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quinta-feira, 28 de novembro de 2013

SÃO TIAGO DAS MARCAS, Presbítero Franciscano.


São Tiago das Marcas, presbítero e
missionário franciscano
São Tiago das Marcas é com João de Capistrano, Bernardino de Sena e Alberto de Sarteano, uma das quatro colunas da Observância Franciscana, a singular reforma do século XV, que propôs novamente, frente a um humanismo exagerado, o retorno à vida pobre, simples e ao zelo apostólico dos primeiros tempos do franciscanismo.
Natural de Monteprandone, na província de Ascoli Piceni, região das Marcas, na Itália, São Tiago nasceu no dia 1º de setembro de 1391. Seu nome de batismo era Domingos Gangali e, ainda pequeno e órfão, foi educado pelo tio, que o conduziu sabiamente no seguimento de Cristo. Estudou em Perugia, onde se diplomou em direito civil junto com o grande São João de Capistrano.
Decidiu deixar a profissão para ingressar na Ordem dos Franciscanos, onde estudou teologia e ordenou-se sacerdote. Quando vestiu o hábito, tomou o nome de Tiago, que logo foi completado com o “das Marcas”, em razão de sua origem. Foi discípulo de outro santo e seu contemporâneo da Ordem, Bernardino de Sena, que se destacava como o maior pregador daquela época, tal qual conhecemos.
Era tão propenso à mortificação, que o seu mestre de teologia e de vida espiritual, São Bernardino de Sena, teve de lhe recomendar certa moderação. Dotado de excepcionais dotes oratórios, uma vez ordenado sacerdote percorreu a Itália e grande parte da Europa a pregar a fiéis, hereges e infiéis, com abundantes frutos de conversão e reforma de costumes.
Ele era magro e só dormia três horas por noite e usava um hábito feito de pano grosso. Ele jejuava dia sim, dia não.
Viveu em extrema penitência e oração, oferecendo seu sacrifício a Deus para o bem da humanidade sempre tão necessitada de misericórdia. Levava uma vida de rigor e austeridade. O seu zelo pela castidade levava-o a disciplinar-se (flagelar-se) por vezes de noite, ao ser atormentado por tentações carnais.
Durante o ano fazia nada menos de sete quaresmas e, nos outros dias, a alimentação limitava-se a pequenas e pobres rações, como uma malga de favas simplesmente cozidas em água. Mas os severos e frequentes jejuns a que se submetia minaram seu organismo, chegando a receber o sacramento da unção dos enfermos seis vezes. Mesmo assim, chegou à idade de oitenta e cinco anos na fatigante vida de pregador volante.
Dizia que o Espírito Santo o inspirava a grandes sermões com grande poder e ferocidade e com sucesso incrível, mesmo com o estômago vazio. E era verdade. Em Camerino, certa vez seu discurso quase fez com que a plateia queimasse seu adversário. Em Áquila, 40 mil pessoas aguardavam ele descer do púlpito para dar o que seria hoje uma espécie de autógrafo. Queriam que ele escrevesse o nome de Jesus em um pedaço de pergaminho.
Para conseguir satisfazer a demanda, os frades do convento produziam milhares desses pergaminhos e Tiago colocava sua mão neles abençoando a todos os pergaminhos. Diz a tradição que sua benção curava várias doenças.
No final o papa proibiu que ele se excedesse no jejum porque sua saúde era de interesse público. O bom senso do Papa Sixto IV foi notável para a época ao recomendar ao santo que cuidasse de sua saúde.
    Recusou a oferta do arcebispado de Milão e foi conselheiro de papas e imperadores. Esteve ao serviço da santa Sé em numerosas missões, e sucedeu a São João de Capistrano como guia espiritual da cruzada contra os turcos.
São Tiago das Marcas consagrou toda a sua vida à pregação. Era um pregador de raras qualidades. Percorreu toda a Itália, a Polônia, a Boêmia, a Bósnia e depois foi para a Hungria, obedecendo a uma ordem direta de Roma. Era tão obediente ao que o a Santa Sé lhe ordenava que um dia, estando o santo em meio a uma refeição, lhe chegou às mãos a ordem papal de partir para a Hungria. Levantou-se imediatamente, sem acabar de comer, para cumprir a ordem recebida.
Os temas de sua pregação eram idênticos aos de São Bernardino, cauterizando em especial a avareza e a usura. Para combater esta praga social idealizou os Montes de Piedade ou Montepios, onde os pobres podiam empenhar os seus bens por um preço justo e com juros mínimos, ao contrário do que faziam os usuários privados.
     Permanecia num lugar apenas o tempo suficiente para construir um convento novo ou, num já existente, restabelecer a observância genuína da Regra da Ordem Franciscana.
Depois, partia em busca de novo desafio ou para cumprir uma das delicadas missões em favor da Igreja, para as quais era enviado especialmente, como fizeram os papas Eugênio IV, Nicolau V e Calisto III. Participou na incursão da cruzada de 1437 para expulsar os invasores turcos muçulmanos.
No dia 28 de novembro de 1476, com 85 anos de idade, faleceu em Nápoles, onde se conservam os seus restos mortais (corpo incorrupto) na igreja de Santa Maria Nova.    
  

Corpo incorrupto de São Tiago das Marcas



Corpo de São Tiago das Marcas em bom
estado de conservação. 
    


Apaixonado pelo estudo, Tiago das Marcas traduziu muitas obras e compôs algumas de sua autoria, as quais nos permitem ter um conhecimento profundo da sua vida, da sua espiritualidade e da sua ação apostólica.
A sua biografia mostra muitos relatos dos prodígios operados por sua intercessão, tanto em vida quanto após a morte. O papa Bento XIII canonizou Tiago das Marcas em 1726 e marcou o dia de sua morte para a celebração de sua lembrança.

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