a São José.

No Evangelho consta que São José era carpinteiro: “Não é este o filho do carpinteiro?” (Mt 13, 55). Mas a expressão é mais genérica, pois diz “filius fabri”, quer dizer, filho de artesão.
Todo o povo judeu sabia que o Messias viria da tribo de Judá, e seria descendente do grande rei Davi. “Um renovo sairá do tronco de Jessé, e um rebento brotará de suas raízes. Sobre ele repousará o Espírito do Senhor, Espírito de sabedoria e de entendimento, Espírito de prudência e de coragem, Espírito de ciência e de temor ao Senhor.” (Is 11, 1-2)
“Jacó gerou José, esposo de Maria, da qual nasceu Jesus, que é chamado Cristo. Portanto, as gerações, desde Abraão até Davi, são quatorze. Desde Davi até o cativeiro de Babilônia, quatorze gerações. E, depois do cativeiro até Cristo, quatorze gerações.” (Mt 1, 16-17).

A vocação de São José foi a de representante do Pai Eterno junto a seu Filho Unigênito na terra. Por isso os autores místicos o chamam de “Sombra do Pai Celeste”; um privilégio especial só a ele concedido. Isto nos faz lembrar a palavra que diz: “Eu sou o Senhor, esse é meu nome, a ninguém cederei minha glória, nem a ídolos minha honra.” (Is 42,8).

São Basílio Magno (330-369), doutor da Igreja, diz: "Ainda que José tratasse sua mulher com todo afeto e amor e com todo o cuidado próprio dos cônjuges, entretanto se abstiveram dos atos conjugais" (Tratado da Virgem Santíssima, BAC, Madri, 1952, p. 36).

O Papa Pio XI quando proclamou São José Patrono universal da Igreja, disse: “Entre São José e Deus não vemos e não devemos ver senão Maria, por sua divina Maternidade”. “São José, depois de Maria, é o maior de todos os Santos”.

Papa Leão XIII disse na Encíclica Quamquam pluries:
“Muitos Padres da Igreja, de acordo com a Sagrada Liturgia, acreditam que o antigo José, filho do Patriarca Jacó, tenha figurado a pessoa e o ministério do nosso São José, e simbolizado, com o seu esplendor, a grandeza e a glória do futuro Custódio da Sagrada Família.”

Eis o que diz a respeito São Bernardo, doutor a Igreja:
“Lembra-te do grande Patriarca vendido para o Egito, e sabe que ele não só lhe herdou o nome, mas imitou-lhe também a castidade, mereceu-lhe a inocência e a graça. E se aquele José, vendido por inveja dos irmãos e conduzido ao Egito, prefigurou a venda de Cristo, o nosso José, fugindo da inveja de Herodes, levou Cristo para o Egito”.

Beato João Paulo II: “Precisamente em vista da sua contribuição para o mistério da Encarnação do Verbo, José e Maria receberam a graça de viverem juntos o carisma da virgindade e o dom do matrimônio. A comunhão de amor virginal de Maria e José, embora constitua um caso muito especial, ligado à realização concreta do mistério da Encarnação, foi todavia um verdadeiro matrimônio” (cf Exort. Apost. Redemptoris custos, 7).

São José é o patrono da boa morte: Santa Teresa, narrando a morte de suas filhas, devotas do Santo, dizia: “Tenho observado que, no momento de exalar o último suspiro, gozavam inefável paz e tranqüilidade; sua morte assemelhava-se ao doce repouso da oração. Nada indicava que estivessem interiormente agitadas por tentações. Essas divinas luzes me libertaram o coração do temor da morte. Morrer parece-me agora o que há de mais fácil para uma alma fiel”.

 

Liturgia:
O Papa Pio IX, no dia 8 de dezembro de 1870, declarou o glorioso São José, Padroeiro da Igreja Católica. Este mesmo Papa, em 08/12/1854, já tinha proclamado solenemente o dogma da Imaculada Conceição de Nossa Senhora.

Em 1956, o papa Pio XII (1939-1958) instituiu a festa de São José Operário, a ser celebrada em rito duplo de primeira classe no dia 1º de maio, Dia Universal do Trabalho.

O Papa Leão XIII, no dia 15/8/1899, assinava a Encíclica “Quanquam Pluries” sobre São José, nos tempos difíceis da virada do século.
“Assim como Deus constituíra o antigo José filho do antigo patriarca Jacó, para presidir em toda a terra do Egito, a fim de conservar o trigo para os povos; assim, chegada à plenitude dos tempos, estando para enviar a terra o seu Unigênito Filho para redenção do mundo, escolheu outro José, de quem o primeiro era figura; constituiu-o Senhor e Príncipe de sua casa e de sua possessão, e elegeu-o custódio de seus principais tesouros.”


Orações a São José
COROA DAS SETE DORES E GOZOS DE SÃO JOSÉ
    Dor de pensar em deixar Maria, gozo em receber a mensagem do Anjo. Pai Nosso e Ave Maria.
    Dor de ver Jesus nascer na gruta de Belém, gozo ao vê-Lo adorado pelos Anjos, pastores e reis magos. Pai Nosso e Ave Maria.
    Dor de derramar o sangue do Menino Jesus na circuncisão; gozo ao dar-lhe o nome de Jesus. Pai Nosso e Ave Maria.
    Dor ao ver a espada de Simeão apresentada a Maria; gozo ao ver Ana e Simeão louvando o Menino. Pai Nosso e Ave Maria.
    Dor do desterro para o Egito; gozo ao ver os ídolos caírem dos pedestais. Pai Nosso e Ave Maria.
    Dor de não poder voltar para Jerusalém, gozo ao voltar para Nazaré. Pai Nosso e Ave Maria.
    Dor da perda de Jesus em Jerusalém aos 12 anos; gozo ao encontra-lo entre os doutores. Pai Nosso e Ave Maria.


Oração
Ó glorioso Patriarca São José, animado de uma fé viva, chego ao vosso trono de glória, em que firmíssimamente Deus vos colocou pelos méritos de Jesus e de Maria, por vossos especiais méritos e virtudes. Eu vos peço que me alcanceis a graça de livrar-me dos sete pecados capitais, e que fique firme e constante nas virtudes a eles contrárias, e adornado dos sete dons do Espírito Santo, e que ame com fervor a Jesus e a Maria. E para mais obrigar vosso compassivo coração, lembro-vos as sete maiores dores.

 

Consagração a SÃO JOSÉ

Glorioso São José, digno de ser entre os santos com especialidade venerado, amado e invocado, pelo primor de vossas virtudes, eminência de vossa glória e poder de vossa intercessão, perante a Santíssima Trindade, perante Jesus, vosso filho adotivo, e perante Maria, vossa castíssima Esposa, minha Mãe terníssima, tomo-vos hoje por meu advogado junto de ambos, por meu protetor e pai, proponho firmemente nunca esquecer-me de Vós, honrar-vos todos os dias que Deus me conceder, e fazer quanto em mim estiver, para inspirar vossa devoção aos que estão a meu encargo. Dignai-vos vo-lo peço ó pai do meu coração, conceder-me vossa especial proteção e admitir-me entre vossos mais fervorosos servos. Em todas as minhas ações assisti-me, junto de Jesus e Maria favorecei-me, e na hora da morte não me falteis, por piedade. Amém.