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quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

SÃO JOSÉ FREINADEMETZ, Presbítero da Sociedade do Verbo Divino e Missionário na China.


Giuseppe (José) Freinadmetz nasceu no dia 15 de Abril de 1852, em Oies (Bolzano), um pequeno aglomerado de casas nas Dolomitas, do Norte de Itália. Foi batizado no dia em que nasceu e herdou da família uma fé simples e tenaz e uma grande capacidade de trabalho.

Enquanto estudante de Teologia no Seminário Diocesano de Bressanone (Brixen), ele começou a pensar em dedicar a vida ao serviço das missões. Foi ordenado sacerdote no dia 25 de Julho de 1875 e encarregado da Paróquia de S. Martinho (St. Martin di Badia), muito próximo da casa paterna, onde muito rapidamente conquistou os corações da sua gente. No entanto, o apelo ao serviço da missão não o abandonou. Dois anos após a ordenação entrou em contato com o padre Arnoldo Janssen, fundador da casa de Steyl, que ficaria a conhecer-se como Sociedade do Verbo Divino. 

Arnoldo Jansen e José Freinademetz
Com a autorização do Bispo, José deixou a paróquia e dirigiu-se a Steyl, na Holanda, no mês de Agosto de 1878. No dia 2 de Março de 1879 recebeu a cruz missionária e partiu para a China com o P. João Baptista Anzer, outro missionário do Verbo Divino. Cinco semanas mais tarde, chegavam a Hong Kong, onde ficaram dois anos preparando-se para a etapa seguinte. Em 1881 partiram para a nova missão no Shantung do Sul, uma província com 12 milhões de habitantes e somente 158 cristãos.

Os próximos dois anos foram marcados por duras e longas viagens, assaltos de bandidos e as dificuldades na formação das pequenas comunidades cristãs. Logo que uma comunidade começava a organizar-se, uma ordem do Bispo obrigava-o a deixar tudo e a começar de novo.

José aprendeu desde muito cedo a importância de um laicado empenhado, especialmente dos catequistas, para o trabalho da primeira evangelização. Dedicou muita energia à formação dos Leigos e preparou um manual para a catequese em Chinês. Ao mesmo tempo, juntamente com Anzer, que se tornara bispo, ele dedicou grande esforço à preparação, animação espiritual e formação permanente de sacerdotes chineses e de outros missionários.

São José Freinademetz e outros missionários na China. 
A sua vida esteve marcada pelo desejo de se transformar num Chinês entre os Chineses.  Desde o princípio, procurou inculturar-se na difícil cultura chinesa. Quis aprender o mandarim (língua chinesa) com perfeição; mas, antes de tudo, procurou chegar ao coração dos chineses, entrar em seus problemas, comer e vestir como eles. Em uma carta que escreveu a seus pais, em 1886, dizia: "Amo a China e os chineses e desejaria morrer mil vezes por eles... No meio deles quero morrer e entre eles ser sepultado"

Em 1889 Freinadmetz adoeceu gravemente de uma laringite e teve um início de tuberculose, devido ao excesso de trabalho e a outros sofrimentos. A insistência do Bispo e dos confrades, ele saiu para o Japão para descansar, na esperança de que recuperasse a saúde. Ele nunca mais se recompôs totalmente e voltou ao trabalho missionário na China.

Quando no ano de 1907, o bispo empreendeu uma viagem à Europa, Freinadmetz assumiu o lugar de Administrador da Diocese. Durante esse período surgiu uma epidemia de tifo. José, como um bom pastor oferecendo ajuda onde podia, visitava as muitas comunidades até que ele próprio foi infectado. Dirigiu-se a Taikia, sede da Diocese, onde morreu no dia 28 de janeiro de 1908. Ele foi sepultado junto da duodécima estação da Via Sacra e o seu sepulcro transformou-se rapidamente num centro de peregrinação para os cristãos.

Freinadmetz aprendeu a descobrir a grandeza e beleza da cultura chinesa e a amar profundamente o povo a quem fora enviado. Dedicou a sua vida à proclamação do Evangelho do amor de Deus por todos os povos e à encarnação deste amor na formação das comunidades cristãs da China. Animou essas comunidades a abrirem-se em solidariedade com os povos vizinhos. Encorajou muitos Chineses a tornarem-se missionários entre o seu povo como catequistas, religiosos, irmãs religiosas e sacerdotes. A sua vida era bem a expressão deste dito seu: «A linguagem que todo o mundo entende é a linguagem do amor».
                                                 (Homilia do beato João Paulo II)


Pensamentos de São José Freinademetz: 

O maior desafio de um missionário é a sua transformação interior. 

Finalmente, estou no meio de um povo totalmente pagão. Está realizado o sonho da minha juventude. 

As pessoas só se convertem pela graça de Deus e pelo amor que lhes dedicamos. 

Como as flores se abrem ao calor do sol e se fecham ao chegar a noite, assim o coração humano se abre ao nosso sorriso e se fecha frente a um rosto mal-humorado. 

Oração, trabalho e sacrifício. Quero dar-me totalmente e lutar toda a minha vida pelos meus queridos chineses. 

O êxito da missão é fruto da graça, tornado possível pela entrega incondicional e dedicação generosa do missionário. 

Os chineses são tudo para mim. Quero ser sepultado no meio deles… e continuar a ser chinês no Céu.  

Para mim, ser missionário não é um sacrifício para eu oferecer a Deus, mas sim a grande graça que Ele me concedeu. 

O trabalho missionário é inútil, se não amamos e não nos sentimos amados. 

Não recuses nada a ninguém e não exijas nada para ti mesmo. 

A linguagem do amor é a única língua que todos os povos compreendem. 

Rezem! A oração é a chave do Paraíso; é o cajado no nosso peregrinar; a fonte de água viva; a comida que fortalece o espírito. 

Rezem por mim, para que Deus me dê a graça de trabalhar muito na sua vinha pela salvação das almas. 

Ainda que o mundo venha abaixo, Deus nunca deixará de escutar a nossa oração. 

O Bom Pastor convidou-me a ir com Ele ao deserto procurar as ovelhas perdidas. Que outra coisa hei-de fazer, senão, com imensa alegria e alma agradecida, responder-Lhe: “Eis-me aqui?”… 

Como Abraão, deixo a casa paterna, a pátria e a vocês, queridos amigos, e parto para a China, a nova pátria que o Senhor me indicou. 

O ser humano não foi feito para este mundo, mas para algo muito mais sublime: trabalhar onde Deus quiser. 

O meu único anseio é poder converter muitos (pagãos) irmãos nossos ao Senhor. É só por isto que eu ganho força para deixar o meu querido pai e a minha querida mãe, os meus irmãos e tantos amigos. 

Ao missionário compete dar testemunho de Jesus Cristo e semear a boa semente do Evangelho, deixando ao Senhor o cuidado de que essa semente dê fruto a seu tempo. 

Se um missionário já não tem pátria neste mundo, é porque todo o mundo se tornou sua pátria. 

A cruz é o pão de cada dia do missionário: mas apesar disso, não faltam motivos para verdadeira alegria. 

Enquanto o permitirem as minhas forças e o meu limitado entendimento, todos vocês encontrarão em mim uma ajuda sempre pronta e um acolhimento cordial. 

Uma família verdadeiramente cristã é uma das coisas mais belas do mundo. 

O pouco que fazemos não é nada comparado com o que o bom Filho de Deus faz por nós. 

O melhor lugar para mim, será sempre aquele onde Deus me quer. 

Quanto mais longe estamos dos homens e mais sós nos sentimos, mais perto estamos de Deus.







São José Freinademetz catequizando crianças
chinesas.


     



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