Páginas

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Beata Chiara Luce Badano, Virgem (Movimento dos Focolares)


Foto usada na Beatificação de Chiara Luce Badano

     Hoje trago ao conhecimento dos leitores do Blog uma belíssima história: a vida da jovem e contemporânea Beata Chiara (em português: Clara) Badano, dita Chiara "Luce" (Luz), ficando assim, mais conhecida como Beata Chiara Luce (Sassello, 29 de outubro de 1971 - Turim, 07 de outubro de 1990).
     Por sua juventude (morreu aos 19 anos), foi escolhida para ser um dos padroeiros da Jornada Mundial da Juventude (JMJ), no Rio de Janeiro, em 2013. 
     Chiara Badano era bonita, gostava de esportes e os seus amigos consideravam-na uma pessoa extraordinária. Aos 17 anos foi-lhe diagnosticado um tumor ósseo e começou a enfrentar a doença confiando tudo a Deus. Transmitia a todos serenidade, paz e alegria, e, diante do sofrimento, dizia: "Se é assim que queres, Jesus, também o quero". A sua vida é um exemplo para muitas pessoas. Poucos dias antes de sua partida para o céu dizia aos seus amigos: "Eu já não posso correr, mas, gostaria de vos passar a chama, como nas Olimpíadas"
    Após sua beatificação, e, já antes dela, muitos jovens a consideram como modelo para todos seguirem. Foi dito que "isso ajudará a nadar contra a correnteza do mundo consumista que se vive na atualidade". 


     ASPECTOS FÍSICOS E PSICOLÓGICOS

Chiara Luce: uma jovem bela, feliz e que
amava Jesus e a Igreja
    Possuía olhos límpidos e grandes, um sorriso, para alguns, doce, no entanto, comunicativo, inteligente e determinado. Era alegre e esportiva. Foi educada pela mãe com as parábolas do Evangelho e, no dizer dos que a conheceram, aprendeu a conversar com Jesus e a lhe dizer sempre sim. 
   Era uma "esportista por excelência". Gostava de patinar, das montanhas e do mar. Lembra sua mãe: "era uma menina cheia de vida. Gostava de rir, cantar e dançar. Era uma jovem maravilhosa", complementa. 
    Desde que era pequena distinguia-se pelo amor e caridade que tinha pelos "últimos", a quem cobria de atenções e serviços. Muitas vezes renunciava a momentos de divertimento. Quando estava no jardim da infância, guardava as suas economias numa pequena caixa para as "crianças de cor"; e sonhava que um dia poderia ir à África como médica para cuidar delas. No período da escola primária dava a sua merenda a uma colega pobre. Quando Chiara contou isso à mãe, ela começou a colocar todos os dias duas merendas. Ainda assim, Chiara continuou a distribuir para as crianças pobres, porque nelas via a face de Jesus Cristo. 
A Beata Chiara em sua Primeira Comunhão
   Foi uma menina muito normal, mas, com algo a mais. Era extremamente dócil à graça e aos projetos que Deus tinha para ela e que, aos poucos, foram se revelando. No dia que fez a sua Primeira Comunhão, recebeu um presente muito especial: o livro dos Evangelhos. Foi para ela um "magnífico livro" e uma "extraordinária mensagem", como havia afirmado: "Para mim, é fácil aprender o alfabeto. Deve ser a mesma coisa viver o Evangelho"!
    Tinha um profundo amor pelo próximo, pela Igreja Católica e pelo Papa João Paulo II. Certo dia, sua mãe foi à escola onde Chiara estudava para conversar com uma professora que, perplexa, disse à mãe: "Na vida, a sua filha será juíza ou advogada". Em casa, ela pede uma explicação sobre isso à filha. Chiara então lhe explica que a professora, que não acreditava em Deus, falou mal do Papa, pois, o critica pelas inúmeras viagens: "Eu me levantei e lhe disse: 'Não concordo com o que a senhora disse'. E acrescentei que o Papa viaja unicamente para evangelizar o mundo". 
    Desde muito jovem fez o propósito de "não doar Jesus aos amigos com as palavras, mas, com o comportamento". Tudo isso nem sempre é fácil; de fato, repetirá algumas vezes: "Como é duro ir contra a corrente"! E, para conseguir superar cada obstáculo, repetia: "É por ti, Jesus"! 



A Beata Chiara Luce com aproximadamente 8 - 9 anos de idade
      BIOGRAFIA

   Chiara Luce nasceu em uma família simples. Filha de pais católicos praticantes, chamados Maria Teresa e Ruggero Badano. Filha única, depois de 11 anos de tentativas para ter um filho. Sua chegada é considerada uma graça de Nossa Senhora das Pedras. Foi educada nos ensinamentos de seus pais para se tornar uma cristã. "Mas percebemos logo que não era filha apenas nossa. Era, antes de tudo, filha de Deus e, como tal, a devíamos educar, respeitando a sua liberdade", conta a sua mãe, Maria Teresa. 
      Aos 9 anos entrou como Gen (Geração Nova) no Movimento dos Focolares. Viveu a sua espiritualidade e, pouco a pouco, envolveu os pais. Desde então, a sua vida foi uma subida, tentando "colocar a Deus em primeiro lugar". Prosseguiu os estudos até o Liceu clássico e ofereceu a Jesus as suas dificuldades e sofrimentos. 
       





A Beata com aproximadamente 14 anos
Aos 13 anos, começou a fazer parte do Gen 3 da Ligúria e, pela sua coerência de vida, era por vezes muito criticada por amigas e até mesmo por sacerdotes. Foi ridicularizada, porque era uma Gen e ia à Missa também durante a semana. Participava com atenção da aula de religião, procurava amar a todos os professores, mesmo os mais difíceis e era muito disponível para ajudar a todos. Por isso, as crianças chamavam-na de "freira". Isso fê-la sofrer muito, mas, na Mariápolis encontrou a resposta n'Ele, isto é, em Jesus Abandonado. 



Beata Chiara Luce Badano: uma jovem "normal"
     Aos 17 anos, de repente, uma dor aguda no ombro esquerdo revelou, nos exames e nas inúteis operações, um osteossarcoma que deu início a um calvário de dois anos aproximadamente. Depois que ouviu o diagnóstico, Chiara não chorou, nem se revoltou: ficou imóvel, em silêncio, e, depois de 25 minutos, saiu de seus lábios o "sim" à vontade de Deus. Repetirá muitas vezes: "Se é o que queres, Jesus, é o que eu também quero". 
       Assim, aos 19 anos, no dia 7 de outubro de 1990, faleceu, após uma noite muito dolorosa. 



      A DOENÇA

O início da caminhada mais íntima de Chiara, na ida em rumo ao seu "Esposo Jesus", como gostava de chamá-lo, ocorreu em 1989, próxima de completar 18 anos. Uma forte dor nas costas e ombro esquerdo a acometeu durante uma partida de tênis. Isso causou uma suspeita dos médicos. Foram vários exames clínicos e de todos os tipos para se definir a causa das dores. Logo chegou-se a um diagnóstico: estava com um osteossarcoma (tumor ósseo maligno). Continuaram as consultas e exames, até que, no final de fevereiro de 1989, Chiara fez a primeira operação. As esperanças são poucas. As jovens que partilham de seu mesmo ideal e outras pessoas do Movimento se alternam em visitas ao hospital, para sustentar a ela e sua família com a unidade e a ajuda concreta. 
As internações no hospital, em Turim, tornam-se cada vez mais frequentes e os tratamentos são muito dolorosos. Chiara os enfrenta com grande coragem. Diante de cada nova "surpresa" o seu oferecimento é decidido: "Por ti, Jesus! Se tu queres, eu também quero"!
Depois que ouve o diagnóstico de que está com câncer, Chiara não chora, não se revolta e fica imóvel e em silêncio. Após 25 minutos, saiu de seus lábios o seu "sim" à vontade de Deus. Repetiu muitas vezes: "Se é o que você quer, Jesus, é o que eu quero também". 



Sua alegria e bom humor contagiavam a quem a visitava.


A Beata Chiara sempre muito feliz, apesar da doença
estar progredindo para o êxito fatal


Assim sendo, não perde o sorriso luminoso e enfrenta tratamentos dolorosos e arrastava no mesmo Amor a quem dela se aproximava. Ela não aceita receber morfina (analgésico potente) para não perder a lucidez e ofereceu tudo pela Igreja, pelos jovens, os ateus, pelo Movimento, pelas missões, etc. E permaneceu serena e forte. Repetia: "Não tenho mais nada, contudo, tenho o meu coração e, com ele, posso sempre amar". 
          Em seu quarto, no hospital de Turim e em casa, qualquer lugar era um lugar de encontro, de apostolado e de unidade: era a sua igreja. No coração de Chiara se encontrava um amor grande como um interminável oceano. Assim, mesmo doente, dizia: "Agora não tenho mais nada sadio. Porém, tenho ainda o coração com o qual posso sempre amar". 
    Também os médicos, até mesmo aqueles católicos não praticantes, ficavam desconsertados com a paz que se sentia ao seu redor e alguns deles se reaproximaram de Deus. Se sentiam "atraídos como por um ímã" e ainda hoje se recordam dela, falam sobre ela e a invocam. O médico que a acompanhava, cético e muito crítico em relação à Igreja, fica cada vez mais profundamente tocado pelo testemunho seu e de seus pais. "Desde quando conheci Chiara alguma coisa mudou dentro de mim. Aqui existe coerência. Aqui, na minha opinião, todo o cristianismo se encaixa". "Fora do comum", "extraordinário", "incrível", foram alguns dos adjetivos usados por esses médicos, que descrevem a sua serenidade e a fortaleza pela forma que Chiara encarou esse doença mortal. "É verdade. A sua atitude não era normal, porque completamente sobrenatural, fruto da graça divina, da fé infinita e do heroísmo cheio de virtude. Ela falava do vestido de noiva para o seu funeral, como faria uma jovem que se prepara para o matrimônio. Dizia: 'Eu não choro, porque estou feliz'." Ela dizia à mãe: "Quando me quiser encontrar, olhe para o céu. Me encontrará numa estrelinha". 
       Quando sua mãe lhe perguntou se sofria muito, ela responde: "Jesus tira de mim as manchas dos pontinhos pretos com a água sanitária e isso queima. Quando eu chegar ao Paraíso, serei branca como a neve". Estava totalmente convencida do Amor de Deus por ela. E, de fato, afirmava: "Deus me ama imensamente", e, depois de uma noite particularmente dura, acrescentou: "Sofria muito,mas, a minha alma cantava"... 
       Os amigos que foram visitá-la e consolá-la, acabavam por voltar para casa consolados. Pouco antes de partir para o Céu, ela revelou: "Vocês não podem imaginar como é agora o meu relacionamento com Jesus... Sinto que Deus me pede algo mais, algo maior. Talvez seja ficar neste leito por anos, não sei. Interessa-me unicamente a vontade de Deus, fazê-la bem no momento presente: aceitar os desafios de Deus. Se agora me perguntassem se quero andar (a doença chegou a paralisar suas pernas com contrações muito dolorosas), eu diria não, porque, assim, estou mais perto de Jesus". Embora vivendo essa imobilidade, Chiara ainda era muito ativa. Pelo telefone acompanhou o "Grupo de Jovens por um Mundo Unido de Savona". Mandando mensagens, cartões e cartazes, faz sentir sua presença nos Congressos e atividades. Procurou todos os meios para fazer com que seus amigos e colegas de escola conheçam os Gen e as Gen. Convida muitos deles para o Genfest 90 (encontro internacional dos Jovens por um Mundo Unido, realizado em Roma, em maio de 1990), que tem a alegria de assistir graças a uma antena parabólica montada no teto de sua casa. 
A Beata Chiara Luce Badano, sempre sorridente,
atendendo a um telefonema.

       Chiara, pela insistência de muitas pessoas, escreveu num bilhetinho a Nossa Senhora: Mãezinha Celeste, eu te peço o milagre da minha cura; se isso não for vontade de Deus, peço-te a força para nunca ceder" e permanecerá fiel a este propósito. 



       No início do verão os médicos percebem que o tratamento não surte efeito e decidem interromper as terapias. "É impossível parar a doença". Então, eles informam a Chiara Lubich sobre a situação da menina Chiara Badano. Esse é o dia 19 de julho de 1990: "A medicina depôs as suas armas. Interrompendo os tratamentos, as dores nas costas aumentaram e quase não consigo mais me mexer. Sinto-me tão pequena e o caminho a percorrer é tão árduo... muitas vezes sinto-me sufocada pela dor. Mas, é o Esposo que vem me encontrar, não é? Sim, eu também repito, com você: 'Se tu queres, eu também quero'... Tenho certeza que com Ele venceremos o mundo"! 
      Para viver bem o cristianismo, Chiara procurou participar da Missa todos os dias, quando recebia Jesus que tanto amava. Tinha por hábito ler e meditar a Palavra de Deus. Assim, muitas vezes refletia sobre a frase de Chiara Lubich: "Serei santa, se for santa já". 
       Quando viu que a mãe estava preocupada, pois ficaria sem ela, Chiara continuou a repetir: "Confie em Deus, pois, você fez tudo"; e "Quando eu tiver morrido, siga Deus e encontrará a força para ir em frente". 
      Ela acolheu com amabilidade a todos que foram visitá-la e escutava e oferecia o próprio sofrimento, porque dizia: "Eu tenho mesmo a matéria"! E nos últimos encontros com o seu bispo, manifestou um grande amor pela Igreja. Enquanto isso, o mal avançava sobre ela e as dores aumentavam. Não se ouviu nenhum lamento dos seus lábios, mas, somente: "Com você, Jesus! Por você, Jesus"! 
      Chiara se preparou para o encontro: "É o Esposo que vem me encontrar", e escolhe o vestido de noiva, as canções e as orações para a "sua" Missa; o rito deverá ser uma "festa", onde "ninguém deverá chorar". 
       Recebendo pela última vez Jesus na Eucaristia parece imersa nele e suplica que seja recitada a oração: "Vinde, Espírito Santo, mandai do Céu um raio da tua luz". 
       O nome "Luce" (luz) lhe foi dado por Chiara Lubich, com quem teve um intenso e filial relacionamento epistolar desde pequenina. 
        Chiara, assim como Moisés, estava chegando ao momento final da sua santa viagem. Alcançou o mais alto da montanha santa mais elevada e ficou frente a frente com o Deus Trindade. Dali irradiou luz e alegria, ao voltar a entregar ao seu próximo as tábuas da Lei, como dez divinas palavras de amor e as bem-aventuranças de Jesus, para orientar a vida terrena em direção ao sol de Deus. 
        Não teve medo de morrer e disse à sua mãe: "Não peço mais a Jesus para vir me pegar e me levar para o Paraíso, porque quero ainda lhe oferecer o meu sofrimento, para dividir com ele ainda por um pouco a cruz". Um pensamento especial aos jovens: "... Os jovens são o futuro. Eu não posso mais correr. Porém, gostaria de lhes passar a tocha, como nas Olimpíadas. Os jovens tem uma vida só e vale a pena empregá-la bem"! 
      Suas últimas palavras - que não foram o seu último ato de amor, porque esse foi a doação das suas córneas a dois jovens  - quando se despediu foram: "Tchau, mamãe! Esteja feliz, porque eu estou feliz", relata Maria Teresa. 
O corpo da Beata Chiara em seu leito de morte

A serenidade em seu rosto


      A BEATIFICAÇÃO
      A iniciativa do processo de beatificação deve-se ao bispo de Acqui, Dom Lívio Maritano, que conheceu Chiara Badano pessoalmente. Eis a motivação: "Pareceu-me que o seu testemunho foi significativo, sobretudo para os jovens. Precisamos de santidade nos dias de hoje. Temos que ajudar os jovens a encontrar uma orientação, um objetivo, a ultrapassar a insegurança e a solidão, os seus enigmas perante os insucessos, o sofrimento, a morte e todas as preocupações. O testemunho de fé e de fortaleza desta jovem é surpreendente. Impressiona, leva muitas pessoas a mudar de vida. Temos testemunhos quase todos os dias". 
      O processo durou quase 11 anos. A fase diocesana ficou entre 11 de junho de 1999 e 21 de agosto de 2000. No Vaticano, entre 23 de agosto de 2000 a 08 de julho de 2008, quando a Serva de Deus, com o reconhecimento das "virtudes heróicas", foi declarada "Venerável". 
        No dia 10 de dezembro de 2009, foi proclamado o decreto pontifício sobre o milagre por intercessão de Chiara Badano: a cura imprevista e inexplicável de um rapaz de Trieste, com uma gravíssima forma de meningite fulminante. Os médicos haviam lhe dado apenas 48 horas de vida. 


Cerimônia de Beatificação de Chiara Luce Badano
(No canto esquerdo da foto, seus pais, Ruggero e Maria Teresa)

      A postura decidida da jovem alcançou um de seus frutos mais importantes no sábado, dia 25 de setembro de 2010. Foi nesse mesmo dia que a Igreja proclamou oficialmente essa italiana como Beata, a primeira integrante do Movimento dos Focolares a alcançar esse reconhecimento - a jovem era extremamente ativa no Gen (Geração Nova), setor juvenil do Movimento. Participaram da cerimônia milhares de pessoas, de mais de 40 países dos cinco continentes. 
       Beata Chiara Luce, rogai por nós! 


(fonte de pesquisa: Wikipédia) 

       
       




















sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Beatas Maria Teresa Ferragud Roig e suas Quatro Filhas, Mártires (Espanha, 1936)

Hoje, a Igreja faz a memória (facultativa) das Bem-Aventuradas Maria Teresa Ferragud Roig e de suas quatro filhas religiosas, mártires. Todas foram vítimas do ódio à fé católica impetrado pelos "revolucionários" da famigerada Guerra Civil Espanhola, em 1936. 


    A Beata Maria Teresa, mãe de família, católica fervorosa, soube implantar em sua casa uma profunda vivência da fé. Lá ia-se à missa diariamente, além da reza cotidiana do santo rosário, bem como a visita frequente ao Santíssimo Sacramento. Os frutos dessa religião? Quatro filhas que se consagraram ao Senhor na vida religiosa: Maria de Jesus, Maria Verônica e Maria Felicidade (que se tornaram monjas clarissas capuchinhas) bem como Josefa da Purificação, que se tornou monja agostiniana descalça.
    Em 1936, quando ocorreu a violenta perseguição à Igreja, todas foram chamadas a testemunhar sua fé pelo martírio. 
Beata Josefa
    À semelhança da mãe e irmãos Macabeus, a Beata Maria Teresa assistiu as suas filhas sendo fuziladas uma a uma, com o brado de "Viva Cristo Rei" nos lábios, enquanto a mesma as encorajava a aceitar com amor a morte e a perdoar os seus inimigos. Quando chegou a sua vez de ser fuzilada, um de seus assassinos disse: "mulher velha (já tinha 84 anos), não tens medo de morrer"? Ao que ela respondeu: "desejo ardentemente ir para onde minhas filhas já estão: junto ao Senhor". Quando tombou ao chão, um de seus verdugos disse: "Esta mulher era realmente uma santa". 
    Que as Beatas rezem pelas famílias, especialmente as do nosso país, tão assoladas pelo pecado e por tantos vícios. 

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Bem-Aventurados André de Soveral, Ambrósio Francisco Ferro, Presbíteros, Mateus Moreira e outros 27 companheiros leigos, Mártires


No dia 03 de outubro, a Igreja no Brasil comemora a Memória dos Protomártires do Brasil: os Beatos André de Soveral, Ambrósio Francisco Ferro, presbíteros, Mateus Moreira e outros 27 companheiros leigos, Mártires, brutalmente trucidados pelos invasores holandeses e índios a eles associados em 1645.
Todos conhecem um pouco da história da ocupação holandesa no Nordeste do Brasil. Os países baixos, antiga possessão espanhola e em guerra contra a Espanha, atacaram o Brasil, que na época tinha como soberano o Rei Felipe II, espanhol. A 1ª invasão ocorreu em maio de 1624, quando os holandeses tomaram a Bahia; foram expulsos em 1625, com ajuda de uma frota espanhola. Não desistiram, e em 1630 invadiram Pernambuco, tomando Olinda e Recife. Conseguiram fixar-se e aumentar os seus domínios em todo o litoral nordestino: Maranhão, Ceará, Piauí, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas e Sergipe. Para governar Pernambuco foi enviado o príncipe
Maurício de Nassau, que governou com muita habilidade, atraindo a amizade dos brasileiros.


No Rio Grande
Os holandeses chegaram à Capitania do Rio Grande, hoje Estado do Rio Grande do Norte, dia 8 de dezembro de 1633. Depois da rendição dos portugueses da Fortaleza dos Reis Magos, que defendia a entrada marítima da cidade, a principal preocupação dos invasores foi assumir, o quanto antes, os pontos estratégicos que garantiam a economia da região e a subsistência da população. A principal fonte de renda era o gado, seguido da cana-de-açúcar.
Havia dois engenhos: o Potengi, economicamente decadente, e o Cunhaú. Ora, quando os holandeses chegaram a Natal, vários moradores importantes refugiaram-se no Potengi, propriedade de um deles, na esperança de que viesse ajuda da Paraíba e Pernambuco. Foram perseguidos. Os invasores, com a ajuda dos índios Tapuias, mataram Francisco Coelho, dono do engenho, sua mulher e seis filhos, e todas as outras pessoas que ali se encontravam, em número de 60. Este foi o primeiro massacre realizado pelos holandeses no Rio Grande. Como não havia a motivação religiosa, não é considerado um martírio pela fé.
Enquanto o Potengi estava quase desativado, o engenho Cunhaú era o mais importante centro da economia da capitania. Foi por isso palco de muitas lutas pelo seu controle, entre portugueses, índios e holandeses. Passadas todas as turbulências no período inicial da invasão, a vida do engenho voltou a sua normalidade. Ao redor da capela de Nossa Senhora das Candeias, da casa grande e do engenho, viviam pacatamente 70 modestos colonos e suas famílias. Durante a ocupação holandesa, a Igreja no Rio Grande do Norte, implantada pelo trabalho missionário dos jesuítas e estruturada em duas paróquias, a de Natal e a de Cunhaú, passou por um período de crise causada pelas autoridades hostis à Igreja e pela busca de novos fiéis por pastores calvinistas.
O calvinismo era a principal religião em terras flamengas (Holanda e parte da atual Bélgica). Com o tempo essa situação hostil transformou-se em verdadeira perseguição religiosa, que culminou com os massacres de Cunhaú e Uruaçu.



Martírio de Cunhaú
Dia 15 de julho chegou a Cunhaú Jacó Rabe, trazendo consigo, como sempre, seus amigos e liderados, os ferozes tapuias, e, além deles, alguns potiguares com o chefe Jerera e soldados holandeses. Jacó Rabe era conhecido por seus saques e desmandos, feitos com a conivência dos holandeses, deixando um rastro de destruição por onde passava. Dizendo-se em missão oficial pelo Supremo Conselho Holandês do Recife, convoca a população para ouvir as ordens do Conselho após a missa dominical no dia seguinte. Sua simples presença deixou todos tensos e temerosos.
Uma chuva torrencial na manhã de domingo, dia 16, alagando sobremaneira os caminhos da região, impediu que o número de pessoas a comparecer na missa fosse maior. Foi uma chuva providencial.
Pelo receio de Rabe, alguns esperaram na casa de engenho. Os fiéis chegaram, em grupos de famílias, para cumprir o preceito dominical, e Pe. André de Soveral iniciou a missa...
Beato André de Soveral, presbítero
Após a elevação da hóstia e do cálice, erguendo o Corpo do Senhor para a adoração dos presentes, a um sinal de Jacó Rabe, foram fechadas todas as portas da igreja e se deu início à terrível carnificina”. Foram cenas de grande atrocidade: os fiéis em oração, tomados de surpresa e completamente indefesos, foram covardemente atacados e mortos pelos flamengos com a ajuda dos tapuias e dos potiguares. Ao perceber que iam ser mesmo sacrificados, os fiéis não se rebelaram. Ao contrário, "entre ânsias se confessaram ao sumo sacerdote Jesus Cristo Senhor Nosso, pedindo-lhe cada qual, com grande contrição, perdão de suas culpas", enquanto o Pe. André estava "exortando-os a bem morrer, rezando apressadamente o ofício da agonia".
Os primeiros ataques ao venerando sacerdote, Pe. André de Soveral, partiram dos tapuias. O Padre, porém, falando a língua indígena na qual era bem versado, exortou-os a não tocar na sua pessoa ou nas imagens e objetos do altar, sob pena de ficarem tolhidas as mãos e as partes do corpo que o fizessem. Os tapuias recuaram receosos. Mas os potiguares não deram importância às palavras do sacerdote, arremetendo contra o ministro de Deus e "fazendo-o em pedaços". O autor da façanha foi o principal dos potiguares, Jerera, que, empunhando uma adaga, feriu de morte o Pe. André"( PEREIRA, F. de Assis. Protomártires do Brasil, p.16s).
Os que haviam se refugiado na casa do senhor de engenho tiveram a mesma sorte. Após a igreja, esta foi invadida. Três conseguiram fugir escapando pelos telhados. Os outros tentaram se defender como puderam, mas também foram mortos.
A disposição dos fiéis à hora da morte era a de verdadeiros mártires, ou seja, aceitando voluntariamente o martírio por amor a Cristo. Os assassinos agiam em nome de um governo que hostilizava abertamente a Igreja Católica, a religião do governo português, do qual eram adversários. As vítimas tinham plena consciência disso.
De toda essa numerosa multidão de mártires, cerca de 70 pessoas, apenas duas foram identificadas, e, por isso, beatificadas: Pe. André de Soveral e Domingos de Carvalho.



Martírio de Uruaçu
A notícia do massacre de Cunhaú espalhou-se por todo o Rio Grande e capitanias vizinhas, deixando a população aterrorizada, temendo novos ataques dos tapuias e potiguares, instigados pelos holandeses. Mesmo suspeitando dessa conivência do governo holandês, alguns moradores influentes pediram asilo ao comandante da Fortaleza dos Reis Magos. Assim, foram recebidos como hóspedes o vigário Pe. Ambrósio Francisco Ferro, Antônio Vilela, o Moço, Francisco de Bastos, Diogo Pereira e José do Porto.
Beato Ambrósio Francisco, presb.
Os outros moradores (a grande maioria), não podendo ficar no Forte, assumiram a sua própria defesa, construindo uma fortificação na pequena cidade de Potengi, a 25 quilômetros da Fortaleza.
Enquanto isso, Jacó Rabe prosseguia com seus crimes. Após passar por várias localidades do Rio Grande e da Paraíba, chegou a setembro à Casa Forte do francês João Lostau Navarro, a poucos  quilômetros de Natal. Vários moradores foram mortos e o proprietário, por ser estrangeiro, foi levado ao Forte dos Reis Magos. No Forte encontrou-se com os nossos conhecidos hóspedes e outro prisioneiro, Antônio Vilela Cid. Este era acusado de cumplicidade na morte de um holandês e de fazer parte de uma conspiração pela expulsão dos holandeses.
Rabe foi então à Potengi, e encontrou heroica resistência armada dos fortificados. Como sabiam que ele mandara matar os inocentes de Cunhaú, resistiram o mais que puderam, por 16 dias, até que chegaram duas peças de artilharia vindas da Fortaleza dos Reis Magos. Não tinham como enfrentá-las.
Depuseram as armas e entregaram-se nas mãos Deus. Cinco reféns foram levados à Fortaleza: Estevão Machado de Miranda, Francisco Mendes Pereira, Vicente de Souza Pereira, João da Silveira e Simão Correia.
Desse modo, os moradores do Rio Grande ficaram em dois grupos: doze na fortaleza e o restante sob custódia em Potengi.
Dia 2 de outubro chegaram ordens de Recife mandando matar todos os moradores, o que foi feito no dia seguinte, três de outubro. Os holandeses decidiram eliminar primeiro os 12 da Fortaleza, por serem pessoas influentes, servindo de exemplo: o vigário, um escabino, um rico proprietário. Foram embarcados e levados rio acima para o porto de Uruaçu. Lá os esperava o chefe indígena potiguar Antônio Paraopaba e um pelotão armado de duzentos índios seus comandados. Este chefe fora educado na Holanda e convertido à religião calvinista, da qual era fanático defensor. Mais tarde os holandeses o fizeram regedor dos índios da Capitania do Rio Grande.
Logo que chegaram, os flamengos ordenaram aos doze que se despissem e ajoelhassem. Chamando os índios, que estavam emboscados, estes cercaram os pobres indefesos e deram início à requintada carnificina que se seguiu.
Mons. Assis, o postulador da causa desses nossos queridos beatos, por dever de ofício e necessária precisão histórica, narra os tormentos e crueldades praticados tanto por índios como por holandeses (PEREIRA, F. de Assis. Protomártires do Brasil, p. 36-44; também p. 109-114)...
Impossível ler aquelas páginas e não chorar! Santo Deus! Como resistiram a tanta crueldade? Só mesmo a força da graça divina, que se manifesta na fraqueza humana, pode explicar o heroísmo desse transe! Antes de receberem a palma do martírio na Glória do céu, o mínimo que lhes aconteceu foi terem olhos, orelhas e línguas arrancadas, órgãos sexuais cortados e colocados em suas bocas...ainda vivos! Os que não morreram por essas e outras crueldades, começaram a ter os membros cortados, e, dessa forma, entregaram a alma a Deus. Depois de mortos, a barbárie continuou, e seus corpos foram feitos em pedaços... Em contraste a essa violência, temos a atitude serena e profundamente cristã das vítimas. Além disso, importantíssimo para a caracterização do martírio pela fé, foi justamente a presença de um pastor protestante calvinista, que tentou fazê-los abjurar a fé católica e converterem-se à religião dos flamengos. Confessaram a alta voz que morriam na verdadeira fé:
"Pedindo todos a Deus que tivesse deles misericórdia, e lhes perdoasse suas culpas e pecados, protestando que morriam firmes na santa fé católica crendo o que cria a santa madre Igreja de Roma" (SANTIAGO, D. L.. História da Guerra de Pernambuco, p. 346, citado em: PEREIRA, F. de Assis. Protomártires do Brasil, p. 38)
É importante ser ressaltado isso, pois não era simplesmente uma perseguição política. Era claro para as vítimas que ceder aos invasores era ceder aos hereges calvinistas; era trair ao Rei, o soberano português, e à Religião Católica. Era esse o sentir das pessoas então; vencer e expulsar os invasores era defender a pátria e vencer para Deus e a verdadeira fé. Nas atrocidades do martírio também se manifesta o ódio à fé católica por parte dos assassinos, pela forma como foi tratado Pe. Ambrósio: por ser sacerdote, estando ainda ele vivo, foi mais duramente torturado. Quanto aos outros moradores que estavam presos em Potengi, também eles não tinham mais ilusões de que sobreviveriam, e teriam o mesmo fim que os inocentes fiéis de Cunhaú.
Aguardavam o martírio em clima de grande religiosidade. Dentro da fortificação, que se tornou cadeia, eram realizadas orações, procissões, jejuns e penitências fortíssimas. As penitências foram tantas que seus corpos depois as denunciavam antes de serem sepultados.
Embora somente os homens é que deveriam ser levados para a morte, sabe-se que algumas mulheres com seus filhos acompanharam os chefes de família e foram  também sacrificados. Quando os soldados holandeses vieram buscá-los, sabiam que iam para o suplício:
"Despediram-se os miseráveis de suas mulheres e filhos com muitas lágrimas, pedindo-lhes com muita eficácia que, pois iam morrer por seu Deus e inocentes, que lhes encomendassem as almas a seu Criador, e a quem pelo caminho foram pedindo perdão de seus pecados, dando-lhe muitas graças. Mui conformes por morrerem daquela sorte, e, antes de serem chegados ao sítio, teatro de crueldade e tirania jamais vista, foram cercados pelos índios, e em chegando viram os cadáveres de seus companheiros e vizinhos que ainda palpitavam com as feridas, com cuja vista não desmaiaram, antes deram a Deus muitas graças consolando-se uns aos outros, e protestando que morriam firmes na fé católica romana.". (PEREIRA, F. de Assis. Protomártires do Brasil, p. 40s)
Beato Mateus Moreira, leigo
  Repetiram-se então as piores atrocidades e barbáries, que os próprios cronistas da época sentiam pejo em contá-las, porque atentavam às leis da moral e modéstia. Em Uruaçu foram mortos os principais moradores de Natal, que por medo dos índios e holandeses tinham se refugiado na Fortaleza dos Reis Magos e na fortificação de Potengi.  Calcula-se em torno de 80 pessoas.
  Merece destaque também o martírio do leigo Mateus Moreira que teve o coração arrancado do peito pelas costas. Quando o carrasco arrancou seu coração, milagrosamente ainda teve forças para bradar em alta voz: "Louvado seja o Santíssimo Sacramento". Foi proclamado Padroeiro dos Ministros Extraordinários da Sagrada Comunhão.



Oração: Para pedir a Deus graças pela intercessão dos Bem-Aventurados Mártires de Cunhaú e Uruaçu:
Santíssima Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo: olhai para o sacrifício e para o sangue que vossos Bem-Aventurados Mártires Padre André de Soveral, Padre Ambrósio Francisco Ferro, Mateus Moreira e Companheiros derramaram em terras brasileiras, testemunhando seu amor, fé e fidelidade a Vós e à Vossa Santa Igreja Católica!
Esses mártires nos deixaram precioso e belo exemplo de constância e perseverança na vida cristã, levada de forma séria, decidida e valorosa, até ao oferecimento da própria vida.
Concedei a nós, que invocamos sua intercessão e proteção que, do Céu, nos alcancem a mesma fé e a mesma caridade que os inflamava! Alcançai-nos também a graça _____________, que tanto necessitamos, se for para o nosso bem, para Vossa maior glória e a de vossos bem-aventurados mártires.
Santíssima Virgem Maria, Rainha dos Mártires, rogai por nós! Amém!

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Santos Anjos Custódios ou da Guarda

Hoje, a Igreja celebra a memória litúrgica dos Santos Anjos Custódios, ou, da guarda, que Deus colocou ao nosso lado para intercederem por nós. 

As Sagradas Escrituras, mais propriamente o Evangelho de São Mateus, citam sua existência: "cuidado por não desprezar nenhum desses pequeninos, porque eu vos digo que seus anjos contemplam sem cessar a face de meu Pai que está nos céus (Mateus 18,10)
No entanto, é importante que entendamos que essa proteção não é "mágica" ou "mítica". Eles não nos livrarão de todos os problemas, tribulações ou tentações da vida, visto que Deus respeita plenamente a nossa liberdade e livre arbítrio. 
No entanto, no Mistério da Comunhão dos Santos, do qual eles fazem parte, podemos contar com sua intercessão perante Deus (na contemplação de sua santíssima Face) para que tenhamos força, coragem e sabedoria diante das vicissitudes da vida. Podemos e devemos também pedir a eles que nos protejam dos ataques de satanás e seus demônios, que tentam a todo momento nos prejudicar em nossa caminhada rumo à Casa do Pai. 
Contemos com tão bons amigos! Neste mundo uma pessoa que tem um amigo influente ou "poderoso", fica todo orgulhoso com isso e se "gaba" de tal amizade. Mais ainda, nós cristãos, podemos nos "gabar" que cada um de nós tem um príncipe do Céu ao nosso lado, nos assistindo e rezando continuamente por nós. 
Peçamos sua proteção e que ele nos ajude, na mesma Caridade de Cristo que nos une, a chegarmos um dia à mesma contemplação da Face de Deus da qual ele goza e gozará eternamente. Amém.