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quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

São Charbel Makhlouf, presbítero e monge maronita.


São Charbel Makhlouf, Presbítero e Monge
Nasceu em 1828, numa pequena aldeia chamada Beka´Kafra, no Líbano. Desde sua infância se sentia atraído pelo Senhor. Gostava de rezar nas grutas, para satisfazer sua sede de Deus.
Numa noite, em 1875, num mosteiro das altas montanhas do Líbano, um monge solicita a seu Superior permissão para tornar-se asceta e isolar-se na ermida do convento. Tal autorização só é dada depois de muita reflexão. O Superior pede ao monge que espere mais tempo e lhe entrega um processo para estudar.
- É assunto urgente, acrescenta. Poderá velar hoje além da hora regulamentar.
O monge leva sua lâmpada à cozinha a fim de que o servente abasteça de azeite. O servente, querendo zombar do humilde monge, enche a lâmpada de água. O monge se recolhe à sua cela e acende a lâmpada e ela se acende. O servente brincalhão estava observando. Ao ver a luz na cela do monge, perturba-se e corre a relatar o fato ao Superior. Este vai imediatamente à cela, e verifica que, de fato, a lâmpada, acesa, só contém água. No dia seguinte, autoriza o monge a ocupar a ermida do convento.
No oriente, duas zonas geográficas têm, desde a Antiguidade, atraído e inspirado os santos e ascetas: o Deserto e Alta Montanha. Em ambos, na solidão imensa e silenciosa, o homem parece sentir mais vividamente, através de um firmamento mais próximo e mais límpido, uma presença sobre-humana. No decorrer dos séculos, Montanha do Líbano, particularmente, tem servido de abrigo aos monges, aos ascetas, aos santos. Terra cheia de belezas naturais.
Os conventos faziam parte desse modo de vida. Edificados como fortalezas em colinas ou vales estratégicos, eram a um só tempo centros religiosos, culturais, patrióticos.
São Charbel, símbolo de união entre o Oriente e Ocidente, nasceu no dia 8 de maio de 1828 em Biga'kafra, a mais alta cidade do Líbano, a 1600 m de altitude. Foi à beira do Vale da Kadisha, em frente a Becharre, a cidade natal de Gibran. Quinto filho de Antun Zarour Makhlouf e Brígita Al-Chidiac.
São Charbel foi batizado sob o nome de Yussef Makhlouf, que significa José. A família era simples, porém muito respeitada. No ambiente de simplicidade, ele cresceu num meio familiar muito religioso.
Tinha dois irmãos e duas irmãs. Quando fez três anos o pai faleceu. Antes de se deitarem, ajoelhados em volta da mãe, eles rezavam as preces que ela fazia. Ao lado, um incenso queimando em um prato sobre um altarzinho suspenso à parede. Nela, Nossa Senhora ficava no centro, em meio a outros santos.
Dois de seus tios maternos eram monges anacoretas no convento de Santo Isaías, no Vale da Kadisha. Desde a sua primeira infância Yussef manifestou uma tendência muito pronunciada para o isolamento e a devoção.
Abandonava seus camaradas e retirava-se para rezar numa gruta, que foi denominada a princípio, ironicamente, de Gruta do Santo. Com o desejo de ser monge, ele só pensava em entrar num convento. Ouvia uma voz interior chamá-lo: "Deixa tudo e segue Cristo". 
Um dia, Yussef deixou a casa em segredo e foi ao convento de Nossa Senhora, da Ordem dos Monges Libaneses Maronitas, na cidade de Maifuq, onde foi admitido como seminarista. Tinha 23 anos.
O seminarista tem uma só reposta: "Deus me quer inteiramente para Ele." O noviciado, que dura dois anos, é um tempo de provações pesadas. No fim de seu primeiro ano de noviciado, o seminarista transferiu-se do Mosteiro de Maifuq para o Mosteiro de São Maron, em Anaya, pertencente à mesma Ordem.
Ele já abandonara seu nome de batismo, Yussef e adotara o de Chárbel. Trocar de nome, quando se ingressa na vida religiosa, é tradição no Oriente. Simboliza a renúncia ao passado e entrada numa nova vida, a troca dos tesouros do mundo pelos da eternidade.
São Charbel, glória do Líbano
Em 23 de julho de 1859, Chárbel é ordenado. É o momento em que ele dá uma mostra da seriedade do juramento. Nesse dia, sua mãe foi ao mosteiro e perguntou por ele. O padre Charbel recusa-se a recebê-la e lhe dirige breves palavras no interior da capela, sem que pudessem se ver um ao outro.
- É assim, meu filho, que me privas do prazer de abraçar-te e estreitar-te ao peito?
- Se Deus permitir, nós nos veremos no céu, por toda a eternidade.
Essa renúncia sobre humana dá o tom da vida que começa agora para o Padre Charbel. São 16 anos como monge no Mosteiro São Maron, e 23 anos como asceta na ermida do convento, dedicada a São Pedro e São Paulo.
Na realidade, seus 16 anos de mosteiro foram como uma introdução a seus anos de eremita, que são o ponto culminante de sua existência. Poucas palavras descreverão essa vida de silêncio, trabalho, desprendimento, preces, jejuns, mortificações, meditações, vigílias - levados todos ao máximo onde um ser humano pode chegar.
O eremita visa a ser um novo crucificado, um novo cordeiro da Páscoa. Padre Charbel concilia seus dias entre os trabalhos braçais nas propriedades do convento e as preces e as meditações. O regulamento lhe permite dormir 5 horas. Mas ele dorme 3 horas e meia. Passa o resto do tempo rezando. Diz: "A prece relaxa os membros mais eficazmente que o sono." Às vezes, permanece horas a fio ajoelhado diante da sagrada hóstia.
Sua cela mede 06 metros quadrados. Um colchão de folhas de carvalho, um jarro de água, uma lâmpada de azeite, um prato de madeira sobre um banquinho, uma pedra que serve de cadeira. Este é todo o conteúdo do quarto.
Na ermida, Charbel fazia uma só refeição a cada 24 horas, às 13 horas. Alimentava-se de poucos cereais e legumes verdes ou cozidos. Nunca comeu carne, nem frutas.
Conta Padre Simeão, de Aitu: “Quando cheguei à ermida, Padre Chárbel estava na capela, ajoelhado, os braços estendidos em cruz”. Permaneceu assim muito tempo. O dinheiro, naturalmente, nada significava para ele. Nem o dinheiro, nem bem material algum.
A ermida de São Pedro e São Paulo, uma construção maciça de pedras mal talhadas, está situada a 1400 metros de altitude no cume de uma elevação, a uns 200 metros do convento.
Mas no inverno, a neve, o frio, os ventos, as tempestades a castigam com rigor. Procurando maltratar ainda mais o corpo, Padre Charbel veste no inverno a mesma batina que no verão, nada lhe acrescentando.
Sofria de cólicas renais. Agüentava as dores sem se queixar e sem tomar remédios. "Completo na minha carne o que faltou aos sofrimentos de Cristo." "Parece já viver na eternidade", dizia o irmão Elias Mihrini. "Perdia-se em Deus como um rio se perde no mar.", escreveu Paul Daher.

Mal vestido, mal alimentado, exposto sem defesa ao frio e ao calor, privado de qualquer conforto e de qualquer ternura, era, entretanto, o homem mais feliz da comunidade. Seu rosto estava sempre radiante. Nunca reclamava. Nunca se queixava. Quando rezava, uma luz celestial iluminava-lhe o semblante. O Senhor tornara-se sua verdade, sua força, sua riqueza, sua alegria, a razão de sua vida.
No dia 16 de dezembro de 1898, o padre Charbel começou a Santa Missa. Mas, ao recitar a prece "Pai da verdade, eis o Vosso Filho, vítima do vosso agrado! Aceitai-o", foi atacado pela paralisia. E começou a agonizar, sempre com os lábios em oração. Na noite do Natal desse mesmo ano, em 24 de Dezembro, aos 70 anos, deixou a vida terrena e nasceu para o céu. Faleceu serenamente, cheio de paz e gozo espiritual.


Santinho com o painel da Beatificação

Painel da Canonização
Durante três dias após sua morte, por sob seu túmulo, pairou um globo de luz possível de ser visto por todos os monges e, ao mesmo tempo, cânticos celestes belíssimos eram possíveis de serem ouvidos.

Nos anos que se seguiram à sua santa morte, graças, curas e até milagres foram relatados às dezenas e centenas pelos fiéis que recorriam à sua intercessão. 

Eram sinais claros da bem aventurança gloriosa que alcançara no Céu. Porém, outro impressionante milagre ocorria com seu santo corpo... 




O CORPO INCORRUPTO DE SÃO CHARBEL

O corpo incorrupto de são Charbel é considerado o mais impressionante entre os corpos incorruptos de santos e santas. Poder-se-ia dizer que era um “morto vivo”, visto que, seu corpo, mesmo décadas após sua morte, não somente conservava-se absolutamente intacto como era flexível, morno, suava e o sangue dentro das veias era fluido. Realmente era impressionante. Devido ao suor (não tinha odor ruim, mas, manchava o hábito), os monges responsáveis pela guarda do corpo necessitavam trocar o hábito pelo menos a cada semana para lavá-lo.
Esse milagre, tal qual aqui descrevo, conservou-se até o dia de sua beatificação. Nesse mesmo dia ocorreu um outro milagre: seu corpo (as partes moles) simplesmente “evaporaram”, desapareceram, ficando seu esqueleto limpo, no entanto, com a aparência de um “esqueleto de um vivo”, isto é, os ossos eram (e ainda são) de cor rosada, cor de “vinho”. O corpo não se decompôs: simplesmente desapareceu, deixando os ossos limpos com um suave aroma de rosas e de cor de “vinho”. Ainda hoje se conservam assim.
São provas de que a nossa Igreja é a verdadeira Igreja fundada por Deus e deixada no mundo como testemunha da Verdade: Jesus Cristo. Os corpos incorruptos dos santos como santa Bernadete, são Charbel, santa Maria Domingas Mazarello, santa Josefina Bakhita, são João Maria Vianney, santa Catarina Labouré e muitos outros são provas de que o Deus do Universo acompanha sua Igreja com amor dando provas claras e inquestionáveis de que sua Santa Religião é a católica.
Que tal realidade aumente e confirme sempre mais a nossa fé. Amém!


2 comentários:

Antenor disse...

MILAGRE DESCRITO, DE SÃO CHARBEL!!
Dafne Gutiérrez, mãe de família de origem hispânica, residente em Phoenix (Arizona-EUA), estava completamente cega devido à malformação chamada “síndrome de Arnold Chiari”, que lhe fora diagnosticada já na adolescência.

Em janeiro de 2016 ela foi rezar diante das relíquias de São Charbel Maklouf, que peregrinavam pela cidade, confessou-se e comungou. Pouco depois estava curada. A reportagem em que nos baseamos foi publicada em 3 de fevereiro último no conceituado portal espanhol de notícias, “Religión en Libertad”.

Segundo o relato, aos 13 anos os médicos descobriram que Dafne sofria da referida síndrome. Com o tempo a doença foi progredindo, chegando a formar um edema papilar que acabou por atingir o nervo ótico e a consequente cegueira. Uma intervenção cirúrgica revelou-se inútil.

No outono de 2014 ela perdeu a visão do olho esquerdo, que já vinha se debilitando. Em novembro de 2015 foi a vez do olho direito. Não conseguia ver sequer um raio de luz. Com 30 anos de idade, casada e mãe de três filhos, segundo os médicos sua cegueira era irreversível.

A Sra. Dafne Gutiérrez pensava retirar-se a um instituto de cegos, a fim de não constituir um peso para a família, quando soube que uma relíquia de São Charbel visitava a paróquia maronita de Phoenix. Tratava-se de um fragmento ósseo, contido numa ampola de cedro.

Animada por amigos e paroquianos, foi à igreja venerar a relíquia e pedir a cura. Era um sábado. Confessou-se. Voltou no domingo, dia 17 de janeiro, assistiu à Missa no rito maronita e comungou.

Ao comungar, conta, “não voltei a sentir meu corpo igual. Não via nada, mas sentia o corpo diferente. Perguntei-me ‘o que está acontecendo comigo, o que sinto?’”. Voltou para casa.

No dia seguinte, segunda-feira, às 5 horas da manhã, despertou com grande ardência nos olhos e forte pressão na cabeça e nas órbitas oculares. Acordou seu marido, ainda com o quarto às escuras. “Eu disse a ele ‘doem-me os olhos, tremem, me doem’. Ele me disse que sentia um odor como de carne queimada”. O marido então acendeu um abajur e Dafne, emocionada, disse-lhe que podia vê-lo com ambos os olhos. “Meus filhos gritavam: ‘mamãe pode ver! Deus curou mamãe’”.

Três dias depois, um exame oftalmológico constatou a cura. Até agora, cinco médicos examinaram Dafne e não encontram explicação científica. Segundo o médico que a vinha acompanhando, em 40 anos de exercício da medicina nunca havia registrado qualquer exemplo de uma cura deste tipo. Tecnicamente “não é possível”, afirmou.

* * *

Marise Ferreira de Oliveira disse...

Isto que li, me fez sentir uma pequena nostalgia peculiar de uma saudade imensa de JESUS, o nosso condutor de almas para nossos verdadeiros lares.....Gratidão San CHARBEL MAKhLOUF por partilhar com a comunhão do amor de DEUS confirmando e abençoando nossa Fé nesta jornada...Abençoado Seja.......Minha Gratidão eterna...

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