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sábado, 30 de novembro de 2013

Serva de Deus Marthe Robin, Virgem e Mística (uma das maiores místicas do Século XX)



Marthe Robin nasceu em 13 de março de 1902, em Chateauneuf-de-Galaure, aldeia rural do departamento da Drôme. Os pais tinham uma casa modesta, cerca de 13 hectares de terra que exigiam um rude trabalho para sustentar a família numerosa. Marthe não gostava muito de  apascentar as cabras, mas ela está sempre pronta a fazer seu trabalho: Ela dizia: "Toda minha vida eu obedeci". Em 1903, a família foi atingida por uma epidemia de febre tifóide. Entre as crianças, morreu Clémence, a antepenúltima filha, enquanto Marthe ficaria debilitada. Aos seis anos, Marthe começa a freqüentar a escola, ela ia a pé com seus irmãos e vizinhos. Ela ia rezando seu terço,  no caminho. Sua saúde frágil não lhe permitiria completar a escola primária. 
    Marthe fez sua primeira comunhão em 15 de agosto de 1912: “Creio que minha primeira comunhão foi uma tomada de posse de Nosso Senhor. Creio que Ele já se apoderou de mim naquele momento.” E Marthe diz com toda a simplicidade: “O coração de Jesus bateu em meu coração”.




   Em 1918, ela manifesta os primeiros efeitos da doença que nunca mais a deixará: uma encefalite. Seguiram-se visitas a muitos médicos, terapia de banhos resinosos, enquanto Marthe costura e borda para comprar os medicamentos prescritos. Em 1928, durante uma Missão Paroquial em Châteauneuf, ela compreende, por uma graça de Deus, que é na doença, e pelo sofrimento desde então aceito e oferecido a Deus, que ela poderá unir-se ao Coração de Jesus em sua Cruz. Aprofunda-se sua vida de silêncio e de união com Jesus em sua Paixão. Em 1929, Marthe está tetraplégica e com as vias digestivas inteiramente paralisadas. Por mais de 50 anos, até sua morte, ficará sem nenhum alimento sólido ou líquido, sem deglutição sequer para beber água. Seu único alimento será a comunhão das quartas-feiras, quando a hóstia “escapa” das mãos do sacerdote para desaparecer em sua boca.

    Um dos  biógrafos de Marthe Robin, o teólogo dominicano e expert do  Vaticano II, Pe. Manteau Bonamy- que acompanhou o processo de beatificação de Marthe Robin, assim escreve: “Marthe vivia exclusivamente da Eucaristia pela comunhão com o Corpo de Cristo que ela recebia habitualmente uma vez por semana, às quartas-feiras. Era sempre um tempo de consolação e até de alegria, apesar dos sofrimentos que não a deixavam nunca: “Ó Jesus, sois vós! À vossa entrada em meu pequeno quarto, sou toda inundada de celestes alegrias! Ó Jesus, não sou digna de que venhais a mim!”.

Vítima do Amor, como Teresinha

 Em 1925, ano de canonização da carmelita Teresa do Menino Jesus e da Sagrada Face, Marthe conheceu a vida da nova santa e, a exemplo dela, fez um “ato de abandono”, que ela datou de 15 de outubro, dia da festa de Santa Teresa de Ávila, a restauradora do Carmelo. Em 3 de outubro de 1926, primeira festa litúrgica de Teresa de Lisieux, Marthe estava a ponto de morrer. Foi quando interveio a pequena Teresa, narra Manteau-Bonamy, visitando-a em três diferentes ocasiões. Teresinha disse que Marthe seria a continuadora de sua missão aqui na terra, prolongando-a por meio do oferecimento de sua vida em sacrifício a Deus.

 “Você quer ser como Eu"?

Na sexta-feira seguinte à primeira  semana de outubro de 1930, Marthe começa a viver semanalmente a Paixão de Cristo em sua própria pessoa. Jesus lhe diz:  “De agora em diante, eu te chamarei minha  pequena crucificada de amor.”
    Em outubro de 1930, numa sexta feira, Marthe começa a viver semanalmente a Paixão de Jesus: "Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?" Os médicos puderam constatar que ela entrava em um estado de morte aparente.


Pe. Georges Finet, co-fundador dos Foyers de Charité e diretor espiritual de Marthe, observou que ela entrava em sua paixão semanal com intenções bem determinadas de preces e sofrimentos a serem oferecidos por tais e tais pessoas. E permanecia naquela morte aparente, com abundante perda de sangue, além dos sinais dos espinhos na fronte, por longos momentos que, no final de sua vida, estendiam-se até a tarde das segundas-feiras. 


                         “Eis a Serva do Senhor"
    Aos 16 anos, Marthe fica gravemente  doente por 27 meses,  fica presa ao leito sem poder fazer nada além de gemer e dormir. Sua irmã Alice divide o quarto com ela e revelou que certo dia, viu um brilho misterioso, como uma luz. Marthe lhe disse ao ser questionada: "Sim, a luz é bela... Eu vi a Santa Virgem".
 Marthe confia um grande segredo a Santa Virgem: Ela deseja ser carmelita como a pequena Teresa do Menino Jesus que é sua “amiga do coração". Marthe deseja estar mais e mais próxima a Jesus e Maria.
Numa tarde, a Santa Virgem pede que Marthe doe por amor a Jesus, seus braços e suas mãos. Marthe gostava muito de bordar e ainda deixa seu dedal no dedo ainda por oito dias, depois diz a sua mãe: “Você sabe, você pode guardar o meu dedal agora!" Nada mais resta a Marthe além das orações e das visitas.  "Maria, ó minha  Mãe querida, dai-me vós mesma a Jesus, oferecei vós mesma a Deus esta pequena hóstia”
Os grandes filósofos, mariólogos que visitavam Marthe, ficavam impressionados com o conhecimento de Marthe sobre a Virgem decorrente não de estudos, mas devido a convivência,  a intimidade com Ela.
Quando pequena, Marthe dizia: "Eu rezo, mas acima de tudo eu falo" é dentro desta relação com Maria, no seu abandono entre suas mãos que Marthe Robin buscou a  força e  a paciência  que necessitava.

A Santa Virgem está sempre acompanhando Marthe, chega mesmo a cuidar dela. Marthe convive com Maria a quem chama "Mamãe querida"... Marthe Robin morreu sozinha em seu pequeno quarto, em 6 de fevereiro de 1981, próxima de completar 79 anos.

A seus funerais compareceram 6 bispos, 250 sacerdotes e cerca de 7000 fiéis, demonstrando a enorme irradiação de uma vida vivida no silêncio de uma câmara escura.

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

29 de Novembro: Beatos Dionísio da Natividade e Redento da Cruz, Protomártires da Ordem Carmelita Descalça.


Os carmelitas descalços, Dionísio e Redento, encontraram-se no ano de 1635, no Convento do Carmo, em Goa. Sem antes se conhecerem, aqui se juntaram para virem a ser os primeiros mártires da família fundada por Santa Teresa de Jesus e São João da Cruz.

O Beato Redento da Cruz é português, natural de Cunha, Paredes de Coura, Viana do Castelo. Aqui nasceu em 1598. O seu nome de batismo foi Tomás Rodrigues da Cunha. Cresceu embalado por sonhos dourados de guerreiro e de glória.
Muito jovem ainda dirigiu-se a Lisboa, onde embarcou para a Índia, vindo a ser nomeado capitão pela sua valentia nas batalhas em que tomou parte. Não só devido à sua valentia, mas também à destreza e ao seu espírito afável e temperamento comunicativo e alegre, conquistava as simpatias de quantos o conheciam.
Na cidade de Tatá, no reino de Sinde, conheceu os carmelitas descalços que aí tinham uma comunidade. Depressa se sentiu atraído peio estilo de vida destes homens que, seguindo os passos de santa Teresa de Jesus e são João da Cruz, viviam uma santidade alegre e comunicativa.
A princípio, o prior do convento escusou-se a admitir o capitão da guarda de Meliapor pensando que ele não era para aquele gênero de vida. Mas Tomás Rodrigues da Cunha tanto insistiu que o prior acedeu ao seu pedido deixando-o tomar hábito e iniciar o noviciado. Tomás deixou tudo: a carreira militar, a posição social, a glória e até o nome vindo a chamar-se, desde então, Frei Redento da Cruz.
No ano de 1620, foi fundado o nosso convento do Carmo de Goa, para onde foi enviado Frei Redento, depois de também ter sido frade conventual no convento de Diu. Frei Redento cativava com a sua simpatia e era estimado por todos por ser alegre, simpático e com um grande sentido de humor. Em Goa, deram-lhe o ofício de porteiro e sacristão.

No ano de 1600, em França, nasceu Pedro Berthelot. Também este jovem se inclinou para o mar fazendo-se marinheiro apenas com 12 anos de idade. Em 1619, também ele embarca para a Índia, onde trabalhou para a armada francesa e holandesa, ao serviço de quem se tornou célebre, ascendendo a piloto de caravela. Finalmente colocou-se ao serviço dos portugueses que o nomearam Piloto-mor e Cosmógrafo das Índias. Deixou-se contagiar pelo testemunho do carmelita, Frei Filipe da Santíssima Trindade e decidiu, como ele, fazer-se carmelita. Todos os dias visitava a igreja do Carmo e um dia decidiu tomar hábito. Era a véspera do Natal e recebeu o nome de Frei Dionísio da Natividade.
Em 1636, os holandeses atacaram Goa. O Vice-rei das índias escreve ao Prior do Carmo pedindo-lhe licença para o noviço Frei Dionísio comandar as operações. O que aconteceu. O Piloto-mor e Cosmógrafo das Índias, agora vestido de hábito castanho e capa branca e calçando sandálias, conduziu a esquadra portuguesa à vitória. Em 1638, foi ordenado sacerdote.
O Irmão Redento da Cruz continuava o seu ofício de porteiro do convento do Carmo de Goa, enquanto Frei Dionísio se preparava para o sacerdócio. Todos conheciam o porteiro do Carmo e todos o tinham por santo. Não perdia ocasião de a todos edificar oferecendo fios, que arrancava do seu hábito, às pessoas suas amigas, dizendo-lhes que eram relíquias de santo. As pessoas riam-se com Frei Redento, mas ele apenas dizia: “agora se riem, mas, esperem um pouco e haveis de ter pena de não ter mais relíquias minhas”. Deus segredava-lhe ao coração que um dia seria santo.

Em 1638, novamente foi solicitado ao Prior dos carmelitas que autorizasse Frei Dionísio a comandar uma nova expedição. Concertadas as coisas, Frei Dionísio escolheu e pediu por companheiro a Frei Redento da Cruz que, ao despedir-se da comunidade, disse sereno e de bom humor: “se eu for martirizado pintem-me com os pés bem de fora do hábito, para que vendo as sandálias todos saibam que sou carmelita descalço”. As pessoas e benfeitores do convento tentaram impedir por todos os meios a saída do santo porteiro do Carmo temendo o seu martírio. Finalmente, como último recurso, colocaram-lhe drogas na comida para o adormecerem, mas estas não surtiram efeito. Seguidamente embarcou o santo exclamando: “vamo-nos que tenho de ser mártir”.

De fato, traídos pelo rei de Achem, a armada portuguesa foi surpreendida e detida. Forçaram-nos a renegar a fé, mas, não conseguiram tal traição a Cristo de nenhum dos 60 prisioneiros. Decidiram o seu martírio. Muitos dos sessenta prisioneiros eram rapazes jovens. Havia também um sacerdote indiano que recusou a liberdade. Frei Redento foi o primeiro a ser martirizado, encorajando os companheiros de martírio; Frei Dionísio, o último para a todos confortar. Era o dia 29 de Novembro de 1638. Quando em Goa se soube do acontecimento, repicaram os sinos na igreja do Carmo como em dia de grande festa e cantaram um Te Deum em ação de graças.


Dionísio da Natividade e Redento da Cruz, Protomártires da OCD



Oração:

Senhor, nosso Deus, que concedestes aos mártires Dionísio da Natividade e Redento da Cruz a honra e a graça de dar a vida pelo nome de Cristo, infundi em nós a vossa força, pois, somos fracos, e a exemplo daqueles que morreram corajosamente por vosso amor, fazei que saibamos mantermo-nos fortes e fiéis para dar testemunho do vosso amor com a nossa vida.



Bem-Aventurados Mártires Dionísio e Redento, rogai por nós! 




quinta-feira, 28 de novembro de 2013

SÃO TIAGO DAS MARCAS, Presbítero Franciscano.


São Tiago das Marcas, presbítero e
missionário franciscano
São Tiago das Marcas é com João de Capistrano, Bernardino de Sena e Alberto de Sarteano, uma das quatro colunas da Observância Franciscana, a singular reforma do século XV, que propôs novamente, frente a um humanismo exagerado, o retorno à vida pobre, simples e ao zelo apostólico dos primeiros tempos do franciscanismo.
Natural de Monteprandone, na província de Ascoli Piceni, região das Marcas, na Itália, São Tiago nasceu no dia 1º de setembro de 1391. Seu nome de batismo era Domingos Gangali e, ainda pequeno e órfão, foi educado pelo tio, que o conduziu sabiamente no seguimento de Cristo. Estudou em Perugia, onde se diplomou em direito civil junto com o grande São João de Capistrano.
Decidiu deixar a profissão para ingressar na Ordem dos Franciscanos, onde estudou teologia e ordenou-se sacerdote. Quando vestiu o hábito, tomou o nome de Tiago, que logo foi completado com o “das Marcas”, em razão de sua origem. Foi discípulo de outro santo e seu contemporâneo da Ordem, Bernardino de Sena, que se destacava como o maior pregador daquela época, tal qual conhecemos.
Era tão propenso à mortificação, que o seu mestre de teologia e de vida espiritual, São Bernardino de Sena, teve de lhe recomendar certa moderação. Dotado de excepcionais dotes oratórios, uma vez ordenado sacerdote percorreu a Itália e grande parte da Europa a pregar a fiéis, hereges e infiéis, com abundantes frutos de conversão e reforma de costumes.
Ele era magro e só dormia três horas por noite e usava um hábito feito de pano grosso. Ele jejuava dia sim, dia não.
Viveu em extrema penitência e oração, oferecendo seu sacrifício a Deus para o bem da humanidade sempre tão necessitada de misericórdia. Levava uma vida de rigor e austeridade. O seu zelo pela castidade levava-o a disciplinar-se (flagelar-se) por vezes de noite, ao ser atormentado por tentações carnais.
Durante o ano fazia nada menos de sete quaresmas e, nos outros dias, a alimentação limitava-se a pequenas e pobres rações, como uma malga de favas simplesmente cozidas em água. Mas os severos e frequentes jejuns a que se submetia minaram seu organismo, chegando a receber o sacramento da unção dos enfermos seis vezes. Mesmo assim, chegou à idade de oitenta e cinco anos na fatigante vida de pregador volante.
Dizia que o Espírito Santo o inspirava a grandes sermões com grande poder e ferocidade e com sucesso incrível, mesmo com o estômago vazio. E era verdade. Em Camerino, certa vez seu discurso quase fez com que a plateia queimasse seu adversário. Em Áquila, 40 mil pessoas aguardavam ele descer do púlpito para dar o que seria hoje uma espécie de autógrafo. Queriam que ele escrevesse o nome de Jesus em um pedaço de pergaminho.
Para conseguir satisfazer a demanda, os frades do convento produziam milhares desses pergaminhos e Tiago colocava sua mão neles abençoando a todos os pergaminhos. Diz a tradição que sua benção curava várias doenças.
No final o papa proibiu que ele se excedesse no jejum porque sua saúde era de interesse público. O bom senso do Papa Sixto IV foi notável para a época ao recomendar ao santo que cuidasse de sua saúde.
    Recusou a oferta do arcebispado de Milão e foi conselheiro de papas e imperadores. Esteve ao serviço da santa Sé em numerosas missões, e sucedeu a São João de Capistrano como guia espiritual da cruzada contra os turcos.
São Tiago das Marcas consagrou toda a sua vida à pregação. Era um pregador de raras qualidades. Percorreu toda a Itália, a Polônia, a Boêmia, a Bósnia e depois foi para a Hungria, obedecendo a uma ordem direta de Roma. Era tão obediente ao que o a Santa Sé lhe ordenava que um dia, estando o santo em meio a uma refeição, lhe chegou às mãos a ordem papal de partir para a Hungria. Levantou-se imediatamente, sem acabar de comer, para cumprir a ordem recebida.
Os temas de sua pregação eram idênticos aos de São Bernardino, cauterizando em especial a avareza e a usura. Para combater esta praga social idealizou os Montes de Piedade ou Montepios, onde os pobres podiam empenhar os seus bens por um preço justo e com juros mínimos, ao contrário do que faziam os usuários privados.
     Permanecia num lugar apenas o tempo suficiente para construir um convento novo ou, num já existente, restabelecer a observância genuína da Regra da Ordem Franciscana.
Depois, partia em busca de novo desafio ou para cumprir uma das delicadas missões em favor da Igreja, para as quais era enviado especialmente, como fizeram os papas Eugênio IV, Nicolau V e Calisto III. Participou na incursão da cruzada de 1437 para expulsar os invasores turcos muçulmanos.
No dia 28 de novembro de 1476, com 85 anos de idade, faleceu em Nápoles, onde se conservam os seus restos mortais (corpo incorrupto) na igreja de Santa Maria Nova.    
  

Corpo incorrupto de São Tiago das Marcas



Corpo de São Tiago das Marcas em bom
estado de conservação. 
    


Apaixonado pelo estudo, Tiago das Marcas traduziu muitas obras e compôs algumas de sua autoria, as quais nos permitem ter um conhecimento profundo da sua vida, da sua espiritualidade e da sua ação apostólica.
A sua biografia mostra muitos relatos dos prodígios operados por sua intercessão, tanto em vida quanto após a morte. O papa Bento XIII canonizou Tiago das Marcas em 1726 e marcou o dia de sua morte para a celebração de sua lembrança.

Beato Isidoro de Loor, Irmão Passionista (o "Irmão Bom").


Escudo dos Passionistas

    Os leitores do blog "Santos, Beatos, Veneráveis e Servos de Deus notarão que eu tenho um especial carinho pela Congregação da Paixão de Jesus Cristo, ou, simplesmente, Passionistas. 


    Esta congregação, fundada por são Paulo da Cruz em 1720, tem como carisma meditar a Paixão e Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo e divulgar pelo mundo a misericórdia e o amor divinos manifestados através dos sofrimentos redentores de Cristo Crucificado. 
    Os Passionistas comprometem-se, através de um voto especial, a promover a memória da Paixão de Cristo (memoria passionis), com a palavra e com a própria vida. Procuram fazê-lo, sobretudo, com a pregação junto dos pobres, doentes, sofredores e marginalizados por qualquer razão; enfim, junto de todos os "crucificados" da atualidade.

Nossa Senhora dos Passionistas
    Todos nós cristãos temos como dever meditar a Paixão e Morte de Jesus, não apenas durante a Quaresma ou Semana Santa, mas, diariamente. A crença e fé na Ressurreição gloriosa e vitoriosa de Cristo não exclui de forma alguma que pensemos, meditemos, choremos e adoremos os indizíveis sofrimentos pelos quais passou nosso Salvador e Redentor no Horto das Oliveiras, nos cárceres de Anás, Caifás e Pilatos, na "Via Crucis" e, principalmente, no Calvário. 
   Não podemos jamais nos esquecer do seguinte mistério de fé: Cristo, apesar de Vivo e Ressuscitado, glorioso no Céu, continua, ao mesmo tempo, a sofrer indizivelmente no Santo Sacrifício do Altar (Santa Missa), bem como em cada irmão seu e irmã sua que sofre (fome, sede, nudez, doenças, miséria, injustiças, perseguição, terrorismo, atentados, morte, assassinatos, guerras, etc.) 
    Meditar diariamente a Paixão de Cristo, não só nos dá força para abraçarmos nossa própria cruz, como também, repara o Sagrado Coração de Jesus pelas injúrias que ainda sofre e alcança, do Trono da Divindade, graças e bençãos para a humanidade sofredora. 
Bem, voltemos ao nosso querido beato Isidoro de Loor.

Beato Isidoro de Loor, Irmão Passionista 
 Os santos podem parecer todos iguais, porém, ao final, vemos que não existe um igual ao outro. Também Isidoro oferece sua vida ao Senhor em sacrifício e escreve aos seus: “Os deixei para viver somente para o Senhor e trabalhar muito pela salvação de minha alma, a de vocês e a de muitos outros”.

Se lhe pode definir como um “camponês santo”. Nasce em Vrasene (Bélgica) em oito de abril de 1881, de uma família de camponeses. É duplamente “afortunado”, primeiro, porque seus pais se distinguem pela piedade, a retidão moral e uma conduta irrepreensível. Em segundo lugar, porque “a agricultura foi criada pelo Altíssimo” (Ecle 7,15) e o trabalho dos campos é agradável a Deus. Também no convento dedicará com paixão ao trabalho do campo e escreverá: “trabalhar e plantar na horta me faz maravilhosamente bem”
É um jovem robusto, ativo e social; ajuda à família trabalhando no campo e, no inverno, como operário da empresa de pavimentação das ruas; canta no coro da paróquia e também é catequista. Participa assiduamente da vida da paróquia, se inscreve na “Pia União Da Via Sacra Semanal” e ama meditar a Paixão de Jesus. Por esse tempo vai amadurecendo a ideia de ser religioso. Um sacerdote redentorista o encaminha até os passionistas por causa de seu amor a Jesus Crucificado. Em abril de 1907, aos 26 anos de idade, entra no noviciado passionista de Ere como irmão religioso.
Sofre muito com a separação de sua família e padece um mal estar; ele, que fala flamenco, deve falar em francês, a língua oficial no convento. Em 08 de setembro de 1907, toma o hábito passionista e, um ano depois, em 13 de Setembro de 1908, emite a profissão religiosa.
Está feliz por sua vocação. Escreve a seus pais: “Aqui todos somos iguais, do superior ao menor; todos em uma mesma mesa, em uma mesma oração, em um mesmo repouso, em uma mesma recreação. Todos juntos trabalhamos, segundo a condição de cada um. Damo-nos um serviço recíproco”.

Sua vida não muda muito; habituado, desde sua família, a ser um apóstolo, continua a sê-lo também no convento. “Cumprindo tudo pela glória de Deus – escreve – colaboro na conversão dos pecadores e a difundir a devoção à Paixão de Jesus e as Dores de Maria. Enquanto os sacerdotes vão pregar, nós, os irmãos, trabalhamos para a comunidade; também o trabalho mais insignificante se converte em mérito para Deus e nossa salvação. Não anelo e nem desejo outra coisa que sacrificar-me inteiramente pela salvação das almas”.

Única foto do beato Isidoro de Loor. 
Humildade e paciência são suas virtudes. “O trabalho – diz em tom de brincadeira – me faz bem. Assim, quando vem o diabo e me encontra ocupado, se convence que não tem nada que esperar de mim... e não lhe resta mais do que ir embora”.
Sua vida é uma contínua busca da vontade de Deus; a respeito dela estende sua jornada e nela encontra paz e serenidade, em uma contínua ação de graças. Na véspera de fazer seus votos escreve: “Estou para fazer a minha profissão, unicamente para fazer a vontade de Deus”. O chamam “o irmão bom”, o “irmão da vontade de Deus” e “a encarnação da regra passionista”.
Vive uma rígida pobreza e escreve: “Não possuo muitas coisas; apenas tenho um crucifixo, uma navalha de barbear, um apontador e um lápis, porém, não sei como fazer-lhes compreender a grande alegria que me preenche vendo-me livre de tudo, para que meu coração ame senão a Jesus”.
Não lhe falta o sofrimento físico. Em junho de 1911, por causa de um câncer, lhe é extirpado o olho direito. Suporta tudo com grande força, tanto que o médico que o opera exclama: “Este homem deve ser um santo”. Ele escreve: “Me confessei e na comunhão ofereci a Deus meu olho pela expiação dos meus pecados, pelo bem espiritual e material de vocês e por todas outras, muitas outras intenções. Abandonei-me comodamente à vontade de Deus, sem entristecer-me”.
O mal continua seu curso. Padece câncer no intestino e o médico adverte ao superior as consequências fatais da enfermidade. O superior faz consciente a Isidoro, o qual acolhe a notícia com a habitual serenidade. Padece dolorosas operações. Exclama: “Devemos aceitar nossos sofrimentos em união com Jesus, que é para nós o modelo de abandono à vontade do Pai”.
Os familiares não podiam estar sempre com ele para assisti-lo, porque o impedem os alemães que haviam ocupado a Bélgica. Estamos em plena Primeira Guerra Mundial. Morre no dia 06 de Outubro de 1916, com 35 anos de idade e oito de vida religiosa.

Mausoléu com os restos mortais do Beato Isidoro de Loor. 

O humilde e silencioso irmão passionista se converterá em uma das figuras mais amadas e populares da Bélgica. O beato João Paulo II o proclamou bem-aventurado em 20 de setembro de 1984. 





Painel da beatificação do beato Isidoro de Loor.

        Beato Isidoro de São José (de Loor), rogai por nós! 

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Beata Caetana Sterni, Viúva e Fundadora.



Caetana Sterni viveu toda sua vida em Bassano del Grappa, antiga e alegre cidade da província de Vicenza (Itália). Ali chegou aos oito anos, com sua família, vindos de Cassola, onde nasceu em 26 de junho de 1827. Seu pai, João Batista Sterni, administrava as propriedades rurais da família Mora, nobres venezianos, em “Ca’Mora de Cassola”, onde vivia bem com sua esposa Joana Chiuppan e seus seis filhos. Em 1835 mudou-se com a família para Bassano.
     Algumas vicissitudes mudaram as condições de vida da família Sterni. A irmã mais velha de Caetana, Margarida, morreu aos 18 anos; depois de uma penosa enfermidade seu pai também faleceu, enquanto seu irmão Francisco deixou a família, que então passava por uma situação econômica crítica, em busca de uma carreira artística. Estes fatos marcaram a vida de Caetana, que crescia rapidamente, dividindo com a mãe os problemas de cada dia.
     É inteligente, se mostra sensível e madura, cheia de entusiasmo, “desejosa de amar e de ser amada”. Sua educação na fé é sólida e apoiada pelo exemplo de vida e pelos ensinamentos de sua mãe, na oração e frequência aos sacramentos. Em seu ambiente familiar adquiriu estima e apreço por sua viva personalidade e por sua delicada feminilidade. Estas qualidades humanas atraíram a atenção de um jovem empreendedor, viúvo e com três filhos, que quis tomá-la por esposa.
     Avaliando conscientemente a responsabilidade do matrimônio, Caetana, aos 16 anos, aceitou tornar-se esposa de Liberale Conte. A jovem esposa enche de vitalidade, serenidade e alegria o novo lar. A felicidade dos esposos se completa quando Caetana espera um filho.
     Um dia, estando em oração, Caetana teve o pressentimento do iminente falecimento de seu esposo. Seu espírito se turbou e angustiada via desaparecer a pessoa mais querida de sua vida. Ao mesmo tempo, sente no mais íntimo de sua alma a presença de uma força espiritual que a fortalece para não cair no desespero, mas antes abandonar-se completamente em Deus.
     O pressentimento se realizou e Liberale Conte morreu na plenitude de sua juventude, vigor e saúde. A jovem esposa vive momentos de terrível angústia não apenas pela morte de seu esposo, como também pela dor de seus filhos, mais uma vez órfãos (os filhos do primeiro casamento de seu marido), e pela morte prematura de seu próprio filho, que não chegou a conhecer o pai. Estes momentos difíceis de sua vida ela os vive com confiança e completo abandono no Senhor, sua única esperança e fortaleza.
     Começa para Caetana a dolorosa prova da viuvez. A família de seu esposo, não levando em conta o afeto que a une aos três filhos órfãos, atormenta-a com suspeitas, incompreensões e calúnias, até separá-la de seus filhos e afastá-la de seu lar. Aos 19 anos Caetana retorna a casa de sua mãe. Esquecendo-se de si em meio à tão dura prova, Caetana ajuda seus filhos a compreenderem e a aceitarem a separação.
     Amável e segura, defende os direitos de seus filhos, perdoa, compreende e alcança a plena reconciliação com todos seus familiares. O sofrimento não a desespera. Sua fina e delicada sensibilidade se faz presença misericordiosa e solidária.
     Jamais havia pensado em tornar-se religiosa. No silêncio da oração pede a Deus que a faça conhecer qual é o esposo que Ele quer para ela. Precisamente na oração compreende com claridade meridiana que é Deus mesmo quem quer “ser o único esposo de sua alma”. Foi grande a sua surpresa. O confessor lhe assegura que se trata de uma autêntica chamada de Deus.
     Caetana pede então para ingressar no convento das Canossianas de Bassano, sendo aceita como postulante, mas permanece ali somente por cinco meses. Estando em oração, pressente o falecimento de sua mãe e se prepara espiritualmente para esta nova prova. Poucos dias depois, sua mãe morre e Caetana teve que deixar a querida comunidade para cuidar e velar por seus irmãos menores.
     Seguem-se anos em que ela enfrenta dificuldades, enfermidades, dissabores e apertos econômicos.
     Consultando novamente seu confessor, e em constante oração para conhecer qual a vontade de Deus a seu respeito, Caetana começa a entrever que Deus a quer totalmente dedicada ao serviço dos pobres e necessitados.
     Ela se recorda que durante sua breve permanência com as Canossianas, ao mesmo tempo em que pressentia a morte de sua mãe, começava a intuir que Deus mesmo a estava preparando para o asilo para ali “entregar toda sua vida ao serviço dos pobres e assim cumprir sua vontade”.
     Por muito tempo conservou oculto este chamado de Deus, que não se atreve manifestar ao confessor, porque lhe parece um chamado estranho e exigente. Finalmente, quando se abre com seu confessor, este não lhe dá muita credibilidade. Apesar da atitude do confessor, cada vez que vê e encontra um pobre do asilo, sente de novo o convite do Senhor: “Te quero entre meus pobrezinhos”.
     Em 1853, “só para fazer a vontade de Deus”, se colocou a serviço dos pobres no asilo da cidade, que tinha então 115 hóspedes, “na sua maioria vítimas de uma vida desordenada e do vício”. Ali permaneceu por 36 anos, até o dia de sua morte, completamente dedicada, com infatigável caridade.
     Caetana era toda abnegação, doçura, suavidade e ternura quer nas noites de vigília junto ao leito dos moribundos, quer nos serviços mais humildes aos anciãos e doentes, com a firme convicção de servir a Deus mesmo em cada pobre e em cada necessitado. Com grande confiança em Deus e com um grande desejo de ser toda dEle, buscou fazer e cumprir em tudo somente sua vontade.
     Aos 33 anos, e com a aprovação de seu confessor, Padre Simonetti, fez o voto de doação total de si mesma a Deus, “disposta a aceitar o que Deus queira dispor para ela”. Com ilimitada confiança se abandona nas mãos de Deus, “débil instrumento do qual Deus se serve para seus desígnios”. Atribui só a Divina Providência o nascimento de sua congregação que surge na simplicidade e no ocultamento, com a profissão de suas duas primeiras companheiras em 1865.


O nome “Filhas da Divina Vontade”, interiormente inspirado a Caetana, para ela e para suas seguidoras indica a característica própria que sempre as deve distinguir: “conformidade em tudo com a Divina Vontade, mediante um total abandono em Deus e um santo zelo pelo bem do próximo, dispostas se for necessário a sacrificar-se totalmente”. Como ela, suas primeiras companheiras, animadas pelo mesmo espírito, se consagraram a Vontade de Deus e se dedicaram ao serviço dos pobres do asilo, ao próximo necessitado, especialmente com a assistência aos doentes a domicílio e com outras obras de caridade, segundo as necessidades particulares do momento.
     O Bispo de Vicenza aprovou as primeiras Regras da congregação em 1875.
     Caetana faleceu no dia 26 de novembro de 1889, aos 62 anos, amorosamente assistida por suas filhas e venerada por seus concidadãos. Seus restos mortais são venerados na Casa Mãe.
     A Congregação das Filhas da Divina Vontade se multiplicou e difundiu, sendo presente atualmente na Europa, América e África.
     O caminho de santidade da Beata Caetana Sterni é essencialmente um itinerário espiritual que se pode e deve propor a todo cristão: cumprir em tudo e sempre o que agrada a Nosso Senhor, entregando-se a Ele com ilimitada confiança, seguindo o exemplo de Jesus.

     Caetana Sterni foi beatificada em 4 de novembro de 2001 por S.S. João Paulo II.

Beato Pedro Donders, presbítero e missionário redentorista.



 Beato Pedro Donders

Pedro Donders nasceu em Tilburg, Holanda, dia 27 de outubro de 1809, filho de Arnold Denis Donders e Petronella van den Brekel. Devido à pobreza da família, os dois filhos pouco puderam estudar, mas tiveram de trabalhar para o sustento da casa. No entanto, desde tenra idade Pedro tinha o desejo de se tornar sacerdote. Com o auxílio do clero da sua paróquia, aos vinte anos pôde começar os estudos no seminário menor. Posteriormente foi ordenado sacerdote dia 5 de junho de 1841.

Enquanto ainda cursava os estudos teológicos, foi orientado pelos superiores do seminário para as missões da colônia holandesa do Suriname. Chegou a Paramaribo, capital da colônia, a 16 de setembro de 1842 e dedicou-se imediatamente aos trabalhos pastorais que haveriam de ocupá-lo até a morte. Suas primeiras obrigações consistiram em visitas regulares às plantações ao longo dos rios da colônia, onde ele pregava e administrava os sacramentos, sobretudo aos escravos. As suas cartas exprimem a sua indignação com o áspero tratamento reservado aos africanos forçados ao trabalho nas plantações.

Em 1856 foi enviado à colônia dos leprosos de Batávia; e esta haveria de ser, com muito poucas interrupções, o cenário dos seus trabalhos para o resto da sua vida. Na sua caridade ele não apenas oferecia aos pacientes os benefícios da religião, mas cuidava deles pessoalmente, até que conseguiu persuadir as autoridades a providenciar serviços adequados de enfermagem. De muitos modos conseguiu ele melhorar as condições de vida dos leprosos através da sua energia em levar as necessidades deles ao conhecimento das autoridades da colônia. Quando em 1866 os Redentoristas chegaram para assumir a missão do Suriname, padre Donders e um sacerdote seu companheiro pediram admissão na Congregação.

Os dois candidatos fizeram o noviciado sob a direção do Vigário Apostólico, o bispo Dom João Batista Winkels, e professaram os votos dia 24 de junho de 1867. Pe. Donders voltou imediatamente para Batávia. Por causa da assistência que agora ele tinha no trabalho com os leprosos, pôde dedicar-se a uma obra que por longo tempo tinha querido fazer. Como Redentorista, ele agora voltaria sua atenção para os povos indígenas do Suriname. Prosseguiu esse serviço, antes negligenciado por falta de pessoal, quase até a morte. Começou a aprender as línguas dos nativos e a instrui-los na fé cristã, até que o declínio das suas forças o obrigou a deixar para outros o que tinha começado.


A caridade e dedicação do Beato Pedro Donders
abraçavam os mais pobres e marginalizados de sua
época: os índios, os escravos negros e os leprosos. 
Em 1883 o Vigário Apostólico, desejando aliviá-lo dos pesados encargos que tinha assumido por tanto tempo, transferiu-o para Paramaribo e depois para Coronie. No entanto, ele voltou para Batávia em 1885. Exerceu suas ocupações anteriores até que a saúde enfraquecida finalmente o prendeu ao leito em dezembro de 1886. Ainda viveu mais duas semanas até sua morte em 14 de janeiro de 1887, aos 77 anos. A fama da sua santidade espalhou-se no Suriname e na sua pátria, a Holanda. Sua causa foi introduzida em Roma e a 23 de maio de 1982 ele foi beatificado pelo Papa João Paulo II.



Beato Pedro Donders, presbítero e missionário entre os índios, escravos negros e leprosos, rogai por nós! 

Rara foto do Beato Pedro Donders, Missionário Redentorista.

Santo André Dung-Lac, Presbítero e 116 Companheiros, Mártires do Vietnam.


SANTO ANDRÉ DUNG-LAC E 116 COMPANHEIROS, MÁRTIRES DO VIETNAM

O cristianismo chegou ao Vietnam no final do século XVI, mas, foi continuamente contestado por governantes locais que, entre os séculos XVII e XIX, publicaram mais de 50 editais contra os cristãos, o que causou a morte de cerca de 130 mil fiéis.
Em qualquer caso, os núcleos familiares cristãos foram desmembrados e dispersados, famílias e parentes separados e deportados para regiões diferentes; os bens e propriedades eram confiscados. Os cristãos foram privados de qualquer vínculo religioso (não tinham mais igrejas, paróquias, escolas cristãs, etc.).
Em 1988, vários grupos de mártires vietnamitas que foram beatificados por papas anteriores, foram unificados em um único grupo e canonizados pelo beato Papa João Paulo II que também os declarou “Patronos do Vietnã”: são 08 bispos, 50 sacerdotes, 59 leigos (incluindo médicos, militares, muitos pais e uma mãe).
Para representa-los, o Missal Romano nomeia santo André Dung-Lac, primeiro, catequista e, depois, padre, que recebe uma devoção especial pelos católicos do Vietnã. De outro mártir, são Paulo Le-Bao-Tinh, o Missal informa hoje um pedaço de carta onde se lê: “No meio desses tormentos, que costumam aterrorizar os outros, pela graça de Deus, estou cheio de alegria, porque eu não estou sozinho, Cristo está comigo”.
A história do catolicismo no Vietnã começou no século XVI, com o padre Alexandre de Rhodes, um missionário francês, considerado o primeiro apóstolo desta jovem Igreja asiática, então dividida em três regiões distintas: Tonkin, Annam e Cochinchina.
Mas, a partir de 1645, quando o padre Rhodes foi expulso, houve a ocorrência das perseguições, alternando com períodos de paz, em que os missionários de várias congregações foram enviados às regiões do Vietnam, animando os fiéis e, especialmente, trabalhando para a formação do clero e de catequistas locais.
De 1645 a 1886, foram expedidos 53 editais contra os cristãos, resultando na morte de 113 mil fiéis. Durante o reinado de Minh-Manh (1821), a perseguição tornou-se implacável, condenando à morte aqueles que ousaram até mesmo esconder os cristãos. Outro rei (já citado acima) foi particularmente opositor do cristianismo: Tuc-Duc, que reinou entre 1847-1883. Profundamente avesso à política colonial francesa, odiava tudo que era europeu ou que provinha da Europa, não distinguindo política de religião. Estipulou que aqueles que colaborassem na captura de um missionário católico ganhariam 300 onças (8,5 quilos) de prata e que, ao ser capturado, depois de ser decapitado, deveria ter o corpo jogado no rio.
Os sacerdotes locais (vietnamitas) e os catequistas estrangeiros foram abatidos, enquanto os catequistas locais tinham impressos em seus rostos “à fogo” (marcados ferro em brasa) a palavra “Ta Dao”, que significa, “falsa religião”, sendo expostos ao desprezo público. Os simples fiéis cristãos poderiam salvar as suas vidas espezinhando uma cruz na frente do juiz.
Além disso, frente à firme fé dos cristãos, foi ordenado que os cristãos fossem dispersos, separando maridos de esposas e filhos de seus pais, exilando-os em regiões distantes e diferentes, entre os pagãos, confiscando todos os seus bens.
Através desta miríade de mártires , heróis da fé, a Igreja beatificou a alguns ao longo dos anos: 1900, pelo Papa Leão XIII, em 1906 e 1909, por São Pio X e 1951 pelo Papa Pio XII. Finalmente, em 19 de junho de 1988, o beato João Paulo II os proclamou santos. Foram 117 santos ao todo: 08 bispos, 50 sacerdotes e 59 leigos. Destes, 96 são vietnamitas, 11 espanhóis e 10 franceses. Entre os leigos há 16 catequistas, uma mãe, quatro médicos, seis soldados e muitos pais de família.
O “líder” (que deu o nome ao grupo) dos mártires é André Dung-Lac, primeiro, catequista, depois, sacerdote vietnamita. Ele nasceu de pais pagãos em 1795. Seus pais eram tão pobres que se desfizeram dele de boa vontade para vendê-lo a um catequista. Viveu na missão de Vinh-Tri, onde foi batizado, educado na fé, vindo a tornar-se um catequista. Continuou seus estudos teológicos e, em 15 de março de 1823, foi ordenado sacerdote e nomeado pároco em diversas áreas. Durante a perseguição perpetrada por Minh-Manh, foi preso várias vezes e resgatado dos mandarins pelos cristãos locais. Mesmo correndo perigo, exerceu o apostolado entre os fiéis e administrava os sacramentos. Preso novamente em 10 de novembro de 1839 pelo prefeito de Ke-Song, foi libertado mediante o pagamento de 200 moedas de prata coletadas entre os cristãos. Foi novamente preso em Hanói em 16 de novembro de 1839, submetido a interrogatórios extenuantes, convidado várias vezes para apostatar e pisar na cruz, mas, tendo permanecido firme em sua fé, foi sentenciado a ser decapitado, o que foi feito em 21 de dezembro de 1839. Foi colocado como “líder” do grupo no calendário litúrgico, devido à devoção e culto que goza em seu país, devido ao exemplo brilhante dado durante sua vida.
Os outros 116 mártires do Vietnam, cada um tem uma história edificante de seu martírio, realizado em diferentes lugares e épocas, mas, compartilham a mesma glória dos santos.
A festa litúrgica comum dos 117 mártires do Vietnam foi criada para o dia 24 de novembro, com memórias individuais para alguns deles, especialmente os pertencentes às congregações missionárias.

A seguir está uma lista dos Santos Mártires de acordo com as datas de martírio*:

1.    Gil De Francesco De Sans Federich , padre dominicano
2.    Mateus Alonso de Leciñana y Alonso, padre dominicano + 22 de janeiro de 1745
3.    Vicente Le Quang Liem , dominicano
4.    Jacinto Puchasóns Castañeda , padre dominicano 7 nov. 1773
5.    Emanuel Nguyen Van Trieu , sacerdote vietnamita (+ 17 setembro 1798).
6.    João Dat , sacerdote vietnamita + 28 de outubro de 1798
7.    Pedro Le Tuy , sacerdote vietnamita + 11 out 1833
8. Francisco Isidoro Gagelin , padre parisiense da Sociedade de Missões Estrangeiras + 17 out 1833
9.    Paulo Tong Viet Buong , leigo + 23 out 1833
10. André Tran Van Trong , leigo + 28 de novembro de 1835
11.José Marchand , padre parisiense da Sociedade de Missões Estrangeiras + 30 de novembro de 1835
12.        João Carlos Cornay , padre parisiense da Sociedade de Missões Estrangeiras + 20 set 1837
13.  Francisco Xavier Can , sacerdote vietnamita + 20 de novembro de 1837.
14.  Domingos Zafra Cubero de Henares , um padre dominicano e Vigário Apostólico de Tonkin.
15.  Francisco Do Minh Chieu , um leigo do Vicariato Apostólico de Tonkin Oriental e catequista + 25 de junho de 1838
16. Vicente Do Yen , um padre dominicano, mártir + 30 de junho de 1838
17.  José Dinh Nguyen Uyen , leigo, catequista e terciário dominicano + 04 de julho de 1838
18. Clemente Inácio Delgado Cebrian , um padre dominicano e Vigário Apostólico de Tonkin Oriental + 12 de julho de 1838
19.   PedroNguyen Ba Tuan , sacerdote vietnamita + 15 jul 1838
20.   Domingos Nguyen Van Hanh (Dieu) , um padre dominicano
21. Bernardo Vu Van Two , sacerdote vietnamita + 1 de agosto de 1838
22.  Tiago Su Mai Nam , um sacerdote do Vicariato Apostólico de West Tonkin
23.  Antônio Nguyen Dich , secular casado
24.   Miguel Nguyen Huy Meu , secular + 12 de agosto de 1838
25.    José Dang Dinh (Nien) Vien , padre + 21 de agosto de 1838
26.     Pedro Nguyen Van Tu , um padre dominicano
27.    José Hoang Luong Canh , um leigo do Vicariato Apostólico de Tonkin Oriental, catequista e dominicano Terciário + 05 de setembro de 1838
28. Francisco Jaccard , um sacerdote da Sociedade das Missões Estrangeiras de Paris
29. Tomé Tran Van Thien , um seminarista Vicariato Apostólico de Cochinchina + 21 de setembro de 1838
30.   Pedro Dumoulin Borie , um sacerdote da Sociedade das Missões Estrangeiras de Paris e vigário apostólico da Ocidental
31.     Pedro Dang Khoa Vo , sacerdote vietnamita. 
32.   Vicente Nguyen The Diem , sacerdote vietnamita + 24 nov 1838
33.    Paulo Nguyen Van Meu , catequista leigo
34.     Pedro Truong Van Duong , catequista leigo
35. Pedro Vu Van Truat , jovem e catequista leigo + 18 de dezembro de 1838.
36.    Domingos Tuoc , um padre dominicano + 2 de abril de 1839
37. Agostinho Phan Viet Huy , jazia do Vicariato Apostólico de Tonkin Eastern
38. Nicolau Bui Duc A , sacerdote vietnamita + 12 de junho, 1839
39.   Domingos Nicola Dinh Dat , um leigo do Vicariato Apostólico de Tonkin Oriental + 18 de julho de 1839
40.  Tomé Dinh Viet Du , um padre dominicano Dominic Nguyen Van Xuyen , um padre dominicano + 26 de novembro de 1839
41. Francisco Xavier Ha Trong Mau , um leigo do Vicariato Apostólico de Tonkin Oriental, catequista e um dominicano Terciário
42.  Domingos Bui Van Uy , um leigo do Vicariato Apostólico de Tonkin Oriental; catequista e um dominicano Terciário
43.  Agostinho Nguyen Van Moi , jazia do Vicariato Apostólico de Tonkin e Oriental Dominicana Terciária
44. Tomé Nguyen Van De , leigo Eastern Vicariato Apostólico de Tonkin e um dominicano Terciário
45.  Estevão Nguyen Van Vinh , um leigo do Vicariato Apostólico de Tonkin e Oriental Dominicana Terciária + 19 de dezembro de 1839
46. ANDRÉ DUNG LAC , padre Vicariato Apostólico de ocidental Tonkin
47.    Pedro Van Thi Truong , sacerdote vietnamita + 21 de dezembro de 1839.
48.    Paulo Pham Khac Khoan , sacerdote vietnamita.
49.    João Batista Dinh Van do que , leigo catequista
50.  Pedro Nguyen Van Hieu , secular e catequista + 28 de abril de 1840.
51.     José Do Quang Hien , um padre dominicano + 9 de maio de 1840 
52.  Lucas Vu Ba , um sacerdote do Vicariato Apostólico de Tonkin + 05 de junho de 1840
53.    Tomé Toan , um leigo do Vicariato Apostólico de Tonkin Oriental, catequista e Terciário Dominicana + 27 de junho de 1840
54.     Pedro Nguyen Khac Tu , catequista
55.    Antônio Nguyen Huu (Nam) Quynh , leigo + 10 de julho de 1840
56.     Domingos Trac , um padre dominicano + 18 de setembro de 1840
57.      José Nguyen Dinh Nghi , sacerdote vietnamita
58.      Paulo Nguyen Ngan , sacerdote vietnamita
59.      Martinho Ta Duc Thinh , sacerdote vietnamita
60.      Martinho Tho , sacerdote vietnamita
61.      João Batista , secular 08 de novembro de 1840
62.      Simão Phan Dac Hoa , médico, prefeito e pai + 12 dez 1840
63.      Inês Le Thi Thanh (De) ,  mãe + 12 jul 1841
64.      Pedro Khanh , sacerdote vietnamita + 12 jul 1842 52890
65.      Mateus Le Van Gam , secular casado 11 de maio de 1847 +
66. Agostinho Schoeffler , sacerdote da Sociedade das Missões Estrangeiras de Paris + 01 de maio de 1851
67. João Luís Bonnard , sacerdote da Sociedade das Missões Estrangeiras de Paris + 01 de maio de 1852
68.   Felipe Phan Van Minh , sacerdote vietnamita + 03 de julho de 1853
69.     José Nguyen Van Luu , leigo catequista e 2 de maio, 1854 +
70.    André Nguyen Kim Thong (Nam Thuong) , leigo catequista e + 15 de julho de 1855
71. Lourenço Nguyen Van Huong , sacerdote vietnamita + 13 de fevereiro de 1856
72.     Paulo Le Bao Tinh , sacerdote vietnamita + 06 abril de 1857
73.     Miguel Ho Dinh Hy , leigo casado + 22 de maio de 1857
74.      Pedro Doan Van Van , catequista leigo e + 25 de maio de 1857
75. José Maria Diaz Sanjurjo , um padre dominicano e vigário apostólico de Tonkin Ocidental + 20 de julho de 1857
76.  José Melchior García-Suárez Sampedro , um padre dominicano + 28 de julho de 1858
77.     Francisco Tran Van Trung , secular 06 de outubro de 1858 +
78. Domingos Mau , sacerdote vietnamita dominicano + 05 de novembro de 1858 37480
79.        Domingos Pham Trong (An) Kham , leiga
80.       José Pham Trong Ta , secular.
81.       Lucas Pham Trong (Cai) , leigo casado.
82.       Domingos Pham dominicano Terciário + 13 janeiro de 1859.
83.   Paulo Le Van Loc , sacerdote vietnamita + 13 de fevereiro de 1859.
84.   Domingos Cam, sacerdote vietnamita e membro da Fraternidade Sacerdotal Dominicana + 11 março de 1859
85.     Paulo Hanh, secular + 28 de maio de 1859
86.      Pedro Doan Cong Quy , sacerdote vietnamita
87.      Emanuel Le Van Phung , secular casado 31 de julho de 1859
88.  Tomé Khuong , sacerdote vietnamita e membro da Fraternidade Sacerdotal Dominicana + 30 de janeiro 1860
89.     José Le Dang Thi , leigo casado + 24 de outubro de 1860
90.   Pedro Francisco Néron, um sacerdote da Sociedade das Missões Estrangeiras de Paris + 03 de novembro de 1860
91.  João Teófanes Venard , um sacerdote da Sociedade das Missões Estrangeiras de Paris 02 de fevereiro de 1861
92.   Pedro Nguyen Van Luu,  sacerdote vietnamita + 7 de abril de 1861.
93.     José Tuan (Hoan) , padre dominicano + 30 abr 1861
94.     João Doan Trinh Hoan , sacerdote vietnamita
95.    Mateus Nguyen Van Dac (Phuong) , secular casado 26 de maio de 1861
96. Jerônimo Hermosilla Aransáez,  padre dominicano e Vigário Apostólico de Tonkin Ocidental
97.  Valentino Berrio Ochoa De Arizti , padre dominicano e Vigário Apostólico de Tonkin Central
98. Pedro José Ribera Almato Auras , padre dominicano + 01 de novembro de 1861 90 434
99. Estevão Teodoro Cuenot , padre parisiense da Sociedade de Missões Estrangeiras e Vigário Apostólico de Cochinchina + 14 nov 1861
100.José Nguyen Duy Khang , leigo catequista e uma terciária dominicana + 06 de dezembro de 1861
101.  José Tuan , pai + 7 de janeiro de 1862
102.  Laurenço Ngon , secular casado + 22 maio 1862
103.  José Tuc , jovem leigo + 1 de junho de 1862
104.  Domingos Ninh , secular + 1 de junho de 1862
105.  Domingos Toai , leigo casado
106.  Domingos Huyen , secular casado 05 de junho de 1862
107.  Pedro Thuan , secular casado
108.  Pedro Dung , secular
109.  Vicente Duong , secular casado 6 de junho de 1862 +
110.  Domingos Nguyen , leigo casado
111.  Domingos Nhi , leigo
112.  Domingos Mao , secular casado
113.  Vicente Tuong , secular
114.  André Tuong, secular + 16 de junho de 1862.
115.  Pedro De, leigo casado + 17 junho, 1862
116. São Pedro Borié, Presbítero francês e Mártir (Vietnam, 1838)
117. José Cânh, leigo (+ em 1838)













Martírio de São José Marchand

São Pedro Borie, Presbítero e Mártir (Vietnam, 1838)