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quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Beata Elizabete Canori Mora, Mãe de Família, Terciária Trinitária e Mística.



Beata Elisabete, Esposa, Mãe de família,
Terciária Trinitariana e Mística. 
Elizabete Canori é filha de Tomás Canori, grande proprietário de terras romano, e de Teresa Primoli, aistocrática dama da Cidade dos Papas. Nasceu no dia 21 de novembro de 1774; recebeu esmerada educação familiar.
     Um alto prelado conhecendo os problemas econômicos e a qualidade espiritual da família Canori, propôs colocar Elizabete e a irmã mais nova, Benedita, no mosteiro das Oblatas de São Felipe, encarregando-se de todas as despesas. Mas somente Benedita aceitou; Elizabete permaneceu junto à família.
     Em 10 de janeiro de 1796, desposou um jovem advogado, Cristóvão Mora, filho de um rico médico da mesma Roma. Do casal nasceram quatro filhas, duas das quais morreram com pouca idade: Mariana nasceu em 1799 e Maria Lucina em 1801.
     Tudo augurava ao novo matrimônio um brilhante futuro. Mas a tragédia veio logo. O marido arruinou a família e abandonou o lar, seduzido por uma mulher de má vida. Foi preso pela polícia pontifícia, primeiro num cárcere, depois num convento. Jurou mudar de vida, mas após retornar ao seu lar, tentou repetidas vezes assassinar sua esposa Elizabete. Ela foi de uma fidelidade heroica, oferecendo pelo marido enormes sacrifícios. E profetizou que ele acabaria morrendo sacerdote.
     Quando abandonada pelo esposo, incompreendida pelos familiares, Elizabete teria caído na miséria se benfeitores compassivos não a tivessem auxiliado. Entre eles encontravam-se Prelados romanos, que narraram ao Papa Pio VII os seus méritos. O Pontífice, beneficiado pelas orações e sacrifícios dela, concedeu privilégios pouco comuns à capela privada da sua humilde casa.
Elizabete: exemplo de esposa abnegada
e mãe de família exemplar e dedicada. 
     Tendo que ganhar o sustento da família com seu trabalho, Elizabete não descuidava dos mais pobres. Sua casa tornou-se ponto de referência e muitos a procuravam para solucionar dificuldades espirituais e materiais.
     Ela conheceu e aprofundou a espiritualidade dos Trinitários e abraçou a sua ordem secular, correspondendo com dedicação à vocação familiar e de consagração secular.
     Depois de uma vida toda dedicada à conversão do esposo, de dedicação ao Papado, à Santa Igreja e à sua cidade, Roma, a Bem-aventurada faleceu em 05 de fevereiro de 1825. Após seu falecimento, Cristóvão caiu em si e fez-se religioso, levando exemplar vida de penitência. Foi ordenado sacerdote e morreu rodeado de grande consideração.
     A causa de sua beatificação foi introduzida em 1874, durante o pontificado do Bem-aventurado Pio IX. O decreto de heroicidade de virtudes foi concedido em 1928; Elizabete Canori Mora foi beatificada em 24 de abril de 1994 por João Paulo II.

Visões e Revelações
     Além de todas as suas virtudes, a Beata Elizabete Canori Mori nos legou uma extraordinária narração dos favores místicos com que foi agraciada pela Providência. As visões e revelações contidas em um diário no qual ela anotava as mensagens celestes são proféticas e seriam endossadas, anos mais tarde, pelas aparições de Nossa Senhora em La Salette, França, e em Fátima, Portugal.
     Por brevidade, somente reproduziremos as mais importantes, se é que podemos analisar assim mensagens celestes, mas aos que se interessarem por maiores detalhes, indicamos a revista Catolicismo de maio de 2002, de onde tiramos alguns trechos que seguem.
    No Natal de 1813, a Beata foi arrebatada a um local inundado de luz, onde inúmeros santos rodeavam um humilde presépio. Nele, o Menino Jesus chamava-a docemente. A própria Elizabete descreve sem preocupações literárias a surpresa que teve:

Estampa de Jesus agrilhoado (Ecce Homo) com o 
escapulário os trinitários, que era venerada 
pela beata Elizabete. 
     "Só de pensar, me causa horror. [...] Vi o meu amado Jesus recém-nascido banhado no seu próprio sangue [...], nesse momento compreendi por via intelectual qual era a razão de tanto derramamento de sangue do Divino Infante apenas nascido. [...] A má conduta de muitos sacerdotes seculares e regulares, de muitas religiosas que não se comportam segundo o seu estado, a má educação que é dada aos filhos por parte dos pais e mães, como também por aqueles a quem incumbe uma obrigação similar. Estas são as pessoas por cujo bom exemplo deve aumentar o espírito do Senhor no coração dos outros. Mas eles, pelo contrário, apenas nasce [o espírito de Nosso Senhor] no coração das crianças, fazem-lhe uma perseguição mortal com sua má conduta e maus ensinamentos".
Beata Elisabete em oração diante da estampa
de Jesus agrilhoado. 
     Deus foi-lhe revelando o lamentável agir de certos setores eclesiásticos que atraíam a cólera divina, acumpliciados com a Revolução que derrubava tronos e seculares costumes cristãos na ordem temporal. Tais visões patenteiam, um século antes das revelações na Cova da Iria, que o mal já se infiltrara na Igreja e na sociedade civil. Vê-se bem que em Fátima Nossa Senhora fez uma advertência final para esse mal, que progredia apesar de todos os avisos em sentido contrário.
     Em 22 de maio de 1814, enquanto rezava pelo Santo Padre, "vi-o viajando rodeado de lobos que faziam complôs para atraiçoá-lo". A visão repetiu-se nos dias 2 e 5 de junho. Nesta última, narra a vidente: "Vi o sinédrio de lobos que circundavam [o Papa Pio VII, então reinante] e dois anjos que choravam. Uma santa ousadia me inspirava a lhes perguntar a razão da sua tristeza e do pranto. Eles, contemplando a cidade de Roma com olhos cheios de compaixão, disseram o seguinte: ‘Cidade miserável, povo ingrato, a Justiça de Deus castigar-te-á'”.
     Em 16 de janeiro de 1815, o que mais a impressionou foi ver Deus indignado. Num local altíssimo e solitário, viu Deus representado por "um gigante forte e irado até o extremo contra aqueles que O perseguiam. Suas mãos onipotentes estavam cheias de raios, o seu rosto estava repleto de indignação: só o seu olhar bastava para incinerar o mundo inteiro. Não tinha nem anjos nem santos que o circundassem, mas somente a Sua indignação circundava-o por todas partes".
     Tal visão durou apenas um instante. Segundo Elizabete, "se tivesse durado mais um momento, certamente eu teria morrido". A descrição acima lembra a visão do inferno apresentada a Lúcia, Francisco e Jacinta. Entre ambas as visões há uma correlação profunda. Enquanto Deus manifestou à Beata sua justa indignação pelas ofensas que sofre, Nossa Senhora em Fátima apontou o destino das almas que ofendem a Deus e morrem impenitentes.
     Na visão de 29 de junho de 1820, após as purificadoras punições descritas, a Beata Elizabete viu São Pedro retornar do Céu num majestoso trono pontifical. Logo a seguir, desceu com grande pompa o Apóstolo São Paulo. Ele "percorria todo o mundo e algemava aqueles malignos espíritos infernais, e os conduzia diante do Santo Apóstolo São Pedro, o qual, com uma ordem cheia de autoridade, voltava a confiná-los nas tenebrosas cavernas das quais tinham saído [...]. Nesse momento viu-se aparecer sobre a terra um belo resplendor, que anunciava a reconciliação de Deus com os homens".
     A pequena grei dos católicos fiéis, refugiada sob as árvores com forma de Cruz, foi então conduzida aos pés do trono de São Pedro. "O santo escolheu o novo Pontífice — acrescenta a vidente —, toda a Igreja foi reordenada segundo os verdadeiros ditames do Santo Evangelho; foram restabelecidas as ordens religiosas, e todas as casas dos cristãos tornaram-se outras tantas casas penetradas de religião; tão grande era o fervor e o zelo pela glória de Deus, que tudo era ordenado em função do amor de Deus e do próximo. Desta maneira tomou corpo num momento o triunfo, a glória e a honra da Igreja Católica: Ela era aclamada por todos, estimada por todos, venerada por todos, todos decidiram segui-la, reconhecendo o Vigário de Cristo, o Sumo Pontífice".
     Deus lhe fez ver várias vezes uma esplendorosa nave nova, símbolo da Igreja restaurada, que estava sendo armada pelos anjos. Também, em 10 de janeiro de 1824, mostrou-lhe o principal obstáculo para a conclusão dessa nave. Ela viu cinco árvores de desmesurado tamanho: "Observei que essas cinco árvores com suas raízes alimentavam e produziam um emaranhadíssimo bosque de milhões de plantas estéreis e selváticas". Deus lhe fez entender que essas cinco enigmáticas árvores simbolizavam "as cinco heresias que infeccionam o mundo nos nossos tempos".
     A Beata Elizabete faleceu quase um século antes da manifestação de Nossa Senhora em Fátima. Mas suas visões e revelações, das quais demos algumas amostras, patenteiam o grandioso desígnio divino que sobrepaira a História e mostram que o plano do Reino de Maria, como profetizado em Fátima, é como um imenso palácio que a Divina Providência vem preparando há séculos e que quando finalizado ultrapassará toda expectativa. E elas nos mantêm firmes na certeza de que a promessa de Nossa Senhora se cumprirá: "Por fim, o meu Imaculado Coração triunfará”

(Fonte: blog "Heroínas da Cristandade")

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