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quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

OS PADRES DA IGREJA: algo sobre suas vidas e obras.




   Estamos no Advento. Aproxima-se, mais uma vez, o Santo Natal do Senhor. Mergulhamos como sempre nos grandes Mistérios de nosso Senhor Jesus Cristo e de sua Santíssima Mãe: Encarnação do Verbo, Natividade, Maternidade Divina, Epifania e Batismo do Senhor. Quando nos aprofundamos nesses grandes Mistérios, não há como fazê-lo sem passarmos pela Patrística, isto é, pelos ensinamentos e escritos dos Padres ou Santos Padres da Igreja Católica.
  Hoje, em nosso blog Santos, Beatos, Veneráveis e Servos de Deus, trago ao conhecimento dos leitores os nomes desses famosos “Padres” (as aspas refere-se ao fato de que nem todos foram sacerdotes), que, com seus escritos, obras e exemplos, passado o primeiro século do cristianismo, o “Século dos Apóstolos”, muito contribuíram para a solidificação da Sagrada Doutrina Católica, dando início e exercendo o chamado Magistério Sagrado da Igreja.
   A maioria desses Padres da Igreja é composta por santos (vários,  inclusive, são mártires), com algumas exceções. Exemplo marcante dessa exceção é o caso do famoso filósofo e apologista Tertuliano que, infelizmente, nos últimos anos de sua vida, deixou-se influenciar por uma doutrina herética e afastou-se da santa fé católica. Isso, no entanto, não retira totalmente o seu valor e importância histórica, visto que, no momento que ele atuou em favor da Igreja, com a sabedoria de seus escritos e com o dom da oratória, muito colaborou com o bem e a defesa da “Barca de Pedro”.



   Aqui vai a lista dos nomes e um resumo de sua vida e obras. 



1. São Clemente de Roma (†102), Papa (do ano 88 a 97 d.c), foi o terceiro sucessor de São Pedro, e governou a Igreja nos tempos dos imperadores romanos Domiciano e Trajano (92 a 102). No depoimento de Santo Ireneu "ele viu os Apóstolos e com eles conversou, tendo ouvido diretamente a sua pregação e ensinamento".



2. Santo Inácio de Antioquia (†110) - foi o terceiro bispo da importante comunidade de Antioquia, fundada por São Pedro. Conheceu pessoalmente São Paulo e São João. Sob o imperador Trajano, foi preso e conduzido a Roma onde morreu nos dentes dos leões no Coliseu. A caminho de Roma escreveu Cartas às igrejas de Éfeso, Magnésia, Trales, Filadélfia, Esmirna e ao bispo São Policarpo de Esmirna. Na carta aos esmirnenses, aparece pela primeira vez a expressão "Igreja Católica".

3. São Policarpo (†156) - foi bispo de Esmirna e uma pessoa muito amada, admirada e estimada por toda a Igreja. Conforme escreve Santo Irineu, que foi seu discípulo, Policarpo foi discípulo de São João Evangelista. No ano 155 estava em Roma com o Papa Niceto tratando de vários assuntos da Igreja, inclusive a data da Páscoa. Combateu os hereges gnósticos. Foi condenado à morte na fogueira; o relato do seu martírio, feito por testemunhas oculares, é o documento mais antigo deste gênero.


4. Hermas (†160) - era irmão do Papa São Pio I, sob cujo pontificado escreveu a sua obra Pastor e suas visões de estilo apocalíptico.


5. São Justino (†165), mártir - nasceu em Naplusa, antiga Siquém, em Israel; achou nos Evangelhos "a única filosofia proveitosa". Filósofo, fundou uma escola em Roma. Dedicou a sua Apologias ao Imperador romano Antonino Pio, no ano 150, defendendo os cristãos; foi martirizado em Roma.

6. Santo Hipólito de Roma (160-235) - discípulo de Santo Ireneu (140-202), foi célebre na Igreja de Roma, onde Orígenes o ouviu pregar. Morreu mártir.  Escreveu contra os hereges, compôs textos litúrgicos, escreveu a Tradição Apostólica onde retrata os costumes da Igreja no século III: ordenações, catecumenato, batismo e confirmação, jejuns, ágapes, eucaristia, ofícios e horas de oração, sepultamento, etc.



7. Santo Ireneu (†202) - nasceu na Ásia Menor, foi discípulo de São Policarpo (discípulo de S. João), foi bispo de Lião, na Gália (hoje França). Combateu eficazmente o gnosticismo em sua obra Adversus Haereses (Refutação da Falsa Gnose) e a Demonstração da Preparação Apostólica. Segundo São Gregório de Tours (†594), Santo Ireneu morreu mártir. É considerado o "príncipe dos teólogos cristãos". Salienta nos seus escritos a importância da Tradição oral da Igreja, o primado da Igreja de Roma (fundada por Pedro e Paulo).

8. São Clemente de Alexandria (†215) - Seu nome é Tito Flávio Clemente, nasceu em Atenas por volta de 150. Viajou pela Itália, Síria, Palestina e fixou-se em Alexandria. Durante a perseguição de Septímio Severo (203), deixou o Egito, indo para a Ásia Menor, onde morreu em 215. Seu grande trabalho foi tentar a aliança do pensamento grego com a fé cristã. Dizia: "Como a lei formou os hebreus, a filosofia formou os gregos para Cristo".


9. Orígenes (184-254) - Nasceu em Alexandria, Egito; seu pai Leônidas morreu martirizado em 202. Também desejava o martírio; escreveu ao pai na prisão:  "não vás mudar de ideia por causa de nós". Em 203 foi colocado à frente da escola catequética de Alexandria pelo bispo Demétrio. Em 212 esteve em Roma, Grécia e Palestina. A mãe do imperador Alexandre Severo, Júlia, chamou-o a Antioquia para ouvir suas lições. Morreu em Cesareia durante a perseguição do imperador Décio.

10. Tertuliano (†220) de Cartago, norte da África, culto, era advogado em Roma quando em 195 se converteu ao Cristianismo, passando a servir a Igreja de Cartago como catequista. Combateu as heresias do gnosticismo, mas, infelizmente, se desentendeu com a Igreja Católica. É autor das frases: “Vede como se amam” e “o sangue dos mártires é semente de novos cristãos".

11. São Cipriano (†258) - Cecílio Cipriano nasceu em Cartago, foi bispo e primaz da África Latina. Era casado. Foi perseguido no tempo do imperador Décio, em 250, morreu mártir em 258. Escreveu a bela obra Sobre a unidade da Igreja Católica. Na obra De Lapsis, sobre os que apostataram na perseguição, narra ao vivo o drama sofrido pelos cristãos, a força de uns, o fracasso de outros. Escreveu ainda a obra Sobre a Oração do Senhor, sobre o Pai Nosso.


12. Eusébio de Cesaréia (260-339) - bispo, foi o primeiro historiador da Igreja. Nasceu na Palestina, em Cesaréia, discípulo aí de Orígenes. Escreveu a sua Crônica e a História Eclesiástica, além de A Preparação e a Demonstração Evangélicas. Foi perseguido por Dioclesiano, imperador romano.


13. Santo Atanásio (295-373) - doutor da Igreja, nasceu em Alexandria, jovem ainda foi viver o monaquismo nos desertos do Egito,onde conheceu o grande Santo Antão(†376), o "pai dos monges". Tornou-se diácono da Igreja de Alexandria, e junto com o seu Bispo Alexandre, se destacou no Concílio de Nicéia (325) no combate ao arianismo. Tornou-se bispo de Alexandria em 357 e continuou a sua luta árdua contra o arianismo (Ário negava a divindade de Jesus), o que lhe valeu sete anos de exílio. São Gregório Nazianzeno disse dele: "O que foi a cabeleira para Sansão, foi Atanásio para a Igreja".



14. Santo Hilário de Poitiers (316-367) - doutor da Igreja, nasceu em Poitiers, na Gália (França); em 350 clero e povo o elegiam bispo, apesar de ser casado. Organizou a luta dos bispos gauleses contra o arianismo. Foi exilado pelo imperador Constâncio, na Ásia Menor, voltando para a Gália em 360, fazendo valer as decisões do Concílio de Nicéia. É chamado o "Atanásio do Ocidente". Escreveu as obras Sobre a Fé, Sobre a Santíssima Trindade.


15. Santo Efrém (†373), doutor da Igreja – é considerado o maior poeta sírio, chamado de "a cítara do Espírito Santo". Nasceu em Nísibe, de pais cristãos, por volta de 306, deve ter participado do Concílio de Nicéia (325), segundo a tradição, com o seu bispo Tiago. Foi ordenado diácono em 338 e assim ficou até o fim da vida. Escreveu tratados contra os gnósticos, os arianos e contra o imperador Juliano, o apóstata. Escreveu belos hinos e louvores a Maria.



16. São Basílio Magno (329-379) - Bispo e doutor da Igreja, nasceu na Capadócia; seus irmãos Gregório de Nissa e Pedro, são santos. Foi íntimo amigo de S. Gregório Nazianzeno; fez-se monge. Em 370 tornou-se bispo de Cesaréia na Palestina, e metropolita da província da Capadócia. Combateu o arianismo e o apolinarismo (Apolinário negava que Jesus tinha uma alma humana). 

Destacou-se no estudo a Santíssima Trindade (Três Pessoas e uma Essência).

17. São Gregório Nazianzeno (329-390), doutor da Igreja – nasceu em Naziano, na Capadócia, era filho do bispo local, que o ordenou padre; foi um dos maiores oradores cristãos. Foi grande amigo de São Basílio, que o sagrou bispo. Lutou contra o arianismo. Sua doutrina sobre a Santíssima Trindade o fez ser chamado de "teólogo", que o Concílio de Calcedônia confirmou em 481.



18. São Gregório de Nissa (†394) – foi bispo de Nissa, e depois de Sebaste, irmão de São Basílio e amigo de São Gregório Nazianzeno. Os três santos brilharam na Capadócia. Foi poeta e místico; teve grande influência no primeiro Concílio de Constantinopla (381) que definiu o dogma da Santíssima Trindade. Combateu o apolinarismo, macedonismo (Macedônio negava a divindade do Espírito Santo) e arianismo.


19. São João Crisóstomo (= “boca de ouro”) (354-407), doutor da Igreja, é o mais conhecido dos Padres da Igreja grega. Nasceu em Antioquia. Tornou-se patriarca de Constantinopla, foi grande pregador. Foi exilado na Armênia por causa da defesa da fé sã. Foi proclamado pelo papa S. Pio X, padroeiro dos pregadores.


20. São Cirilo de Alexandria (†444) – Bispo e doutor da Igreja, sobrinho do patriarca de Alexandria, Teófilo, o substituiu na Sé episcopal em 412.  Combateu vivamente o Nestorianismo (Nestório negava que em Jesus havia uma só Pessoa e duas naturezas), com o apoio do papa Celestino. Participou do Concílio de Éfeso (431), que condenou as teses de Nestório. É considerado um dos maiores Padres da língua grega, e chamado o "Doutor mariano".

21. São Pedro Crisólogo (= palavra de ouro) (†450) – bispo e doutor da Igreja – foi bispo de Ravena, Itália. Quando Êutiques, patriarca de Constantinopla pediu o seu apoio para a sua heresia (monofisismo - uma só natureza em Cristo), respondeu: "Não podemos discutir coisas da fé, sem o consentimento do Bispo de Roma". Temos 170 de suas cartas e escritos sobre o Símbolo e o Pai Nosso.

22. Santo Ambrósio (†397), doutor da Igreja – nasceu em Tréveris, de nobre família romana. Com 31 anos governava em Milão as províncias de Emília e Ligúria. Ainda catecúmeno, foi eleito bispo de Milão, pelo povo, tendo, então recebido o batismo, a ordem e o episcopado. Foi conselheiro de vários imperadores e batizou santo Agostinho, cujas pregações ouvia. Deixou obras admiráveis sobre a fé católica.

23. São Jerônimo (347-420), "Doutor Bíblico" – nasceu na Dalmácia e educou-se em  Roma; é o mais erudito dos Padres da Igreja latina; sabia o grego, latim e hebraico. Viveu alguns anos na Palestina como eremita. Em 379 foi ordenado sacerdote pelo bispo Paulino de Antioquia; foi ouvinte de São Gregório Nazianzeno e amigo de São Gregório de Nissa. De 382 a 385 foi secretário do Papa São Dâmaso, por cuja ordem fez a revisão da versão latina da Bíblia (Vulgata), em Belém, por 34 anos. Pregava o ideal de santidade entre as mulheres da nobreza romana (Marcela, Paula e Eustóquia) e combatia os maus costumes do clero. Na figura de São Jerônimo destacam-se a austeridade, o temperamento forte, o amor a Igreja e à Sé de Pedro.

24. Santo Agostinho de Hipona (354-430) - Bispo e Doutor da Igreja - Nasceu em Tagaste, Tunísia, filho de Patrício e S. Mônica. Grande teólogo, filósofo, moralista e apologista. Aprendeu a retórica em Cartago, onde ensinou gramática até os 29 anos de idade, partindo para Roma e Milão onde foi professor de Retórica na corte do Imperador. Ali, se converteu ao cristianismo pelas orações e lágrimas de sua mãe Santa Mônica e pelas pregações de Santo Ambrósio, bispo de Milão. Foi batizado por esse bispo em 387. Voltou para a África em veste de penitência onde foi ordenado sacerdote e depois bispo de Hipona aos 42 anos de idade. Foi um dos homens mais importantes para a Igreja. Combateu com grande capacidade as heresias do seu tempo, principalmente o Maniqueismo, o Donatismo e o Pelagianismo, que desprezava a graça de Deus. Santo Agostinho escreveu muitas obras e exerceu decisiva influência sobre o desenvolvimento cultural do mundo ocidental. É chamado de "Doutor da Graça".

25. São Leão Magno (400-461) - Papa e Doutor da Igreja - nasceu em Toscana, foi educado em Roma. Foi conselheiro sucessivamente dos papas Celestino I (422-432) e Xisto III (432-440) e foi muito respeitado como teólogo e diplomata. Participou de grandes problemas da Igreja do seu tempo e pôde travar contato pessoal e por cartas com Santo Agostinho, São Cirilo de Alexandria e São João Cassiano, que o descrevia como "ornamento da Igreja e do divino ministério". Deixou 96 Sermões e 173 Cartas que chegaram até nós. Participou ativamente na elaboração dogmática sobre o grave problema tratado no Concílio de Calcedônia, a condenação da heresia chamada monofisismo. Leão foi o primeiro Papa que recebeu o título de Magno (grande). Em sua atuação no plano político, a História registrou e imortalizou duas intervenções de São Leão, respectivamente junto a Átila, rei dos Hunos, em 452, e junto a Genserico, em 455, bárbaros que queriam destruir Roma.

26. São Bento de Núrsia (480-547) – nasceu em Núrsia, na Úmbria, Itália; estudou Direito em Roma, quando se consagrou a Deus. Tornou-se superior de várias comunidades monásticas; tendo fundado no monte Cassino a célebre Abadia local. A sua Regra dos Mosteiros tornou-se a principal regra de vida dos mosteiros do ocidente, elogiada pelo papa S. Gregório Magno, usada até hoje. O lema dos seus mosteiros era "ora et labora". O Papa Pio XII o chamou de Pai da Europa e Paulo VI proclamou-o Patrono da Europa, em 24/10/1964.

27. São Gregório Magno (540-604), Papa e doutor da Igreja - Nasceu em Roma, de família nobre. Ainda muito jovem foi primeiro ministro do governo de Roma. Grande admirador de S. Bento, resolveu transformar suas muitas posses em mosteiros. O papa Pelágio o enviou como núncio apostólico em Constantinopla até o ano 585. Foi feito papa em 590. Foi um dos maiores papas que a Igreja já teve. Bossuet considerava-o "modelo perfeito de como se governa a Igreja". Promoveu na liturgia o canto "gregoriano". Os seus escritos exerceram profunda influência: Vida de São Bento e Regra Pastoral, usado ainda hoje.

28. São João Damasceno (675-749) - Bispo e Doutor da Igreja - É considerado o último dos representantes dos Padres gregos. É grande a sua obra literária: poesia, liturgia, filosofia e apologética. Filho de um alto funcionário do califa de Damasco, foi companheiro do príncipe Yazid que, mais tarde o promoveu ao mesmo encargo do pai, ministro das finanças. A um determinado tempo deixou a corte do califa e retirou-se para o mosteiro de São Sabas, perto de Jerusalém. Tornou-se o pregador titular da basílica do Santo Sepulcro. Enfrentou com muita coragem a heresia dos iconoclastas que condenavam o culto das imagens. Ficaram famosos os seus Três Discursos a Favor das Imagens Sagradas. 

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