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sábado, 15 de fevereiro de 2014

Santa Benedita Cambiagio Frassinello, Religiosa e Fundadora


“Conformar-se a Cristo no abandono a amorosa Divina Providência".

     Em Benedita Cambiagio Frassinello (1791-1858) a Igreja nos mostra um exemplo de santa esposa, religiosa e fundadora. Ela deixou-se conduzir pelo Espírito Santo através das experiências do matrimônio, de educadora e de consagração religiosa, até fundar, junto com o marido, uma congregação que é o único caso na História da Igreja.
     Benedita Cambiagio nasceu no dia 2 de outubro de 1791, em Langasco, Gênova, última de sete filhos de José Cambiagio e Francisca Ghiglione. Ela foi batizada dois dias depois de seu nascimento. Seus pais eram camponeses e depois das revoluções napoleônicas a família vê os problemas econômicos se agravarem. Junto com outras famílias de Langasco, eles emigraram para Pavia quando Benedita tinha 13 anos.
     Ela recebeu uma educação católica rigorosa e se dedicou aos estudos, sobretudo como autodidata, privilegiando a leitura de biografias de Santos e o aprofundamento da doutrina católica. Em 1812, Maria, sua irmão mais velha, se casa. Aos 20 anos Benedita tinha uma forte inclinação para a oração e a vida contemplativa, pensando em talvez fazer-se religiosa, mas, na dúvida, prevaleceu o parecer da família mais propensa ao seu casamento. Dia 7 de fevereiro de 1816, aos vinte e cinco anos, casou-se na Basílica de São Miguel com João Batista Frassinello, camponês e carpinteiro, fervoroso católico de Ronco Scrivia.
     Dois anos depois, sem filhos, de comum acordo, Benedita e João Batista passaram a viver como irmão e irmã na mesma casa. De fato, o grande desejo de castidade de Benedita contagiou o cônjuge. Ela conta o episódio em suas Memórias: "Vivi por dois anos sujeita a ele, como o Senhor ordenara. Mas o meu desejo era de viver como irmão e irmã. Um dia eu pedi a meu marido para secundar-me neste desejo que desde menina eu tinha; ele imediatamente atendeu-me, para infinita consolação de minha alma, pois outra coisa eu não desejava".
     Na época, sua irmã Maria, gravemente doente de câncer intestinal, se hospedava em sua casa e o casal passou a cuidar dela com amor e dedicação até sua morte, em 1825. O cuidado da doente fez nascer neles a vocação de ajudar os necessitados sem reservas. Em consequência, João Batista entrou como irmão leigo na comunidade religiosa dos padres Somascos e Benedita na comunidade das Irmãs Ursulinas de Capriolo.
     Em 1826, Benedita retorna a Pavia devido a graves problemas de saúde. Teve então uma visão onde lhe apareceu São Jerônimo Emiliani, ficando curada por completo. Benedita, inspirando-se naquele grande santo, que tivera atenção especial pelo aspecto educativo das pessoas, começou a trabalhar na educação das jovens e das meninas abandonadas pelas famílias. Para esta obra ela pede e obtém a aprovação do bispo D. Luís Tosi, o qual chama de volta a Pavia seu marido, João Batista, para auxiliá-la nos trabalhos. Este atendeu logo, voltou para a esposa-irmã, renovando ambos o voto de castidade perfeita pelas mãos do bispo.
     Em 29 de setembro de 1826, Benedita aluga uma casa em Vicolo Porzi. Para conseguir os meios necessários para manter sua obra, vai de casa em casa pedindo ajuda. Sua intenção era lutar, por meio da educação, contra a solidão, a ignorância, a pobreza, que são a base dos maus costumes, agindo no universo totalmente feminino. Com a ajuda e o apoio de várias professoras, ensinava as jovens a ler, a escrever, a trabalhar, formando uma instituição escolar de excelente nível, cujo estatuto foi aprovado pelas autoridades eclesiásticas.
     Na época, a instituição escolar era muito precária e Benedita fez um alerta às autoridades de Pavia, a primeira mulher da cidade e do Estado a advertir sobre essa necessidade. Pavia era então governada pelo Império Austro-húngaro, e o governo austríaco reconheceu seu trabalho e deu a ela o título de “Promotora da Educação Pública”.
     A dedicação constante de Benedita nasceu e cresceu do seu fervor a Cristo na Eucaristia e da contemplação de Jesus na Cruz. Tinha em Deus seu sustento e sua defesa. Não lhe faltaram na vida experiências espirituais que se repetiam especialmente durante as Missas. Porém, isso não interferia nos seus compromissos cotidianos.
     Seu primeiro biógrafo, Joaquim Semino, que a conheceu pessoalmente, nos dá este retrato dela: "E eu não devo silenciar como ela tinha um rosto entre o majestoso e o amável, de maneira que parecia ter sido feita para orientar as jovens. Ela tinha uma forma de dizer gentil e doce, um jeito de fazer franco e jeitoso, ao mesmo tempo enérgico e forte, que despertava o amor e a reverência de todos".
     Mas, nem tudo corria sem complicações. Como sua obra educadora recebesse doações, no dia 4 de fevereiro de 1837 o jornal ''La Gazzetta di Pavia'' promoveu uma subscrição com a finalidade de ajudá-la. Esta iniciativa fez emergir muitos de seus opositores que lhe fizeram pesadas acusações. Ela demonstrou sua transparência cedendo a direção da Instituição a uma colaboradora, Catarina Bonino, e entregando toda a sua obra ao bispo. Com cinco irmãs deixou Pavia indo para Ligúria.
     Sua biografia não diz claramente por que certo momento ela ficou sozinha e mau vista. Podemos conjecturar que a presença de eclesiásticos de ideias jansenistas entre os conselheiros do Bispo Luís Tosti, ou, então, a existência de funcionários maçons na administração pública da cidade, ou ambas as coisas, foram a causa dessa situação. Entretanto, o que parecia um fim, foi outro começo.
     Na cidade de Ronco Scrivia, Benedita abriu uma escola para jovens com as cinco companheiras e a ajuda do esposo. Adquiriu algumas casas e finalmente fundou, no dia 28 de outubro de 1838, a Congregação das Irmãs Beneditinas da Providência, escrevendo ela mesma a Regra e a Constituição, e logo a colocou sob a autoridade do Bispo de Gênova. A Instituição se desenvolveu rapidamente, tanto que em 1847 uma nova casa foi inaugurada em Voghera.
     Em 1851, Benedita retorna a Pavia atendendo a um pedido do Conde João Dessi, preocupado com o aumento das condições de miséria depois da guerra de 1848. Incógnito, o conde comprara o antigo mosteiro de São Gregório. Ali Benedita abriu uma nova casa para meninas, enquanto continuava a dirigir a de Ronco Scrivia. Aqueles foram anos de muito empenho por parte dela e do esposo, enquanto seus críticos continuavam a denegri-la sem sucesso. Em 1857, abre outra escola em São Quirico, Valpolcevera.
     No dia 21 de março de 1858, com 67 anos de idade, Benedita morre santamente em Ronco Scrivia, no dia e hora por ela previstos. Logo acorre um grande número de pessoas para uma última manifestação de estima e para chorar aquela que consideravam uma santa. Foi sepultada no cemitério de Ronco Scrivia. Em 1944, durante a II Guerra Mundial, um bombardeio destruiu o pequeno cemitério e as suas relíquias foram dispersas.
     Beatificada por João Paulo II em 10 de maio de 1987, o mesmo pontífice a canonizou em 19 de maio de 2002. Sua festa foi fixada em 21 de março, dia de seu falecimento.

     Benedita pode ser proposta como modelo e intercessora para as pessoas consagradas, os esposos, os jovens, os educadores e as famílias.

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