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terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Beata Maria Cândida da Eucaristia, Virgem Carmelita Descalça.



Hoje postarei um resumo da vida da beata Maria Cândida da Eucaristia, carmelita descalça. Apesar de sua memória litúrgica ser apenas no dia 14 de junho, estou postando essa publicação a pedido do Revmo. padre Francisco Menezes, sacerdote camiliano, grande amigo de nossa Comunidade Rainha do Carmelo. Ontem, após a celebração da Santa Missa em ação de graças pelo encerramento das atividades do ano de 2013 de nossa comunidade, quando o levava a sua residência, ele me pediu que escrevesse sobre essa beata que ele muito admira, exatamente por causa de seu profundo amor pelo Mistério da Santíssima Eucaristia. 
No final de sua biografia, posto também uma belíssima "carta" que a santa monja escreveu ao seu grande amor, Jesus Hóstia, na qual ela revela seu entranhado amor pela presença real de Jesus na Eucaristia, Centro de toda a vida da Igreja. 



Espero que apreciem sua bela vida, seus exemplos, e que todos procuremos imitar-lhe a fé, amor e devoção ao Santíssimo Sacramento do Amor. Amém!



Maria Cândida da Eucaristia nasceu no dia 16 de janeiro de 1884, em Catanzaro (Itália), cidade para onde a família, originária de Palermo, se transferiu por um breve período de tempo devido ao trabalho do pai, Pedro Barba, que era Conselheiro do Tribunal de 1ª Instância; foi batizada três dias depois com o nome de Maria Barba. Sua mãe chamava-se Joana Florena. Maria era a décima de doze filhos.
Quando a menina completou dois anos, a família retornou para a capital siciliana e ali Maria viveu a sua juventude. Aos quinze anos manifestou a sua vocação religiosa à qual seus pais, apesar de serem profundamente religiosos, se opuseram com determinação. 
De fato, Maria teve que esperar quase vinte anos para poder realizar a sua aspiração, demonstrando, nestes anos de expectativa e de sofrimento interior, uma força de ânimo surpreendente e uma fidelidade incomum. Depois da morte de sua mãe, seguindo o conselho do Cardeal Alessandro Lualdi, entrou finalmente no Mosteiro das Carmelitas Descalças de Ragusa, que tinha surgido havia pouco tempo e era muito pobre.
Entrou no Carmelo a 16 de abril de 1920, onde assumiu o nome de Maria Cândida da Eucaristia, em certos aspectos profético. Em 17 de abril de 1921 pronunciou a profissão simples e a solene no dia 23 de abril de 1924.
O amor pela Eucaristia manifestou-se nela desde a primeira infância quando, com 10 anos, foi admitida à Primeira Comunhão e a sua maior alegria era poder comungar. Desde então, privar-se da Santa Comunhão tornou-se para ela "uma cruz pesada e angustiante".
     Maria Barba, sempre estimulada por uma devoção especial ao mistério eucarístico, no qual ela via o mistério da presença sacramental de Deus no mundo e a concretização do seu amor infinito pelos homens, motivo da nossa confiança plena nas suas promessas, constrói alguns anos mais tarde um novo mosteiro, que ainda hoje existe.
Irmã Maria Cândida quis "fazer companhia a Jesus no seu estado de Eucaristia quanto mais fosse possível". Prolongava as suas horas de adoração e, sobretudo, das 23 às 24 horas de cada quinta-feira, prostrava-se diante do Tabernáculo em adoração. A Eucaristia polarizava verdadeiramente toda a sua vida espiritual, não tanto pelas manifestações devocionais, quanto pela incidência vital da relação da sua alma com Deus. Foi da Eucaristia que Maria Cândida encontrou as forças necessárias para se consagrar a Deus como vítima no dia 01 de novembro de 1927.
Seis meses depois da profissão solene, em 10 de novembro de 1924 foi nomeada pela primeira vez Priora do seu Mosteiro: um cargo que aceitou e uma responsabilidade que desempenhou em sinal de obediência a Deus, com dedicação total e grande seriedade. Durante os três primeiros anos como Priora, assumiu também o cargo de Mestra de noviças.
Desenvolveu plenamente o que ela mesma definia como a sua "vocação pela Eucaristia", ajudada pela espiritualidade carmelita – são muito conhecidas as páginas em que santa Teresa de Jesus descreve a sua especialíssima devoção à Eucaristia e como na Eucaristia a Santa Fundadora experimentasse o mistério fecundo da Humanidade de Cristo – na qual se apoiou depois da leitura de "História de uma Alma" de Santa Teresinha do Menino Jesus.
Durante os anos em que guiou o seu mosteiro, de 1924 a 1947, salvo uma breve interrupção, infundiu na sua comunidade um profundo amor pela Regra de Santa Teresa de Jesus e contribuiu de modo direto para a expansão do Carmelo Teresiano na Sicília, a fundação de Siracusa, e para o retorno do ramo masculino da Ordem na região.
A partir da solenidade do Corpus Christi de 1933, Maria Cândida começou a escrever a sua pequena "obra-prima" de espiritualidade eucarística, "A Eucaristia, verdadeira joia de espiritualidade vivida". Trata-se de uma longa e intensa meditação sobre a Eucaristia, uma recordação da experiência pessoal e um aprofundamento teológico dessa experiência.
     Na Eucaristia, a beata vê sintetizadas todas as dimensões da experiência cristã:
 A Fé: “Ó meu Amado Sacramento, eu Te vejo, eu creio em Ti! Ó Santa Fé!”. “Contemplar com Fé redobrada a nosso Amado no Sacramento: viver com Ele que vem cada dia”.
A Esperança: “Ó minha Divina Eucaristia, minha querida esperança, tudo espero de Ti! Desde menina foi grande minha esperança na Santíssima Eucaristia”.
A Caridade: “Jesus meu, quanto Te amo! É um imenso amor o que eu nutro em meu coração por Ti, ó Amor Sacramentado! Quão grande é o amor de um Deus feito pão para as almas! De um Deus feito prisioneiro por mim”!
     Sem dúvida a Virgem Maria é o verdadeiro modelo de vida eucarística. Ela levou em seu seio o Filho de Deus e continuamente o engendrava nos corações de seus discípulos. “Eu quisera ser como Maria” – escreve a beata em uma das páginas mais intensas e profundas de A Eucaristia – “ser Maria para Jesus, ocupar o lugar de sua Mãe. Em minhas Comunhões, tenho sempre Maria presente. De suas mãos quero receber Jesus, Ela deve fazer de mim uma coisa só com Ele. Eu não posso separar Maria de Jesus. Salve, ó Corpo nascido de Maria! Salve Maria, aurora da Eucaristia”!
     Para a beata Maria Cândida, a Eucaristia é alimento, é encontro com Deus, é fusão de coração, é escola de virtude, é sabedoria de vida. “O Céu mesmo não possui mais; Aquele tesouro único está aqui, é Deus! Verdadeiramente, sim verdadeiramente: meu Deus e meu Tudo”. “Peço a meu Jesus ser colocada como sentinela de todos os sacrários do mundo até o fim dos tempos”.
     No dia 12 de junho de 1949, na Solenidade da Santíssima Trindade, depois de alguns meses de sofrimentos físicos atrozes, Maria Cândida da Eucaristia faleceu.
     Em 05 de março de 1956, Mons. Francisco Pennisi, Bispo de Ragusa, abriu o processo ordinário diocesano concluído em 28 de junho de 1962. Foi beatificada em Roma no dia 21 de março de 2004. A Igreja a celebra no dia 12 de junho e o Carmelo Descalço no dia 14 de junho. 




Carta de irmã Maria Cândida da Eucaristia a Jesus Hóstia:
Oh, Jesus! Hóstia de amor, hóstia imaculada e imenso fascínio da minha alma! Gostaria de contemplar-te sempre, beber de Ti um amor e uma pureza infinitos. Gostaria de ser semelhante a Ti, para alegrar-te.
Ó meu Jesus! Doa-me o esplendor da Hóstia. Dá-me o candor da hóstia imaculada. Ó Alimento divino, gostaria de transformar-me em Ti, de tornar-me para Ti como Tu: uma hóstia pura, dulcíssima e santa. Como eu me comprazo em Ti, assim, gostaria que Tu te comprazas em mim.
Hóstia santa e imaculada, eu me sacio com a tua pureza. Tu que és a vida, faz que eu viva em Ti. Ainda mais uma vez me consagro inteiramente ao teu amor, te consagro todos os meus sofrimentos, os meus suspiros, as minhas aspirações e todos os meus desejos.
Desejo só a Ti, unicamente e sempre a Ti. Eu te ofereço todo o meu amor como uma torrente: desde quando o meu coração recebeu a vida até o dia em que esta se apagará. Recebe-me como lâmpada que não se apaga, roubada pelo teu amor, adorando, agradecendo, reparando, tendo as abertas asas do meu amor para defender-te dos profanadores e dos corações malvados e para afasta-los de Ti.
Ó Pai celeste! Concede-me, dia e noite, te acompanhar com o coração, ó Jesus, enquanto Tu desces como hóstia nas almas maculadas pelo pecado, sacrílegas ou cheias de indiferença e dissipação. Transbordante de imensa dor, peço perdão por elas e quero reparar.
Sim, meu Jesus, Tu nos fazes felizes nesta vida, porque só contigo a alegria e o sorriso nunca faltarão. Quem te encontra, encontra tudo!
Eu te amo, te adoro, te louvo e te agradeço. Por teu amor não desça nestas almas, mas converte-as. Eu te amo, ó meu Bem, no Sacramento, e gostaria que a tua vida resplandecesse através de mim.
Queria que a Hóstia resplandecesse nos meus olhos, na minha fronte, nos meus lábios, no meu peito. Queria mostrar-te a todos, ó Pão da Vida, e transmitir a todos a tua beleza! Ó bela e imaculada Hóstia, sou toda tua. Como tua propriedade que seja marcada com o teu sinal, a Hóstia.
Por que todos os homens não te conhecem? Tu és a felicidade e todas as belezas e as alegrias estão em Ti, mas os homens não o sabem. Não te compreendem e perdem o caminho que conduz ao oásis da verdadeira felicidade.
Ó Jesus, se o mundo conhecesse o teu Sagrado Coração, o desejo ardente de fazer todos felizes, se conhecesse quanto Tu fizeste e continua a fazer para cada um dos teus filhos redimidos!

Ó filhos dos homens, até quando desconhecereis o amor do Filho de Deus por vós? Faz 20 séculos que Ele é prisioneiro para vós no Santíssimo Sacramento, escravo de amor sob as espécies sacramentais, vítima perene por vós. Lanço para vós o grito do meu coração, tão angustiado! Estendo os braços, acordai-vos! Eles não têm mais forças. Vinde e provai e tereis paz e felicidade. Sim, meu Jesus, Tu nos fazes felizes nesta vida, porque só contigo a alegria e o sorriso nunca faltarão. Quem te encontra, encontra tudo, quando eu também, na minha juventude, te encontrei, encontrei verdadeiramente tudo! 

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