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sábado, 2 de novembro de 2013

Comemoração de Todos os Fiéis Defuntos, ou, Dia de Finados.


Benditas almas do Purgatório, rogai por nós! Prometemos também
sufragar-lhes com nossas orações e sacrifícios. 


    Hoje, a Igreja no mundo inteiro comemora a memória de todos os fiéis defuntos. 
    É uma data muito bonita, apesar da tristeza e grande saudade que envolve a muitos. Nós cristãos cremos na vida eterna. Cremos que há um Céu, onde mora Deus e todos aqueles que morreram em sua amizade: os santos e todas as almas bem aventuradas. Também cremos que existe um lugar de purificação das penas temporais, o Purgatório. 
  A existência do Purgatório é certa. Mesmo não utilizando esse nome (a denominação veio depois), os Apóstolos e Evangelistas sempre creram que existe um lugar onde se expiam os pecados veniais, isto é, os não graves, bem como as penas dos pecados graves devidamente confessados e não devidamente reparados nesta vida. São Mateus (conf. em Mateus 5, 25-26; 12, 32) e São Lucas (Lucas 12, 58 - 59) foram muito claros nisso. Recomendo que cada um pegue a sua Bíblia e leia atentamente os textos acima referidos. Só não entende quem não quiser. A existência do Purgatório, como foi revelação divina presente nos Evangelhos, é um DOGMA DE FÉ CATÓLICO. 
      São Paulo também, em uma de suas cartas (conf. em I Coríntios 5, 5), ao condenar publicamente o pecado de um certo homem que na comunidade de Corinto vivia maritalmente com a própria madrasta, diz que entregará esse dito cujo homem a Satanás, para mortificação de seu corpo (uma doença, talvez), a fim de que a sua alma seja salva no dia do Senhor Jesus (o Juízo Final). Portanto, ele dá claramente a entender que existe um lugar de expiação onde essa alma ficará até esse dia. Apesar de longa, é uma pena temporária, não é eterna. Trata-se do Purgatório. 
   No que consistem as penas no Purgatório? Consistem em um enorme e intenso arrependimento, fruto de um imenso amor e gratidão a Deus. O "fogo" do Purgatório é um "fogo" de amor purificante. É a dor por se ter sido ingrato, infiel, inconstante, tíbio e fraco diante do incompreensível Amor de Deus.
    São João da Cruz, o grande doutor místico, um dia disse que "no entardecer de nossa vida, seremos julgados pelo amor". Isso é verdade. Uma verdade bonita e dura ao mesmo tempo. O que nos acontecerá quando formos julgados um dia por um Juiz perfeitíssimo, justíssimo e amorosíssimo?  Nele, veremos toda a nossa realidade, com toda a clareza, com uma terrível clareza. A cegueira que agora nos turva a razão e o pensamento não existirá mais. Veremos claramente, na presença de Deus, o quanto somos injustos, fracos, infiéis, ingratos, inconstantes, impuros, orgulhosos e egoístas. O menor pecado, a menor imperfeição ainda presente em nossa alma nos causará profundíssimo horror e dor. Não suportaremos estarmos na presença daquele Senhor e Deus que é perfeitíssimo e que é puro Amor.  
     Não é Deus quem nos condenará. Nós mesmos, diante de nossa miséria, que estipularemos a nossa própria pena e o quanto teremos que lamentar, chorar e sofrer por não termos sido santos como Deus quereria que tivéssemos sido. Nisso consiste o Purgatório. Na terra também não é assim? Quando alguém verdadeiramente se arrepende de um crime, ele não se entrega espontaneamente à polícia, assume o mal que fez e não se conforma com a pena que lhe cabe? As almas do Purgatório, do mesmo jeito, e, de modo ainda mais intenso, pois, conhecem plenamente qual era a vontade de Deus para as suas vidas, o amam e desejam ardentemente reparar o mal que praticaram, mesmo o mais pequenino. 
    O "fogo" do Inferno é completamente diferente. É um "fogo" fruto do ódio, do despeito, da inveja, do rancor, do medo, do terror e do desespero que arde e arderá constantemente nas almas dos condenados, para sempre, sem o menor alívio ou fim, isto é, eternamente. O inferno é a total ausência de Deus. É a total ausência do Amor e do que ele traz consigo. Lá não há paz, não há alívio. As penas são eternas e isso é desesperador. Daí ser um "fogo" terrível. Terrível! Não há como comparar o Inferno com o Purgatório. 
   As penas do Purgatório são temporais. Elas passam. As almas que lá estão já estão salvas. Irão um dia todas para o Céu. A medida que se purificam, ficam cada vez mais próximas de Deus e o sofrimento vai diminuindo paulatinamente. O Purgatório não é eterno. No final dos tempos, no dia do Juízo Final, não existirá mais o Purgatório, apenas Céu e Inferno.

  As almas do Purgatório, apesar do imenso sofrimento que lá padecem, ao mesmo tempo estão felizes pois sabem que um dia verão a Deus face a face. Amam a Deus imensamente e "ardem" de amor por Ele! O fogo do Purgatório é um fogo "purificante", assim como, em nosso mundo material, o fogo muitas vezes é usado para purificar e para esterilizar. O ouro, por exemplo, quando é retirado da natureza, vem todo sujo e misturado com pedras e outros metais. Colocado no fogo ele derrete e, separando-se da impureza, cai puro na forma, tornando-se uma barra de ouro puríssimo. 
    Mas, mesmo estando pagando o que é justo, a misericórdia divina deseja alcançá-las. Deus deseja libertá-las o quanto antes, pois, as ama infinitamente. No entanto, por elas mesmas, as almas do Purgatório nada podem fazer. Elas acham plenamente justas as penas que estão sofrendo. Como já disse, não foi Deus quem as condenou. Elas mesmas foram para o Purgatório livremente, plenamente cônscias dos pecados que cometeram e do quanto necessitam expiar para um dia ir ao Céu. No entanto, NÓS PODEMOS SOCORRÊ-LAS! 

    Nós cristãos católicos (cito os católicos, pois nós cremos no Purgatório) podemos socorrer essas almas. Podemos oferecer os méritos de nossas preces, orações, terços, rosários, vias sacras, Santas Missas, comunhões, esmolas e outras boas obras para sufragá-las. Nós podemos ser os "bons samaritanos" dessas almas. Elas gritam por nosso socorro! Elas imploram a nossa ajuda! Interessante que, na terra, costumamos visitar nossos parentes que aniversariam ou que estão enfermos, mas, como rapidamente esquecemos deles após a sua morte... Quantos deles estão neste momento gritando por nós, pedindo que rezemos por eles para que saiam do Purgatório e nós os esquecemos... É uma grande pena e lástima. 
    Por que podemos rezar por eles e sufragar-lhes as penas? Por causa do DOGMA DA COMUNHÃO DOS SANTOS. Os méritos e preces da Igreja Triunfante (os santos e santas do Céu), bem como as da Igreja Militante ou Peregrina (a Igreja) podem socorrer as almas da Igreja Padecente (as almas do Purgatório). A mesma caridade de Cristo permeia as Três Igrejas citadas. Deus derrama seu amor e misericórdia sobre as almas do Purgatório amenizando seus sofrimentos, abreviando ou até mesmo anulando o tempo que deviam, graças às preces e méritos da Igreja Triunfante e da Igreja Militante. 
    Aproveitemos este dia de graça: o Dia de Finados! Visitemos os cemitérios, façamos uma boa confissão, assistamos à Santa Missa (meio mais poderoso de sufragarmos as almas) e ofereçamos a Deus o mérito de tudo isso para que nossos parentes, amigos, conhecidos, bem como as almas pelas quais ninguém reza ou lembra, alcancem o quanto antes a libertação de suas penas e possam voar para o Paraíso, onde Deus as espera ansiosamente! Não apenas neste dia, mas, todos os dias, elevemos ao Céu nossas preces por nossos entes queridos e por todas as benditas almas que padecem no Purgatório. É um gesto de grande caridade e que não ficará sem recompensa na outra vida, com certeza. 
Amém! Amém! Amém! 


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