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Encontre o (a) Santo (a), Beato (a), Venerável ou Servo (a) de Deus

sábado, 4 de janeiro de 2014

SANTA ELISABETH ANN SETON, Viúva e Fundadora (primeira santa dos Estados Unidos da América)


Do seio da aristocracia anglicana norte-americana, a Providência chama uma alma de escol para mudar os rumos da educação nos Estados Unidos. Ela funda uma congregação sobre a rocha inabalável da Eucaristia, à sombra da qual florescem os carismas e se solidificam as obras de Deus.

 
Qual radiante flor, com o perfume de uma inocência batismal ilibada, Teresa entra para o Carmelo de Lisieux e aí, seguindo a “Pequena Via”, realiza sua vocação.
Com Agostinho sucedeu algo bem diferente. Quando já adentrava a plena idade madura, após uma juventude de pecado, é visitado pela graça, converte-se e caminha a passos largos na virtude e na sabedoria.
Um e outro caso ilustram as diferentes circunstâncias nas quais Deus vai buscar alguns eleitos, e os caminhos “personalizados” que lhes traça. “Há diversas operações, mas é o mesmo Deus que opera tudo em todos. A cada um é dada a manifestação do Espírito para proveito comum” (I Cor 12, 6-7).
Elizabeth Ann Seton foi colhida numa situação muito particular. De religião anglicana, casada com um rico comerciante e tendo cinco filhos, nada parecia indicar os elevados desígnios para os quais a Providência ia chamá-la. Mas de sua correspondência à graça dependeriam milhares de almas e, em certo sentido, um país inteiro.
E ela disse: “sim!”. Tomada de entusiasmo pela Presença Real de Nosso Senhor na Eucaristia, fez-se filha da Igreja Católica. Essa conversão transformaria não só sua vida, mas também a história do Catolicismo nos Estados Unidos. Dois séculos após seu nascimento, ela foi proclamada santa, sendo a primeira norte-americana elevada à honra dos altares.

Uma infância sofrida
Segunda filha do famoso médico Richard Bayley e de Catherine Charlton, Elizabeth Ann Bayley veio ao mundo em 18 de agosto de 1774, meses antes de eclodir a Guerra da Independência dos Estados Unidos. A família residia em Nova York, descendendo dos primeiros colonos da região. Como acontecia com a maioria dos membros da alta sociedade nova-iorquina, eram anglicanos praticantes.
Antes de completar três anos ficou órfã de mãe, e seu pai contraiu novo matrimônio, do qual nasceram mais sete filhos. A pequena enteada era desprezada pela madrasta, o que lhe fazia sentir sobremaneira a falta da mãe. Também o pai, absorvido por serviços e pesquisas médicas, não conseguia retribuir os carinhosos sentimentos de sua afetuosa filha.
Por tais circunstâncias, Elizabeth, aos oito anos de idade, foi enviada à fazenda de um tio paterno, para aí viver em companhia de seus primos. Esse período passado no ambiente tranquilo do campo determinou a formação de seu caráter contemplativo e decidido.

 
Matrimônio na alta sociedade
Aos dezesseis anos, Elizabeth voltou para Nova York. O viço e a graça de sua juventude, a distinção da fisionomia e a nobreza do porte fizeram com que, em pouco tempo, sua presença se tornasse muito requisitada nas reuniões da sociedade nova-iorquina.
Antes de completar vinte anos, ela casou-se com William Magee Seton, de uma conceituada família de comerciantes. Os primeiros oito anos do casal transcorreram prósperos e tranquilos. Agraciados com cinco filhos — Anna, Richard, William, Catherine e Rebecca —, os Seton residiam num dos melhores bairros de Nova York, levando uma vida regalada.
Muito religiosa e caridosa, Elizabeth participava das atividades promovidas pela Igreja Anglicana e se preocupava com os sofrimentos do próximo. Doía-lhe sobremaneira ver as agruras pelas quais passavam as viúvas pobres. Para lhes dar assistência, organizou, em união com outras damas ricas, uma associação caritativa. A jovem senhora Seton não podia imaginar que, dentro de poucos anos, estaria em situação análoga à daquelas mulheres...


Chegam as tribulações
Em 1803 os negócios da família Seton faliram. Ao mesmo tempo, William foi acometido pela tuberculose. A fim de mudar de clima, numa última tentativa para a recuperação da saúde do esposo, Elizabeth partiu para Livorno, Itália, com ele e a filha mais velha, então com oito anos de idade, apelidada Annina. Aos olhos dos familiares e amigos, essa viagem parecia uma loucura. Entretanto, cada um daqueles dias constituía um trecho do longo caminho traçado pela Providência para conduzir Elizabeth à Igreja Católica.
Entre os muitos contatos comerciais que William Seton mantinha com a Europa, figuravam os irmãos Antonio e Filippo Filicchi, de Livorno, com quem tinha feito sólida amizade. Assim sendo, os Seton combinaram de hospedar-se em casa dos Filicchi durante o tempo que ali passassem.
Contudo, ao aportar em Livorno, as autoridades sanitárias decretaram quarentena aos tripulantes do navio recém-chegado, devido à notícia de que a febre amarela grassava em terras americanas. Os Seton foram então encaminhados para o lazareto, um prédio de paredes frias e úmidas, onde a saúde de William piorara ainda mais.

As primeiras graças de conversão
Isolada de todos, vendo o marido definhar dia após dia e sofrendo privações, Elizabeth pôs-se a pensar mais em Deus e a considerar sua vida através de um prisma mais sobrenatural. O confinamento físico tornava sua alma mais aberta às inspirações da graça, e ela começou a ouvir com atenção as explicações a respeito da Doutrina Católica que lhe davam as poucas pessoas com quem tinha contato durante esse período.
Terminada a quarentena, os Seton se dirigiram a Pisa. Enfraquecido pelos dias passados no lazareto, William faleceu em menos de duas semanas. Elizabeth tinha então trinta anos de idade.
A família Filicchi, imbuída da verdadeira caridade cristã, acolheu em seu lar a viúva e sua filhinha. Desejosos de distraí-las um pouco, propuseram-lhes visitar Florença enquanto aguardavam a partida do navio que as levaria de volta à América. Elizabeth aceitou o convite.
Num domingo, a esposa de Antonio Filicchi, Amabilia, convidou-as a assistir à Missa na Igreja da Annunziata. Ao entrar no templo sagrado, Elizabeth se sentiu tocada no mais fundo da alma. Reinava certa penumbra no recinto. Em torno do altar, muitas pessoas rezavam o Rosário, cheias de devoção. O olhar maravilhado de Elizabeth percorreu as obras de arte que embelezavam o ambiente: entalhes em madeira, bonitas pedras de diferentes cores, pinturas representando cenas da Escritura. Ao sair dali, ela escreveria em seu diário: “Não se consegue ter uma idéia de como é tudo isso por meio de uma simples descrição”.  Depois desse dia, Elizabeth sentiu uma mudança em seu interior. O que havia nos templos católicos para atraí-la tanto?

A Providência Se faz sentir
Entre visitas a igrejas e outros monumentos, transcorreram os dias aprazados para a volta a Nova York. No entanto, por motivos técnicos, a partida do navio foi adiada.
Os Filicchi aproveitaram esse tempo para instruí-la ainda mais na Fé, expondo-lhe a doutrina da Presença Real de Cristo na Eucaristia. Elizabeth ficou encantada com a idéia de poder encontrar-se com Nosso Senhor Jesus Cristo nas Sagradas Espécies.
Alguns dias mais tarde, Deus lhe enviaria uma graça sensível para fazê-la acreditar nessa sublime verdade da Fé. Em companhia da família Filicchi, ela assistia à Missa na Igreja da Madonna delle Grazie, em Livorno. Quando o celebrante estava elevando a Sagrada Hóstia, após a Consagração, alguém se ajoelhou ao lado de Elizabeth e lhe disse ao ouvido: “Aí está o que se chama ‘Presença Real’”. Arrebatada por tais palavras, ela inclinou-se cheia de veneração e, pela primeira vez, adorou a Jesus na Eucaristia, enquanto tentava conter as lágrimas.
Mais tarde ela escreveria à sua cunhada, Rebecca Seton, que ficara em Nova York: “Como seríamos felizes se crêssemos no que essas boas almas creem! Possuem Deus no Sacramento, Ele permanece em suas igrejas e é levado aos doentes! Oh, meu Deus! Quando eles passam com o Santíssimo Sacramento debaixo da minha janela, ainda que sentindo solidão e tristeza pela minha situação, não posso controlar minhas lágrimas, pensando: ‘Meu Deus, quão feliz eu seria, se, mesmo estando longe de tudo quanto me é querido, pudesse encontrar-Vos na igreja, como eles Vos encontram!’”.

O encontro com a verdadeira Mãe
Começava para Elizabeth uma de suas mais árduas lutas espirituais. Abandonar o anglicanismo significava renunciar à religião na qual nascera e vivera até então, mas Jesus Eucarístico a atraía à Igreja Católica.
Também a pequena Annina já estava maravilhada pelo catolicismo e não poucas vezes repetia: “Mamãe, não existem católicos na América? Quando voltarmos para casa, nós vamos ser da Igreja Católica?”.3
Como boa mãe, ela sentia-se responsável, não só por sua própria salvação, mas também pela de seus filhos. Portanto, pôs-se a rezar, pedindo a Deus uma orientação.
Certo dia, Elizabeth deparou-se com um livrinho de orações pertencente à Sra. Filicchi, posto sobre a mesa. Abriu-o a esmo e começou a ler: “Lembrai-Vos, ó piíssima Virgem Maria, que nunca se ouviu dizer...” Cada uma das palavras do Memorare soou em sua alma como uma consolação: ela, que na infância tanto sentira a falta do afeto materno, na realidade tinha uma Mãe que dela cuidava com inefável bondade! Passou então a invocar Nossa Senhora, pedindo que Ela lhe mostrasse o caminho que deveria seguir.


Novas adversidades
Em 8 de abril de 1804, mãe e filha embarcaram de volta aos Estados Unidos, em companhia de Antonio Filicchi. Uma nova série de adversidades e grandes transformações aguardava a jovem viúva em sua terra natal.
Apesar da felicidade de rever os outros quatro filhinhos, Elizabeth trazia na alma um profundo dilema: abraçar o catolicismo significava comprar o isolamento da parte de todos os familiares e amigos americanos. Mas, de outro lado, ela já não conseguia viver sem pensar no Santíssimo Sacramento. Passava longas horas do dia fazendo comunhões espirituais e, estando na igreja anglicana de São Paulo, dali adorava Jesus presente no tabernáculo da Igreja Católica de São Pedro, que podia vislumbrar pelas janelas.
Em vão, várias de suas amigas aristocratas tentaram dissuadi-la da conversão. O próprio ministro anglicano que outrora lhe dera orientação espiritual via que seus argumentos eram também inúteis: ela ainda não pertencia formalmente à Igreja, mas seu coração já era católico.

A conversão
Na Quarta-Feira de Cinzas de 1805, diante do tabernáculo da Igreja de São Pedro, Elizabeth tomou a decisão irrevogável de fazer-se católica, com seus cinco filhos. Dez dias depois, em 14 de março, fez sua profissão de Fé, na mesma igreja.
Na festa da Anunciação, 25 de março, realizou-se o seu mais ardente desejo: recebeu a Primeira Comunhão. Cheia de alegria, escreveu à amiga italiana: “Por fim, Amabilia — por fim! — Deus é meu e eu sou dEle! Agora, aconteça o que acontecer, eu O recebi!”.
Sobre esse dia, Elizabeth anotaria em seu diário: “Meu Deus, até o meu último suspiro me lembrarei daquela noite que passei à espera de que o sol nascesse! Meu pobre coração ansiava pela longa caminhada até a cidade, em que cada passo significava estar mais perto daquela rua, mais perto daquele tabernáculo, mais perto daquele momento em que Ele entraria em minha morada pobre e pequena, mas inteiramente dEle”.


 

Funda uma nova Congregação religiosa
No ano seguinte, encontrando-se em Nova York Dom John Carroll — primeiro Bispo de Baltimore e dos Estados Unidos —, ­Elizabeth recebeu a Confirmação. Preocupada com a educação de seus filhos e a formação das crianças católicas, tentou abrir uma escola em sua cidade natal. No entanto, seus planos foram frustrados, devido ao desprezo e incompreensão por parte daqueles que não aprovavam sua conversão. Mais tarde, em 1808, sob o amparo de Dom Carroll, Elizabeth transladou-se para Baltimore, onde fundou um colégio destinado à educação de meninas. Não demoraram a aparecer jovens que se sentiam chamadas à vida religiosa e queriam seguir Elizabeth, em seu nobre ideal de caridade.

Com a ajuda de um generoso doador, a pequena comunidade se estabeleceu em Emmitsburg, Maryland, no ano de 1809. Nasceu assim a primeira congregação religiosa dos Estados Unidos: Congregação das Irmãs de Caridade de São José, segundo a regra das Filhas da Caridade de São Vicente de Paulo, e dedicada à educação.
Uma bela peculiaridade do carisma da instituição se encontra assim expressa no texto de suas constituições: “O fim secundário, mas não menos importante, é honrar a Santa Infância de Jesus nas meninas, cujo coração está chamado a amar a Deus mediante a prática das virtudes e do conhecimento da religião; ao mesmo tempo, semearão em suas mentes os germes de um saber útil”.6
Acompanhada por dezessete discípulas, Elizabeth fez os votos em 21 de julho de 1813. Madre Seton, como passou a ser chamada após a fundação, foi diretora geral da Congregação até o fim de sua vida, empenhando-se em formar as freiras segundo o espírito de Santa Luísa de Marillac e de São Vicente de Paulo.


Frutos de uma alma eucarística
Quanto a seus filhos, todos viveram e morreram como bons católicos. Annina foi noviça na Congregação de sua mãe e faleceu aos dezessete anos, logo após emitir os votos. Os dois filhos, Richard e William, alistaram-se na marinha. O primeiro morreu aos vinte e cinco anos. William casou-se e teve sete filhos, dentre os quais um seria Arcebispo. Catherine fez-se religiosa, na Congregação fundada por sua mãe. Rebecca expirou nos braços de Santa Elizabeth, tendo apenas quatorze anos de idade.

Como costuma acontecer com os Fundadores, a missão de Madre Seton se prolongaria após sua morte. Ela assistiria, do Céu, ao crescimento de sua obra. Ao entregar sua alma a Deus, em 4 de janeiro de 1821, Santa Elizabeth tinha apenas cinquenta freiras, espalhadas por colégios e orfanatos. No dia de sua canonização, 14 de setembro de 1975, elas eram mais de oito mil, pois sua Congregação se fundara sobre a rocha inabalável da Eucaristia, à sombra da qual florescem os carismas e se solidificam as obras de Deus.





















quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

SANTO ELIAS, Profeta e Pai Espiritual de Todos os Carmelitas (I Reis 17 - II Reis 2)



Hoje, publico um artigo para o blog sobre nosso santo pai Santo Elias, grande profeta e pai espiritual de todos os carmelitas. O artigo vem no estilo "esquema para palestra", que pode ser copiado e servirá para serem preparadas em PowerPoint e serem ministradas nas comunidades e grupos aos quais os leitores possam pertencer. 
Desde, já desejo a todos e a todas um feliz e santo 2014, repleto das bençãos de Deus. Que Ele seja o verdadeiro centro de nossa vida e que Jesus Cristo nosso único Caminho, Verdade e Vida. Amém! 




SANTO ELIAS, PROFETA

I)      Época na qual viveu:  século VII A.C.

II)   Significado do nome “Elias”: “Meu Deus é Iahweh”. O    nome de uma pessoa, na Sagrada Escritura significa todo um   programa de vida dessa pessoa. Portanto, ter por nome "Elias" é ter a Deus como o centro de seu ser e de seu projeto de vida. 

III)   Situação da época: Elias viveu em um período de decadência de Israel: reis corruptos e tiranos; povo afastado de Deus, mergulhado na idolatria: cultuando a "Baal", deus dos filisteus e de outros povos circunvizinhos. 

IV)   "Lugar de Elias": o Monte Carmelo, na Palestina, lugar da manifestação da fé do profeta em seu Deus. Lá Elias operou milagres em nome de Iahweh: o fogo que caiu do céu sobre o altar do Senhor (sinal da purificação do povo) e a chuva que caiu sobre a terra seca (sinal de vida nova e perdão para o povo).

V)      Características do Profeta Elias:

A)    Homem de Deus ou homem justo, voltado para a obediência à vontade de Deus, zeloso pela causa de Deus, de conduta irrepreensível e ilibada. 

B)  Profeta do Senhor: Elias não deixou nada escrito, mas testemunhou com a vida sua total adesão a Deus e seu amor ardoroso por Ele. O profeta é “a voz do Senhor no mundo”, é “a boca de Deus”, que transmite ao povo sua santa vontade. 

C)   Homem de fé: Elias alcançou do Senhor quatro grandes milagres: a multiplicação do azeite e da farinha na casa da viúva de Sarepta que o acolheu; a ressurreição de seu filho; o fogo que caiu do céu sobre as oferendas a Iahweh; a vinda imediata e súbita de abundante chuva após três anos de seca.

Elias e a viúva de Sarepta: a multiplicação do azeite e
da farinha de trigo. 


Ressurreição do filho da viúva de Sarepta. 



    D) Homem de oração: Místico e  contemplativo.
        Somente os místicos conseguem perceber a presença "escondida de Deus" nas coisas simples, nos fatos da aparentemente "comuns" da vida e em seu cotidiano. Ex.: Elias "sente" que a presença de Deus está na "brisa leve" que sopra à porta da gruta na qual estava orando e não no terremoto ou no fogo (frequentemente relacionados à presença do poder de Deus)... 




       E)   Homem zeloso por Deus (lembrar o episódio dos “profetas de Baal”). É famosa sua frase, lema do brasão de nossa Ordem  Carmelita: “Zelo Zelatus Sum Pro Domino Deo Exerci Tuum!”, isto é, consumo-me de zelo pelo Senhor Deus dos Exércitos! Elias, em sua conversa com Iahweh, enumerou as três causas de seu ardente zelo: o povo havia abandonado sua aliança, o desrespeito aos altares de Deus e a morte dos profetas de Deus (mortos pelo povo idólatra).

Fogo que cai do céu sobre as oferendas a Iahweh, após a prece de Elias. 

F)    Homem de coragem: denunciou a maldade e anunciou o castigo da mulher do rei Acab, Jezabel. Um verdadeiro profeta não teme as consequências de suas profecias, pois, fala em nome de Deus, inspirado por Ele, sob suas ordens. Ele confia totalmente no Senhor e que não será confundido.  

G)  Homem “normal: diante da perseguição e da dor (incerteza, insucesso), teve medo e desesperança (pediu  a Deus “para morrer”).

H)  Homem “alimentado por Deus: um anjo veio trazer-lhe um “pão assado sobre pedras” que o sustentou “no deserto” (sinal de encontro pessoal com Deus) por 40 dias e 40 noites (sinal de provação e purificação).







I)    Elias Mestre: inspirado por Deus, escolheu e formou, como sucessor a Eliseu (jogou o manto sobre ele, isto é, “jogou sua alma, seu espírito, sobre Eliseu”). A partir de Eliseu, nasce, no Monte Carmelo, uma “espiritualidade Eliana”, isto é eremítica, baseada na oração, meditação da palavra do Senhor e vida ascética (primeiros eremitas do Carmelo, do Antigo Testamento). No fim do século XII e começo do século XIII, o monte Carmelo continua a ser “escola de vida interior” para muitos cristãos que lá se estabeleceram, naquele mesmo monte onde Iahweh “passou” diante de Elias.


J)   Homem “arrebatado por Deus: na linguagem bíblica, significa que Elias chegou ao ápice da união com Iahweh, que manda “cavalos de fogo” (poder e glória de Deus) para levar a alma de Elias. É prenúncio do “matrimônio espiritual”, do “arroubamento” ou “êxtase”, que nossa Santa Madre Teresa de Jesus testemunharia.

Elias é arrebatado por uma "carruagem de fogo". 





K)    São João Batista: veio com o “poder e o espírito de Elias” (amor a Deus, espírito de penitência, oração, zelo pelas coisas de Deus). Nesse santo identificamos várias características semelhantes a Elias: vida eremítica e penitente, coragem no anúncio, veemência em dizer a verdade, defesa da vontade de Deus e trazer o povo de Deus ao verdadeiro caminho (para Iahweh, o Senhor de Israel).


L)    Aparição de Elias a Jesus transfigurado no Tabor: Elias aparece como “representante dos profetas”, isto é, do profetismo, de todos aqueles que defenderam os interesses do Senhor (principal missão dos carmelitas no mundo). Ele conversa com Jesus sobre os acontecimentos que O esperam em Jerusalém. O Filho de Deus, Encarnado, Morto e Ressuscitado é o centro da história humana e de toda a ação dos profetas!

Transfiguração no Tabor: aparecem a Jesus os profetas Elias
e Moisés, que conversam com Ele sobre os acontecimentos
que se aproximam (sua Paixão e Morte). 

                                          (Giovani Carvalho Mendes, em 26/10/2001)



Iconografia de Santo Elias (outra amostra de imagens)
















A "nuvenzinha" que precede a abundante chuva que cai sobre
Israel: sinal da futura vinda ao mundo de Maria, canal da
abundante chuva de graças que cairá sobre a Terra. 






quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

SÃO VICENTE MARIA STRAMBI, Bispo, Missionário e Formador de Santos e de Sacerdotes




Entrou na Congregação Passionista e foi nomeado bispo de Macerata e Tolentino. Confessor do Papa Leão XII, ofereceu sua vida por esse Pontífice. Sua festa comemora-se no dia 24de setembro.


 Vicente nasceu em Cività Vecchia, na Itália, em 1º de janeiro de 1745. Educado cristãmente, ordenou-se sacerdote em 1767, sendo designado prefeito e depois reitor de seminário, apesar de sua pouca idade. Desejando dedicar-se à evangelização, na vida religiosa, dois anos depois entrou para a Congregação dos Passionistas, fundada pouco tempo antes por São Paulo da Cruz, ainda vivo nessa ocasião.
Na soledade dos retiros passionistas, entregou-se à oração e à mortificação, a fim de preparar-se para a vida missionária. São Paulo da Cruz, reconhecendo-lhe a virtude, procurou infundir-lhe seu espírito, pois a ele confiou o futuro de sua Congregação. Mais tarde São Vicente encarregar-se-á do processo de beatificação de seu fundador, escrevendo-lhe a primeira biografia.
“Orador por excelência, dotado de extraordinária capacidade de adaptação ao auditório, procurava não só dirigir-se à inteligência de seus ouvintes para instruí-los, mas chegar ao mais íntimo de seu coração e de sua vontade para arrastá-los. Missionário de fama e de extraordinária eficácia, foi reiteradamente escolhido pelos Romanos Pontífices para pregar as missões em Roma e apaziguar as sedições e motins populares”. Percorreu a Itália central proclamando com fervor e competência os tesouros que encontramos em Cristo, especialmente em sua Paixão.

Tal era sua fama como pregador, que várias vezes foi chamado para pregar retiros espirituais para os membros do colégio cardinalício e alto clero da Cidade Eterna.

Missionário e formador de santos
São Vicente Strambi percorreu toda a Itália central, aclamado como um dos melhores pregadores da Península e um dos mais profícuos catequistas do tempo. Era irresistível no púlpito e convertia os corações mais empedernidos, que depois vinham purificar-se com ele no tribunal da penitência.
O santo tirava de suas longas e frutíferas meditações sobre a Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo a matéria para seus sermões, em que a transmitia com tanta vida e compunção, que comovia seu auditório.
Como confessor, era de uma bondade assinalada, acolhendo os pecadores com a caridade de Cristo, amparando-os, auxiliando-os a libertarem-se do pecado e a emendarem de vida. O confessionário era o complemento do púlpito. Neste, movia as almas ao arrependimento e ao desejo de mudança de vida. Naquele, curava as chagas das almas e as incentivava no caminho da virtude.
São Vicente Strambi também era um conceituado diretor de almas. Alguns de seus dirigidos atingiram a santidade, como São Gaspar de Búfalo e a Beata Ana Maria Taigi (grande mística, futura matéria do presente blog).
O ardente missionário completava também seu trabalho de pregação com escritos, onde derramava toda a doutrina haurida nos profundos estudos e na contemplação das verdades eternas.

Bispo de Macerata e Tolentino
Em 1801 o Papa Pio VII nomeou-o bispo de Macerata e Tolentino. Por mais que o Santo quisesse recusar tal honra, o Sumo Pontífice obrigou-o sob obediência a aceitá-la, dizendo que o fizera por inspiração celeste. Ao assumir a direção das duas dioceses, São Vicente tomou como modelos São Carlos Borromeu e São Francisco de Sales, o zelo apostólico de um e a doçura do outro.
Começou suas atividades pastorais por uma grande missão, pregada por ele mesmo. Pode-se dizer que tal missão foi permanente, só interrompida no momento em que foi exilado. Por esse meio, procurava conhecer os problemas de todos seus diocesanos, mesmo das aldeias mais distantes, para dar-lhes remédio eficaz.
A fonte de onde tirava as energias para todo seu trabalho pastoral era a oração. Empregava cinco horas diárias em oração, passando o dia todo na presença de Deus. “Este contato ininterrupto com a Divindade envolvia sua pessoa e suas atividades como em uma atmosfera sobrenatural, imprimindo a todos os seus atos de governo um marcado tom da mais alta espiritualidade, ao mesmo tempo que da mais escrupulosa justiça e exatidão, não buscando jamais outra coisa senão a glória de Deus”.

Zelo pela melhor formação dos seminaristas
Sabendo que os sacerdotes devem ser o sal da terra, teve desde o primeiro instante um cuidado especial com sua formação e santificação. Cuidados maiores teve com os futuros sacerdotes, os seminaristas. Reformou o prédio do seminário de sua diocese para que atendesse às necessidades requeridas, reformulou seu regulamento, excluindo todo jovem que não desse provas cabais de ter verdadeira vocação sacerdotal.
Para a formação espiritual dos seminaristas, insistia em dois pontos essenciais: a comunhão diária, numa época em que esse não era o costume, e a oração mental. Esta era fundamental na formação do apóstolo, isso de tal maneira que ele fazia exames não só do método da meditação, mas também de sua prática e dos frutos reais nela conseguidos. Sem oração mental não há verdadeiro sacerdote. Por isso, para auxiliar seus seminaristas e sacerdotes na prática desse indispensável meio de oração, escreveu várias meditações sobre os deveres do estado sacerdotal e sobre os Novíssimos (Morte, Juízo, Inferno e Paraíso).
Não é de admirar que em breve o seminário de São Vicente Maria se tornasse um centro de fervor e de saber, onde reinava a mais perfeita disciplina. Muitos de seus métodos de formação, não usuais até então, passaram a ser comuns depois em todos os seminários.
Durante os 22 anos de seu episcopado, São Vicente Strambi não deixou um dia de se interessar por seus seminaristas, tanto pelo seu progresso espiritual quanto por seu bem estar material. Queria, a par da virtude, sacerdotes preparados, sendo obrigatório o exame para a conferição do uso de ordens ou para ouvir confissões.

Diligente Bispo, Pastor de almas
Com tal Pastor, é natural que se verificasse um progresso nas ovelhas. Bastava aos diocesanos olharem seu bispo, para saberem em que consiste a prática da virtude. Ele se esmerava na formação religiosa deles, não só mediante a pregação, mas também do catecismo para crianças e adultos. Reformulou o catecismo, para que seu ensino fosse ainda mais eficaz em vista do tempo e das pessoas.
Interessava-se também pela juventude universitária, pregando todos os domingos para os estudantes da Universidade de Macerata.
Austero para consigo mesmo, era generoso para com os necessitados, dando-lhes não só de sua bolsa pessoal, mas pedindo mesmo donativos para eles às pessoas mais ricas. Tinha um dom especial para isso, e as bolsas abriam-se facilmente a seu pedido. Quando deixou definitivamente sua diocese, a caminho de Roma, deu de esmola seu anel episcopal, o único bem que lhe restava.

Amor ao Papado e obediência à Sé Apostólica
 Seu amor ao Papado e sua obediência à Sé de Roma foram duas características principais de sua atividade episcopal. Quando falava do Primado de Pedro, sua eloqüência não conhecia limites. Seus escritos sobre a matéria são os seus melhores trabalhos. Foi por essa fidelidade que recusou o juramento cismático, que Napoleão exigiu dos bispos dos Territórios Pontifícios conquistados em 1808. Devido a essa recusa, São Vicente foi exilado para Novara e Milão, por sete anos.
Dedicou-se então às obras de misericórdia e reservou mais tempo à oração, suplicando a Deus Onipotente que tivesse misericórdia de sua Igreja perseguida. Procurou consolar, com suas cartas, o Pontífice prisioneiro em Savona, e auxiliá-lo com as esmolas que coletava para esse fim. Entretanto, mesmo à distância, governava sua diocese por meio de vigários gerais, interessando-se minuciosamente por ela.

Confessor do Papa, oferece sua vida por ele
Com a deposição de Napoleão, em 1814, pôde voltar à sua diocese, onde permaneceu até 1823. Sentindo-se já velho, pediu ao Papa que o aliviasse do peso daquelas ocupações. O Sumo Pontífice, Leão XII, desta vez consentiu, contanto que ele fosse para Roma para tornar-se seu confessor.
Em sua nova residência, Vicente Strambi não amortecia seu zelo missionário. Pregou missões em diversas partes de Roma, sempre com o mesmo fruto. Também os pobres não foram olvidados por ele.
Na noite de 23 de dezembro de 1823, São Vicente Maria foi despertado às pressas: o Papa estava quase agonizando e requeria sua presença. Consolou como pôde o Sumo Pontífice e preparou-o para receber o viático. E resolveu passar o resto da noite a seu lado, rezando com ele. Quando parecia que o moribundo ia expirar, São Vicente, movido por uma inspiração interior, quis celebrar o Santo Sacrifício. E ali mesmo, ao lado do Pontífice agonizante, celebrou a Santa Missa numa intenção especial, como depois disse ao mesmo Papa: que Deus aceitasse o sacrifício de sua vida pela do Sumo Pontífice. E confiou-lhe que viveria ainda mais cinco anos e quatro meses, pois Deus havia aceito o sacrifício.

E, realmente, no dia 28, São Vicente Strambi sofreu um ataque apoplético, vindo a falecer no dia primeiro de janeiro de 1824, aos 79 anos de vida.


Corpo Incorrupto de São Vicente Maria Strambi. 




terça-feira, 31 de dezembro de 2013

São João Francisco de Régis, Presbítero e Missionário Jesuíta (grande pregador contra as heresias e defensor da Igreja)


      São João Francisco de Régis, missionário excepcional e baluarte antiprotestante. O exemplo desse notável jesuíta é especialmente oportuno para nossa época, em que a falta de autêntico zelo apostólico e espírito sobrenatural está na raiz  da decadência religiosa e da proliferação de falsas religiões.  
    Um pobre peregrino, faminto, maltrapilho e exausto, chega ao santuário de La Louvesc, a 1.100 metros de altitude, nas montanhas do Haut-Vivarais francês. Prostra-se em profunda oração diante da urna de carvalho na qual estão os restos mortais do apóstolo da região. Estávamos no início do século XIX.O que foi pedir esse rapaz, aparentemente tão desprovido de aptidões naturais? É um João, ainda não canonizado, que pede a outro, já elevado à honra dos altares, que lhe obtenha a graça de conseguir reter em sua memória, rebelde, os rudimentos de latim necessários para chegar ao sacerdócio. E o João canonizado - Francisco de Régis - obtém  para o João que virá a sê-lo - Maria Vianney, futuro Cura d'Ars -, embora muito parcimoniosamente, o que ele pede. É um santo ajudando a outro, para a maior glória de Deus. Do segundo João, o Cura d’Ars, muito já se sabe, pois é um santo relativamente famoso. É sobre o primeiro, falecido prematuramente aos 44 anos de idade, no exercício de seu zelo apostólico, que falaremos no presente artigo.
       De São João Francisco de Régis dizem os Bolandistas: “Um desejo imenso de procurar a glória de Deus; coragem a que nenhum obstáculo, nenhum perigo podem causar temor; aplicação infatigável na conversão dos pecadores; doçura inalterável que o torna mestre dos corações mais rebeldes; inesgotável caridade pelos pobres; paciência à prova de todas as contradições e de todos os maus tratos;  firmeza que as ameaças e mesmo a vista da morte não puderam jamais abalar; a humildade mais profunda, abnegação mais completa, despojamento mais absoluto, obediência mais exata, pureza de anjo, soberano desprezo do mundo, amor insaciável pelos sofrimentos, em uma palavra, todas as virtudes pelas quais uma pessoa santifica a si própria e santifica as outras, tal é o resumo desta admirável vida” . 

      No lar, pureza da fé; no colégio, exímia piedade. João Francisco nasceu no início de 1597 de uma abastada família que se distinguiu pela pureza da fé numa época e região em que dominavam os hereges huguenotes (protestantes calvinistas). Um de seus irmãos dará a vida pela causa católica contra esses pérfidos inimigos da Religião alguns anos mais tarde.  
    Aluno do colégio dos jesuítas de Béziers, mostrou-se um apóstolo nato. Sua devoção a Nossa Senhora levou-o a ingressar na Congregação Mariana do colégio, tornando-se apóstolo de seus colegas, cinco dos quais, para levar uma vida mais perfeita, mudaram-se para a mesma casa que Régis. Então, com pouco mais de 14 anos, compôs uma regra para eles, na qual fixava as horas para o estudo, proibia toda conversação inútil, dispunha a leitura espiritual durante as refeições, exame de consciência à noite, e comunhão aos domingos.
       Aos 19 anos, querendo dedicar-se de modo mais especial a Deus, entrou no Noviciado dos Jesuítas, onde foi exemplo de obediência, humildade e devotamento. Certo dia em que ele se levantou furtivamente durante a noite para ir rezar na capela da casa, foi visto por um colega que o denunciou ao superior. “Não turbeis as comunicações que esse anjo mantém com Deus, respondeu-lhe o sacerdote,  pois, ou muito me engano, um dia celebrar-se-á na Igreja a festa de vosso companheiro”. Um conhecido autor de vidas de santos comenta a propósito de seu noviciado: “O sagrado caráter do sacerdócio encheu seu coração com tal abundância de espírito de humildade, que resolveu viver daí para a frente morto a si mesmo e totalmente entregue a promover a glória de Deus e a salvação das almas”. 

      Exemplo de vida, carisma da pregação
   Após sua ordenação sacerdotal em 1630, os empestados de Toulouse receberam as primícias do ministério apostólico do neo-sacerdote.  “Sua linguagem era simples e popular, mas o fogo da caridade, do qual ele estava inflamado, dava a seus discursos um poder tal que toda a cidade vinha escutá-lo e ninguém podia ouvi-lo sem derramar lágrimas ... Um pregador eloqüente e renomado, tendo-o ouvido, disse: ‘É em vão que trabalhamos para ornar nossos discursos. Enquanto os catecismos deste santo missionário convertem, nossa bela linguagem não faz senão entreter sem produzir nenhum fruto”. E outro hagiógrafo, o Pe. José Leite, descreve com vivacidade seu entranhado zelo apostólico: “Com o bordão de peregrino e envolvido num pobre casaco, percorria montes e campos, no inverno sobre a neve, e no verão sob os raios abrasadores do sol. Onde havia uma casa para visitar, uma miséria para socorrer, ou um coração para consolar e abrir para Deus, aí chegava sempre o missionário por caminhos inverossímeis”. 


       Seus sermões ardentes derrotam a heresia a calvinista e corrupção moral. Em 1633, o Bispo de Viviers pediu ao Superior dos Jesuítas um missionário para acompanhá-lo em sua Visita Pastoral à diocese, onde não só havia decadência religiosa, mas também os erros protestantes de Calvino haviam feito muito estrago entre o povo. São João Francisco de Régis foi o escolhido. Seus sermões inflamados e suas proféticas exortações atingiam diretamente o coração de seus ouvintes, produzindo muitas conversões. Causou sensação a de uma notável senhora protestante, que abjurando sua heresia, foi recebida solenemente no seio da Igreja. Esse fato ocasionou novas conversões. 
         Em Sommières, cidade conhecida  pela irreligião e corrupção de costumes, os resultados foram tão notáveis que surpreendeu o próprio missionário. Escreveu a seu superior dizendo que os frutos haviam sobrepujado de tal modo sua expectativa, que ele não tinha palavras para explicá-los. Dir-se-ia que os habitantes da cidade haviam nascido de novo. Para consolidar esses frutos, o missionário instituiu a Confraria do Santíssimo Sacramento, restabeleceu o costume das orações da manhã e da noite nos lares, e um modo de socorrer os pobres da paróquia.  


         Santificação do próximo baseada na santificação pessoal
      Esses resultados provinham da vida interior do apóstolo, que nada negligenciava para aniquilar-se a si mesmo, com vistas a obter graças em suas pregações. Além de macerar seu corpo com disciplinas e cilícios, alimentava-se apenas de pão e água, dormindo apenas quatro horas diárias, e ainda sentado num rude banco.Hoje em dia, católicos espantam-se da irreligião e do progresso de seitas protestantes em certas regiões. Em última análise, isso não ocorreria se houvesse na atualidade muitos católicos, especialmente sacerdotes, imbuídos desse espírito.  


       Não era com concessões doutrinárias que São João Francisco de Régis obtinha seus triunfos. Mas, por exemplo, avançando com o Crucifixo na mão contra soldados protestantes que se preparavam para pilhar uma igreja e cometer toda sorte de sacrilégios, increpava-os com tanta força e convicção, que os mesmos abandonavam seu intento. Sua energia contra as blasfêmias só igualava sua paternalidade no confessionário. Certa vez, tendo um homem ousado blasfemar em sua presença, deu-lhe sonora bofetada. A uma mulher que fizera o mesmo, cobriu-lhe a boca com barro. O mais surpreendente é que, em ambos os casos, vendo que o sacerdote fora movido por seu amor inflamado pela glória de Deus, o primeiro ajoelhou-se imediatamente a seus pés pedindo perdão, e a segunda afastou-se compungida. 

     Para o zelo do missionário, não havia limites. Dava aulas de catecismo às crianças, evangelizava os adultos, visitava os prisioneiros e os doentes e conduzia à emenda mulheres de má vida. Assistia os moribundos e tinha um dom especial para dispô-los a morrer santamente. Fundava, com as senhoras da cidade, associações de caridade para amparar as famílias pobres, e, quando necessário, ia ele mesmo mendigar para socorrê-las. Narram-se várias profecias e muitos milagres do Santo. Um de seus contemporâneos depôs sob juramento no processo de canonização: “Tudo nele inspirava santidade. Não se o podia ver nem ouvir sem se sentir abrasado de amor divino. Ele celebrava os santos mistérios com uma devoção tão terna e tão ardente, que se acreditava ver no altar não um homem, mas um anjo. Eu o vi algumas vezes nas conversas familiares, calar-se repentinamente, recolher-se e inflamar-se, após o que ele falava das coisas divinas com tanto fogo e uma veemência que demonstravam que seu coração estava transportado por um impulso celeste. Ele passava uma parte considerável da noite ouvindo confissões, era necessário uma espécie de violência para obrigá-lo a tomar um pouco de alimento”. 


        Em seu túmulo se repetiram as palavras do Evangelho...

        Enfim, embora tivesse tido comunicação do dia de sua morte, São Francisco de Régis quis morrer no campo de batalha, com as armas na mão. Ardendo de febre, dirigiu-se para Louvesc, a fim de pregar uma missão nas festas natalinas de 1640. Passou o tempo pregando e ouvindo confissões sem se poupar um minuto, até cair no confessionário. Pediu então para ser levado a um estábulo, a fim de ter a consolação de expirar num estado semelhante ao do nascimento de Cristo.
       Tantos foram os milagres ocorridos em seguida junto à sua sepultura, que os Arcebispos e Bispos do Languedoc francês escreveram uma carta ao Papa dizendo: “Somos testemunhas de que diante do túmulo do Pe. João Francisco de Régis os cegos vêem, os coxos andam, os surdos ouvem, os mudos falam, e o ruído dessas assombrosas maravilhas  espalhou-se por todas as nações”.(9) O Sumo Pontífice Clemente XI beatificou então o grande jesuíta em 1716 e seu sucessor canonizou-o em 1737.

São João Francisco de Régis, rogai por nós!




















segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Venerável Edel Quinn, Virgem Legionária de Maria e missionária na África.


Edel Mary Quinn foi uma irlandesa missionária católica da Legião de Maria, associação de leigos católicos, que trabalhou no continente africano. Morreu no Quênia vítima de tuberculose.
Nascimento: 14 de setembro de 1907, Kanturk, República da Irlanda.
Falecimento: 12 de maio de 1944, Nairóbi, Quénia.


"Edel Quinn é uma jovem irlandesa em vias de se tornar uma glória de seu país, uma figura legendária na terra africana".  É assim que o Cardeal Suenens inicia a biografia da “heroína” de nosso apostolado. Mas era uma simples moça irlandesa, encantadora, alegre e atraente, como tantas outras que, "pelo extraordinário exemplo de sua vida, viria a alterar o curso da história".

Nasceu no dia 14/09/1907, em Greenane, perto de Kanturk, no Condado de Cork (Irlanda). Conheceu a Legião através de uma amiga, que recusou um convite de Edel para ir até sua casa, porque tinha de ir a uma reunião da Legião de Maria. Edel interessou-se pelo movimento, quis participar da reunião, se apaixonou e nunca mais o largou. Após passar dois anos como membro ativo foi nomeada presidente de um praesidium que trabalhava com a recuperação de mulheres decaídas. Em 30/10/1936, partiu para a África Oriental, como Enviada da Legião, dedicando-se a um apostolado heroico até a morte, por sete anos e meio, sem nunca voltar à pátria e rever a família.
Apesar das inúmeras dificuldades, como o de sua saúde frágil, fundou a Legião de Maria em todo o território do Vicariato de Zanzibar e os imensos territórios de Quênia, Tanganica, Uganda, Niassalândia e Ilhas do Maurício.
Por causa de sua fragilidade, foi forçada a repousos em hospitais, mas, ainda assim, prosseguia em seu apostolado, através da oração e da correspondência. Todos os que a conheceram de perto observaram que, sob a intensa atividade exterior, escondia-se uma profunda vida de união com Deus. A Missa, desde a juventude até o final, foi o centro de sua vida, viajava horas e horas em jejum, chegando a ficar até 17 horas sem comer, só para poder receber a Santa Comunhão. Atribuía ela ao Santíssimo Sacramento a graça de poder prosseguir na luta: "Como a vida seria solitária sem Ele", escreveu certa vez.
Seu imenso amor pela Virgem Mãe de Deus, sua confiança e total dependência de Maria, estava presente em todos os aspectos de sua vida, tendo alcançado um grau pouco comum de união com Nossa Senhora. Sempre se questionava o que faria a Virgem Santíssima, antes de tomar qualquer decisão. Quando lhe perguntaram se alguma vez lhe tinha recusado alguma coisa, respondeu: "Não, nunca lhe neguei nada, em tudo quanto me pareceu ser a sua vontade".
Conservou-se sempre alegre até o fim. Fim este que foi repentino, de surpresa, apenas perguntou: "O que está acontecendo comigo? Será que Jesus veio me buscar?" Foi no dia 12/05/1944. O seu falecimento foi comunicado a Dublin, centro da Legião de Maria, por telegrama expedido pelo Exmo. Sr. Cardeal Secretário de Estado de Sua Santidade, quando, estando ainda a Europa em guerra, a notícia chegou ao conhecimento do Vaticano. Em Nairóbi, onde estabelecera a sua primeira Curia anos atrás, foi sepultada em cemitério reservado aos missionários.
Em 15 de dezembro de 1994 o Papa João Paulo II declarou Edel Quinn "venerável", sendo assim oficialmente reconhecidas pela Igreja suas virtudes heroicas.


Oração para pedir a beatificação de Edel Quinn

Eterno Pai, eu vos agradeço a graça que concedeste a vossa Venerável Edel Quinn, de se esforçar por viver sempre na alegria da Vossa presença; eu Vos agradeço a sua irradiante caridade infundida no seu coração pelo Vosso Espírito Santíssimo e a força que ela hauriu no Pão da Vida, para trabalhar até a morte pela glória do Vosso Nome, em amorosa dependência de Maria, a Mãe da Igreja.

Confiado, ó Pai Misericordioso, em que sua vida Vos tenha agradado, peço-Vos me concedais, por sua intercessão o favor especial que agora eu Vos imploro..., e torneis conhecida por meio de milagres a glória que ela goza no céu, par que possa ser glorificada pela Vossa Igreja na terra, por Cristo Nosso Senhor, Amém.



Edel Quinn (ao centro, de chapéu), ladeada por uma religiosa e um grupo
de enfermeiras e cuidadoras locais.

Edel Quinn já bastante debilitada pela enfermidade que
a levaria à morte (tuberculose). 

Corpo da legionária de Maria e missionária, Venerável
Serva de Deus Edel Quinn, em seu velório. 

Túmulo onde repousam os restos mortais da
          Venerável Serva de Deus Edel Quinn. 

Túmulo de Edel Quinn sendo venerado por membros da
Legião de Maria

Capa do livro biográfico de Edel Quinn escrito pelo
grande Cardeal Suenens 

Venerável Edel Quinn, glória e honra da Legião de Maria