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terça-feira, 19 de novembro de 2013

O Massacre dos Cristãos


Os circos romanos (o maior e mais famoso foi o Coliseu) foram os palcos
da morte de milhares de Mártires Cristãos.

        Desde pequeno que guardo profunda admiração pelos mártires cristãos da Igreja de Roma. Creio que foi minha mãe quem me incutiu isso, quando falava das multidões de mártires massacradas nos circos romanos pelos imperadores Nero, Calígula, Trajano, Domiciano e outros. 
          Muitos foram famosos: Perpétua, Felicidade, Flávia Domitila, Inês, Anastácia, Cecília, Águeda, Martinha, Quitéria, Dorotéia, Filomena,  Bibiana, Júlia, Vitoriano, Plácido, Vito, Pancrácio, Floro, Januário, Tarcísio, Sebastião, Silvestre, Inácio de Antioquia, Policarpo, João, Paulo, Cosme, Damião, etc. 
        Muitos, porém, jamais saberemos os nomes. No entanto, igualmente testemunharam Jesus Cristo derramando seu sangue glorioso em cruzes, jogados aos leões, queimados em fogueiras, esquartejados por cavalos ou rodas, afogados em rios, crivados por flechas ou lanças, etc. Eram pessoas de várias idades, classes sociais ou condições econômicas: generais, centuriões, soldados, políticos, damas nobres, donas de casa, artesãos, comerciantes, médicos, sacerdotes, bispos, papas, diáconos, virgens consagradas, crianças, jovens  e anciãos. 
         Hoje, publico essa carta escrita na época por uma testemunha ocular desses massacres, um cidadão romano por nome Septímio. A carta é um verdadeiro tesouro, pois, além de legítima, é rica em detalhes e mostra a grande coragem, amor e fé demonstrados pelos santos mártires diante do imperador e das turbas sedentas de sangue. 
        Leiam com atenção e deixem-se emocionar pela narrativa. Que ela nos anime a enfrentar as dificuldades cotidianas e as lutas que travamos em nosso caminho de fé. 
           Santos mártires de Roma, rogai por nós! 


O Massacre dos Cristãos

  (Narrado por Septímio)

        “Uma espécie de gente, muito característica, Flávio, apareceu no Estado. Encontram-se às ocultas e recusam-se a queimar incenso diante dos deuses oficiais. Não saúdam César quando ele passa. Diz-se que essas pessoas adoram divindades estranhas e praticam estranhos ritos.
O imperador Cláudio mandou prender milhares delas para pasto dos leões; Nero mandou enfia-las em postes e cobri-las com um traje untado de breu e piche. E depois, certa noite, ateou-lhes fogo e fê-las desfilar pela cidade como tochas ardentes. E aquela gente sofria silenciosamente, ao que parece. Nossos imperadores romanos experimentam profundo ‘prazer’ em torturar homens, mulheres e crianças que morrem sem uma palavra de protesto.
Meu amigo Petrônio me disse que tem suspeitas de que os indivíduos são confortados por algum poderoso espírito, que paira sobre eles. Na última semana, quando Petrônio foi ver uma moça que ia ser queimada numa estaca, ficou bem perto dela, no momento em que a amarravam, e pôde ouvi-la murmurar: ‘Virgem Mãe!’ Petrônio imagina que são palavras mágicas, de tal poder que tornam os cristãos capazes de morrer tão bravamente. Essa gente, diz ele, deve ser ‘encantada’. Suportam os maiores suplícios de rosto impassível. Muitos deles retiram-se para o deserto a viver sozinhos em furnas, flagelando-se e rezando. Cada vez aumenta mais o número de romanos que procuram esses cristãos, os quais lhes prometem salva-los das orgias dos Césares e mostrar-lhes um reino muito maior que o império romano. Negariam eles a divindade de César, esses rebeldes que partem o pão e oferecem vinho e cochicham estranhas orações, quando se encontram?
Assim, ontem, nova turma foi lançada aos leões no Coliseu; o dor de sangue e das entranhas dilaceradas dominou os perfumes árabes com que o Coliseu tinha sido banhado. O espetáculo era repugnante. Contudo exercem ‘mágico’ efeito sobre os expectadores. Muitos deles desceram para a arena, convertendo-se ao Cristianismo.
Que poder, humano ou divino, ó Flávio, sustenta esses homens? E que conta mágica é essa que conserva seu número sempre em aumento, a despeito de serem milhares deles queimados na estaca ou devorados pelas bestas selvagens?
Ontem assisti a uma função noturna, no circo. Nero arranjou novo sistema de iluminação para o espetáculo.  Em lugar das costumeiras tochas, o circo foi iluminado pelo clarão dos mártires em chamas... Vi-os com os meus próprios olhos e nova luz brilhou em mim. Sinto... não diga isso a ninguém... sinto que me estou tornando cristão!

(carta enviada a Flávio pelo cidadão romano Septímio, durante o reinado do Imperador Nero, que foi do ano 54 ao ano 68 d.c.)




Texto retirado da Revista Católica “Jesus Vive e é o Senhor”, na sessão “Vida e Conhecimento”.




Santos Mártires Cristãos da Igreja de Roma



Santos Anjos vindo buscar as almas dos mártires para o Céu.



Sepultamento dos Mártires nas catacumbas romanas. 




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