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quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

SÃO JOÃO CALÁBRIA, Presbítero e Fundador das Congregações dos Pobres Servos e das Pobres Servas da Divina Providência.


Nasceu em Verona no dia 8 de outubro de 1873, sétimo e último filho de Luís Calábria, sapateiro, e de Ângela Foschio, empregada doméstica e mulher de grande fé, educada pelo Servo de Deus Pe. Nicolau Mazza, em seu Instituto para meninas pobres.

Desde o seu nascimento, a pobreza lhe foi mestra de vida. Vindo a falecer seu pai, teve que interromper a 4ª série primária e trabalhar como garçom. Pe. Pedro Scapini, Reitor de São Lourenço, percebendo as virtudes do jovem, preparou-o com aulas particulares para os exames de admissão ao 2° grau, no Seminário. Tendo sido aprovado nos exames, foi admitido e frequentou o 2° grau como aluno externo. Mas teve que interrompê-lo no 3° ano para prestar o serviço militar.

Neste sentido, o jovem distinguiu-se, sobretudo pela sua caridade. Colocou-se a serviço de todos, dedicando-se aos trabalhos mais humildes e arriscados. Conquistou a amizade dos seus colegas e superiores, levando muitos à conversão e à prática da fé.

Terminado o serviço militar, retornou aos estudos. Numa noite fria de novembro de 1897 - quando frequentava o l ° ano de teologia - regressando do hospital, onde tinha visitado doentes, encontrou encolhido na porta de sua casa um menino fugido dos ciganos. Então, acolhendo-o, levou-o para sua casa e partilhou com ele o seu pequeno quarto. Foi o inicio de suas obras com os meninos órfãos e abandonados.

Depois de alguns meses, fundou a "Pia União para a assistência aos doentes pobres", reunindo um grande número de clérigos e leigos.



Este foi somente o início de uma vida caracterizada totalmente pela caridade. "Todos os instantes de sua vida foram uma personificação do maravilhoso cântico de São Paulo sobre a Caridade", escrevia na sua carta de postulação ao papa Paulo VI uma médica hebreia que o Pe. João Calábria salvou da perseguição nazista e fascista, ocultando-a entre as religiosas do seu Instituto, vestindo-a com o hábito delas.

Em 1910 fundou também o ramo feminino, as “Irmãs”, sendo reconhecida no dia 25 de março de 1952 como Congregação de direito diocesano, com o nome de "Pobres Servas da Divina Providência" e aos 25 de dezembro de 1981 obteve a Aprovação Pontifícia.

Tendo sido ordenado sacerdote no dia 11 de agosto de 1901 foi nomeado Vigário Cooperador na paróquia Santo Estêvão e confessor no Seminário. Dedicou-se com zelo especial às confissões e ao exercício da Caridade, privilegiando, sobretudo, os mais pobres e marginalizados.

Em 1907, nomeado Vigário da Reitoria de São Benedito ao Monte, começou também a acolher e ajudar espiritualmente alguns soldados. No dia 26 de novembro do mesmo ano, na Rua Case Rotte, iniciou oficialmente o Instituto “Casa Buoni Fanciulli”, que no ano seguinte, foi transferido para um lugar definitivo na Rua San Zeno in Monte, atual Casa Mãe.

Com os meninos, o Senhor mandou-lhe também alguns leigos que desejavam partilhar com ele a própria doação ao Senhor. Com este pequeno grupo de homens entregues totalmente ao Senhor no serviço aos pobres com uma vida radicalmente evangélica, fez com que a Igreja de Verona revivesse o clima da Igreja Apostólica. E aquele primeiro núcleo de homens foi a base da Congregação dos Pobres Servos da Divina Providência, sendo aprovada pelo Bispo de Verona aos 11 de fevereiro de 1932 e obtendo a Aprovação Pontifícia aos 25 de abril de 1949.

Logo após a aprovação diocesana, a Congregação difundiu-se em várias regiões da Itália, sempre ao serviço dos pobres, dos abandonados e dos marginalizados. Estendeu a sua ação também aos idosos e doentes, dando vida à “Cittadella della Carità”. O Coração apostólico do Pe. João Calábria pensou também nos Párias da índia, enviando, no ano de 1934, quatro Irmãos a Vijayavada.



O Pe. João Calábria confiou às duas Congregações a mesma missão que o Senhor lhe inspirou desde quando era um jovem sacerdote: "Mostrar ao mundo que a Divina Providência existe, que Deus não é um estrangeiro, mas que é Pai e cuida de seus filhos, contanto que nós O acolhamos e façamos a nossa parte que é buscar em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça" (cf. Mt 6, 25-34).

Para testemunhar tudo isto, acolheu gratuitamente em suas casas meninos necessitados material e moralmente, criou hospitais e casas para acolher e dar assistência corporal e espiritual aos doentes e idosos. Abriu casas de formação para os jovens e adultos pobres, a fim de ajudá-los a realizar a própria vocação sacerdotal ou religiosa, deixando-os livres para ingressar na diocese ou Congregação que o Senhor lhes tivesse inspirado. Estabeleceu que os seus religiosos exercitassem o apostolado nos lugares mais pobres, "onde não se pode esperar nenhuma recompensa humana".

"Resplandeceu como farol luminoso na Igreja de Deus". São exatamente estas as palavras que o Beato Cardeal Schuster mandou epigrafar sobre o túmulo do Pe. João Calábria.

Desde 1939 até o dia de sua morte, em contraste com seu inato desejo de ocultar- se, alargou os seus horizontes até alcançar as fronteiras da Igreja, “gritando” a todos que o mundo poderia salvar-se somente retornando a Cristo e ao seu Evangelho.

Foi assim que se tornou uma voz profética, um ponto de referência: bispos, sacerdotes, religiosos e leigos, viram nele o guia seguro para eles mesmos e para suas próprias iniciativas.

Os bispos da Conferência Episcopal do Trivêneto, na carta de postulação endereçada ao papa João Paulo II escreveram: “Pe. Calábria, exatamente para preparar a Igreja do ano 2000 - expressão a ele familiar - fez de sua vida um sofrido e enternecido apelo à conversão, à renovação, à hora de Jesus com acentos impressionantes de premente urgência" ... Parece-nos que a vida do Pe. Calábria e a sua mesma pessoa constitua uma "profecia" do vosso apaixonado grito a todo o mundo: "Abram as portas a Cristo Redentor”!

Ele compreendeu que nesta radical e profunda renovação espiritual do mundo, deveriam ser envolvidos também os leigos. Por isto, em 1944, fundou a "Família dos Irmãos Externos", constituída por leigos. Rezou, escreveu, agiu e sofreu também para a unidade dos cristãos. Portanto, manteve fraternas relações com protestantes, ortodoxos e hebreus: escreveu, falou, amou e nunca polemizou. Conquistou com o amor. O Pastor luterano Sune Wiman de Eskilstuna (Suécia) que manteve com Pe. Calábria um abundante intercâmbio epistolar, endereçou no dia 6 de março de 1964 uma carta de postulação ao papa Paulo VI para solicitar-lhe a glorificação do seu venerado amigo.

Este foi o período misteriosamente mais doloroso de sua vida. Parecia que Jesus Cristo o tivesse associado à agonia do Getsêmani e do Calvário, aceitando a sua oferta de ser "vítima" para a santificação da Igreja e para a salvação do mundo. O Beato Cardeal Schuster comparou-o ao Servo de Javé.


Morreu no dia 4 de dezembro de 1954. Na vigília porém, fez o seu último gesto de caridade: ofereceu a sua vida ao Senhor pelo papa Pio XII, que estava agonizando. Deus aceitou sua oferta: Pe. João Calábria morreu e o Papa, misteriosa e repentinamente recuperou a saúde e viveu por mais quatro anos. O mesmo Pontífice, desconhecendo o último gesto de oferta do Pe. Calábria, mas profundo conhecedor de toda a sua vida, recebendo a notícia de sua morte, em um telegrama de pêsames à Congregação, definiu-o "campeão de evangélica caridade”.

O Pe. João Calábria foi beatificado pelo papa João Paulo II no dia 17 de abril de 1988 e canonizado no dia 18 de Abril de 1999.



Pensamentos de são João Calábria:

TEMOS UM DEUS QUE É PAI

“A fé verdadeira e genuína considera Deus não só como Criador e Senhor, mas sobretudo como Pai”. Fé, portanto, na paternidade de Deus, e confiança ilimitada, filial na sua Divina Providência".

“Deus é Pai, cuida de nós e de nossos caros; nada escapa ao seu olhar, nada pode acontecer de improviso como quase de surpresa, tudo é dirigido pela sua infinita sabedoria, poder e bondade”.

“Não há mãe que ame tanto seu filho, como Deus ama todos e cada um de nós. A tudo Ele chega, até mais e melhor do que a luz do sol ao fio da erva ou ao átomo perdido nos espaços. Ele contou até os cabelos de nossa cabeça e sem sua permissão não nos cai nenhum; os pássaros do céu que não ceifam e não enchem os celeiros, são quotidianamente nutridos por Ele, que também providencia uma veste resplandecente para os lírios do campo”.


ABANDONAR-SE À DIVINA PROVIDÊNCIA

         “O espírito de nossa Obra quer que tenhamos sempre uma ilimitada confiança, um terno e filial abandono na paterna, sempre vigilante e amável Providência Divina”.

         “A Divina Providência é uma terna mãe que tudo ordena para o nosso bem, para o nosso maior bem”.

Os Pobres Servos “vivam a vida da fé e do abandono em Deus, sintam-se seguros nele e em sua proteção”.

          “A fé na Providência seja sempre o nosso baluarte, e a nossa rocha; lembremo-nos de que Ela nunca falhará, se fizermos a nossa parte”.

          “De nossa parte trabalhemos, façamos como se tudo dependesse de nós e depois deixemos a Deus e à sua Providência”.


VIVER A NOSSA FÉ

 “A nossa fé seja prática, operosa; nenhum contraste deve haver entre a fé que professamos e a conduta que levamos; a fé deve ser a norma constante de nossas ações, de nossos pensamentos, de nossos juízos... No mundo quer-se muitas vezes conciliar Cristo com Satanás, as práticas de piedade com usos e costumes pagãos, mas em nós deve resplandecer a pura luz de Cristo”.

“Ó meus caros, fé em Deus e em sua Providência. Esta é a hora da fé. Num mundo que se afasta cada vez mais de Deus, acendamos em nós esta chama que ilumina o caminho também para os outros”.

“Vivamos uma vida de fé, conscientes que estamos aqui de passagem, que a vida presente não é fim em si mesma, mas preparação à vida verdadeira na bem-aventurada eternidade, e que a esta tudo se deve orientar”.


RETORNAR ÀS FONTES DO EVANGELHO
 “Retornemos à prática do santo Evangelho, sem mutilações nem interpretações arbitrárias, mas procurando penetrar no significado e no espírito puro e genuíno para, depois, conformar a estes os nossos juízos e a nossa vida”.

"Existe demasiada dissonância entre aquilo que o Evangelho ensina e aquilo que nós praticamos. Devemos eliminar esta contradição".

“Devemos renovar-nos, e nos renovaremos se vivermos na prática o santo Evangelho, sendo evangelhos vivos”.

“Ou se crê ou não se crê; e então, se não se crê, rasgue-se o Evangelho. Dá-se muita importância à palavra dos homens na terra! Tudo bem. Mas muito mais importância deveríamos dar à palavra do Senhor! Acreditemos, portanto, no Senhor, tenhamos confiança na sua Palavra”.

“Sejamos Evangelhos vivos, e antes de pregá-lo, pratiquemo-lo. O Evangelho seja por nós aplicado ao pé da letra”.

AMAR A VIDA DE ORAÇÃO

 “Irmãos, oremos, oremos! A oração unida a uma vida santa faz milagres e agora é mesmo de milagres que se precisa para que tudo volte à ordem. Irmãos, isto é que nos cabe, coisa grande, nobre, divina: orem e peçam aos outros que orem”.

“É absolutamente necessária, meus caros e amados irmãos, uma vida de íntima união com Deus, orando sem cessar, mas não com uma oração feita de qualquer jeito, só com os lábios, e sim com uma oração que parta do coração”.

“Irmãos, deixem tudo, mas não deixem as práticas de piedade; sejam reservatórios e canais”.

“A atividade exterior é destinada à esterilidade, se não colocar as próprias raízes no sagrado terreno da vida interior”.

“Se vocês têm algum momento triste, oh, conhecem o remédio: vão logo a Jesus, que está no sacrário exatamente para nos confortar, para nos ajudar”.


 O MANDAMENTO DO AMOR

 “Se eu souber que um religioso não tem caridade, de joelhos, pedir-lhe-ia que fosse embora, pois ficando, estragaria a Obra”.

“Gostaria que em todas as paredes das nossas Casas estivesse escrito: CARIDADE”!

“Gostaria de poder morrer com esta última palavra nos lábios: CARIDADE”!

“É necessário que os componentes desta Obra (irmãos e sacerdotes) sejam um só coração e uma só alma, no doce e querido vínculo da caridade, e que obedeçam como a Jesus bendito a quem no seu nome preside a Obra”.

“Caridade para com todos – escreve – oxalá jamais apareça o mal da murmuração.”

“Uma característica de nossos Religiosos seja a caridade recíproca e a união fraterna. Os Religiosos amem-se entre si fraternalmente, não fiquem contentes apenas com o nome de irmãos, mas esforcem-se por sê-lo”.
“Evite-se com todo cuidado a murmuração, sufocadora da caridade e da paz, semeadora de discórdias...”.

OS POBRES: A RIQUEZA DE PE. CALÁBRIA

"Ir aos mais pobres, aos mais humildes, aos doentes, aos mais desafortunados, que são os mais queridos e nos quais Jesus quer ser representado. Eis a nossa característica: não aos grandes, mas aos mais pequenos que nos envia o Senhor”.

"Ai de nós se nos votássemos às classes mais ricas! Não é o nosso campo."

SALVAR A FAMÍLIA

“São sobretudo os pais os mestres naturais dos rebentos que a Providência lhes confia por um gesto de soberana benevolência”.

"Oh, quão necessária a existência de pais dignos de sua missão, verdadeiros geradores de novas vidas no verdadeiro sentido da palavra: vida física, vida moral, tudo feito à imagem e semelhança de Deus”.

“Pais cristãos, vivei à altura da vossa missão. Pensai que sois colaboradores de Deus na grande obra da criação; por meio de vós Deus tira do nada novas criaturas destinadas a serem seus filhos”.


“Daí aos filhos os tesouros da educação cristã, através do vosso exemplo, antes das palavras”.

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