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terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Beato Bernardo de Offida, Irmão Capuchinho


Bernardo Peroni de Offida (Ascoli Piceno), nasce na Villa d’Appignano, nos arredores de Offida aos 7 de novembro de 1604, no mesmo ano da morte de São Serafim de Montegranaro, quase uma entrega. Entre os santos e beatos capuchinhos é certamente o mais longevo. Morrerá em Offida no dia 22 de agosto de 1694 aos 90 anos de idade.
 Domenico, assim o chamou o pai Giuseppe na fonte batismal, cresce robusto e sadio, pastor de rebanhos e semeador de campos nutre a sua fé no livro da cruz e na devoção à Virgem Maria. A vida bela e austera dos capuchinhos que se tinham estabelecido em Offida em 1614 torna-se para ele um forte chamado, mas esperará ainda alguns anos antes de vestir o hábito capuchinho em Corinaldo aos 15 de fevereiro de 1626 e para fazer a sua profissão um ano depois em Camerino.
 Bernardo de Lama, esse o topônimo mais exato do mais notável cidadão de Offida, por obediência acolhe a sua primeira destinação, Fermo. Por quase vinte anos permaneceu nesse convento, no silêncio. Nenhuma fonte documentária fala: é o tempo que o Senhor utiliza para prepará-lo para a sua missão: “ávido de almas”.
Uma breve permanência em Ascoli, quase um embriagar-se na santidade de Serafim de Montegranaro e depois outras ainda mais breves até chegar a Offida em 1650. Aqui, por 45 anos louvará o Pai da misericórdia, adorará o Cristo na Eucaristia e servirá o Corpo do Senhor nos irmãos pobres e doentes.  Uma vida simples, escondida, humilde, uma vida feitas dos serviços ordinários do irmão capuchinho: cozinheiro, hortelão, enfermeiro, esmoleiro, porteiro, todo caridade, todo oração, todo louvor ao Senhor.
 Apaixonado pela Eucaristia, não se dava conta do tempo que passava, das moscas que o incomodavam, dos olhos dos irmãos e das pessoas que o espiavam, do barulho ao redor. Os dias de festa solene para ele eram dias de alegria ainda maior porque podia passar o dia inteiro servindo Missas, inflamando-se de ardor da consagração até a comunhão.  O seu coração, de tão habituado a lançar afetos a Deus com ardentes expressões de amor, muitas vezes, também diante de pessoas, se deixava fugir sem se aperceber.



O Amor que se manifestava no seu rosto estimulava à oração. O Amor que lhe era doado na Eucaristia ele o restituía carregando os fardos pesados de quem encontrava cansado pelo caminho, pacificando as desavenças de quem não se sentia mais irmão, acudindo as fadigas e as dores de quem jazia doente acamado. E ninguém resistia à sua candura, à sua bondade, ao seu grito angustiado: “Permaneçam com Deus! Temam a Deus! Amem a Deus! Fujam do pecado! Sejam bondosos"!

 Depois de um dia pesado e cansativo, retirava-se, como merecido repouso, para longas horas de oração diante do Sacrário ou da imagem de Nossa Senhora ou do altar de São Félix de Cantalício. Aqui encontrava a força para colocar-se de novo a serviço, multiplicando a caridade através de suas mãos.
Ninguém que batesse à porta saía de mãos vazias; ninguém que quisesse o seu conforto porque doente, ficava desiludido; ninguém que pedisse a sua oração ficava sem receber a graça do Senhor. Encontramos, registrada por atuários, a memória de crianças devolvidas vivas às próprias mães, de doentes curados e de muitos episódios extraordinários operados por sua intercessão. Carisma e dom do Senhor que Frei Bernardo escondia servindo-se do óleo e da lâmpada que ardia no altar de São Félix de Cantalício.

Nem mesmo nos últimos anos de vida, em condições precárias, encolhido e paralítico, renunciava a estar por longo tempo diante do Sacrário. Tinha mandado fazer um par de muletas exatamente para manter-se de pé em adoração já que não podia estar de joelhos como era seu costume.

Vendo aproximar-se o fim de sua vida terrena, quase nonagenário, carregado de anos e dos achaques da idade, mas radioso mais do que nunca no espírito a ponto de fazer quem o encontrava exclamar que tinha “tanta alegria no rosto e nas palavras que não parecia enfermo, mas que se deliciasse”, quis restituir tudo, pedindo ao seu guardião “a caridade” de fazer uso unicamente do hábito.


Tendo recebido os sacramentos, quase arrebatado em êxtase, recomendou aos irmãos a observância da Regra, da paz, do amor entre si e ao próximo e que rezassem pelos benfeitores.

Morria ao amanhecer de um novo dia, aos 22 de agosto de 1622. Floresceram graças e milagres, mas o caminho para levá-lo à glória dos altares foi longo e difícil tendo-se concluído somente no dia 19 de maio de 1795 quando o Papa Pio VII o inscrevia no catálogo dos beatos. Seis dias depois, na Basílica Vaticana, era celebrada a sua beatificação.

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