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segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Santa Narcisa de Jesus Martillo Morán, Virgem da Ordem Terceira de São Domingos. Modelo de Oração, Penitência e Humildade (Santa do Equador).


Santa Narcisa de Jesus, Virgem Terciária da Ordem
dos Pregadores ou Dominicanos. 
Da. Silvania Gellibert de Negrete, nobre dama de Guayaquil, se despertou ao ouvir o ruído de fortes pancadas. O que estaria acontecendo na casa a estas horas da madrugada?     Pressurosa e assustada dirigiu-se ao sótão, de onde pareciam provir os sons. Encostou o ouvido à parede para escutar melhor. Ouviu, então, os estalos de violentas chicotadas e, ao mesmo tempo, fervorosas orações pedindo a Deus perdão pelos pecados dos homens. Atônita e com muita curiosidade, Da. Silvania procurou aguçar a vista e, por uma fenda da parede de madeira, viu sua jovem hóspede ajoelhada diante de um crucifixo, coroada de espinhos, com as costas ensanguentadas, castigando cruelmente seu corpo com um látego de pontas de aço.     Quem seria essa mulher que se inflige semelhante castigo? Seu nome é Narcisa de Jesus Martillo Morán.

Trata-se de uma alma chamada por Deus para reparar, por meio de extraordinárias penitências, os pecados cometidos em sua época. Nasce uma vítima expiatória. Transcorria a primeira metade do século XIX. As guerras e as convulsões sociais eclodiam em quantidade na América do Sul.
Quando Narcisa nasceu, no dia 29 de outubro de 1832, em Nobol, diocese de Guayaquil, havia pouco tempo que o Equador tinha se transformado em república. Seus pais, Pedro Martillo e Josefina Morán, eram agricultores. Ela foi a sexta de nove filhos. Faltam dados sobre o início de sua vida, tendo-se apenas a data de sua Crisma, recebida aos sete anos, no dia 16 de setembro de 1839. Muito pequena perdeu a sua mãe. Ela teve de se encarregar da educação dos seus irmãos mais novos. Dessa época da sua vida é lembrada a sua especial caridade, a sua alegria, o seu grande amor pela oração e a grande importância que atribuía à direção e aconselhamento espiritual.
Na adolescência, dedicava-se aos trabalhos domésticos, e aos 15 anos, aprendeu o ofício de costureira, que exercia em sua casa e nas casas das famílias vizinhas. Desde muito jovem, gostava de cantar e tocar viola, mas, não participava das festas em família: limitava-se a ajudar na preparação e depois se isolava para dedicar-se às orações solitárias.
Em 1851, aos 18 anos, seu pai faleceu e ela transferiu-se para Guayaquil, onde moravam seus parentes. Ali trabalhou como costureira, para não ser um peso para os seus hospedeiros, e começou a trabalhar com Luís Tola, que depois se tornará bispo de Portoviejo. Parte do que ganhava como costureira doava aos pobres e doentes. Manteve sempre um caráter alegre, divertido e amável e não deixava transparecer as privações pelas quais passava e a que se submetia livremente.

Santa Narcisa gostava de se recolher nos bosques e
pântanos para orar e fazer penitências. 
Dedicou muito tempo ao apostolado, especialmente dirigido às crianças, a quem ensinava o catecismo. Trabalhou também com jovens abandonadas e refugiadas na Casa de Acolhimento; visitava doentes e moribundos. Seus locais preferidos eram os bosques e os esconderijos, para praticar o recolhimento e dedicar-se às penitências. Queria seguir o exemplo da Santa, também equatoriana, Marianita de Jesus (1618-1645), oferecendo sacrifícios pela expiação de sua cidade.
Chegou a mandar fazer uma cruz salpicada de pregos, sobre a qual deitava todas as noites por quatro horas, antes de se acomodar sobre o chão para um breve repouso.     Nunca professou votos religiosos solenes, mas tornou-se leiga dominicana, ingressando na Ordem Terceira Dominicana (ramo leigo da Ordem dos Pregadores). Depois de sua morte soube-se que fez votos particulares de virgindade perpétua, pobreza, obediência, clausura, vida eremítica, jejum a pão e água, comunhão cotidiana, confissão, mortificação e oração.

Santa Narcisa, modelo de oração, humildade,
simplicidade e penitência. 
Em 1865, seu diretor, gravemente enfermo, pediu que ela o acompanhasse a Cuenca, onde se restabeleceria em uma casa de religiosas. Narcisa permaneceu por dois anos em Cuenca, até a morte de seu diretor. Retornando a Guayaquil, encontrou uma amiga, Mercedes Molina, venerada como beata, empenhada na direção de um orfanato. Não hesitou em ajudá-la na formação das crianças e na confecção de indumentárias. As duas amigas assistiam a Missa cotidiana e moravam no orfanato.
Segundo testemunhas da época, "Narcisa era muito bela, alta e bem proporcionada; sua cabeleira loura, abundante e anelada, chamava a atenção das pessoas; era muito estimada na cidade. Como caráter, era muito amável e em certos momentos dava demonstração de sua alegria cantando, enquanto sua amiga tocava a viola. Era muito caridosa”.
Em 1868, o frade franciscano Pedro Gual, que se tornara seu diretor espiritual, convidou Narcisa a transferir-se para Lima, onde ela ficaria hospedada no convento dominicano de Patrocínio. O capelão daquele mosteiro tornou-se seu confessor até a sua morte.
Apesar de sua compleição robusta, no último período de sua vida era evidente a crescente debilidade resultante de suas penitências.     Poucas horas antes de seu falecimento, na noite do dia 8 de dezembro de 1869, ao despedir-se das Irmãs, como que “fazendo graça”, disse que partiria para uma “longa viagem”. Um pouco antes da meia-noite, a Madre que devia fazer o turno de vigília percebeu que a cela de Narcisa estava misteriosamente iluminada e dela provinha um perfume fortíssimo. A religiosa foi verificar o que ocorria e "ao abrir a porta do quarto de Narcisa, viu a mesma claridade que se notava do lado de fora e sentiu que ali a fragrância era maior; ela tinha falecido abrasada pela febre de seu corpo e, sobretudo, pelo ardor do amor divino". Tinha apenas 37 anos. Faleceu no dia da inauguração do Concílio Vaticano I, oferecendo seus últimos sofrimentos por este importante evento. 
Foi beatificada por João Paulo II em 25 de outubro de 1992. A sua canonização ocorreu em 12 de outubro de 2008, sendo a quarta pessoa oriunda da América Latina a ser canonizada por Bento XVI e a terceira santa equatoriana. Bento XVI referiu-se a Narcisa com as seguintes palavras: "Santa Narcisa de Jesus nos mostra um caminho de perfeição cristã. Oferece-nos um testemunho atraente e um exemplo acabado de uma vida totalmente dedicada a Deus e aos irmãos".

Dia no qual o corpo incorrupto da santa foi exumado
para ser colocada sobre o rosto uma fina máscara
para protegê-lo antes de ser colocado em exposição
dentro de uma urna transparente. 
Seus santos despojos se encontram no Santuário que ostenta seu nome, na sua cidade natal, Nobol, no Equador. Por ter-se santificado tanto no campo como na cidade, em sua pátria, como fora dela, muitos migrantes têm especial devoção por ela. 


Corpo incorrupto de Santa Narcisa de Jesus. 




Fonte: blog “Heroínas da Cristandade”. 

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